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1.4 Nitrous Oxide

1.4.2 Two-Phase Flow

O seguimento de Jesus Cristo torna-se imperativo para Verzeri. Ela não concebe outro jeito de ser senão aquele que a torna mais próxima a seu Mestre. De fato ela compreendeu que a melhor forma para dar uma reposta ao chamado de Deus seria dedicando sua vida a ele numa atitude de serviço generoso aos irmãos e irmãs especialmente onde a necessidade era maior. Assim como foi para os primeiros seguidores de Jesus, a decisão de Verzeri e das jovens que com elas iniciaram o Instituto, comportou uma série de renúncias, pois seguir o Mestre consiste em dispor-se a um despojamento e a uma radicalidade que podem exigir muito. Pode-se dizer que Verzeri e suas companheiras compreenderam o que afirma Ivanise Bombonato: “Deus se revela, em Jesus no acontecer da história. Só mediante o seguimento e no seguimento é possível conhecer verdadeiramente Deus, relacionar-se com ele e viver na fidelidade ao seu projeto” 104.

102 FORTE, B. Jesus de Nazaré, história de Deus, Deus da História. p. 35-36. 103 Uma das formas de expressar sinteticamente o Carisma das FSCJ.

Conforme ainda Bombonato, Seguir Jesus, requer alguns pressupostos que revelam as condições necessárias para estar a serviço do Reino. O primeiro deles é a ruptura com os laços familiares (Lc 14, 26; Mt 10,37; Mc 1,20). Quem não está disposto a romper de alguma forma com seus laços terrenos não é apto para se tornar seguidor do Messias (cf. Lc 9,59- 60)105. Verzeri, que também viveu esse desafio na escolha que fez, exorta muitas vezes suas

coirmãs. Numa carta a uma delas diz:

Minha querida, sabes que deixar os parentes, renunciar às comodidades, abraçar a pobreza, as privações, a solidão, inicialmente, te causará sofrimento, mas contempla Jesus, teu Deus, aniquilado por teu amor... Coragem. Nada negues a um Deus que nada te negou. Ele mesmo será a tua recompensa. Com Ele, o que te faltará?106

O segundo pressuposto consiste na disposição de ‘carregar a cruz’ (Lc 14, 27). “Na tradição sinótica, a expressão ‘seguir’ é interpretada como comunhão de vida e está sempre relacionada com a imagem de ‘carregar a cruz’”.107 Refletindo sobre o texto bíblico de

Mateus, o livro dos Deveres salienta: “Se alguém quer vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16,24). “Carregai, diletíssimas, a cruz. Algo melhor não vos posso oferecer desde que o próprio Deus apresentou a cruz a seu Filho amado”108.

Finalmente o terceiro pressuposto diz respeito à renúncia às propriedades e mesmo o próprio ambiente. Os Evangelhos deixam claro que para seguir Jesus é preciso abrir mão de certas seguranças (cf. Mc 1,18.20 par.); acompanhar Jesus é ir ao encontro de uma existência totalmente incerta, partilhando da situação existencial do Filho de Deus (cf. Mt 8,20). O chamado ao seguimento de Jesus tem uma dimensão global e universal e quem o segue se transforma em sinal de libertação para o povo, especialmente para os pobres109. Sobre a

necessidade do despojamento, entre outras coisas, Verzeri escreve o seguinte:“Aqui se requer um perfeito despojamento de si mesma; um total esquecimento de si, um abandono amoroso em Deus, de modo a estar pronta e disposta a qualquer sacrifício, quando a glória de Deus e o

105 BOMBONATTO, V. I. Seguimento de Jesus, p. 49.

106 VERZERI, T. E.; BENAGLIO, Giuseppe. Palavras que permanecem. p.89. 107 BOMBONATTO, V. I. Seguimento de Jesus, p. 49 (grifos da autora).

108 VERZERI, T. E. Livro dos Deveres, vol. II, p.111. (ed. em língua portuguesa), 109 BOMBONATTO, V. I. Seguimento de Jesus, p. 50. (grifos da autora).

bem do próximo o exigem”110. E acrescenta que os procedimentos econômicos devem estar de

acordo com a caridade, com a justiça e com a ordem111.

