Oxidizer flow modeling
3.3 Transient Equilibrium Tank Dynamics
Para exercer a caridade, desdobrando-se em amor para com o próximo, que está caído à beira do caminho (cf. Lc 10, 25-37), é necessário que se mantenha acesa a chama da fé. A sublimidade da vocação das FSCJ requer uma fé vivíssima. As dificuldades que as acompanham exigem heroísmo, para que possam sustentar-se na fé, pois “a fé é o fundamento de todas as virtudes, é o princípio da vida sobrenatural e do mérito, a norma do agir para agradar a Deus”244. Se as FSCJ tivessem que morrer martirizadas para testemunhar a firmeza
e o apreço da fé, deveriam se sentir bem aventuradas, no entanto, sem serem mártires de
242 VERZERI, T. E. Livro dos Deveres, vol. I, p.51. (ed. em língua portuguesa). 243 VERZERI, T. E. Livro dos Deveres, vol. I, p.52. (ed. em língua portuguesa). 244 VERZERI, T. E. Livro dos Deveres, vol. I, p.11. (ed. em língua portuguesa).
sangue enquanto viverem, são chamadas a sustentar o martírio de outro modo, para que se mantenham numa contínua oferta de si na fé e pela fé245.
Sobrino246 afirma que a vida de Jesus está escrita a partir da fé e esta revela um
crescimento à medida que vai se descrevendo e conhecendo mais sobre ele. Contudo, “no Novo Testamento e no decorrer da história a fé em Jesus Cristo não significa apenas tomar posição diante de sua realidade (divina e humana), mas exprime, de maneira inédita, aquilo que é essencial a toda fé religiosa; tomar posição diante da totalidade da realidade”. E ainda, concretamente, como as pessoas depositam confiança em uma realidade absoluta que dá sentido à existência e, ao mesmo tempo, acham-se abertas e disponíveis frente “ao mistério não manipulável da realidade”. Mais ainda, “como ouvem as promessas e boas notícias e ao mesmo tempo se encarnam em desilusões e crueldades, sob o peso da realidade”. Em suma, como vivenciam as diferentes intempéries da história ao mesmo tempo profundamente envolvidas num mistério inexprimível247.
Verzeri prossegue dizendo que a fé leva ao conhecimento de Deus e o mostra como “única e substancial felicidade da vida presente e futura”. Através dela se pode esperar de Deus por meio de Jesus Cristo, os meios necessários para alcançar a bem aventurança eterna assim como a virtude para superar todos os obstáculos. Ela deve estar sempre presente no ser e no agir de todo cristão. Verzeri acentua: “somente a fé pode nos tornar inabaláveis e santas, porque só ela é inabalável e santa”. É preciso pois, consultá-la sempre em “situações difíceis e em passos perigosos”. A fé é, pois, essa lâmpada que clareia os caminhos, que faz ver em profundidade. Ela orienta as pessoas para não se prenderem apenas às coisas humanas e terrenas, mas conduz às mais elevadas, “fazendo perceber cada coisa em sua verdade e recusando toda falsidade”. Ela é amparo e sustento em toda sorte de tribulações248.
As Irmãs são chamadas a abandonarem-se em Deus, por meio da fé e da confiança que se pode depositar nele, pois Deus é o autor da fé, ancorando-se nela, no próprio Deus se fixa e, de olhos fechados se pode abandonar inteiramente nos braços da Divina Providência. Com
245 VERZERI, T. E. Livro dos Deveres, vol. I, p.11. (ed. em língua portuguesa). 246 SOBRINO, J. A fé em Jesus Cristo, ensaio a partir das vítimas.
247 SOBRINO, J. A fé em Jesus Cristo, ensaio a partir das vítimas, p. 11. (grifos do autor). 248 VERZERI, T. E. Livro dos Deveres, vol. I, p.12. (ed. em língua portuguesa).
efeito, “nada é mais adequado e necessário a uma esposa de Jesus Cristo de que esse generoso abandono que exprime confiança e repouso naquele que é objeto de seu amor”249.
A fé produz uniformidade à vontade de Deus, de modo que nada pode abatê-la. Ela impulsiona para Deus e apresenta cada acontecimento como “permitido ou ordenado por ele”. E qualquer que seja a ação divina, ela não visa outra coisa senão ao bem maior da pessoa. Quem recebeu a graça da fé e pode saboreá-la, compreenderá com mais facilidade as pessoas que ainda não a receberam e delas deverá ter compaixão. Verzeri exorta assim as Irmãs:
Vosso coração, minhas caríssimas, que deve ser cheio de compaixão para com todos, seja-o especialmente para com estes que já têm maior direito à vossa compaixão. Implorai para eles a luz da fé, sobretudo para os infiéis que a desconhecem totalmente e dela são mais distanciados. Dessa forma se estará em conformidade com a Palavra que diz:
“acolhei o fraco na fé...” (Rm 14,1)250.
Comblin afirma que a fé em Jesus é também fé no caminho dele. O evangelho de João apresenta Jesus como caminho (cf. Jo 14,6) e este não é outro senão a sua vida humana. Como todo ser humano Jesus também teve sua trajetória, sua estrada própria. Crer nele significa também crer num caminho escolhido por ele e eleger uma via semelhante. “Os evangelhos descrevem o caminho de Jesus e mostram também como esse caminho conduz ao martírio. Por isso, de certo modo, o caminho é representado pela cruz”. A cruz, no entanto não pode ser separada do que a antecedeu, portanto na vida de Jesus ela é consequência de sua ação “durante todo o seu ministério profético”251.
As FSCJ são convidadas a mostrar a todos os efeitos da fé, com as atitudes, com o falar, com o próprio sofrimento e com as virtudes. Com isso pode-se conceder ajuda e conforto de modo que as pessoas encontrem incentivo para estimar a fé, abracem-na e nela conformem-se, pois, a fé ensina que tudo acontece de acordo com o plano de Deus, estabelecido pela sua sabedoria para que a ele se glorifique e resulte em bênçãos, pois “dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele a glória por toda eternidade! Amém” (Rm 11,36)252.
249 VERZERI, T. E. Livro dos Deveres, vol. I, p.13. (ed. em língua portuguesa). 250 VERZERI, T. E. Livro dos Deveres, vol. I, p.14-15. (ed. em língua portuguesa). 251 COMBLIN, J. O Caminho, ensaio sobre o seguimento de Jesus, p. 105.