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Os modelos hidrológicos do tipo precipitação-vazão são uma montagem de algoritmos

que tratam dos vários processos envolvidos no ciclo hidrológico. Esta composição pode

envolver um grande número de parâmetros e variáveis que se inter-relacionam.

A disponibilidade de dados históricos de vazão permite uma substancial melhoria na

estimativa dos parâmetros e na resposta da bacia.

3.3.1 Calibração e Validação

Tucci (2005) afirma que durante uma simulação existem, em geral, três fases que são a

calibração, validação e execução. A calibração dos parâmetros é a fase da simulação onde os

parâmetros são estimados. A validação é a simulação do modelo com os parâmetros

estimados e que se verifica a validade de tal ajuste. A execução é a simulação do sistema pelo

modelo com parâmetros validados para quantificação de sua resposta a diferentes entradas.

A estimativa dos parâmetros depende da disponibilidade de dados históricos, medições

de amostra e determinação física do sistema. Os métodos utilizados para determinação dos

parâmetros são:

Estimativas sem dados históricos

Quando não existem dados sobre as variáveis do sistema, pode-se estimar os valores

dos parâmetros baseando-se em informações das características físicas do sistema. Cada

parâmetro possui um intervalo de variação, obtido da literatura.

Ajuste por tentativa e erro

É o processo em que existindo valores das variáveis de entrada e saída, são obtidos por

tentativas os parâmetros que melhor representam os valores observados através do modelo

utilizado. Este método depende muito da experiência de quem utiliza certo modelo e pode ser

uma metodologia demorada até se encontrar valores ótimos e ainda inclui um alto nível se

subjetividade.

Ajuste por otimização – função objetivo

Utiliza os mesmos dados do processo por tentativa e se valem de métodos

matemáticos de otimização de uma função objetivo que retrata a diferença entre os valores

observados e os calculados pelo modelo visando a maior aproximação possível dos valores.

Amostragem

Os valores dos parâmetros são obtidos através de medições específicas do sistema. Por

exemplo, a área de uma bacia hidrográfica, capacidade de infiltração de um tipo de solo.

Na otimização dos modelos hidrológicos uma das partes fundamentais é o

estabelecimento de uma função objetivo. Esta função retrata a diferença entre os valores

observados e calculados pelo modelo e serve como uma referência para que se possa ter uma

ideia de quão boa é a representação do modelo para um determinado conjunto de parâmetros.

Numa simulação hidrológica o objetivo do usuário é o de aproximar o máximo

possível os dois hidrogramas – observado e calculado. Neste caso, a função objetivo deve

buscar medir numericamente a discrepância entre estes valores de tal forma a minimizá-los.

Tucci (2005) cita algumas funções objetivo bastante disseminadas conforme quadro abaixo.

Tabela 3 - Exemplos de funções Objetivo

Tipo

Função

Emprego

Quadrática

F = ∑ Q s− Qsi

Prioriza o melhor ajuste das vazões de cheias

Módulo

F = ∑|Q

s

− Q

si

|

Prioriza o melhor ajuste das vazões de cheias

Inversa

F = ∑

obs

sim

Prioriza o melhor ajuste das vazões de estiagem

Relativa

F = ∑

obs− sim

obs

Prioriza o ajuste dos valores relativos retirando o peso

de vazões maiores ou menores

Fonte: TUCCI (2005)

Souza Filho

et al

. (2013) afirmam que diversos estudos têm mostrado que as escolhas

de função objetivo influem diretamente no comportamento do hidrograma simulado. Baseado

nisto, as funções objetivos que se referenciam na minimização da soma dos erros quadráticos

tem maior destaque e, por essa razão, serão abordadas no presente trabalho através da função

proposta por Nash-Stucliffe (1970) e utilizada por Nascimento

et al

.(2007).

E

N

% = [ −∑ (Q

i= s,i

− Q

si ,i

)

∑ (Q

i= s,i

− Q̅ )

] ∙

(17)

Q : Vazão observada

Q

: Vazão simulada

Q̅ : Vazão média observada

Existem outras funções objetivo que podem ser utilizadas de acordo com o problema

em estudo. Além disso, combinações de funções podem ser utilizadas, tomando-se o cuidado

de relacionar funções que resultem em expressões compatíveis.

Caponi e Silva (2011) afirmam que o erro entre as vazões simuladas e observadas está

também ligada a escolha da função objetivo, surge então a necessidade de avaliação de

múltiplas funções objetivo para a eficiente calibração automática do modelo SMAP. Após

algumas análises, foram escolhidas duas funções estatísticas para avaliação do ajuste do

modelo. A primeira função é a eficiência definida por Nash e Sutcliffe (1970), sendo essa a

proporção com que o modelo explica a variância das vazões observadas, equação 17. É mais

sensível aos erros nas vazões máximas, sendo considerada adequado para a previsão de

cheias. A segunda função é o coeficiente de Nash para os logaritmos das vazões (LOG

NS

),

apresentada na Equação 18. Nessa função, ao apresentar valores próximos da unidade,

significa que o modelo está simulando adequadamente os períodos de recessão do hidrograma

e as estiagens. A terceira função objetivo avaliada é o erro padrão do inverso da vazão

(RMSI), especialmente utilizada para avaliar os ajustes das vazões mínimas, Equação 19.

Pode-se ainda atribuir pesos a estas medidas de eficiência para se alcançar o resultado

desejado.

��

=∑[log(

,�

) − log

� ,�

]

∑[log(

,�

) − log ̅

]

(18)

� =

√∑

,�

� ,�

(19)

3.3.3 Análise de sensibilidade

Após a calibração e validação dos parâmetros têm-se os valores ótimos para os

mesmos e em um estudo mais detalhado pode se variar cada um dos parâmetros

individualmente e analisar quão sensível é a resposta do modelo a uma dada variação.

Tucci (2005) relata que na estimativa dos parâmetros de um modelo hidrológico é

necessário conhecer o grau de sensibilidade que a função resposta

tem com relação a

variabilidade dos parâmetros. Para as mesmas variáveis de entrada, a vazão é dependente dos

parâmetros. Matematicamente é expresso por

= � � + � � + ⋯+ � �

(20)

Os termos da direita representam a influência de cada parâmetro na variação total de

. A derivada parcial da função com relação ao parâmetro mostra o quanto a função varia,

mantido os outros parâmetros fixos, em função da variabilidade do mesmo.