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Cada um dos quatro esquemas vistos até agora produz um padrão comporta- m ental característico em estabilidade. Nos experimentos com esquemas de refor­ çamento, existem dois tipos de dados: 1) dados de transição: aqueles observados

Fr eq üê nc ia ac um ul ad a 126 Esqueoias dc reforçamento

quando o organismo acabou de ser subm etido a um novo esquem a de reforça- m ento. Nesse caso, seu padrão com portam ental trará características da contin­ gência antiga e da nova contingência. Dizemos, portanto, que seu com portamento ainda não está adaptado ao novo esquem a de reforçam ento, trazendo traços do esquem a anterior. Os dados de transição são úteis para estudar os efeitos de história de reforçamento; 2) estado estável: dizer que um com portam ento está em estado estável significa dizer que ele já se adaptou ao novo esquem a e que não m udará mais, m esm o que seja subm etido a mais sessões experim entais nesse esquema. Para ser obtido o estado estável, é necessário que o organismo seja subm etido a várias sessões ao esquem a em vigor, de form a que seu compor­ tam ento se adapte a ele.

Os padrões com portam entais apresentados a seguir são observados apenas em estado estável.

Padrão de FR

O padrão de FR é caracterizado por produzir um a taxa alta de respostas, um a vez que, quanto mais o organism o responder, m ais reforços obterá (Figura 7.4). Ou seja, como o reforço depende exclusivamente do organismo, se ele responder com rapidez, será reforçado imediato e freqüentem ente. Então, será observada um a taxa alta de respostas. Entretanto, um outro fenôm eno é observado em FR, que é a pausa após o reforçamento.

Logo após o reforço, o organism o dem ora um pouco para iniciar seu respon­ der. Esse tem po é cham ado de pausa após reforço. Atribui-se essa pausa ao fato de que o organismo nunca foi reforçado logo após u m reforçam ento anterior,

Padrões com porta m enta is produzidos por cada esquem a. Pausa pós- reforço (horizontal) Tempo (min) VR

t

discrim inando claram ente que o reforço dem orará a vir. Essa discriminação é facilitada pelo núm ero de respostas para cada reforçador ser sempre o mesmo. Sendo assim, o reforço sinaliza que as próxim as respostas não serão reforçadas, to rn an d o o responder pouco provável. Mas, n a m edida em que o organismo começa a responder, suas res­ p ostas atin g e m rap id a m en te um a taxa alta que perm anece constante até o próximo reforço. Um exem plo vai nos ajudar a entender. Im agine que você está fazendo séries de abdom inais em um a academia. Ao term inar um a série de cem abdominais, é pouco provável que você inicie a série seguinte im ediatam ente.

M ordra & M edeiros

Isto ocorre porque você discrimina que serão mais cem abdominais para o próximo reforço. Mas, quando você enfim começa, faz as repetições em um ritm o constante até o final da série.

Padrão de VR

Por outro lado, o padrão de VR é caracterizado por ausência de pausas ou por apenas pausas curtas (Figura 7.3). Isto ocorre porque não há como discriminar se o núm ero de respostas para o próximo reforço é grande ou pequeno, um a vez que é variável. Então, como o organism o tam bém foi reforçado com poucas respostas no passado, o últim o reforçador não sinaliza que as próximas respostas não serão reforçadas. Assim, o últim o reforçador não é correlacionado com o não-reforçam ento, como no caso da razão fixa. Portanto, as pausas são bem menores, ou mesm o não ocorrem nos esquem as de VR. Além disso, os esquemas de VR produzem altas taxas por exigirem o núm ero de respostas para a liberação do reforço e por não apresentarem pausas após reforçamento. Conseqüentemente, o VR é o esquem a que produz as maiores taxas de respostas. Se você deseja que alguém trabalhe m uito e quer pagar-lhe pouco, VR é o esquem a mais indicado.

Padrão de FI

Este é o esquema que produz as menores taxas de respostas por duas razões: 1) não é exigido um núm ero de respostas para a obtenção do reforço, ou seja, não faz diferença responder m uito ou pouco, e, sim, no m om ento certo. Por conseguin­ te, o organismo responderá menos do que nos esquemas de razão; 2) é o esquem a que produz as maiores pausas após o reforçamento, um a vez que a discriminação temporal entre o reforçamento e o não-reforçamento é facilitada pela regularidade das durações dos intervalos entre reforçamento. Como o reforço depende do tempo, que será sem pre o mesmo, é fácil para o organism o discrim inar que, logo após um reforçador, suas respostas não serão reforçadas. Portanto, o padrão ca­ racterístico do FI envolve longas pausas após o reforço, como um início lento no responder e um aum ento gradual na taxa de respostas, que está m áxim a no m om ento da próxima disponibilidade do reforço. Essa aceleração do responder é cham ada de scalop (Figura 7.4). É im portante notar que os padrões foram ob­ tidos em pesquisas com animais que não têm relógio nem calendário. Certa­ m ente, não começamos a ligar a TV na quarta-feira e ficamos ligando-a com um a freqüência cada vez mais alta quando se aproxima da hora dos Simpsons no sábado. Caso não se tratasse dos Simpsons, e, sim, de alimento, e não tivéssemos formas organizadas de contar o tempo, nosso padrão seria sem elhante ao dos anim ais.

Padrão de VI

Apesar de ser um esquem a de intervalo, o VI produz um padrão com um a taxa relativam ente alta de respostas. Uma vez que o organismo não tem como prever quando o reforçador estará disponível, ele responderá quase que o tempo todo

Esquemas de reforçanwnto

(Figura 7.4). Caso o organism o fique m uito tempo sem responder, perderá refor­ ços; portanto, ele perm anecerá respondendo m oderadam ente o tem po todo.