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4.3 TFPIα and TFPIβ overexpression with plasmids

4.4.2 Effect of TFPI isoforms on adhesion to collagen I

Os batistas são protestantes (AZEVEDO, 2004, p. 23). Essa afirmativa é um tanto conturbada no ambiente batista. Como observa Elizete da Silva (2011, p. 283), as origens dos batistas se constituem como “um dos temas mais controvertidos na literatura dos reformadores”. Mas quem são os batistas? Os pesquisadores não são unânimes quanto às origens do movimento batista. Existem três teorias quanto ao surgimento dos batistas. A teoria JJJ em referência a Jerusalém-Jordão-João, compreendendo de que os batistas possuem uma linhagem ininterrupta com o movimento bíblico de João Batista, portanto, é um movimento anterior ao apostólico. Uma segunda teoria associa a origem com os anabatistas do século XVI e uma terceira

teoria relaciona os primeiros batistas com o movimento separatista inglês do século

XVII (PEREIRA, 2001, p. 13). Quanto à primeira teoria (JJJ), é uma teoria antiga e hoje quase não se encontra quem a defenda, mas ela se tornou popular nos Estados Unidos no século XIX com o movimento conhecido como landmarkismo (OLIVEIRA, 2010, p. 48). Já a teoria do parentesco com os anabatistas do século XVI encontrou defensores a partir do século XIX. Embora se verifique muitos pontos de contato entre doutrinas batistas e anabatistas, essa teoria oferece dificuldades, segundo alguns estudiosos, porque não há como comprovar essa relação histórica com os anabatistas (HEWITT, 1993, p. 10). Quanto à teoria que relaciona a origem dos batistas com o movimento separatista inglês do século XVII conta com o apoio de documentos históricos e é a posição oficial da Convenção Batista Brasileira. Os separatistas eram aqueles que, inconformados com a decadência espiritual e moral da igreja de confissão anglicana, tentaram promover uma reforma religiosa na Inglaterra. Foram duramente perseguidos e um grupo se refugiou na Holanda, onde obteve apoio do anabatista Menno Simons, fundador da Igreja Menonita. Em Amsterdã, uma Igreja Batista de língua inglesa foi organizada no ano de 1609 e ela pode ser considerada “a primeira

Igreja Batista dos tempos modernos” (YAMABUCHI, 2009, p. 100). Um pequeno

primeira Igreja Batista da Inglaterra, em Spitalfields, lugar próximo à Londres. O movimento cresceu, mas a perseguição religiosa, no entanto, não cessava e, por isso, muitos buscaram sua liberdade em outras terras. Os Estados Unidos foi o destino de muitos dissidentes que partiram para o novo mundo com o desejo de construir uma vida melhor. Muitos batistas estavam entre os colonos ingleses. A primeira Igreja Batista em solo americano surgiu, provavelmente, no ano de 1639, cujo primeiro pastor foi Roger Williams (YAMABUCHI, 2009, p. 101). Embora ele não tenha continuado como pastor da igreja, deixando o pastorado para Tomás Olney, ele exerceu uma forte influência na luta pela liberdade religiosa nos Estados Unidos (OLIVEIRA, 2010, p. 78).

O surgimento do nome batista se deu pela primeira vez em 1644 na Inglaterra e foi dado aos batistas pelos seus adversários (PEREIRA, 2001, p. 14). Ao que tudo indica, o motivo foi à prática de imersão nos batismos defendida pelos batistas como a única forma verdadeira e bíblica de batizar, embora haja indícios de que a primeira

Igreja Batista da Inglaterra, organizada em 1612, praticava o batismo por aspersão

(YAMABUCHI, 2009, p. 102).

O surgimento dos batistas no cenário do cristianismo se dá ainda no século XVII, com o movimento dos separatistas ingleses. A tentativa de recontar o surgimento dos batistas fora desse contexto é especulação sem bases históricas.

Essa denominação tem as bases de sua reflexão teológica inscritas no pensamento liberal do século XVII, cujos diferentes elementos formativos priorizavam a livre expressão do indivíduo como condição para uma consciência histórica. Plataforma teórica cunhada a partir de teses do naturalismo, do racionalismo, do individualismo, do progressismo e do relativismo (RODRIGUES, 2013, p. 158).

A síntese de Elisa Rodrigues define a contento a formação, ideologia e concepções desse grupo que tem, naturalmente, suas distinções, principalmente em ambiente inglês e, depois, em ambiente norte-americano.

No Brasil, os batistas chegaram como colonos vindos dos Estados Unidos como refugiados da guerra civil conhecida como Guerra da Secessão. Uma vez no país, organizou-se no dia 10 de Setembro de 1871, a primeira Igreja Batista em solo brasileiro em Santa Bárbara d´Oeste, região de Campinas/SP (SANTOS, 2012, p. 32- 33). Além dessa igreja, surgiram outras duas, a igreja da Estação (hoje na cidade de

Americana/SP), no dia 2 de Novembro de 1879, e a Primeira Igreja Batista da Bahia, no dia 15 de Outubro de 1882 (OLIVEIRA, 2010, p. 98).

Quanto à teologia da Igreja Batista, há dificuldades em qualificar e definir de maneira categórica, pelo fato de que os batistas “não tem na sua história nenhum credo ou confissão que possa ser considerado como definitivo para a maioria dos batistas” (HEWITT, 1993, p. 11). Mesmo assim, é possível estabelecer as principais características da teologia e eclesiologia batista, podendo incorrer em generalizações.

O que é uma Igreja Batista?

