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TORVSTRØDRIFTEN

3.6.1.1 Análise dos dados de precipitação

O objetivo de um posto de medição de chuvas é o de obter uma série ininterrupta de

precipitações ao longo dos anos. Em qualquer caso pode ocorrer a existência de períodos sem

informações ou com falhas nas observações, devido a problema com os aparelhos de registro

e/ou com o operador do posto. Os dados coletados devem ser submetidos a uma análise antes

de serem utilizados. As causas mais comuns de erros grosseiros nas observações são:

preenchimento incorreto na caderneta de campo, soma errada do número de provetas quando

a precipitação é alta, valor estimado pelo observador quando este não se encontra no local no

dia da amostragem, crescimento de vegetação ou obstrução próxima ao posto de observação,

danificação do aparelho e etc (TUCCI

et al

., 1997; VILLELA; MATTOS, 1975)

3.6.1.2 Preenchimento de falhas

O primeiro passo para se preparar os dados para o tratamento estatístico consiste na

identificação e correção de erros/inconsistências. Após esta análise, as séries históricas de

chuva, poderão apresentar lacunas que devem ser preenchidas por alguns dos métodos

indicados a seguir, a se saber: método da ponderação regional, método de regressão linear,

método da ponderação regional com base em regressões lineares e outros. Será tratado neste

trabalho somente o método de ponderação regional (TUCCI

et al

., 1997; VILLELA;

MATTOS, 1975)

3.6.1.2.1 Método de ponderação regional

É um método simplificado e normalmente utilizado para o preenchimento de séries

mensais ou anuais de precipitação. Para um grupo de postos, são selecionados pelo menos três

que possuam, no mínimo, dez anos de dados. Para um posto P

x

que apresenta falhas, as

mesmas são preenchidas com base na seguinte equação (TUCCI

et al

., 1997; VILLELA;

MATTOS, 1975):

P

x

= n∑P

x

P

i

P

i i=

(22)

P

x

Estação com falha na série em um determinado mês

[mm]

n

Número de estações vizinhas

adimensional

P

x

Média anual da estação com falha

[mm]

P

i

Média anual de cada estação vizinha

[mm]

P

i

Precipitação anual da estação vizinha de ordem “i” para o mês

em que se verificou a falha

[mm]

Os postos vizinhos devem estar numa região climatologicamente semelhante ao posto

a ser preenchido. O preenchimento efetuado por esta metodologia é simples e apresenta

algumas limitações, quando cada valor é visto isoladamente. O resultado estatístico da

precipitação não sofre significativamente com as limitações deste preenchimento, o valor

preenchido é utilizado para homogeneizar séries de precipitações para análise estatística

regional. Para o preenchimento de valores diários de precipitação não se deve utilizar esta

metodologia. Normalmente valores diários são de difícil preenchimento devido a grande

variação espacial e temporal de precipitação para eventos de frequência média e pequenas

(TUCCI

et al

., 1997; VILLELA; MATTOS, 1975).

3.6.1.3 Consistência de séries pluviométicas

Após o preenchimento da série é necessário analisar sua consistência dentro de uma

visão regional, isto é, comprovar o grau de homogeneidade dos dados disponíveis num posto

com relação às observações registradas em postos vizinhos. O método da Dupla Massa,

desenvolvido pelo Geological Survey (USA), é uma prática comum adotada no Brasil, sendo

válido apenas para séries mensais ou anuais.

O método consiste em selecionar os postos de uma região, acumular para cada um

deles os valores mensais/anuais, e plotar num gráfico cartesiano os valores acumulados

correspondentes ao posto a consistir (nas ordenadas) e um outro posto confiável adotado

como referência (nas abscissas).Um aprimoramento do método consiste em obter-se os

valores médios das precipitações mensais/anuais acumuladas em vários postos da região e

utilizar-se a série, assim formada, como base de comparação (plotando estes valores nas

abscissas). Se os valores do posto a consistir são proporcionais aos observados na base de

comparação, os pontos devem se alinhar segundo uma única reta. A declividade da reta

determina o fator de proporcionalidade entre ambas as séries (TUCCI

et al

., 1997; VILLELA;

MATTOS, 1975).

Também é possível que os postos não se alinhem segundo uma única reta podendo

apresentar as seguintes situações:

Mudança na declividade

Determinando duas ou mais retas. Constitui o exemplo típico derivado da presença de

erros sistemáticos, mudança nas condições de observação ou a existência de uma causa fixa

real, como alterações climáticas no local provocadas pela presença de reservatórios artificiais.

Para se considerar a existência de mudança de declividade, é prática comum exigir a

ocorrência de pelo menos cinco pontos sucessivos alinhados segundo uma nova tendência.

Para corrigir os valores correspondentes ao posto sob análise, existem duas possibilidades:

corrigir os valores mais antigos para a situação atual ou corrigir os valores mais recentes para

a condição antiga. Ou seja, se foram detectados erros no período mais recente, a correção

deverá ser realizada no sentido de preservar a tendência antiga e vice-versa (TUCCI

et al

.,

1997; VILLELA; MATTOS, 1975)

Os valores deverão ser acumulados a partir do período para o qual se deseja manter a

tendência da reta. Os valores inconsistentes podem ser corrigidos de acordo com a seguinte

expressão

P = P

+M

M ∙ ∆P

(23)

P

Precipitação acumulada ajustada a tendência desejada

[mm]

P

Valor da ordenada correspondente a interseção das duas

tendências

[mm]

M

Coeficiente angular da tendência desejada

Adimensional

M

Coeficiente angular da tendência a corrigir

Adimensional

P

Valor acumulado a ser corrigido

[mm]

Alinhamento dos pontos em retas paralelas

Ocorre quando existem erros de transcrição de um ou mais dados ou pela presença de

anos extremos em uma das séries plotadas. A ocorrência de alinhamentos, segundo duas ou

mais retas aproximadamente horizontais (ou verticais), pode ser a evidencia da comparação de

postos com diferentes regimes pluviométricos.

