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Usikkerhet i kommersiell eiendomsutvikling, herunder naboers aktørstatus

Kapittel 2 Teori

2.6 Usikkerhet i kommersiell eiendomsutvikling, herunder naboers aktørstatus

De outra perspectiva, considera-se que o texto traz em si elementos tanto do sistema como do discurso, ambos contribuindo com fatores essenciais à produção. Contudo, cabe ressaltar que, embora traga elementos da língua, enquanto sistema, o texto não é uma unidade meramente formal como o são a frase, a palavra, o fonema.

O texto constitui-se, como visto, num todo semântico, uma unidade linguística e de sentido, constituído normalmente – mas não em regra – de diversos enunciados que devem apresentar uma ideia de modo a ser compreendida por aquele(s) que a recebe(m) – seja ouvinte ou leitor –, que necessitam atender a alguns parâmetros para que emerja daí uma estrutura (tessitura) textual e para que seja atingido o objetivo de estabelecer a comunicação.

Essa chamada tessitura é o que se denomina “textualidade” que, de um modo geral, é o grupo das características que tornam um conjunto de enunciados em um texto e que devem ser satisfeitas para que esse texto seja comunicativo. Beaugrande e Dressler (2002) elencam sete características – ou parâmetros – presentes no texto, a saber: contextualização, coesão, coerência, intencionalidade, informatividade, aceitabilidade, situacionalidade e intertextualidade.

Para tratar de cada um desses parâmetros, serão tomados como base, além dos dois citados autores, também Marcuschi (2008, p. 99-132), Koch (2009, p. 39-43) e Fávero (1991, p. 7). Contribuem ainda Galembeck (2008, p. 156-172) e Silva (2008, p. 23-32). Desse modo:

(i) Coesão – conexão sequencial dos enunciados de modo a constituir um todo compreensível. Refere-se às formas pelas quais os componentes do texto de superfície, ou seja, as próprias palavras ouvidas ou lidas, são mutuamente conectados dentro de uma

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sequência. Esses componentes mantém uma relação de interdependência gramatical8.

(ii) Coerência – conexão conceitual-cognitiva. Refere-se aos modos pelos quais os componentes do mundo textual – configurações de conceitos e relações subjacentes ao texto de superfície – são mutuamente acessíveis e relevantes. Trata-se da configuração de conhecimento (conteúdo cognitivo) que pode ser recuperada ou ativada com maior ou menor unidade e consistência na mente. Às vezes, embora nem sempre, as relações não são explicitadas no texto, ou seja, eles não são diretamente ativados por expressões de superfície.

(iii) Intencionalidade – finalidade do texto. É o projeto, a intenção propriamente dita, do texto pode estar implícita ou explícita na mensagem. À medida que pratica ações, o homem projeta suas intenções no mundo. O mesmo ocorre na produção do texto pelo homem, que envolve suas crenças, desejos, ações e percepções. Além disso, a produção e recepção de textos funcionam como ações discursivas relevantes a algum plano ou meta. A intencionalidade, nesses termos, refere-se à atitude do produtor do texto que o conjunto de ocorrências deve constituir um texto coeso e coerente instrumental no cumprimento de intenções do produtor, por exemplo, para distribuir o conhecimento ou para atingir um objetivo específico em um plano.

(iv) Aceitabilidade – se a intencionalidade relaciona-se ao produtor do texto, a aceitabilidade relaciona-se ao receptor desse texto e compreende o modo com que o receptor reage, seja pelo conhecimento transmitido pelo texto (uso e relevância), como pela disposição de participar de um discurso e interagir com o propósito.

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Os autores mencionam que uma linha de estudos entende que tal interdependência é fixa e que qualquer alteração na organização das palavras implicaria em distúrbios. Eles, contudo, não partilham radicalmente desse pressuposto. Cumpre ainda mencionar que a Língua Portuguesa permite movimentações na disposição de palavras sem que isso prejudique ou altere, em certa medida, a ideia exposta.

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Se, por outro lado, a aceitabilidade for restrita, a comunicabilidade pode ser desviada. Por isso, no caso da interação face a face, a aceitabilidade comumente é testada pelo produtor.

(v) Informatividade – refere-se à extensão em que as ocorrências do texto apresentado são esperadas versus inesperada ou conhecido

versus desconhecido/determinado. Entretanto, o nível de informatividade deve ser monitorado para que não haja uma sobrecarga, o que poderia por em perigo a comunicação. Por outro lado, a baixa informatividade pode provocar o desinteresse. É certo que cada texto é pelo menos um pouco informativo: não importa o quanto forma e conteúdo podem ser previsíveis, sempre haverá algumas ocorrências de variáveis que não podem ser totalmente previstas.

(vi) Situacionalidade – diz respeito aos fatores que tornam um texto relevante para uma situação de ocorrência. Assim, o sentido e a utilização do texto são decididos através da situação. Esse parâmetro influencia, inclusive, a apresentação do texto, podendo ser uma versão longa ou resumida, a depender do uso e sua situação de apresentação e aplicação. Desse modo, uma placa de trânsito deve conter o mínimo de palavras para que o motorista seja capaz de lê-la em movimento, não cabendo a essa situação, um texto longo e expositivo.

(vii) Intertextualidade – são os fatores que tornam a utilização de um texto dependente do conhecimento de um ou mais textos previamente encontradas. Acrescente-se ainda que dentro de um tipo particular de texto, a dependência de intertextualidade pode ser mais ou menos proeminente. Em tipos, como paródias, resenhas críticas, contestações ou relatórios, o produtor do texto deve consultar o texto original continuamente e receptores de texto geralmente precisam de alguma familiaridade com o último.

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Originalmente, Beaugrande e Dressler elencaram apenas os sete referidos fatores que caracterizam a textualidade. Dentre esses não constava a “contextualização”. Galembeck (2008), por sua vez, assevera que a contextualização é a ativação e recuperação do conjunto de conhecimentos, saberes e habilidades no momento da comunicação. É a contextualização que permite que uma informação produzida por um seja compreendida por outro. Note-se que há uma grande semelhança entre a “situacionalidade” dos dois primeiros autores e a “contextualização” do último.

Ante o exposto, é possível perceber que o texto é um todo que se constitui não apenas de elementos linguísticos, nem tampouco somente da atividade cognitiva. Constitui-se, indissoluvelmente, de ambos.

É, por conseguinte, o resultado do complexo entrecruzamento que ocorre entre cotexto e contexto, ou seja, entre fatores internos ao texto – textuais, linguísticos – e externos a ele – ambientais, situacionais. Marcuschi sintetiza essas ideias no esquema a seguir:

Figura 6 – Relação entre texto, contexto e cotexto na composição da textualidade

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Pelo esquema exposto, é possível perceber que a relação entre cotexto e contexto não é dicotômica, assim, não se opõem; ao invés disso, complementam-se para construir a textualidade e, consequentemente, o próprio texto. Ressalte-se que há, nesse processo, a união das relações internas, entre “texto e texto”, e externas, entre “texto e contexto”. Na subseção a seguir, serão abordadas algumas questões no que tange à geração do sentido do texto.