2.3 Litteratur, forskning og empiri rundt trær og trafikksikkerhet
2.3.2 Trær, kjøreatferd og hastighetsoppfatning
94 E se se deseja saber sobre as instituições religiosas, que se procurem, do outro lado de suas Celebrações, os testemunhos dos equívocos, das intolerâncias e das inquisições... (ALVES, 1986, p. 56, 57).
A relação entre seminaristas e lideres das igrejas evangélicas muitas vezes é tensa99.
Em alguns casos uma disputa de poder real ou imaginária ocorre. Os interlocutores narraram diversas dificuldades com as lideranças locais e com os seus pastores. Para M. R. S. foi o principal fator para a decisão de não mais pertencer à igreja evangélica onde ele estava. Ele o relata com as seguintes palavras:
Foi à falta de apoio, talvez, bom, na época o que foi latente para mim, foi a questão de ser o alvo. Se houvesse um erro, é o teólogo ou durante a palavra o teólogo é isso é aquilo e o único estudante de teologia era eu. Então era eu, era uma mensagem direcionada, eu sabia disto, não era algo, que não tem nada haver com você, sempre foi direcionado, este direcionamento, me motivou (M. R. S.).
A seguir em sua fala M. R. S. credita estas tensões na sua igreja à falta de conhecimento teológico por parte da liderança e da mesma não saber como lidar com um aluno de teologia entre os seus membros.
Acho que a maioria das igrejas que tem no Brasil, não tem uma cultura para suportar um estudante de teologia, porque a educação no nosso país é complicada, nas igrejas pentecostais, neopentecostais algumas, aquelas que não estão em evidencia, que era o caso da minha, o pessoal não tem estudo, e talvez não tenha compreensão do que realmente é a teologia e de como um aluno de teologia pode ajudar. Talvez seja a ignorância deles que tenha me afastado e a minha covardia de desistir (M. R. S.).
Outros dois interlocutores C. E. N. S. e A. C. também apontam as dificuldades de relacionamento com a liderança, como fator de forte motivação para deixarem as comunidades de fé à qual pertenciam:
A igreja montou, fez uma outra igreja, não que saiu... meio que montou uma filial, eu fui para esta comunidade, na qual eu não me dei muito bem com a visão do pastor então eu fui para uma outra comunidade (C. E. N. S.).
Basicamente não só a questão teológica. Porque como ele era uma pessoa que não tinha conhecimento nenhum teológico, então ele falava muito aquilo que ele aprendeu
99 Quando o autor desta pesquisa estava cursando teologia no Seminário Evangélico Teológico do Betel
Brasileiro, em São Paulo, certa vez, em um culto que reunia todos os alunos, a reitora do seminário convidou todos os alunos que tinham problemas e dificuldades de relacionamento com seu pastor, para irem à frente, pois ela iria orar por eles, para surpresa dela, a maioria dos alunos foi à frente, acreditamos que mais de 70% dos alunos presentes.
95 na vida e não querendo julgar ele de certa forma, querendo ou não, quando batia de frente com a realidade que eu via dentro... de alguns professores que me abria a mente em relação à teologia em si, com a realidade dele, a gente acabava entrando em certo conflito dentro da comunidade, o que não era saudável, porque querendo ou não, havia pessoas dentro da igreja que gostavam da minha ideologia, mas eu acabava entrando em atrito com o pastor que não comungava com o meu pensamento, então eu optei por sair (C. E. N. S.).
Você vai chegando num ponto que, não tem voz, você vê as coisas erradas e não tem como fazer nada, você não tem para quem recorrer, só a Deus, porque não há ser humano que vá lhe ajudar, porque o pastor da igreja local é o máximo, diante do pastor presidente do ministério; a opinião das outras pessoas de nada vale, talvez o motivo maior de eu me afastar foi que, para ser um a mais lá, que a minha opinião de nada valia, eu cansei. Me afastei (A. C.).
Em outro trecho de sua narrativa A. C. explica como funciona, no cotidiano da igreja pentecostal à qual ele pertencia, o exercício da liderança.
A liderança da igreja entenda-se — o pastor da igreja—, não há mais ninguém como liderança da igreja, porque o modo de condução política da Assembleia é muito diferente das demais igrejas. Quando você fala assim, corpo diretivo, não tem, só tem o pastor, ele que toma todas as decisões, certas ou erradas, ele não pede a opinião de ninguém, não pergunta, não faz assembleia, é o que ele decidir. Se ele fizer coisa errada, é ele que decide, se ele acertar, também o mérito é dele. Infelizmente é um trabalho, muito difícil, porque você não tem opinião.
