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Single-Phase Incompressible Model

Oxidizer flow modeling

3.1 Single-Phase Models

3.1.1 Single-Phase Incompressible Model

Aqui será feita uma rápida menção sobre a atuação de Jesus junto às mulheres. Não que o tema seja desprovido de importância, mas especialmente porque não é o seu núcleo. O fato de Verzeri ser uma mulher e como tal ter marcado de alguma forma a história da sociedade e da Igreja em que vivia, faz com que não se deixe passar essa temática no presente trabalho.

A teóloga Ana Maria Tepedino165, na obra, As discípulas de Jesus, afirma que é um

dado comum aos quatro evangelhos que as mulheres integrem a assembleia do Reino

162 SOBRINO, J. O Absoluto é Deus e o coabsoluto são os pobres, IHU on line. Revista do Instituto Humanitas Unisinos p. 08.

163 Raúl Alberto Antonio Gieco, mais conhecido como León Gieco é um músico e cantor popular argentino, compositor e intérprete. Caracteriza-se por misturar o gênero folclórico com o rock argentino e pelas conotações sociais e políticas de suas canções em favor dos direitos humanos e solidariedade com os excluídos. (disponível em: http://pt.wikipedia.org). Acesso em 25 de mar. de 2013.

164 Disponível em: http://letras.mus.br/beth-carvalho/587817/. Acesso em 25 de mar. de 2013.

165 Ana Maria de Azeredo Lopes Tepedino, teóloga, membro do corpo docente de Pós graduação em Teologia da PUC-RIO.

convocada por Jesus. Não como componentes ocasionais mas como participantes ativas no seu ministério (cf. Lc 8,2-3; Mc 1,31). Além desses já citados aparecem ainda em outros textos bíblicos do Segundo Testamento, cura de várias mulheres realizadas por Jesus. É possível que com isso Jesus tenha procurado chamar a atenção para a situação desumana em que viviam as mulheres naquele contexto. “Ele as cura para que assim, seres humanos inteiros, elas possam participar de sua comunidade”166.

Jesus levava a sério as mulheres que em geral a sociedade de sua época desprezava e excluía da vida social, religiosa ou pública. Ele conhecia seus sofrimentos e sua labuta. Sabia se relacionar com elas falando-lhes ao coração, dando respostas às suas expectativas e sede de mais vida. Um dos textos emblemáticos é o da mulher samaritana (Jo 4, 1-42) o qual diz que os discípulos ficaram admirados de que Jesus estivesse falando com uma mulher (cf. Jo 4,27). Jesus não compartilha do preconceito do seu tempo com relação a elas. “Trata-as com respeito e carinho, como filhas queridas do Pai. vive uma especial aliança com elas, fazendo emergir o ‘novo’ através desse seu relacionamento”167.

A atuação diferenciada de Jesus certamente causou grande irritação em seus adversários, mas ele não se deixou intimidar. Era amigo de Marta e Maria (cf. Lc 10-38-42), vizinhas de Betânia e a quem ele tanto amava, acolheu com carinho e ternura Maria, vinda de Mágdala (Lc 8,2), mulheres enfermas como a hemorroíssa (Mc 5, 25-34 ou pagãs como a siro-fenícia (Mc 7,24-30); prostitutas desprezadas por todos (Lc 7, 36-50) ou seguidoras fiéis, como Salomé e outras muitas que o acompanharam até Jerusalém e não o abandonaram nem mesmo no momento da execução e sepultamento preparando aromas e perfumes para embalsamar seu corpo (Mc 15,40-41; Lc 23,55).168

As mulheres que se aproximavam de Jesus viam em suas atitudes algo diferente do que era comum. Não se sentiam desrespeitadas, diminuídas, usadas, como costumava acontecer. No Primeiro Testamento tem vários testemunhos de mulheres que foram batalhadoras pela própria vida pela vida povo como é o caso de Ester, Rute, Judite, entre outras. E os evangelhos, sobretudo Lucas, deixam transparecer a bondade e delicadeza de vários rostos femininos entre aquelas pessoas que estão mais próximas a Jesus. “Os Doze apóstolos o acompanhavam, assim como algumas mulheres que haviam sido curadas de espírito malignos

166 TEPEDINO, A.M. As discípulas de Jesus, p. 82. 167 TEPEDINO, A.M. As discípulas de Jesus, p. 82. 168 PAGOLA, J. A. Jesus, aproximação histórica, p. 255.

e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual haviam saído sete demônios, Joana, mulher de Cuza, o procurador de Herodes, Suzana e várias outras, que o serviam com seus bens” (Lc 8, 2-3).

