1 Introduction
1.2 Characteristics of Root Infinitives
1.2.4 Topicalization and wh-questions
A possibilidade de acelerar o aluno do Programa de Aceleração, encaminhando-o para a série adequada à sua idade, contempla, parcialmente, a idéia de uma inclusão que se quer efetivar. E, embora essa inclusão seja necessária e urgente, acreditamos que não deva limitar-se somente ao interior do espaço acadêmico, mas principalmente fora dele, através de formas reais de atendimento em que seja privilegiada a satisfação das necessidades básicas de qualquer cidadão, tornando-o produtivo para si e sua família, bem como para o próprio Estado.
A sala de aula, neste trabalho, foi entendida e considerada como um dos espaços sociais em que as representações desses sujeitos foram e continuam sendo construídas, influenciadas pelas relações ali estabelecidas, embora essas relações nem sempre favoreçam o sucesso dos alunos, pois nem sempre estão de acordo com seus projetos de vida, desejos, expectativas e motivações. Ao estabelecermos a sala de aula como local privilegiado e espaço de excelência durante a realização da pesquisa de campo quando observamos as interações ocorridas nas duas turmas de aceleração, percebemos que embora se queira uma sala de aula inclusiva e libertadora, segundo nossa percepção, isso ainda não foi alcançado e, desse modo, impõe-se à necessidade e urgência de transformar a prática pedagógica no interior da mesma. A formação do professor pode ser considerada um aspecto crucial para o surgimento e transformação dessa prática. Ao romper com o paradigma positivista da educação e ao organizar uma proposta de trabalho baseada numa concepção dialética, acredita-se que o professor se envolverá mais no processo ensino-aprendizagem, fazendo com que ele se reconheça como educador comprometido em ensinar aos alunos, e que, para isso, deverá transformar a sua prática tornando-a significativa para ambos.
Assim, alunos/as e professores/as precisam aprender que aprendem, aprender a fazer e, principalmente, aprender a ser, redefinindo as práticas escolares, para que a meta de educação básica para todos, conforme estabelecido na Conferência Mundial sobre Educação para Todos, em Jontiem (1990), seja uma meta viável nesse século que se inicia. Essa é uma prerrogativa imperativa para o século XXI, onde a pedagogia tem um papel de Tecnologia Cultural, conceito de Simon (1998) que amplia a noção da Pedagogia na medida em que utiliza o termo para definir as práticas escolares, entendendo-as como práticas de produção semióticas. As escolas, nesse caso, equivaleriam a “máquinas de sonho” onde, a
partir de práticas sociais, provocariam a produção de vários significados e desejos que poderiam afetar a idéia que as pessoas têm de suas possibilidades e identidade.
Partindo do pressuposto de se pensar as práticas escolares como “tecnologias culturais” é que se faz necessário pensar “o conjunto de práticas
organizacionais, curriculares e pedagógicas que contribuem para definir as formas pelas quais o significado é produzido, pelas quais as identidades são moldadas e os valores contestados ou preservados”(Simon, 1998, p.68), sugerindo a construção de
uma “Pedagogia da Possibilidade”. Essa teria lugar no Programa de Aceleração junto aos alunos atendidos, através da qual criou-se uma prática simbólica crítica, possibilitadora de formas de pensar e estruturas de sentir e agir que permitiram reconstruir a relação pedagógica baseada em questões que suscitaram uma reflexão permanente entre pensamento, desejos e ações, articulando interesses entre professores e alunos. Embora, no Brasil, as desigualdades econômicas, raciais e sociais existentes ainda exerçam um papel restritivo à melhoria nos padrões de vida da maioria da população.
No que se refere à educação, por exemplo, temos ainda, segundo dados do IBGE - Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2000) - 15 milhões de adultos analfabetos no Brasil, sendo mais significativo nas áreas rurais, em grupos de pessoas pardas, negras e pobres, configurando a situação educacional da população de 15 anos ou mais de idade. Essa taxa de analfabetismo declinou entre 1992 e 1999, mas ainda é bastante alta. A taxa de analfabetismo funcional (pessoas com menos de quatro anos de estudo) entre 1992 e 1999 sofreu uma redução de 7,5%, passando de 36,9% em 92 para 29,4% em 99. Contudo, ainda são alarmantes as proporções de analfabetos funcionais no Brasil, principalmente na Região Nordeste, em que a taxa é o dobro da encontrada nas Regiões Sul e Sudeste. São respectivamente, 46,2%, contra 21,8% e 22,3%.
Da mesma forma, a análise das taxas de escolarização, entre os anos de 92 e 99, mostra a situação bastante diferenciada entre os espaços geográficos do país, considerando uma ampla faixa de idade que abrange desde o ingresso no pré- escolar até o curso superior (5 a 24 anos de idade). A faixa etária de 7 a 14 anos, que corresponde ao Ensino Fundamental, é a que apresenta valores mais elevados de escolarização, onde mais de 90% das crianças freqüentavam a escola. Contudo, ao se considerar a renda familiar per capita, é no grupo mais pobre (crianças pertencentes ao primeiro quinto da distribuição de renda) que a taxa de escolarização é mais baixa.
Esses dados confirmam que o ensino na escola traz implícito em seu currículo um caráter elitista e excludente, contribuindo ao longo dos anos para o crescimento do processo cumulativo de atraso no fluxo de progressão escolar, que culminou com a formulação de algumas medidas2 na tentativa de corrigir esse atraso. O professor que atua nesse contexto de desigualdades, também por ele é influenciado e, ao colocar em prática irrefletidamente o currículo proposto/imposto, reforça a ação seletiva da escola, desfavorecendo o pleno domínio da linguagem escrita como requisito fundamental para o desenvolvimento das capacidades individuais que facilitariam a inserção desse sujeito na sociedade, deixando de considerar o currículo como um campo ético e moral que está envolvido nos processos de formação do sujeito, em que a educação deveria ser entendida como política social básica para a igualdade, o maior desafio atualmente para o sistema de ensino brasileiro.
UMA REALIDADE INCÔMODA E UMA POSSIBILIDADE DE GERIR