4. Survey findings
4.3 The researchers’ opinions on peer review
4.3.1. Training and courses in reviewing
diz Geraldo Grützmann no hino municipal de Santa Maria de Jetibá. Sendo as famílias numerosas, todos trabalhavam desde muito pequenos, o que garantia o aprendizado da vocação para o trab
dizerem que o Povo Tradicional Pomerano é muito trabalhador.
As famílias pomeranas são predominantemente camponesas. Na Pomerânia, trabalhavam para os senhores feudais nos latifúndios e no Brasil também foram destinados a terras em que deveriam desenvolver a pequena agricultura e a produção de alimentos. Dispondo ou não de tecnologias, os pomeranos não hesitam em acordar cedo para iniciar as atividades e trabalham até o anoitecer. Afinal, a terra ou Land, na língua pomerana, é o aspecto mais importante para as famílias pomeranas.
A transmissão da terra como herança para os filhos confirma a importância da Land para as famílias. Exemplo disso foi dado por um senhor que relatou com orgulho as dificuldades pelas quais passou quando era criança, destacando que com o fruto do seu trabalho, seu pai comprou terras e depois dividiu entre os filhos, que, por sua vez, os s meus filhos tendo um pedaço de terra para dar para meus netos e saber que isso foi
era uma das maiores preocupações de uma família, que queria dar condições para que seus filhos pudessem trabalhar e construir a sua própria Land.
As palavras colônia ou Land, conforme Bahia (2011, p. 47) refere-se à terra e ao seu conjunto, incluindo as residências, os animais domésticos, as benfeitorias, as plantações, os objetos e seus valores que constituem o seu modo de vida. Inclui toda a unidade familiar como unidade de produção e consumo, juntamente com a propriedade
social, ou seja, imigrante campon
Inicialmente as principais produções dos descendentes de pomeranos no Brasil eram de café, milho, feijão e aipim. Os homens se ocupavam principalmente do trabalho agrícola, das relações comerciais e auxiliavam as mulheres no cuidado com os animais.
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Com uma grande quantidade de filhos, as mulheres tinham como funções principais zelar pela educação e cuidado dos mesmos, preparar as refeições e fazer as atividades domésticas, além de cuidar do quintal e dos animais domésticos.
Esta diferenciação de trabalho entre homens e mulheres também é explicitada em um importante ritual pomerano nas vésperas do casamento. Trata-se do Quebra- Louças em que uma senhora que têm laços de parentesco ou amizade com os noivos faz um discursos antes de jogar louças ao chão, e parte do conteúdo diz o seguinte:
trabalha para não faltar alimentação .
Outra prova das construções de gênero diferenciadas nas famílias pomeranas é o sistema utilizado no passado para divisão de herança. No início, somente os homens recebiam terras como herança, pois as mulheres se casariam e iriam morar nas terras do marido. Com o passar dos anos as mulheres também passaram a ganhar herança, sendo esta uma máquina de costura, uma novilha e algumas galinhas.
Isto mostra que a diferenciação de trabalho e gênero fazia parte dos valores pomeranos. Carneiro (2001, p. 2) escreve que apesar do Código Civil estabelecer a igualdade de condições entre todos os filhos no que se refere ao direito à herança, as regras culturais modificam a lei de acordo com os "interesses" de um ator coletivo: a família. Para a autora a transmissão do patrimônio e as demais regras de acesso a terra refletem não somente as condições sociais e econômicas das famílias, mas também a sua hierarquia interna que consolida relações desiguais entre os indivíduos no interior do grupo familiar e na sociedade, reforçando posições diferenciadas entre os sexos.
Com a diminuição do número de filhos, maior abertura comercial para os produtos agrícolas e melhoras nas condições de vida dos pomeranos, a mulher passou a ocupar mais espaço nos trabalhos fora do âmbito doméstico. Assim, se a mulher ocupava os mesmos espaços que os homens, teriam também o mesmo direito a herança, foi quando as mulheres também passaram a receber terras de seus pais, pois as transformações sociais e econômicas ocorridas no cotidiano dos pomeranos refletiam na hierarquia interna das famílias e nos padrões de transmissão do patrimônio familiar.
A ligação dos pomeranos com a terra virou tradição e com a força do trabalho familiar, o município de Santa Maria de Jetibá transformou-se em um dos maiores produtores de hortifrutigranjeiros do Espírito Santo, destacando-se também na produção de café, na fruticultura e na produção de alimentos orgânicos. É um dos maiores
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produtores brasileiros de gengibre, contribuindo para que o Espírito Santo se tornasse o maior produtor e exportar de gengibre do Brasil e também se destacasse como o segundo maior produtor de ovos do país. O município de Itarana também possui tradição agrícola e dentre outras produções em menor escala, destaca-se a produção de café por suas condições climáticas favoráveis para desenvolver a atividade.