Segundo Josef Blank, Jesus provavelmente não exigiu o seguimento radical de todas as pessoas que o procuravam. “Aí está a razão porque, além do ‘seguimento querigmático- escatológico’, pôde se formar também a ideia de ‘seguimento ético’, como por exemplo, na linha do sermão da montanha” 112. Mais: nem todos os seguidores de Jesus foram

missionários, alguns permaneceram em suas comunidades de origem. Entre as pessoas que o seguiam encontram-se mulheres, algumas delas fazem caminhada com ele e o seguem até os pés da cruz (cf. Lc 8,1-3; Mc 15,40). Ainda segundo Blank, também parece que o seguimento tenha trazido consigo conservação provisória da comunidade de vida conjugal, ainda que dificilmente um celibato permanente em todos ou na maioria dos casos.

A participação na missão de Jesus levou seus seguidores até sua comunidade de origem e por várias vezes encontrou resistência e hostilidades entre os seus. Por isso os evangelhos enfatizam que seguir Jesus implica disposição para carregar a cruz: “se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8,34). Ao dizer isso no caminho para Jerusalém, segundo os Evangelhos Jesus tem consciência de que o esperam, prisão, processo e morte, mas também acontecerá sua ressurreição e sua exaltação. Dessa forma fica cada vez mais claro para os discípulos qual o “conteúdo” desse seguimento e que consequências extremas pode trazer a confissão de fé em Jesus de Nazaré e o assumir sua “causa”113.

O seguimento de Jesus configura-se, portanto como algo fascinante e encantador, atraente e exigente. Daí que ao longo dos séculos tantas pessoas se deixaram tocar por sua mensagem e se tornaram suas seguidoras, deixaram-se envolver por sua luz e não tiveram medo de abraçar a sua cruz. Por mais difícil que seja seguir esse Mestre todos os que o fizeram estavam convencidos de que valia a pena. Verzeri diz a uma de suas Irmãs:

Medita sobre a vida de Jesus Cristo; consola-te na sua imitação. Procura aprender dele o verdadeiro caminho que

110 VERZERI, T. E.; BENAGLIO, Giuseppe. Palavras que permanecem. p. 212. 111 VERZERI, T. E.; BENAGLIO, Giuseppe. Palavras que permanecem. p. 213.

112 BLANCK, J. Seguimento. In: EICHER, P. Dicionário de conceitos fundamentais de teologia, p. 821. 113 BLANCK, J. Seguimento. In: EICHER, P. Dicionário de conceitos fundamentais de teologia, p. 821-822.

conduz à santidade. Ama sua vida oculta quando Deus assim o quer, e a pública quando a essa ele chama. Sempre te agrade a sua vida humilde e laboriosa para imitá-la114.

Verzeri afirma que uma pessoa que se deixou atrair por Jesus e segue seus passos, torna- se também modelo para tantas outras. Suas atitudes autênticas convidarão outros a seguirem o Mestre divino. Diz ainda: “fale dele frequentemente às suas Irmãs e, com suavidade e força , leve-as a olhar os seus exemplos. Procure adaptar-se à capacidade, ao espírito, às necessidades de cada uma, para animá-las mais eficazmente115”.

Verzeri diz às Irmãs que se elas desejam o Esposo, ele as atrairá e as convidará ao seguimento. Diz também que Cristo não promete facilidade, não as ilude, pelo contrário, convida para que carreguem a própria cruz e renunciem a si mesmas (Mt 16,24). As Irmãs devem mostrar-se prontas e contentes de provar toda a amargura do cálice, assim como o fez Jesus Cristo: “não beberei eu o cálice que o Pai me deu?” (Jo 18,11) e acrescenta:

Por teu amor ele se aniquila, se oculta, renuncia a tudo aquilo que o mundo considera grande e precioso, para abraçar a humilhação, o sofrimento, a cruz. Tu, também, oferece-te para segui-lo, caminhando nas suas pegadas. Dize-lhe muitas vezes e de coração que por seu amor, desejas aniquilar-te, isto é, que desejas abandonar tudo, tudo, até a ti mesma, para viver somente dele em desapego total116.

O seguimento é a resposta mais eficaz que pode dar ao convite do Mestre. Seguimento que é sinônimo de serviço e doação. É estar à escuta do que move o coração para se colocar no caminho não se importando se este é plano ou íngreme. Quem se coloca na escola de Jesus sabe que o mais importante é seguir seus passos no aprendizado constante de sua mensagem que é de vida e libertação.

114 VERZERI, T. E.; BENAGLIO, Giuseppe. Palavras que permanecem. p. 128. 115 VERZERI, T. E.; BENAGLIO, Giuseppe. Palavras que permanecem. p. 124. 116 VERZERI, T. E.; BENAGLIO, Giuseppe. Palavras que permanecem. p. 88.