Ademar Gonçalves Caixeta Neto Universidade Federal de Ouro Preto
Escola de Nutrição - Campus Universitário - Morro do Cruzeiro, s/n° CEP 35.400-000 - Ouro Preto - MG - e-mail: [email protected]
Ademar Gonçalves Caixeta Neto1 - Universidade Federal de Ouro Preto - Ouro Preto - MG Fernanda Campos Freire2 - Universidade Federal de Ouro Preto2 - Ouro Preto - MG
Andréa Caixeta Gonçalves3 - Universidade Federal de Uberlândia - Uberlândia - MG Fillipe Moreira do Nascimento4 - Universidade Federal de Ouro Preto - Ouro Preto - MG Lenice Kappes Becker5 - Universidade Federal de Ouro Preto - Ouro Preto - MG
RESUMO
INTRODUÇÃO: Os recursos ergogênicos são utilizados por inúmeros profissionais do esporte visando o alto rendimento, uma vez que estão relacionados com aumento da potência e retardamento da fadiga muscular. Dentre estes recursos, destaca-se a cafeína. OBJETIVO: O objetivo do estudo foi verificar se o consumo da cafeína interferiu no desempenho de mulheres durante uma sessão de exercício aeróbico. METODOLOGIA: O estudo foi realizado em julho de 2011, com 7 indivíduos do sexo feminino (sedentárias e ativas) com idades entre 23 e 33 anos. Foram formados 2 grupos (placebo e suplemento). As participantes dos respectivos ingeriram uma cápsula contendo 280mg de lactato e de 280mg cafeína, 2 horas antes da realização do teste, o qual teve duração de 20 minutos. A sensação de esforço foi avaliada através da Percepção Subjetiva de Esforço. A análise estatística foi realizada com auxílio do software PASW 17.0. Após constatação de normalidade dos dados (teste de Kolgomorov-Smirnov) os valores médios de distância percorrida e percepção subjetiva de esforço foram contrastados mediante aplicação do test “t” de Student pareado. O nível de significância adotado para as análises foi p < 0,05. RESULTADOS: A idade média das participantes foi de 26,42±3,82 anos. A distância média global percorrida pelas participantes foi igual a 2564±266,42m, não havendo diferença entre os grupos (p=0,846). CONCLUSÃO: Não houve diferença entre os grupos em relação à distância percorrida e a percepção subjetiva do esforço.
Palavras-Chave: suplementos dietéticos, cafeína, exercício aeróbico.
INTRODUÇÃO
Os recursos ergogênicos são utilizados por inúmeros profissionais do esporte visando o alto rendimento, uma vez que estão relacionados com aumento da potência e retardamento da fadiga muscular1. Dentre estes recursos, destaca-se a cafeína, que é uma substância barata e de fácil acesso2.
A cafeína atua sobre o Sistema Nervoso Central, alterando a percepção subjetiva de esforço3 e facilitando a contração muscular esquelética4. Sua suplementação em diferentes tipos e intensidades de exercício têm demonstrado alto efeito ergogênico até o momento5,6,7,8.
Anteriormente incluída em uma lista de substâncias proibidas pela Agência Mundial Anti-Doping (WADA), na classe de estimulantes, a partir de 2004 seu uso foi liberado9.
O objetivo do estudo foi verificar se o consumo da cafeína interferiu no desempenho de mulheres durante uma sessão de exercício aeróbico.
METODOLOGIA
O estudo foi realizado em julho de 2011 como critério parcial para avaliação na disciplina de Nutrição e Educação Física da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).
A amostra constituiu-se de 7 indivíduos do sexo feminino com idades entre 23 e 33 anos, das quais 3 foram classificadas como fisicamente ativas (150 ou mais minutos de atividade física/semana) e 4 como sedentárias/insuficientemente ativas (menos de 150 minutos de atividade física/semana) após aplicação do International Physical Activity Questionnaire (IPAQ)10.
Foram formados 2 grupos: placebo e suplemento. No grupo 1 (placebo) foram incluídas as mulheres fisicamente ativas (n=3), ao passo que o grupo 2 (suplemento) incluiu as sedentárias (n=4). As participantes dos grupos 1 e 2 ingeriram uma cápsula contendo 280mg de lactato e de 280mg cafeína, respectivamente, 2 horas antes da realização do teste, o qual teve duração de 20 minutos. A distância total do circuito foi de 272m. Utilizou-se dose de cafeína de aproximadamente 5 mg.kg-1 de peso corporal, a qual está dentro do intervalo ótimo de suplementação5,6.
Durante o exercício foi utilizado um frequêncímetro da marca Polar® (FS1) para monitorar a frequência cardíaca e possíveis alterações. Na realização do teste foi utilizada uma ficha contendo informações pessoais de cada indivíduo e uma tabela em que era verificada a sensação de esforço dos avaliados através da Percepção Subjetiva de Esforço (PSE) segundo a Escala de Borg a cada 5minutos.