A presença das mulheres nos banquetes oferecidos a Jesus e a seus apóstolos, sem dúvida resultava como muito escandalosa (cf. por ex. Lc 7,36-50). No entanto, Jesus não as condena, “acolhe-as com o amor compassivo do Pai. Nunca aquelas mulheres haviam estado tão perto de um profeta. Jamais haviam ouvido falar assim de Deus.”169 Jesus quebra o

preconceito contra a “impureza legal” deixando-se tocar pela hemorroíssa por exemplo e com isso restituindo-lhe a cura (cf. Mc 15, 25-34) e curando a filha de Jairo (Mc 5,21-24.35-43), infringindo mais uma vez o preceito de pureza legal que proibia tocar num cadáver. Jesus ergue essas pessoas, tirando-as de seu “estado de morte”, porque as doenças as deixavam imobilizadas e contribuíam ainda mais para sua exclusão. A cura da mulher encurvada há 18 anos, restitui-lhe a dignidade e ela de pé, pode louvar e dar graças a Deus (Lc 13,10-13)170.

Jesus valoriza as mulheres não só acolhendo, perdoando, visitando-as, mas também citando-as em suas parábolas e percebendo suas atitudes como no caso da viúva a quem ele observa atentamente enquanto os discípulos estão interessados na beleza do templo (Lc 21,1- 5). Ele dá um novo rosto ao jeito de ensinar e abre novas possibilidades de inclusão. De fato, entre os deserdados, pobres, rejeitados, marginalizados... estão também as mulheres. Estas “desempenham um papel importante nesta visão evangélica da reversão social que a práxis e a palavra de Jesus trazem. Dentre as diferentes categorias de marginalizados são elas que aparecem como representativas dos pequenos e oprimidos”.171

São muitos os gestos e atitudes de Jesus que revelam o quanto ele deu abertura para que a figura feminina não passasse despercebida e fosse menos desprezada. Como já foi dito, são várias as mulheres que são citadas nos evangelhos como seguidoras fiéis de Jesus, entre as quais, Maria Madalena ocupa um lugar de suma importância. Dela falam todos os evangelhos (Mt 28,1; Mc 16,1; Lc 24,10; Jo 20, 1-18) Maria Clara Bingemer afirma que São Tomás de Aquino chega a defini-la como a “apóstola dos apóstolos”. Diz ainda:

169 PAGOLA, J. A. Jesus, aproximação histórica, p. 261. 170 TEPEDINO, A. M. As discípulas de Jesus, p. 83.

As mulheres são, pois, parte integrante e principal da visão e da missão messiânica de Jesus, e nela aparecem como as mais oprimidas entre os oprimidos. Elas são o escalão mais baixo da escala social, sendo vistas, portanto, como os últimos que serão os primeiros no Reino de Deus. Carregam sobre seus ombros a dupla opressão social e cultural, classista e sexista. Por isso são destinatárias privilegiadas do anúncio e da práxis libertadora de Jesus.172

Bingemer continua afirmando que as mulheres ao lado de outros marginalizados: doentes, pobres, publicanos, pecadores, descobrem-se como seres humanos a quem Jesus valoriza, restituindo-lhes o valor e a dignidade dos filhos e filhas de Deus. Jesus com sua práxis libertadora eleva a condição feminina. Seu modo de se relacionar com as mulheres traz ainda outro componente que enriquece e complementa a proposta libertadora do Reino. Trata- se da relação que ele estabelece com o corpo da mulher. Este, normalmente considerado como objeto, a partir de Jesus ganha uma nova configuração. Acolhendo o feminino na sua totalidade Jesus “proclama uma antropologia integrada, que valoriza o ser humano em sua dimensão de corpo animado pelo sopro divino, como um todo onde espírito e corporeidade são uma só coisa”173.

A práxis libertadora de Jesus atua, portanto onde costumeiramente a mulher é mais marginalizada e abre possibilidade de novos horizontes de comunhão a todas, proclamando o advento de uma nova humanidade na qual a imagem original criada por Deus (Gn 1,27) possa chegar à “estatura de da plenitude de Cristo” (Ef 4,13). O evangelho, portanto apresenta não mais uma realidade dualista, na qual masculino e feminino se opõem. “Oferece, antes, uma proposta de vida e de relações na qual a metade da humanidade, que continua sendo desprezada e discriminada, tem direito e acesso a uma relação humana e igualitária, adulta e responsável”174. Jesus estabelece ainda uma relação diferente com Maria, sua mãe, ela

também é sua discípula, que aprende com seus gestos e com suas atitudes. Guarda no coração suas palavras e se torna apóstola com os apóstolos na continuidade da missão de seu Filho. Numa única frase Maria pode continuar revelando para todos os seguidores e seguidoras de Jesus o segredo para o bom êxito da missão: “Fazei tudo o que ele vos disser” (Jo 2,5).

172 BINGEMER, M. C. Jesus Cristo: Servo de Deus e Messias glorioso, p. 48. 173 BINGEMER, M. C. Jesus Cristo: Servo de Deus e Messias glorioso, p. 49. 174 BINGEMER, M. C. Jesus Cristo: Servo de Deus e Messias glorioso, p. 49.