É duro quando você tem que trabalhar com alguém, que a sua opinião não vale nada, ela se perde, ela pode até ser perguntada, “o que você acha?” Mas, jamais, é dado a ela algum crédito. São coisas que vão frustrando, vão causando uma certa frustração, porque você vê condições erradas, coisas erradas, e não há punição.
É como se ele fosse o dono da empresa, ele decide conforme a cabeça dele, não dá satisfação a ninguém (A. C.).
A esposa de A. C., a interlocutora K. C., que também fez parte de igrejas pentecostais durante muitos anos, também relata as suas dificuldades com a liderança, dificuldades estas que em determinados momentos exigiram a troca de igreja, nas palavras dela:
Eu sempre encontrei barreiras, não tinha a liberdade que gostaria de ter para trabalhar por ser mulher, em primeiro lugar, na Assembleia de Deus, e ter às vezes algumas ideias conflitantes com as ideias da liderança pelo trabalho que eu desenvolvia, porque sempre trabalhei com ensino na igreja e quando você ensina você trabalha com a mente das pessoas, abrindo suas mentes.
Às vezes o líder não quer isso dos seus liderados, que eles tenham uma mente aberta, que eles tenham opinião própria, que eles comecem a pensar de forma diferente. Muitas vezes eu encontrava obstáculos, até mesmo não poder continuar meu trabalho. Teve igreja da qual sai, porque criou um conflito tão grande com o meu trabalho que não pude continuar na mesma congregação, tive que sair (K. C.).
96 M. P. e L. C. V. que foram participantes de igrejas protestantes históricas, também relatam as suas dificuldades e tensões com as lideranças locais das igrejas.
Você conhece o lado de dentro, né. Eu era funcionária, CLT até, e na verdade é muito difícil, muito difícil, porque esta igreja especificamente é uma igreja que eu amo, tenho um amor muito profundo por esta igreja, mas é uma igreja que se tornou profissional, muito profissional, muito organizada, muito arrumada, muito ajeitada, e a cobrança pela excelência é exaustiva. (M. P.).
A minha relação com a liderança, neste processo nunca foi boa e sempre foi desconfiada, não havia naturalidade, nem eram relações orgânicas, eram relações de protocolo e de produtividade. Eu me sentia diante de uma cadeia de produtividade mesmo (L. C. V.).
... com a liderança formal, tinha um relacionamento traumático, nunca consegui ficar, é amigo dos caras (L. C. V.).
A tensão entre os pastores das igrejas e os seminaristas ou alguém recém-formado em teologia é exposta claramente nas falas dos interlocutores M. R. S. e J. M. G. S.:
... quem esta na liderança, te vê como um, um, um, empecilho, um inimigo, você não fala as coisas baseada no Espírito, eu não sei o que ele quer dizer com isto, porque tudo que um teólogo faz é baseado na palavra, então eu não sei o que eles querem dizer com isto. Mas eu ouvi muito isto (M. R. S.).
Líderes evangélicos, eles têm um espaço a zelar, e se ele for remunerado e não tiver uma outra profissão para sustentar mulher e filho, ele tem um espaço e ai daquele que se aproxima daquele espaço, que ele protege, ali já não é mais a igreja de Jesus Cristo, ali é uma instituição, é um emprego, ele está batalhando pelo emprego, e a concorrência é muito grande. E se o salário for alto, mais alto será a concorrência e as dificuldades de quem esta chegando por perto, principalmente, se apresentar algumas qualidades como: se fala um português correto, se tem uma boa pregação, se fala inglês, se tem curso, se tem mestrado, se tem uma profissão que projeta este indivíduo na sociedade... isto tudo causa ciúmes. Por que se a comunidade faz a opção por um outro, significa que o anterior vai ficar desempregado, e nem sempre é fácil arranjar emprego numa comunidade evangélica (J. M. G. S.).
J. M. G. S. narra uma história que demonstra a que ponto pode chegar a disputa por poder dentro de uma igreja evangélica:
Inclusive, eu presencie conversas de líderes ameaçando o outro de morte, é isto foi uma coisa chocante. A pessoa que me falou isto, disse que foi ameaçado e que revidou no mesmo tom. Um líder de grande projeção, inclusive pessoa que tem mestrado. É pessoa com muita experiência e fala uma outra língua, e eu fiquei abismado, porque eu não esperava, devido à propaganda (J. M. G. S.).