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The Facts of Chevron

2. The Chevron Case Study

2.1 The Facts of Chevron

Naiara Mourão Zugliani, Marli Mello Vianna da Cunha, Alessandra Bento Veggi, Célia Lopes da Costa, Josie de Souza Oliveira

Universidade Gama Filho, Rua Manoel Vitorino, nº533, Piedade, Rio de Janeiro, RJ. e-mail para contato: [email protected]

RESUMO

Objetivou-se avaliar a relação entre diferentes indicadores antropométricos e a percepção da imagem corporal de praticantes de musculação. Foram avaliados 40 indivíduos de ambos os sexos, com idade entre 20 e 59 anos. Os participantes submeteram-se à avaliação antropométrica (peso, altura e perímetro do abdômen) e de composição corporal, realizada com auxílio da Tanita®. A partir das medidas de peso e estatura foi calculado o IMC. Para verificar o grau de distorção da percepção corporal utilizou-se o Body Shape Questionnaire - BSQ. Verificou-se que grande parte das mulheres que apresentou distúrbio de moderado a grave pelo BSQ estava eutrófica e possuia percentual de gordura abaixo da média e dentre os homens que apresentaram o mesmo grau de distúrbio, 50% (n=1) apresentou sobrepeso e 50% obesidade, sendo que um deles apresentou percentual de gordura médio, ou seja, normal para o sexo masculino. Nota-se que não houve associação estatisticamente significante entre o estado nutricional e a distorção da percepção corporal sugerindo que independente do IMC e do percentual de gordura os indivíduos podem ou não apresentar distorção da imagem corporal.

Palavras-chave: indicadores antropométricos, percepção corporal, musculação.

INTRODUÇÃO

A prática regular e adequada de exercícios físicos melhora a qualidade de vida quando associada a uma dieta balanceada. Entretanto, para um público cada vez maior, o início de um programa de atividade física tem como um dos principais motivos a insatisfação com o próprio corpo ou com a imagem que se tem dele. O enfoque dado pela mídia em mostrar corpos atraentes leva a sociedade à valorização da aparência física idealizada, com aumento de músculos, estando os indivíduos sujeitos a perder o ideal de corpo saudável (1).

Ciente de que alguns praticantes de musculação podem apresentar excessiva insatisfação com seu corpo, julga-se de extrema relevância desenvolver estudos que se propõem avaliar a insatisfação com a imagem corporal, tendo em vista que, saber identificar alterações na imagem corporal é importante para o diagnóstico do transtorno dismórfico corporal, sendo possível avaliar sintomas desses quadros mesmo antes de o transtorno se manifestar (2).

Considerando a crescente busca de um corpo físico idealizado sem a devida preocupação com a saúde e qualidade de vida, o objetivo deste trabalho foi verificar a relação entre diferentes indicadores antropométricos e a autopercepção da imagem corporal de praticantes de musculação.

MATERIAIS E MÉTODOS

Trata-se de um estudo de caráter transversal e observacional, realizado em uma academia de ginástica na cidade do Rio de Janeiro, RJ. A população deste estudo foi constituída de 40 desportistas de ambos os sexos, praticantes de musculação, com idade entre 20 e 59 anos, abordada de forma randômica, em diferentes horários do dia e em diferentes dias da semana e convidados a participar do estudo. Todos os participantes assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido autorizando a utilização dos dados de forma sigilosa. Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa envolvendo Seres Humanos da Universidade Gama Filho – CAAE - 0094.0.312.000-11.

Os indivíduos foram selecionados segundo os seguintes critérios de inclusão: idade entre 20 e 59 anos, prática regular de exercício de força pelo menos duas vezes por semana, com duração igual ou superior a 30 minutos por sessão. Como critérios de exclusão têm-se: praticantes de atividade física com idade inferior a 20 anos e superior a 59 anos, com necessidades especiais, gestantes e atletas profissionais.

Os participantes do estudo submeteram-se à avaliação antropométrica que incluiu medidas de peso e estatura. Todas as medidas foram realizadas pela mesma pesquisadora. O peso foi aferido utilizando-se uma balança digital – Tanita® e a estatura foi medida com antropômetro vertical milimetrado, fixado à parede isenta de rodapés ou irregularidades, com escala de 0,1cm e extensão de 2 metros, conforme as técnicas propostas por Jellife (3). A avaliação da composição corporal foi realizada por meio da bioimpedância bipolar pé-a-pé - Tanita®, com o avaliado em pé, descalço sobre o equipamento de superfície metálica condutora segundo as orientações do fabricante. Quanto ao percentual de gordura corporal, os desportistas foram classificados segundo os pontos de corte propostos para a população saudável sugeridos por Lohman (4).