De acordo com a Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira, uma

Igreja Batista “é uma congregação local de pessoas regeneradas e batizadas após

profissão de fé. É nesse sentido que a palavra ‘igreja’ é empregada no maior número de vezes nos livros do Novo Testamento” (CBB, 1986, p. 13). Com essa assertiva, os

batistas se entendem como uma igreja neotestamentária e procuram ser fiéis ao que o

Novo Testamento ensina sobre igreja. Deste modo, afirmam a autonomia das igrejas, daí não é possível nomear como Igreja Batista, mas sim Igrejas Batistas, por conta da sua pluralidade e sistema congregacional. Como igrejas autônomas e democráticas, elas não possuem um sistema centralizador, ou seja, cada igreja é soberana em suas decisões administrativas, que são tomadas democraticamente e isso é o que caracteriza a forma de governo de uma Igreja Batista. A democracia é sua forte característica e implica em uma participação igualitária dos membros de uma comunidade local, homens e mulheres, nas decisões a serem tomadas quanto aos rumos da comunidade (YAMABUCHI, 2009, p. 102-103).

Merece destaque algumas características que compõem o imaginário batista, sendo um deles o já referido landmarkismo. Esse movimento surge na segunda metade do século XIX exercendo uma forte influência em toda a Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos, hoje uma das maiores daquele país e do mundo (HEWITT, 1993, p. 17). Um dos fatores que contribuíram para que esse movimento ganhasse força, foi a publicação do livro O rastro de sangue de J. M. Carroll (1858-1931). O autor defende que os batistas são o único grupo institucional que, numa linha ininterrupta, sucede historicamente as igrejas do Novo Testamento (NOVAES, 2012, p. 10). Essa postura culminou em um exagerado fundamentalismo dos batistas com relação a grupos cristãos. O movimento landmarkista influenciou os missionários que chegaram ao

Brasil e espalharam essa teoria entre os novos adeptos (OLIVEIRA, 2010, p. 49). Os missionários norte-americanos que chegaram ao Brasil com a interpretação batista do

cristianismo, não se entendiam como sendo protestantes. Um dos mais destacados

missionários no país, William Bagby, em carta dirigida à Junta de Richmond, declarou: “nós nos negamos claramente a aceitar origem comum com Lutero, Calvino e outros”. Outro missionário de igual importância no universo batista, Zacharias Taylor, quando prefaciou o livro de S. H. Ford, sobre a origem e a história dos batistas, argumenta de que “os batistas não fizeram parte, nem saíram da Igreja Romana [...] os batistas não são Protestantes: eles têm sua origem de Cristo, e sua sucessão separada e independente de toda outra igreja” (YAMABUCHI, 2009, p. 104). Essa reivindicação contribuiu para que os batistas no Brasil reproduzissem as mesmas idiossincrasias visíveis no universo

batista norte-americano.

Outro elemento de destaque presente na eclesiologia batista é o pietismo. Segundo Alberto Kenji Yamabuchi (2009, p. 105), do pietismo veio o desejo de proclamar o evangelho ao mundo, o que acabou desenvolvendo nos batistas norte- americanos um messianismo com forte teor salvacionista. Uma vez no Brasil, os missionários trouxeram essa teologia salvacionista influenciando profundamente o pensamento batista brasileiro. Eles criam que só os batistas tinham a mensagem salvadora, porque compreendiam ser o povo “chamado” para a tarefa salvífica.

No campo teológico das confissões de fé, os batistas, na gênese do movimento, tiveram dificuldades em produzir tratados de fé. Yamabuchi (2009, p. 106) lembra que “embora sejam muitas as influências ideológicas herdadas, os batistas não são afeitos a desenvolver uma teologia própria, com rigor científico”. Nesse sentindo, completa ele, “os batistas tendem a desprezar até mesmo a formulação oficial de credos, confissões ou declarações de fé” (YAMABUCHI, 2009, p. 106). Mesmo com essa característica, os batistas produziram declarações doutrinárias a fim de estabelecer certa coesão na tentativa de preservar a identidade denominacional (SILVA, 2007, p. 26).

Em resumo, os batistas compartilham da mesma tradição reformada, mesmo com vozes que afirmem o contrário, esse é um fato na origem do movimento que foi fruto do seu tempo e que, portanto, absorveu teologias e ideologias em diferentes contextos por onde passou, seja no seu início no ambiente europeu até a sua configuração mais enrijecida nos Estados Unidos. Sendo assim, a história da Igreja

teológica, ideológica e política. Para alguns essa diversidade constitui elemento de unidade e identidade dos batistas, já para outros é um elemento que prejudica a doutrina da igreja fazendo com que ela tenha indesejáveis aberturas teológicas, políticas e sociais. Uma das marcas então da denominação que consegue agrupar em seu corpus a pluralidade e a diversidade em diferentes áreas, se deve “a ênfase na competência do indivíduo para tomar suas próprias decisões morais e religiosas, e a defesa da eclesiologia congregacionalista, que outorga soberania e autonomia aos membros de uma igreja local” (NOVAES, 2012, p. 11). Mesmo com essas marcas, os batistas são envolvidos em disputas internas quanto as suas prioridades e concepções teológicas, porque há quem vê nelas (competência do indivíduo e autonomia congregacional) um entrave para o desenvolvimento da teologia salvacionista, herança dos missionários norte-americanos, ocorrendo assim certa imposição de um pensamento único e, quando possível, demonstrações de intolerância para com aqueles que pensam e procuram desenvolver a missão da igreja a partir de outro foco (NOVAES, 2012, p. 12).