Um outro aspecto im portante sobre os processos básicos de aprendizagem, apre sentados neste livro, diz respeito não à conseqüência em si do com portam ento, m as à forma (esquema) como ela é apresentada. Falamos em
esquemas de
reforçamento.
Existem cinco tipos principais de esquemas de reforçamento, umcontínuo
(CRF) e quatrointermitentes
(razão fixa, razão variável, intervalo fixo e intervalo variável). Cada tipo de esquem a de reforçamento produz efeitos característicos sobre o comportamento. Os esquemas de reforçamento são respon sáveis, entre outras coisas, pela aprendizagem de algumas características que adm iramos (por exemplo, perseverança, alta motivação, persistência, etc.) e ou tras que olhamos, em certas circunstâncias, com repreensão nas pessoas (por exemplo, insistência, teimosia, baixa motivação, preguiça, procrastinação, etc.).Esquem as interm itentes variáveis (razão variável e intervalo variável) fazem com que o indivíduo aprenda a se com portar de tal forma que poderíamos qua lificá-lo como
persistente, perseverante
ou mesmoteimoso.
Em outras pala vras, seus com portam entos apresentamalta resistência à extinção,
ou seja, se o reforço para determ inado com portam ento deixar de ocorrer, indivíduos cujos com portam entos têm alta resistência à extinção perm anecerão por mais tempo em itindo-os.Pense u m pouco sobre quando você cham a alguém de perseverante ou de teimoso. Você perceberá que cham am os alguém de perseverante quando ele está em itindo um com portam ento que não está produzindo conseqüências reforça- doras (por exemplos aquele colega que estuda bastante e só tira notas ruins, mas nem por isso pára de estudar - pelo menos por u m tempo considerável). Chamamos alguém de teimoso tam bém quando perm anece por m uito tempo em itindo com portamentos que, à primeira vista, parecem não estar sendo reforça dos. Chamamos de perseverante se consideramos o com portam ento “bom" ou “adequado" (p. ex., estudar) e de teimoso ou chato quando consideramos o com portam ento “ruim" ou “inadequado“ (p. ex., o(a) nam orado(a) que não pára de ligar depois que dizemos que não queremos mais nada com ele(a)).
O esquem a de reforçam ento contínuo (CRF) é adequado para a instalação e para fortalecim ento de com portam entos operantes, ao passo que esquemas inter m itentes são adequados para a m anutenção desses com portam entos, visto que é necessário reforçá-los m enos vezes e que, n a maioria das vezes, não queremos que as pessoas, som ente com poucos fracassos, parem de em itir determ inados com portam entos. Esquem as de intervalo fixo podem fazer com que os indivíduos aprendam a se com portar de um a forma tal, que os cham am os de preguiçosos. Alguns traços da personalidade de cada indivíduo, como frustrar-se facilmente ou em penhar-se em tarefas árduas, são aprendidos em função de sua história de reforçamento, ou seja, dos esquem as de reforçamento que m antiveram ou m an têm seus com portam entos ao longo de sua vida. Esquem as variáveis (razão ou intervalo), sobretudo esquem as de razão, são excelentes quando queremos altas taxas de respostas com poucos reforços (por exemplo, se quero que alguém traba lhe m uito e não tenho m uito dinheiro para pagar, é melhor que eu pague (reforce) em esquem a de razão variável - é claro que não podemos esquecer as questões éticas quando em pregamos técnicas com portam entais; elas são poderosas e de vem ser utilizadas para m elhorar a qualidade de vida das pessoas, e não para piorá-la).
Existem ainda dois tipos de esquemas em que não existe a relação de contin gência (tempo fixo (FT) e tem po variável (VT)). Isto é, o reforço é liberado inde pendentem ente de um a resposta específica, ou melhor,
a resposta não produz
a conseqüência.
Trata-se de dois esquem as exclusivamente temporais, ou seja, o reforço é apresentado periodicam ente,sem a necessidade da emissão de
uma resposta.
Tais esquem as são responsáveis pela aprendizagem daqueles com portam entos que cham am os de supersticiosos.Alguns esquem as foram desenvolvidos para controlar quão rápido devem ser as respostas do organismo: Differential reinforcement o f low rates(DRL) e Diffe rential reinforcement o f high rates(DRH). Estes esquemas utilizam o reforçamento
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Moreaa ec M eoroo» diferencial, no qual não se trata de um a resposta específica selecionada, e, sim, a velocidade (taxa) com que esta é emitida, ou seja, nesses esquemas, o responder rápido (DRH) ou o responder lento (DRL) é reforçado.
Outro esquema estudado foi o reforço diferencial de outros com portam entos (DRO). Esse é um bom esquem a para se reduzir a freqüência de com portam entos difíceis de se colocar em extinção. No DRO podemos reforçar outros com porta m entos, ou sim plesm ente a não-ocorrência do comportamento-alvo.
Vimos tam bém os chamados esquemas compostos. Um deles é o esquema m últiplo. Nesse esquem a composto, ocorre a alternância de mais de um esquema de reforçamento. Cada um dos esquemas perm anece em vigor por um período de tempo, por um núm ero de respostas ou por um núm ero de reforçadores obti dos. Além disso, cada um dos esquemas é sinalizado por um estím ulo diferente, m as a resposta requerida é sempre a mesma. Os esquemas múltiplos são utilizados principalm ente para estudar o controle de estímulos antecedentes sobre o com portam ento operante.
Outro tipo de esquem a composto é o encadeado. Os esquemas encadeados foram desenvolvidos para estudar cadeias comportamentais. A maioria dos nossos com portam entos está imersa em longas cadeias de respostas. O ponto crucial nas cadeias de respostas é que o reforço de um com portam ento é o estímulo que sinaliza o seguinte com portamento. Nos esquemas encadeados, da m esm a forma, a ocorrência de um reforço sinaliza a passagem para o próximo esquem a (é o SD).
Por fim, vimos os esquemas concorrentes. Esquemas concorrentes são, com certeza, os mais presentes e im portantes em nossa vida. Falamos em esquemas concorrentes quando temos duas ou mais fontes de reforço disponíveis ao mesmo tempo; por exemplo, ir à escola ou ficar em casa vendo TV; jogar futebol ou ir ao cinem a no domingo à tarde; ou, no caso do rato, pressionar a barra da esquerda produz água em esquem a VI: 10", em quanto pressionar a barra da direita produz água em esquem a VI:20".
Ao estudarm os os esquemas concorrentes, conhecemos A Lei da Igualação, que aborda como os organismos distribuem seus com portam entos em situações onde há escolhas para se fazer. Seu pressuposto básico é o de que há um a relação de igualação entre o com portam ento e vários parâmetros do reforço; por exemplo, a quantidade de reforço produzido por um a ocorrência da resposta, a qualidade do reforço, o atraso do reforço (quanto tempo demora para o reforço ser apresen tado após a resposta ser emitida) e o esquem a de reforçamento em vigor para determ inado com portamento.