Apesar de muitas pessoas ocuparem outras funções no âmbito laboral, grande parte das famílias pomeranas trabalha com a agricultura familiar e o fazem com muita dedicação, como bem colocou Eduardo (24 anos, agricultor)
o pomerano faz ele tem que fazer bem feito, ele não faz uma coisa mal feita ou com
Esta característica pomerana é notada por pessoas não pomeranas desde quando chegam à casa de uma família camponesa. Alguns profissionais que passavam na região, a trabalho,
com todas as outras coisas e a sua determinação para o trabalho, além da variedade de plantas, a maioria das vezes todas misturadas, remetem às múltiplas atividades desenvolvidas. Uma das participantes da pesquisa disse:
Outra coisa que eu percebo também no pomerano é a força de vontade dele, que nem quando dá um feriado, em outras culturas as pessoas vão descansar, assistir televisão, o pomerano não, ele aproveita o tempo dele até no escurinho[nas últimas horas do dia]. Há, eu não tenho mais nada pra fazer, não tem problema, eu vou lá plantar uma flor, e assim vai (Augusta, 33 anos, professora).
Nesse sentido, todo o cuidado que se tem com o quintal da sua casa também se mostra na forma de trabalhar a terra. Além dos quintais bem cuidados, a beleza das plantações forma bonitas paisagens que chamam a atenção de quem visita a região.
Além do trabalho agrícola, destaca-se o trabalho doméstico. As moças pomeranas são conhecidas como boas bordadeiras e fazem muitos trabalhos em bordado livre e ponto cruz, além da brólia para o acabamento das peças, tudo com muita perfeição. Segundo informação concedida por Johanna (60 anos, agricultora), as mulheres e moças sentam-se aos domingos para fazerem este tipo de trabalho. Esta senhora também me permitiu que eu tirasse fotografias dos trabalhos feitos por sua tia, guardados com muito cuidado e carinho, que podem ser vistos nas imagens abaixo:
136 Figura 25: Colcha de cama bordada em 1946
Foto: Adriele Schmidt, 2014
Figura 26: Embornal para levar hinários para a Igreja
Foto: Adriele Schmidt, 2014
Além desses bordados, as mulheres faziam enfeites para a casa e para ornamentar a árvore de Natal todos os anos. Os homens também desempenhavam atividades artesanais, dedicando-se à cestaria aos domingos e dias de chuva. Fazia-se cestas, peneiras, balaios e outros artefatos para uso no trabalho cotidiano.
Estes tipos de artesanato praticamente não são feitos mais pelos descendentes de pomeranos, sendo necessário realizar trabalhos de valorização e preservação destes saberes. Uma importante iniciativa foi desenvolvida pela Escola Estadual de Ensino Fundamental Fazenda Emílio Schroeder, que em 2014 criou um projeto que ensinou os bordados pomeranos a alguns alunos da escola que estavam interessados em aprender. Estes foram apresentados na Feira Cientifica municipal de Santa Maria de Jetibá de
Em função de uma vida tão ligada à valorização do trabalho, os pomeranos são caracterizados como sendo um povo tradicional
liga m Durante a participação do Encontro do Povo Tradicional Pomerano: Cultura, Língua e Educação, realizado na Universidade Federal do Espírito Santo em setembro de 2014, a fala de Mariane Berger32, mostra muitas características que marcam a identidade dos pomeranos ao sintetizar o que ela aprendeu em sua convivência com os pomeranos. Ela diz o seguinte:
Eu aprendi a simplicidade e um jeito autêntico de viver que não se envergonha de fazer história. Aprendi que chique é ser autêntico e estar na moda é coisa de quem não enxergou a base. Aprendi que um aperto de mão é costume que se preserva e que afirma estar aberto a dar e receber. Aprendi que é preciso dar valor ao dinheiro sim, conquistado com esforço. Que quem se esforça e luta valoriza mais o que tem. Aprendi que ao fazer festa em comunidade cada um
32 Mariane Berger é gerente de Educação do Campo e representante da Secretaria de Estado de Educação
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contribui com o seu muito. Aprendi a comer brote, a se orgulhar de prestigiar os amigos com essa culinária. Aprendi a inventar jeitos e feitos e não se importar com as etiquetas ou valores. Aprendi a ter orgulho de fazer parte da cultura pomerana.
Esta fala mostra o modo de ser simples e autêntico dos descendentes de pomeranos, suas prioridades na vida, a ajuda mútua e a dedicação ao trabalho. Entretanto, a reciprocidade faz parte do cotidiano de todos os pomeranos desde crianças, assunto este que será abordado a seguir.