5 Results
5.3 Root Infinitives
5.3.3 Finiteness and negation
E- É que eu que fiz? ( longo silêncio)...Estudei, fiquei quieto, não faltei a aula. Todo dia tava prestando atenção na aula. (B., 12 anos)
E. Estudei muito. Estudei muito, minha mãe sempre falava, aí quando eu saia pra rua, aí chegava da escola ia direto soltar pipa minha mãe não deixava. Vai estudar um pouco primeiro pra depois de repente tu consegue mais uma coisa melhor. Aí eu sempre ia estudar. Depois de sete horas assim, estudava bem dizer duas horas assim e ia pra rua de novo. Aí minha mãe deixava eu brincar um pouco. Acordava de manhã de novo estudava chegava na hora de ir para a escola ia para a escola, voltava, estudava de novo depois é... brincar. (S., 14 anos)
A fala a seguir demonstra reconhecimento e valorização do lugar do professor, apoiado ao esforço do aluno, sentimento a ser resgatado na recuperação do papel da educação.
P-(...) Teve alguma coisa diferente, alguma coisa te cativou mais, tocou mais você?
E- Teve. Foi o trabalho dela. O trabalho dela foi...como eu posso dizer é...ela é muito boa com a gente. Foi, não foi como as outras professoras que eu já peguei. Ela foi diferente das outras professoras que eu já peguei.(...) Porque ela é muito boa. Ela explica quando a gente tem dificuldade. Ela pede pra gente perguntar a ela quando tem dificuldade no trabalho. A gente pergunta e ela fala pra gente.[...] Estudei muito, muito mesmo. (S., 15 anos)
Eles têm conhecimento do material utilizado – 7 livros - demonstrando ter clareza sobre a expectativa de que os terminem durante esse ano letivo, mas, segundo um dos alunos entrevistados, a turma não tem como acelerar porque a maioria dos alunos é lenta, característica que o referido aluno não toma para si. Ele
afirma que não é lento para nada. É rápido, prestativo e pensa rápido, “O objetivo é
alcançar sete, sendo que a maioria da turma é muito lenta e não tem como acelerar” (A., 14 anos).O desafio de conseguir realizar as atividades de todos os livros foi
superado por apenas uma das turmas investigadas.
Aparece como um dado relevante a co-responsabilidade pelo processo, como um “dever” de todos (...) com um ajudando o outro, não um o pessoal não
sabe aquela palavra ali pegar e responder direito, acho que isso é o meu dever. Tanto é o meu dever, como é dela. (A., 14 anos).
Diferentes estratégias de ensinar para diferentes Estratégias de aprender...
Na aula gravada da turma da Escola Sol, no dia 10 de outubro, a professora parece desvalorizar o saber trazido e até mesmo construído pelo aluno. No livro do Projeto 3 – “O lugar onde vivo”, quarto livro trabalhado pela turma, página 124, a questão número dois traz o enunciado “Pense e dê as respostas” sugerindo total liberdade de ação durante o desenvolvimento da atividade. A primeira questão diz que:
• “Um carretel tem 400 metros de linha. Para meu papagaio voar bem,
preciso de 500 metros. Quantos carretéis de linha devo comprar?______ Quantos metros de linha vão sobrar? _______”
Diante da questão, R., afirma poder comprar a metade de um carretel no local em que reside. A fim de validar a informação trazida, cita o nome da pessoa que vende a metade do carretel. O fato do aluno trazer esta informação demonstra a capacidade de busca de soluções para a situação dada, bem como refuta a idéia de que a resposta da escola seja completamente correta e final. Há encaixes e desencaixes, as peças precisam ser reorganizadas. A criatividade nessa resposta, contrariamente ao que se espera, teve pouca importância para o professor nesse contexto.
A professora é enfática ao dizer que não quer comprar o carretel lá no local referido, alegando que não vai andar tanto para comprar meio carretel e o aluno argumenta dizendo que é o local mais próximo da escola, para ele. A professora tenta escapar trazendo como referencial para a situação a sua própria casa e coloca a situação para os alunos. Essa atitude mostra o esforço feito pela professora, através de uma rigidez extrema em fazer valer a sua idéia, defendendo-a para atender a lógica do pensamento único hegemonicamente difundido em nossa sociedade.
Outro aluno, M., encontra solução diferente dizendo que existem dois tipos de carretéis, um maior com 400m e outro menor com 150m, e que a sua opção seria pela compra desse menor. A sua resposta está bastante adequada à situação de vida atual e real. Provavelmente nenhum desses alunos compra algo que não seja necessário em suas vidas devido às dificuldades financeiras com as quais convivem. Essas dificuldades são cada vez mais perversas, sobrepondo-se ao seu querer. A professora, então, valoriza verbalmente a solução encontrada pelo aluno, afirmando ter ele encontrado a resposta mais difícil, entretanto não autoriza, mais uma vez, esse saber. Segundo ela, a resposta foge à lógica do livro e talvez à sua própria que propõe/impõe a compra de dois carretéis de 400metros cada um.
Todas as respostas satisfazem a situação, a do aluno R., a do aluno M. e também a da professora e do livro, no entanto, a valorização delas não ocorre na mesma proporção entre as elaboradas pelos alunos e aquelas elaboradas pelo professor. A desautorização se confirma no momento da sistematização e do registro da correção. Nada daquela discussão prévia em que os alunos expressaram seus pensamentos fora aproveitado como mais uma resposta possível e viável. Fatores como esse são impeditivos para a consolidação de uma leitura e escrita que propicie a autonomia do aluno, tão presente nos discursos dos profissionais da educação e também no discurso oficial.
Talvez o Programa minimize o difícil desafio que se impõe ao docente de fazer com que os alunos do PAA progridam aprendendo, ainda que diante de situações tão complexas como as já expostas. Uma possibilidade para essa aprendizagem seria a utilização de diferentes procedimentos didáticos para os diferentes alunos que permitissem aos mesmos adquirirem conhecimentos utilizando sua estratégia de aprendizagem, a partir de uma prática didática variada de estratégias de ensino, negociando com o aluno as ações a serem executadas e observando seus resultados.
P-Mas, você geralmente senta sozinho?