A análise estatística dos dados foi realizada com o auxílio do software PASW Statistics GradPack 17.011. Após constatação de normalidade dos dados (teste de Kolgomorov-Smirnov) os valores médios de distância percorrida e percepção subjetiva de esforço foram contrastados mediante aplicação do test “t” de Student pareado. O nível de significância adotado para as análises foi p < 0,05.
Todas as participantes manifestaram espontaneamente interesse em participar do estudo, assinando um termo de consentimento livre e esclarecido.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A idade média das participantes foi de 26,42±3,82 anos, sendo igual a 25,75±3,2 anos entre as sedentárias e 27,33±5,13 anos entre as fisicamente ativas.
A suplementação não influenciou na PSE média, já que o grupo 1 apresentou PSE menor quando comparado grupo 2, não havendo diferença entre eles (p=0,07). Isso pode ter ocorrido pelo fato do grupo 1 ter sido formado por indivíduos fisicamente ativos ou ainda devido ao tempo de duração da atividade, já que diferentes autores observaram uma redução nos níveis de percepção subjetiva de esforço12,13, após a ingestão de cafeína.
A distância média global percorrida pelas participantes foi igual a 2564±266,42m, sendo 2584m nas sedentárias e 2539m nas fisicamente ativas, com desvio padrão igual a zero, não havendo diferença entre os grupos (p=0,846). Estes resultados divergem de achados comuns encontrados na literatura, que apontam a cafeína como uma eficiente
agente ergogênico tanto em exercícios de curta duração14 quanto naqueles de média e longa duração15.
CONCLUSÃO
Não foi observada diferença estatística entre os grupos em relação à distância percorrida e a percepção subjetiva do esforço. Apesar de existirem na literatura diversos estudos avaliando os efeitos ergogênicos da cafeína sobre o desempenho aeróbico, ainda não existe consenso entre os autores, embora os mesmos tenham sido evidenciados. Fatores como a intensidade do exercício, a quantidade de cafeína oferecida e o tempo de oferta do produto antes do exercício podem influenciar na sua ação sobre o desempenho.
REFERÊNCIAS
1- Maughan, RJ, King DS, Lea T. Dietary supplements. J. Sports Sci., v.22, n.1, p.95-113, 2004.
2- Altermann AM, Dias CS, Luiz MV, Navarro F. A influência da cafeína como recurso ergogênico no exercício físico: Sua ação e efeitos colaterais. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, São Paulo v. 2, n. 10, p. 225-239, Julho/Agosto, 2008.
3- Doherty M, Smith PM. Effects of caffeine ingestion on rating of perceived exertion during and after exercise: a meta-analysis. Scand J Med Sci Sports. V. 15, p. 69-78, 2005.
4- Coyle EF. Fluid and fuel intake during exercise. J. Sports Sci., v.22, n.1, p.39- 55, 2004.
5- Altimari LR, Melo JC, Trindade MCC, Cyrino ES, Tirapegui JO. Cafeína e exercício físico aeróbio. Nutrire 2006;31:79-96.
6- Altimari LR, Moraes AC, Tirapegui JO, Moreau RLM. Caffeine and performance in anaerobic exercise. Braz J Pharm Sci 2006;42:17-27.
7- Davis JK, Green JM. Caffeine and anaerobic performance: ergogenic value and mechanisms of action. Sports Med 2009;39:813-32.
8- Astorino TA, Roberson DW. Efficacy of acute caffeine ingestion for short-term high-intensity exercise performance: a systematic review. J Strength Cond Res 2010;24:257-65.
9- World Anti Doping Agency (WADA). The 2010 prohibited list international standard. Disponível em: http://www.wada-ama.org/en/World-Anti-Doping- Program/. Acesso em: 07 julho 2011.
10- Matsudo SM, Matsudo VR, Araújo T, Andrade D, Andrade E, Oliveira L, et al. Nível de atividade física da população do Estado de São Paulo: análise de acordo com o gênero, idade e nível sócio-econômico, distribuição geográfica e de conhecimento. Rev Bras Ciênc Mov 2002; 10:41-50.
11- PASW Statistics 17. Chicago: SPSS. Inc.; 2009.
12- MacIntosh BR, Wright BM. Caffeine ingestive and performance of a 1,500- meire swim. Can J Appl Physiol 1995;20:168-77.
13- Cole KJ, Costill DL, Starling RD, Goodpaster BH, Trappe SW, Fink WJ. Effect of caffeine ingestion on perception of effort and subsequent work production. Int J Sports Nutr 1996;6:14-23.
14- Jackman M, Wendling A, Friars D, Graham TE. Metabolic, catecholamine, and endurance responses to caffeine during intense exercise. J. Appl. Physiol., v.81,n.4, p.1658-1663, 1996.
15- Altimari LR, Melo JC, Trindade MCC, Tirapegui JO, Cyrino ES. Efeito ergogênico da cafeína na performanceem exercícios de média e longa duração. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, 2005, vol. 5, nº 1 [87–101]