Com base no que foi apresentado até o momento, é razoável que tenhamos nos aproximado da pesquisa do tipo exploratória, uma vez que o objetivo determinado na pesquisa se compromete, sumariamente, em compreender e identificar certos processos de enraizamento do Programa de Educação Tutorial na Universidade Federal da Paraíba e as implicações, tensões e desafios do desdobramento desse programa no cumprimento de seus fins, como política nacional em seu ambiente de execução.
Como nos propomos em não interferir nos fatos observados, nos limitando ao registro do entendimento e descrição do processo, esta se configura, também, como uma pesquisa descritiva. Buscamos, portanto,
descobrir a frequência com que o fato ocorre, sua natureza, suas características, causas, relações com outros fatos [...] procurando classificar, explicar e interpretar preocupados, principalmente, em estabelecer uma atuação prática (PRODANOV & FREITAS, 2013, p.53).
Para tal, delimitamos o recorte temporal da pesquisa entre os anos de 2010 a 2015. Foi a partir do ano de 2010, com a fusão do programa Conexão de Sabres que se estruturou o número total de sete grupos na instituição, totalizando o número de oito grupos em 2013 com a implementação de mais um projeto, decorrente do Edital SESu/MEC N. 11, de 19 de julho de 2012. Primeiramente, o PET funcionava em grupos temáticos delimitados por curso e, desta síntese em diante, passaram a agregar o fator da multidisciplinaridade, possibilitando a integração de cursos diferentes em um mesmo grupo. Esse fato demandou uma maior preocupação quanto aos parâmetros de integração entre o PET e IES, não só por seu caráter multidisciplinar, mas também pela distribuição dos grupos em diferentes campi e, por isso, utilizamos este marco como referência para o recorte da pesquisa.
Assim, o levantamento dos dados se estruturou em três momentos: na pesquisa bibliográfica, na pesquisa documental e na realização de entrevista semiestruturada.
No que se refere à pesquisa bibliográfica, o levantamento dos dados, na perspectiva de definição dos processos sugeridos como análise, contribuiu na contextualização do objeto com a conjuntura sócio-político-econômico da universidade pública no momento de sua implementação e no caminhar de seu desenvolvimento, apresentando “as relações abstratas entre elementos, fatos e processos que buscam explicar ou interpretar” (MINAYO, 2015, p.18).
A definição das fontes pesquisadas baseou-se no levantamento da produção bibliográfica sobre a temática, juntamente com teses e dissertações produzidas sobre o Programa de Educação Tutorial entre os anos 1979 a 2016, que compreende o tempo de existência do PET em dois momentos – Programa Especial
de Treinamento e Programa de Educação Tutorial. Foi neste levantamento também que pudemos estruturar uma discussão sobre o seu desenvolvimento conceitual e metodológico. A intenção foi a de situar historicamente o Programa e com isso, construir condições de estabelecer um diálogo com a produção científica atual que trata sobre o PET enquanto política, enquanto método pedagógico e a relação do Programa com seu locus de execução.
Já a pesquisa documental acabou sendo o aporte para localização do Programa, em sua estruturação legal e procedimental. Foram considerados na análise os documentos produzidos pela CAPES, ainda no PET enquanto Programa Especial de Treinamento, e os documentos produzidos pela SESu, já após 1999, quando o Programa se estrutura oficialmente no formato de grupos tutorias de aprendizagem sob a perspectiva da formação global do alunado. Além, em nível institucional, foram utilizados os relatórios de Gestão da UFPB dos anos de 2010 a 2015, além dos Planos de Desenvolvimento Institucional – PDI desta IES que correspondem a este período.
Na etapa da entrevista semiestruturada, optamos por essa abordagem por combinar “perguntas fechadas e abertas, em que o entrevistado tem a possibilidade de discorrer sobre o tema em questão sem se prender à indagação formulada” (MINAYO, 2015b, p.64). A utilização desse formato de coleta de dados auxiliou na obtenção de informações relacionadas principalmente às experiências e impressões vivenciadas pelos sujeitos.
Além do recorte temporal, utilizamos a estrutura de gestão do Programa como referência para definir o perfil de participação nas entrevistas, identificando os seus representantes vinculados as seguintes instâncias: Pró-Reitoria de Graduação, na pessoa do pró-reitor (a) como responsável legal pelo Programa na IES; o(a) interlocução do PET, associado a PRG e responsável por auxiliar administrativamente os grupos; os tutores, que medeiam as relações pedagógicas e organizacionais de seus grupos; e o Comitê Local de Acompanhamento e Avaliação, que atua como instância deliberativa do Programa na IES, composto por tutores, representantes da Pró-reitoria de Graduação e discentes participantes do Programa. Dentro do período de recorte da pesquisa, identificamos a atuação de 16 sujeitos, dentre os quais, 14 optaram em participar da pesquisa.
Nessa configuração, seguem as especificações do quantitativo dos 14 participantes, conforme apresentado no Quadro 4, juntamente com a codificação referente a sua identificação.
Codificação dos participantes da pesquisa
Sujeitos Códigos
Tutor PET Curso e representante do CLAA Tut.c 1 Tutor PET Curso e Representante do CLAA Tut.c 2 Tutor PET/Conexões de Saberes e Representante do CLAA Tut.c 3 Tutor PET/Conexões de Saberes e Representante do CLAA Tut.c 4
Tutor PET Curso Tut 5
Tutor PET Curso Tut 6
Tutor PET Curso Tut 7
Tutor PET/Conexões de Saberes Tut 8 Tutor PET /Conexões de Saberes Tut 9
Tutor PET/Conexões de Saberes Tut 10 Discente representante do CLAA D.c 1 Discente representante do CLAA D.c 2
Pró-Reitor de Graduação PR
Interlocutor Int
Quadro 4 – Codificação dos participantes da pesquisa Fonte: elaborado pela autora
A elaboração do instrumento de entrevista considerou a natureza das representações, sendo divididos em quatro tipos de "roteiros abertos": um para os representantes da interlocução, um para os representantes de pró-reitores, um para a representação de discentes e um para a representação de tutores. Diferenciadas as temáticas, os instrumentos dividem-se em duas partes: as informações gerais dos entrevistados, o que possibilitou nos situar quanto a sua formação e o tempo de atuação na UFPB; e as Informações específicas, já direcionadas ao relacionamento com o Programa. Vale salientar que na elaboração do instrumento direcionado aos tutores, optamos por incluir um bloco específico de questionamentos sobre a participação do CLAA, utilizados especificamente quando o tutor também estava representando esta instância.13
A escolha pelos procedimentos de entrevista sumariamente de natureza semiestruturada aproximou o estudo dos objetivos pretendidos, trazendo em sua
estrutura a harmonização com a entrevista do tipo aberta, oportunizando um espaço maior de diálogo e reflexão (DESLANDES, 2015).