As investigações da percepção da imagem corporal foram realizadas por meio do

Body Shape Questionnaire BSQ, questionário auto-aplicável, respondido

individualmente.

Para verificar a normalidade das variáveis, foi aplicado o teste de Kolmogorov-

Smirnov. Para verificar as possíveis diferenças e associações foram utilizados testes de

acordo com a natureza das variáveis. A construção do banco de dados foi feita no Excel e os testes realizados com o auxílio do software SigmaStat versão 2.0. Para todos os testes considerou-se como nível de significância estatística a probabilidade inferior a 5% (p<0,05).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A amostra deste estudo foi constituída por 40 indivíduos adultos de ambos os sexos, sendo a maioria do sexo feminino (n=21; 52,5%). Os indivíduos avaliados possuíam idade mediana de 30 anos, com idade mínima de 20 anos e máxima de 59 anos. A Tabela 1 apresenta a caracterização dos participantes quanto à idade e variáveis antropométricas e de composição corporal.

A Tabela 2 apresenta a associação entre o IMC e o percentual de gordura corporal com os diferentes graus de distorção da imagem corporal obtidos pelo BSQ de acordo com o sexo.

Percebe-se, ao analisar a Tabela 2, que 75% (n=9) das mulheres que apresentaram resultado no BSQ normal/ leve eram eutróficas, enquanto que a maioria dos homens com resultado normal/ leve no BSQ (64,7%; n=11) encontrava-se com

sobrepeso. Nota-se que 70% (n=7) das mulheres que apresentaram distúrbio de moderado a grave no BSQ eram eutróficas e dentre homens, 50% (n=1) apresentava sobrepeso e 50% obesidade.

Em relação ao percentual de gordura corporal, percebe-se que a maioria dos indivíduos (n=29; 72,5%), independente do percentual de gordura, apresentou alteração normal ou leve distúrbio segundo os resultados do BSQ. Entretanto, percebe-se que

33,3% (n=3) das mulheres, mesmo apresentando percentual de gordura corporal abaixo do valor médio esperado, apresentaram distúrbio de moderado à grave no BSQ e, dentre os indivíduos do sexo masculino, 50% (n=1) dos homens que apresentaram esse mesmo grau de distúrbio, apresentava percentual de gordura médio, ou seja, normal para o sexo masculino.

De acordo com nossos achados, percebe-se que grande parte das mulheres que apresentaram distúrbio de moderado a grave pelo BSQ era eutrófica, sendo que, dos indivíduos do sexo masculino que apresentaram o mesmo grau de preocupação encontravam-se com sobrepeso e obesidade, indicando assim a grande preocupação das mulheres com a aparência corporal e a sensação de estar “gorda”. Ao verificar a associação do IMC com a distorção da imagem corporal analisada pelo BSQ, nota-se que não houve associação estatisticamente significante (p>0,05) sugerindo que independente do IMC e do percentual de gordura os indivíduos podem ou não apresentar autodepressiação da imagem corporal (Tabela 2).

De forma semelhante à nossa pesquisa Bosi et al. (5) relacionaram o IMC com os resultados do BSQ a fim de verificar a associação entre o estado nutricional e as alterações na percepção da imagem corporal. Em concordância, observaram que a maioria das jovens avaliadas (91,7%) que apresentou resultado do BSQ normal/leve era eutrófica, entretanto, diferente dos nossos resultados, tais autores encontraram associação estatisticamente significante entre o IMC e as categorias do BSQ (p=0,026). Sabe-se que, se tratando de indivíduos praticantes de atividade física, o IMC não deve ser avaliado isoladamente, sendo de extrema importância, sua interpretação em conjunto com os valores de percentual de gordura corporal. Dessa forma, foi comparado também, o percentual de gordura apresentado pela população estudada com os resultados do BSQ. Verificou-se que o percentual de gordura corporal não está significantemente associado aos distúrbios analisados pelo BSQ (p>0,05), ou seja, independente do percentual de gordura apresentado, os indivíduos podem apresentar distúrbios na percepção de sua imagem corporal.

