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Transient overexpression and knockdown cell models of TFPIα and TFPIβ

Tendo os batistas a sua gênese no movimento liberal inglês, eles participam dos anseios e perspectivas de sua época, ou seja, liberdade religiosa e separação entre Igreja e Estado. Esse ímpeto por liberdade levou o filósofo inglês John Locke a dizer que “os

batistas foram os primeiros proponentes de uma liberdade absoluta, justa e verdadeira

liberdade, liberdade igual e imparcial” (apud YAMABUCHI, 2009, p. 98). Esse intenso debate em torno da liberdade notabilizou os batistas como um grupo que lutou – a

priori para a sua própria sobrevivência – contra absolutismos e posturas dogmáticas. E

isso teve consequências para a sua eclesiologia, entendendo que esta deveria ser

congregacional, ou seja, igrejas livres e autônomas sem vínculo com a igreja oficial. Os batistas ingleses são partidários desses ideais (SILVA, 2013, p. 69).

Levando em consideração a trajetória do movimento batista – Inglaterra, Estados Unidos e Brasil –, ele, naturalmente, sofreu modificações e deu ênfase em determinados temas. Se na Inglaterra o movimento batista propagou a liberdade, nos Estados Unidos o ideal libertário não logrou êxito, tendo dificuldades entre lideranças do nascente protestantismo(s). Os batistas enfrentaram o acirramento dos puritanos que

não aceitavam a liberdade religiosa para outros segmentos do protestantismo(s) da colônia (SILVA, 2013, p. 73).

No Brasil, como mencionado acima, os batistas que chegam ao país são oriundos do sul dos Estados Unidos e, sem perspectivas para o seu modo de vida naquele país que travara uma guerra – dentre outros temas conflituosos – em torno da questão escravagista, aqui encontram um ambiente de trabalho onde os escravos era a principal mão de obra (SANTOS, 2012, p. 30).

Na questão teológica, os batistas norte-americanos estão dentro da matriz dos diversos grupos protestantes presentes nos Estados Unidos, ou seja, as raízes teológicas dos batistas

vem do puritanismo, que tem sua ênfase no biblicismo e na inclinação para uma ética perfeccionista, do fundamentalismo que advoga a interpretação literal da Bíblia e a dogmatização legalista das doutrinas e do landmarkismo, que afirma que os batistas são os únicos herdeiros das doutrinas apostólicas (SANTOS, 2012, p. 35).

Com essas características, os batistas integram-se aos movimentos ideológicos e teológicos que estão ocorrendo nos Estados Unidos e os seus pressupostos que deram origem a sua configuração, ainda na Inglaterra, são descaracterizados nos Estados Unidos, chegando ao Brasil com outro rosto. O que é possível verificar no modo de ser

batista brasileiro – entre correntes majoritariamente conservadoras e vozes dissonantes

– é uma configuração que tem como marcas o conservadorismo teológico, que aglutina uma teologia salvacionista e uma posição contrária ao ecumenismo; um visível conflito de gênero, tendo ainda como protagonistas no ministério ordenado apenas homens, onde uma teologia sexista continua favorecendo um discurso discriminatório e reacionário.

Os temas elencados estão na pauta dos batistas brasileiros favorecendo um intenso e, em alguns casos, profícuos debates que procuram demarcar aberturas e, por outro lado, posturas e discursos que tendem a fechar questões e temas para a maioria dos batistas.

O debate teológico presente na eclesiologia batista se dá em torno de temas como: (1) a ação missionária da igreja e seu envolvimento social; (2) a teologia

tema que aquece as discussões entre conservadores e progressistas, tendo entre os

batistas brasileiros um campo ecumênico representado pela Aliança de Batistas do

Brasil, mas sem vínculo com a CBB.

Um documento que exerce influência no modo de ser batista brasileiro é a

Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira elaborada em 1986. Ela

pretende ser “o documento que expõe o que os batistas brasileiros creem” (FERREIRA, 2009, p. 9). Assim como qualquer outro grupo que compõem o segmento protestante dentro do cristianismo, os batistas procuraram se encaixar em confissões e declarações

doutrinárias, crendo que assim podem exercer um papel apologético, já que uma das

razões para se assumir uma confissão é “para estar pronto a dar resposta de sua fé a todos que pedirem” (FERREIRA, 2009, p. 7). Com isso, há uma preocupação com a

Declaração Doutrinária da CBB, pois essa, de alguma maneira, funciona como

mecanismo de unidade doutrinária. Os batistas fazem uma distinção entre princípios e

doutrinas, uma vez que princípios é fator necessário para uma “identidade” batista, mas

ainda as doutrinas tem papel preponderante (SILVA, 2007, p. 22). Mesmo com essa

distinção tão tênue, as doutrinas favoreceram o enrijecimento do discurso a partir da Declaração Doutrinária da CBB.

Um exemplo de enrijecimento doutrinário se dá na temática do ecumenismo. Dentro do protestantismo(s), os batistas se notabilizam pela resistência ao diálogo ecumênico. Parece que a resistência quanto ao diálogo ecumênico, tem suas raízes na configuração do modo de ser batista no Brasil, como já mencionado, ou seja, o fundamentalismo bíblico que favoreceu o sectarismo (a posse e a pretensão de interpretar corretamente as Escrituras), o anti-catolicismo como forma de acentuar a diferença ética e teológica (literaturas produzidas por escritores batistas tomam o catolicismo como base dialética para a construção do discurso doutrinador), o

landmarkismo, que acredita que os batistas são os únicos cristãos apostólicos. Esses e

outros fatores colaboraram para uma resistência ao ecumenismo e os conservadores se orgulham disso quando dizem que “os batistas constituem um dos poucos grupos que lutam tenazmente contra a avalancha terrível do ecumenismo” (FERREIRA, 1987, p. 50). Essa postura de Ebenézer Soares Ferreira quanto ao ecumenismo, não representa

todos os batistas brasileiros, antes é um posicionamento de alguém que tem prestígio na

denominação devido aos cargos de liderança que ocupa na CBB assumindo a condição de alguém que orienta e traça os rumos da reflexão teológica no âmbito

denominacional. Os batistas ingleses, por exemplo, são notadamente ecumênicos e integram o Conselho Mundial de Igrejas (CMI), enquanto a Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos, no seu enrijecido fundamentalismo, não participa da Aliança Batista Mundial (ABM) e também não integra o CMI (OLIVEIRA, 1997, p. 126). Como o movimento batista brasileiro foi iniciado por missionários norte-americanos, oriundos da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos, a cúpula conservadora da CBB segue na mesma direção dos sulistas norte-americanos, com uma exceção surpreendente, a CBB integra a Aliança Batista Mundial que teve inclusive um brasileiro na direção da entidade máxima dos batistas, Nilson do Amaral Fanini, que se constituí como uma instituição ecumênica. O questionamento quanto a não participação em órgãos ecumênicos se dá porque o “ecumenismo fere alguns princípios batistas como o da autonomia da igreja” (LANDERS, 1986, p. 138). Interessante notar que o princípio batista da liberdade religiosa não cabe aqui para uma abertura ao diálogo ecumênico no fórum máximo da representação dos batistas brasileiros, a Convenção Batista Brasileira.