4 Method and data collection
4.4 The procedure
4.4.3 Transcription
Ana Laranja; Mariana Cruz; Nuno Ferreiro
CMIA de Vila do Conde
O Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental de Vila do Conde, CMIA, é um equipamento municipal construído no âmbito do Programa Polis, e iniciou a sua actividade alicerçada na parceria entre a Câmara Municipal de Vila do Conde e o Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental através da assinatura de um protocolo de colaboração. O Centro, aberto desde de Março de 2007, desenvolve acções de sensibilização ambiental, promove a construção de bases de dados de qualidade ambiental a nível local e gere a informação de forma a contribuir para a melhoria do ambiente a nível regional. A primeira Exposição de apresentação e inauguração do Centro teve como tema - Espécies Invasoras.
A Ferramenta Pedagógica usada pela equipa CMIA desenvolveu como principais linhas de orientação a Educação Ambiental como forma de abordagem e actuação em todas as
O porquê do tema Espécies Invasoras?
Os ecossistemas naturais são o resultado de milhões de anos de evolução conjunta de espécies que encontraram o ponto ideal de equilíbrio. Este conjunto de espécies forma o que se define como biodiversidade. A introdução de novas espécies a estes conjuntos ocorre naturalmente de forma muito lenta e eventual.
O intercâmbio de espécies no planeta aumentou intensamente em função de:
- Comércio mundial (Plantas ornamentais, alimentação, fins agrícolas); - Transporte marítimo e aéreo;
- Introduções voluntárias para uso humano; - Estabilização de solos (dunas).
Espécies Invasoras – Existem um pouco por toda a parte, a ponto de serem confundidas
com espécies nativas, mas na verdade são espécies exóticas que depois de introduzi-
das, têm a capacidade de se multiplicar sem a intervenção directa do Homem e fazem-no com tal sucesso que têm vindo a ameaçar as espécies nativas, eliminando-as completa- mente em algumas situações.
Em Portugal, o Decreto Lei nº 565/99 regula a introdução na natureza de espécies não indígenas da flora e da fauna.
O decreto, proíbe a disseminação ou libertação na natureza de espécimes de
espécies não indígenas, proíbe ainda a comercialização, o cultivo, o transporte, a criação, a exploração económica e a utilização como planta ornamental ou animal de companhia das espécies identificadas como invasoras ou consideradas como comportando risco ecológico.
Espécies invasoras em Portugal, exemplos: Peixes
Gambusia holbrooki - Gambúsia
Lepomis gibbosus - Perca-sol
Cyprinus carpio - Carpa
Carrassius auratus - Pimpão
Oncorhynchus mykiss - Truta arco-íris
Plantas
Acacia cyanophylla Lindley (=Acacia saligna (Labill.) H.L.Wendl.)
Acacia dealbata Link. - Mimosa
Acacia karroo Hayne - Acácia
Acacia mearnsii DeWild. - Acácia-negra
Acacia melanoxylon R.Br. – Austrália
Acacia pycnantha
Azolla caroliniana Willd. - Azola
Azolla filiculoides Lam. - Azola
Carpobrotus edulis (L.)N.E.Br. - Chorão-das-praias
Conyza bonariensis (L.) Cronq. - Avoadinha-peluda
Datura stramonium L. - Figueira-do-inferno
Metodologia de Controlo
A segurança biológica deve ser elaborada e implementada por promotores de políticas públicas, sendo multi e transdisciplinar, para proporcionar o maior grau possível de garan- tia de protecção das ameaças e perigos.
A educação e informação do público tem um papel essencial na prevenção.
Para o caso das espécies com elevado potencial invasor que estejam introduzidas, a solução passa pela monitorização do território, especialmente nas áreas com interesse para a conservação da natureza, de forma a detectar novas espécies muito pouco tempo após a sua introdução.
A opção mais aconselhada é eliminar as espécies que são potenciais invasoras antes que se tornem um problema de grandes dimensões.
Há várias formas de contribuirmos: não contribuir para a introdução de novas espécies; por mais inofensivas que nos possam parecer! Informarmo-nos sobre as espécies que já são consideradas invasoras e nunca as adquirir. Nas situações em que as espécies já se encontram muito difundidas/espalhadas a resolução do problema passa por estabelecer prioridades (quais as espécies e áreas prioritárias) para posterior aplicação de metodolo- gias de controlo. Essas metodologias podem passar por controlo físico, químico, biológi- co.
Frequentemente, a aplicação de metodologias de controlo apresenta muitas dificulda- des, custos e por vezes impossibilidades.
Descrição das actividades desenvolvidas no CMIA:
Através de painéis, aquários, terrários, microscópios e lupas apresentou-se algumas das espécies invasoras mais comuns no nosso país. Os visitantes obtiveram informações sobre como surgiram as espécies em Portugal, como se transformaram em pragas bioló- gicas, e como se combatem.
Computadores com ligação a sítios onde se pode consultar legislação e outros sobre espécies invasoras, de forma a viajar através da internet em sítios ligados ao tema da exposição. Espaço de apoio à actividade exterior de monitorização com informação sobre diversos parâmetros físicos e químicos a monitorizar no rio Ave contíguo ao CMIA.
Monitorização do rio Ave, junto ao CMIA. Esta actividade constitui o início de um pro- grama de monitorização de parâmetros ambientais a realizar pelo CMIA com a colabora- ção dos visitantes.
Sala Monitorização – Registo e observação em tempo real de alguns parâmetros me-
teorológicos captados numa estação no topo do CMIA.
Auditório – Visualização de organismos microscópicos in vivo e sua projecção em ecrã.
A Exposição permitiu a aprendizagem de inúmeros conceitos no âmbito do tema Espécies Invasoras bem como a sensibilização ambiental para questões problemáticas e actuais impactes ambientais. Foram desenvolvidas várias actividades didácticas de acordo com diferentes graus de habilitações e respectiva faixa etária. Com a promoção da informação e das actividades foi possível estabelecer um intercâmbio entre emissor (monitor) e receptores (visitantes) muito positivo na medida em que se verificou uma troca e partilha de experiências diferentes que deixaram como registo o encadeamento fotográfico do desempenho nas actividades e um registo ilustrado de imagens que melhor cativaram a visão dos observadores.
Partindo do pressuposto que a arte é uma das formas mais importantes para se entender o mundo que nos rodeia, caracterizando-o como época, é possível através deste tipo de criação, incentivar a reflexão sobre a arte ao serviço de uma educação ambiental com o objectivo primeiro de sensibilização para uma necessidade urgente de adesão a novos hábitos de consumo e atitudes motivadores da adesão ao novo com perspectivas de continuidade futuras.
Todas as iniciativas interactivas que se desenvolveram numa forma de grupos de discussão apresentaram uma grande receptividade, permitindo a utilização de novas práticas pedagógicas, que poderão ser traduzidas numa viagem ao interior de nós próprios, confrontando-nos com diferentes cenários ambientais, levando-nos a meditar e a descobrir novas formas de actuação. Perante o ambiente descrito e por vezes observado, cada visitante construiu a sua própria imagem interior e colocou-a a descoberto pela discussão proposta e solicitada pelo monitor contribuindo para a criação do novo rosto do CMIA.
A Equipa do CMIA:
Comissão científica/Comissário – Professor Doutor Vítor Vasconcelos Coordenação Câmara Municipal Vila do Conde – Cte António Costa Rei Coordenação CMIA - Eng.ª Ana Laranja
Eng.ª Mariana Cruz Mestre Nuno Ferreiro