CONCLUSÃO

De acordo com nossos achados, percebe-se que grande parte das mulheres que apresentou distúrbio de moderado a grave pelo BSQ estava eutrófica e com percentual de gordura abaixo da média, de forma semelhante, metade dos homens que apresentou o mesmo grau de distúrbio tinha o percentual de gordura considerado normal.

Nota-se que não houve associação estatisticamente significante entre o estado nutricional e a distorção da percepção corporal sugerindo que independente do IMC e do percentual de gordura corporal os indivíduos podem ou não apresentar distúrbios de percepção da imagem corporal.

Foi evidenciado que o ideal de corpo magro e definido imposto pela mídia e pela sociedade ainda prevalece nos dias de hoje.

Tabela 1. Caracterização dos praticantes de musculação quanto à idade e às variáveis

antropométricas e de composição corporal segundo o sexo.

Masculino Feminino

* ± DP *Med (min- Max) *X ± DP *Med (min- Max) P Peso (kg) 87 ± 14,5 82,7 (65,1 – 114,7) 64,5 ± 7,4 62,8 (51,2–88,2) < 0,001*** Altura (m) 1,78 ± 0,07 1,77 (1,69 – 1,94) 1,65 ± 0,06 1,64 (1,54 – 1,78) < 0,001** IMC (kg/m² 27,1 ± 2,89 27,1 (22,8 – 32,1) 26,3 ± 2,38 23,1 (19,1 – 28,5) < 0,001** M Magra (kg) 68,5 ± 11 64,9 (46,5 – 91,6) 46,9 ± 5,75 46,7 (37,2 – 65,1) < 0,001*** % G Corporal 14,9 ± 4,98 15 (7,70 – 28,3) 24 ± 4,71 23,8 (14 – 35,2) < 0,001** *Média ± DP: Média ± Desvio Padrão; Med (min- Max): Mediana (mínina – máxima).

** Teste t student. *** Teste Mann-Whitney.

Tabela 2. Associação entre o IMC e o percentual de gordura corporal com as categorias do BSQ, segundo o sexo.

BSQ

Características Total Normal/ Leve

Masculino Feminino Mod/ Grave Masculino Feminino n % n % n % n % n % P* IMC (kg/m²) < 18,5 18,5-24,9 25-29,9 ≥ 30 Total 0 0 19 47,5 18 45 3 7,5 40 100 0 0 0 0 0 0 0 0 4 23,5 9 75 0 0 7 70 11 64,7 3 25 1 50 3 30 2 11,7 0 0 1 50 0 0 17 100 12 100 2 100 10 100 0,845 %GC **Risco Baixo Média Acima Elevado Total 0 0 17 42,5 6 15 15 37,5 2 5 40 100 0 0 0 0 0 0 0 0 8 47,1 6 50 0 0 3 33,3 3 17,6 2 16,7 1 50 0 0 5 29,4 4 33,3 1 50 5 55,6 1 5,9 0 0 0 0 1 11,1 17 100 12 100 2 100 9 100 0,191

* Teste χ2 (Qui-quadrado). **Risco de doenças associadas ao baixo peso.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Theodoro H, Ricalde SR, Amaro FS. Avaliação Nutricional e Autopercepção Corporal de Praticantes de Musculação em Academias de Caxias do Sul – RS. Rev Bras Med Esp., 2009, v.15, n.4, p. 291 – 294.

2. Schomer EZ, Kachani AT. Imagem corporal. In: CÓRDAS, T. A; KACHANI, A. T (Org.). Nutrição em Psiquiatria. Cap. 7, p. 107 – 117. 1ª Ed. São Paulo: Artmed, 2010. 3. Jelliffe DB. The assessment of the nutritional status of the community. Geneva. 1966. 5.Lohman TG. Advances in body composition assessment. Champaing, Illinois: Human Kinetics Publishers; 1992.

6. Bosi MLM et al. Autopercepção da imagem corporal entre estudantes de nutrição: um estudo no município do Rio de Janeiro. J. Bras. Psiquiatria, 2006, 55 (2): 108-113.

SUPLEMENTAÇÃO DE CARBOIDRATO ISOLADO OU