Distribuição errática dos pontos

Geralmente é resultado da comparação de postos com diferentes regimes

pluviométricos, sendo incorreta toda associação que se deseje fazer entre os dados dos postos

plotados.

3.6.1.4 Chuva média sobre uma bacia

Tucci

et al

. (1997) citam algumas metodologias que permitem o cálculo de uma chuva

média sobre uma determinada bacia hidrográfica e, para isso, é necessário utilizar as

observações pluviométricas dentro dessa superfície e em suas vizinhanças. Entende-se como

precipitação média uma lamina de água de altura uniforme sobre toda a área considerada

associada a um período de tempo. Isso não deixa de ser uma abstração (Sanchez, 1986 apud

TUCCI

et al

., 1997) já que a chuva real obedece a distribuições espaciais e temporais

variáveis.

Método da média aritmética

Admite-se que todos os pluviômetros têm o mesmo peso. A precipitação média é então

calculada como a média aritmética dos valores observados.

P =∑ Pn

i

(25)

P

Precipitação média

[mm]

P

i

Precipitação média no i-ésimo pluviômetro

[mm]

Tucci

et al

. (1997) citam que as limitações deste método são quanto às variações

geográficas de precipitação que são ignoradas. Portanto, sua aplicação se restringe a regiões

onde possa ser feito sem incorrer grandes erros como áreas planas com variação, gradual e

suave, do gradiente pluviométrico e com cobertura de postos de medição bastante densa. Já

CHOW; MAIDMENT; MAYS (1988) e VILLELA E MATTOS (1975) dizem que este

método é satisfatório se os postos forem uniformemente distribuídos pela área e as leituras

individuais dos pluviômetros não distem muito da média pluviométrica.

Método de Thiessen

Este método considera a não uniformidade de distribuição espacial dos postos, mas

não leva em conta o relevo da bacia. A metodologia consiste nos seguintes passos: a) ligue os

postos por retas; b) trace linhas perpendiculares aos trechos retilíneos passando pelo meio da

linha que liga os dois postos; c) prolongue as linhas perpendiculares até que estas se

encontrem. O polígono é formado pela intersecção das linhas, correspondendo à área de

influência de cada posto; d) a precipitação média é calculada por

P =∑ AA

i

P

i

(26)

P

Precipitação média

[mm]

A

i

Área de influência do posto i

[m² , km² ...]

P

i

Precipitação registrada posto i

[mm]

A

Área total da bacia

[m² , km² ...]

O método expressa bons resultados em terrenos levemente acidentados quando a

localização e exposição dos pluviômetros são semelhantes e as distâncias entre eles não são

muito grandes. Facilita o cálculo automatizado, já que uma vez estabelecida a rede, os valores

de A

i

permanecem constantes, mudando apenas as precipitações P

i

. CHOW; MAIDMENT;

MAYS (1988) e VILLELA E MATTOS (1975) acrescentam dizendo que este método é

geralmente mais preciso que o aritmético e tem a desvantagem de que os polígonos devem ser

reconstruídos sempre que houver mudança na rede de postos e que não registra influências

diretas de chuvas orográficas.

Método das Isoietas

Villela e Mattos (1975) afirmam que este é o método mais preciso para avaliar a

precipitação média em uma bacia. Neste método, em vez dos pontos isolados de precipitação,

determinados pelos aparelhos de medida, utilizam-se as curvas de igual precipitação (isoietas)

e que podem ser traçadas para um evento ou para uma duração específica. O traçado é

extremamente simples e semelhante aos de curva de nível, onde a altura da chuva substitui a

cota do terreno.

Tucci

et al

. (1997) revelam que o traçado das isoietas segue a seguinte sequência: a)

localize os postos no mapa da região de interesse e escreva o total precipitado para o período

escolhido ao lado de cada posto; b) esboce linha de igual precipitação escolhendo números

inteiros ou característicos; c) ajuste estas linhas por interpolação entre os pontos; d) utilize um

mapa de relevo e superponha com o mapa de isoietas. Faça um ajuste destas linhas com o

relevo; e) para se obter a precipitação planimetra-se a área entre isoietas, A

i ,i+

, multiplique

pela média das precipitações das respectivas isoietas,

P

i

+ P

i+

⁄ , e divide-se pela área

total.

P =∑ P

i

+ P

i+

A

i

A

(27)

P

Precipitação média

[mm]

P

i

Precipitação da isoieta de ordem i

[mm]

P

i+

Precipitação da isoieta de ordem i + 1

[mm]

A

i

Área entre duas isoietas

[m² , km²...]

A

Área total

[m² , km² ...]

A precisão deste método depende altamente da habilidade do analista. Se for usado

uma interpolação linear entre as estações para o traçado das isolinhas, o resultado será o

mesmo daquele obtido pelo método de Thiessen (VILLELA; MATTOS, 1975).

Singh e Chowdhury (1986

apud

CHOW; MAIDMENT; MAYS, 1988) estudaram

diversos métodos de cálculo de chuva média sobre uma bacia, incluindo os descritos

anteriormente e concluíram que todos os métodos são equiparáveis quando se trata de uma

série histórica de chuva muito longa.