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Transkribering og analysering av data

3.3 Bearbeidelse av datamaterialet

3.3.1 Transkribering og analysering av data

Antes de iniciar a discussão dos dados, cabem na introdução deste item algumas considerações importantes acerca da abordagem conceitual do tema. A construção de ações combinadas no ensino, na pesquisa e na extensão constitui o perfil mais evidente da filosofia do PET na graduação. A linha de condução do Programa, e que são articuladas na diversidade de temáticas e relações conjunturais dos grupos pelo país, é justamente o das ações que envolvem o tripé da atuação universitária. Sabemos que não há um consenso metodológico e nem de definição teórica sobre esses três elementos nas ações do PET, principalmente quando ampliamos a discussão para a sua indissociabilidade. A questão costuma ser, inclusive, largamente discutida nos encontros oficiais promovidos pelos grupos PET (fóruns estaduais, encontro regionais, encontros nacionais). Para os fins dessa

16 Considera-se comunidade externa a comunidade não universitária com as quais os grupos se

pesquisa, a nossa referenciação foi norteada pelos conceitos instituídos nos documentos oficiais que preconizam o ensino, a pesquisa e a extensão como atributos das universidades, de onde decorre sua indissociabilidade e que justifica outro princípio que é o da autonomia didática científica, administrativa e de gestão (BRASIL, 2007b). Consideramos também o entendimento que a própria UFPB tem sobre a questão, registrada em seu Plano de Desenvolvimento Institucional.

Na análise das entrevistas, percebemos que não há unanimidade em relação à atuação dos grupos no campo do ensino, da pesquisa e da extensão. Ainda que a questão da indissociabilidade apareça como um elemento estrutural, especialmente nas suas diretrizes nacionais, não encontramos a “materialização” desse conceito nas diversas falas dos entrevistados. Há grupos em que um elemento da tríade se sobrepõe ao outro. Ou seja, é possível perceber que em alguns a pesquisa é mais evidente, enquanto noutros a extensão é o destaque. No que se refere ao ensino, a maioria dos grupos entendem este elemento como transversal aos demais, principalmente quando referenciados às atividades de extensão:

A gente classificava como atividade de Ensino: a gente tinha um curso de pré-cálculo em que os bolsistas davam o curso, matéria um pouco do ensino médio para quem estava chegando na universidade de qualquer curso ou qualquer pessoa de fora quisesse investir. Então era essa uma atividade de ensino que também era extensão. Outra atividade de ensino e extensão era os “Petinhos”, que dizer, os bolsistas eram incentivados a procurar colégios de Estado para ali montar um grupo de PET onde eles seriam os tutores (Tut 6).

Mesmo que haja em alguns casos a prevalência de uma determinada ação no perfil dos grupos, há nos relatos dos tutores e estudantes sempre a preocupação de integrar as atividades em um movimento organizado, de maneira conjugada, garantindo que os elementos se coadunem em um sentido comum que é refletir positivamente, direta ou indiretamente, na formação dos estudantes. Percebemos que este movimento aproximado com o objetivo da formação qualificada é o que garante a permanência das atividades dos grupos, mesmo diante das fragilidades da integração institucional. Não é o objetivo aqui descrever os tipos de ações que estão sendo desenvolvidas pelos grupos, mas discutir as influências destas ações na

estrutura acadêmica da instituição e como elas refletem no processo de enraizamento do Programa na UFPB. Ao questionarmos sobre as atividades realizadas pelos grupos, as ações descritas aparecem quase sempre aninhadas, expressas de maneira associada:

Foi realmente bastante rápido a integração do PET à comunidade acadêmica na época, o Departamento não tinha nenhuma ação de extensão, nós começamos essa cultura de extensão em nível de Departamento [...] Em nível de graduação, todos começam a fazer pesquisa algum momento após o ingresso no PET, até pela exigência do Programa. Temos que trabalhar com Ensino, Pesquisa e Extensão, e aí ele se distribui pelos laboratórios do Centro. Alguns ficam comigo em nível de pesquisa, mas muitos vão trabalhar em outros laboratórios com outros professores e continuam pertencendo ao PET [...] Em nível de ensino, nós estamos sempre oferendo mini cursos (Tut.c 2).

Quando é um PET curso isso fica um pouco mais fácil, mas um PET interdisciplinar, eles retiram alguns elementos do próprio projeto da extensão e trazem para a parte da pesquisa. É o que está acontecendo com a área de nutrição que eu vou participar da banca de defesa de uma das bolsistas como analisador externo, porque ela trabalhou dentro da comunidade um dos elementos que ela desenvolve a própria pesquisa. Há uma pesquisa guarda chuva, em que medida, essa experiência de inserir-se dentro de comunidades, dentro de escolas, e principalmente o contato com crianças, adolescentes, jovens e adultos em situação de vulnerabilidade, porque isso contribui para formação do petiano (Tut 10).

O trabalho dos grupos, além das atividades desenvolvidas internamente entre o tutor e os estudantes vinculados ao Programa, quando associado às demandas carentes dos cursos, aparecem de maneira mais visível. O que percebemos, entretanto, é uma ausência de maior problematização interna sobre o que efetivamente significaria a atuação no campo do ensino, da pesquisa e da extensão. Em outras palavras, a descrição das atividades dos grupos – algo bastante destacado nas falas espontâneas dos entrevistados – é algo relevante e merece

evidência. Contudo, tanto o elemento de problematização do significado de atuação na tríade (o que justificaria a ênfase de certos grupos mais em um campo do que em outro, por exemplo), quanto à ausência de dados significativos sobre o impacto das atuações do PET no âmbito dos cursos em que se relaciona, são elementos em aberto que poderiam ser mais explorados, no sentido de promover o Programa na UFPB. Apesar da ausência deste estudo de impacto, é a dimensão das atividades promovidas pelos grupos, integradas à agenda de necessidades dos cursos de forma geral, o principal projetor de visibilidade institucional sobre os grupos. Implica dizer que a sintonia entre os projetos desenvolvidos pelos grupos e o atendimento das necessidades demandas pelo curso, cria um espaço de contribuição recíproca.

Por fim, destaca-se a importância dessa atuação acadêmica como forma de enraizamento do Programa na UFPB. Em última instância, o ganho acadêmico tanto dos participantes direto do Programa, quanto da comunidade acadêmica envolvida (especialmente os cursos) é o que justifica um programa em sua atuação no ensino superior. O que nos parece é que tais ganhos são reais no PET, mas necessita de maior visibilidade (elemento político) tanto nas esferas locais (Centros e Departamentos) quanto na própria Universidade. Nesse sentido, o enraizamento estaria diretamente ligado ao reconhecimento do Programa na instituição. Elevados os níveis de reconhecimento, compreendemos que as ações acadêmicas poderiam ser potencializadas, contribuindo para uma atuação mais qualificada do PET na UFPB.