8 MARCO TEÓRICO
8.2.6 La transmisión de la cultura: asunto biológico o asunto simbólico
A região do Vale do Ribeira como destinação turística possui grande potencial. As especifi cidades de suas características naturais e sua peculiaridade sociocultural constituem-se em atributos singulares na oferta turística do Estado de São Paulo, dos outros estados e em âmbito internacional.
Todavia, a atividade turística ocorrente no território objeto de estudo vem se dando de forma heterogênea.
Em termos da motivação de viagem, enquanto no litoral – Bai- xo Ribeira – há incidência do turismo de sol e praia (Iguape, Cananéia e Ilha Comprida), conciliado também por peregrinações religiosas (Iguape), na área do Alto Ribeira (em especial em Iporanga, Eldorado e Apiaí), o turismo caracteriza-se por interesse nas cavidades subterrâneas (cavernas, grutas e lapas), conciliado pelas possibilidades de caminhadas na mata e banhos em rios e cachoeiras.
Nas áreas próximas de grandes centros urbanos (Região Metro- politana de São Paulo e Sorocaba) – no Médio Ribeira, a demanda turís- tica caracteriza-se por segundas-residências com fi nalidades de descanso (São Lourenço da Serra, Juquitiba e Tapiraí).
Tais formas diferenciadas de desenvolvimento turístico são condicionadas pela atratividade de seus elementos naturais e culturais, as condições de acesso às localidades, as facilidades em termos da infra- estrutura existente para abarcar a visitação e, principalmente, em razão das necessidades e dos desejos da demanda consumidora.
No entanto, ao mesmo tempo em que há localidades em estágio “mais avançado” de desenvolvimento turístico, pelo volume de fl uxo, histórico de visitação ou dependência econômica na atividade, existem várias outras localidades no Alto, Médio e Baixo Ribeira em que as possi- bilidades de desenvolvimento turístico dependem de inúmeros fatores em termos de implantação de infra-estrutura, de promoção de vendas e mesmo força de atração da demanda.
Considerando-se o interesse das comunidades regionais no desenvolvimento do turismo, haja vista que é uma das principais alterna- tivas em conjunto com a atividade agrícola e minerária, há crescente expectativa de que a atividade responda às necessidades de desenvolvi- mento socioeconômico e ambiental de toda a região.
Mesmo tendo um sítio privilegiado – entre dois estados da Nação bem inseridos em termos de renda per capita –, há fatores limitantes e restritivos para seu desenvolvimento turístico.
O primeiro aspecto de destaque se refere às difíceis condições sociais e econômicas de toda a Região, fato que se arrasta desde três décadas, legado da implantação das unidades de conservação ambiental em decorrência da região não ter sofrido processo de industrialização, assim como ocorreu em outras regiões do Estado de São Paulo.
As condições de acesso desde os núcleos emissores para a região limitam maior afl uxo e que também fi ca restrito em razão da qualidade das instalações e serviços. Cabe, no entanto, destacar que a timidez do tipo de infra-estrutura instalada não faz com que o turismo deixe de de- senvolver-se em vários pontos, seja pela baixa exigência e/ou tolerância da demanda pelo padrão do equipamento e dos serviços prestados, seja pelo potencial dos atrativos regionais que justifi cam o deslocamento sem o conforto esperado.
Há, no entanto, problemas estruturais que comprometem o uso sustentável dos recursos para fi ns turísticos, a saber: inexistência de pla- nejamentos urbanos e ambientais, enfraquecimento das instituições
públicas municipais, desperdício de investimentos públicos estaduais por duplicação de esforços e, também, inexistência de uma marca regionali- zada, que potencialize a congregação de todas as boas características que compõem os municípios da região, até mesmo em termos de agregar valor na composição de produtos turísticos que sejam complementados por municípios localizados na região do Alto Paranapanema (outra bacia hidrográfi ca – como Itararé, Bom Sucesso do Itararé, Ribeirão Branco, Guapiara, Ribeirão Grande, Capão Bonito, São Miguel Arcanjo, Piedade, entre outros) ou mesmo em outro estado (mesorregião, abrangendo municípios do Estado do Paraná, em especial no caminho a Curitiba), extrapolando os municípios que compõem a bacia do rio Ribeira de Igua- pe –, no estado de São Paulo.
Ao mesmo tempo em que a região do Vale do Ribeira apresen- ta-se como objeto abrangente e complexo, com problemas estruturais e históricos, ela é alvo de inúmeras iniciativas governamentais por meio de programas de diversas naturezas, interesses do terceiro setor local, na- cional e internacional, bem como pela iniciativa privada que identifi ca o potencial econômico do turismo, tanto para o mercado interno quanto até mesmo para o mercado internacional.
Esse interesse de organizações de diversas naturezas e a expec- tativa e necessidades sociais da população regional, ao mesmo tempo em que pressionam pela efi cácia das ações intervenientes na área, também devem ser interpretados como oportunidades, talvez nunca antes vistas, de trabalho convergente, sinérgico e potencializador de soluções para questões as quais o setor público, privado e terceiro setor têm tido difi - culdades de solucionar isoladamente.
Cabe a esse grupo conjugado de atores, doravante, mobilizar a opinião pública e articular ações conjuntas para tornar efetivos resultados decorrentes de esforços convergentes, seja para viabilizar as possibilida- des de desenvolvimento turístico, seja para tratar questões estruturais relativas ao seio social, cultural, ambiental, econômico e político.
Prognóstico da Atividade Turística no Vale do Ribeira
Tendo em vista esse retrospecto, caso não ocorram intervenções na perspectiva analisada, pode-se ter lugar com exponencial aumento de complexidade – cada vez mais difícil de ser gerido, haja vista a disputa de interesses das organizações envolvidas, das lideranças à frente dessas iniciativas, bem como pela falta de articulação entre o público e o privado, características cada vez mais marcantes ao longo das últimas décadas.
Entretanto, a coalizão de esforços pode reduzir o tempo de so- lução dos problemas, custos para consolidação das tarefas, bem como fortalecimento institucional para todas as partes. Nesse sentido, a defi ni- ção de uma agenda comum – e em prol do desenvolvimento da popula- ção do Vale do Ribeira, pode ser o início de uma nova história, e que deverá contemplar estratégias e ações defi nidas de maneira convergente, respeitando as identidades de cada organização colaboradora, balizadas pelos pressupostos do turismo sustentável.