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BERETNING OM MYRFORSØKENE I TRYSIL 1928

Souza filho

et al

. (2013) definiram o índice do grau de saturação da açudagem – IGAS

– e é entendido como sendo a razão entre o volume armazenado na bacia e a vazão afluente

produto da lâmina média escoada pela área da bacia hidrográfica menos o volume das

aguadas e reservatórios muito pequenos. Matematicamente, tem-se:

� � =

: Volume dos estoques de água

: Afluência média anual

O IGAS foi criado para realizar a avaliação da saturação dos reservatórios. Optou-se

pelo índice em vez de uma simulação caso a caso do sistema de reservatórios por permitir

uma comparação entre bacias hidrográficas e não estar sujeito a especificidades decorrentes

da eficiência dos reservatórios individuais.

Para o IGAS foram definido cinco níveis de saturação, a se saber

Tabela 11 - Níveis de saturação

Classificação

IGAS

Muito baixa

, < � � < ,

Baixa

, < � � < ,

Normal

, < � � < ,

Alta

, < � � < ,

Muito alta

, <� � > ,

Fonte: Rocha

et al

. (2012)

Rocha

et al

. (2012) calcularam a afluência média anual a partir da lâmina anual média

escoada em cada município conforme PERH (1992). Os municípios que por ventura não

existiam a época do Plano tiveram seus valores de deflúvio estimado através de interpolação

dos deflúvios dos municípios vizinhos.

Para se calcular o IGAS, as informações sobre o total dos estoques de água somam-se

às dos deflúvios. A figura abaixo mostra os deflúvios para cada sub-bacia da região

hidrográfica do Acaraú.

Figura 10 - Deflúvios da região hidrográfica do Acaraú

Fonte: ROCHA

et al

., 2012

Rocha

et al

. (2012) concluíram seu trabalho na bacia hidrográfica do Acaraú conforme

a figura abaixo e faz as seguintes considerações: a metodologia utilizada para avaliar o nível

de saturação de uma bacia no que diz respeito à estocagem de água aplicada à Bacia do

Acaraú permitiu constatar que não há uma quantidade significativa de pequena açudagem

porque IGAS indica baixos níveis de saturação (área em azul) e que a Bacia Jatobá é a única a

apresentar um índice alto, pois é fortemente influenciada pelo Açude Araras.

Figura 11 - Nível de saturação dos reservatórios de cada sub-bacia da região do Acaraú

Fonte: Rocha

et al

. (2012)

3.5.6 Um estudo de caso na Bacia do Alto Piauí e Bacia do Jaguaribe

Um estudo de caso realizado pelos engenheiros Valdenor Nilo de Carvalho Júnior,

José Nilson Bezerra Campos e Francisco Osny Enéas da Silva para avaliação do impacto da

pequena açudagem no açude Petrônio Portela (181 hm³) mostrou que a vazão regularizada

deste foi afetada por um número pequeno de açudes (49) a sua montante, baixando de

2,46m³/s para 2,26m³/s a vazão regularizada pelo açude Petrônio Portela.

O software REDERES, elaborado especificamente para determinação do impacto da

açudagem de montante em reservatórios de natureza estratégica situados no semi-árido

nordestino foi elaborado pelos engenheiros já supracitados e foi utilizado para se determinar a

nova vazão de regularização levando em conta a presença da pequena açudagem. Abaixo

mostra-se uma tabela resumo e observa-se que dezenove pequeno açudes nem possuem

capacidade de regularização.

Este software foi empregado com absoluto sucesso no Plano de Gerenciamento das

Águas da Bacia do Jaguaribe , no Estado do Ceará, compreendendo o Plano de Bacia para

uma área de 72.043 Km², equivalente a 48% da área territorial do estado do Ceará.

A lição que se teve deste análise na bacia do Jaguaribe foi que a democratização na

distribuição espacial da água acarreta em problemas como a proliferação de dezenas de

açudes de pequeno porte, tal como nos sistemas das bacias dos açudes Várzea do Boi (39

açudes), Favelas (42), e Riacho do Sangue (46), Poço da Pedra (18), Joaquim Távora (23),

Cedro (17), Poço do Barro (46), Trici (26), Trussu (75), Cipoada (57), todas estas

representando sistemas deficitários na regularização do conjunto.

Posteriormente, o programa REDERES foi e continua sendo empregado por técnicos

da Câmara Técnica de Licenciamento de Obras Hídricas da Secretaria dos Recursos Hídricos

do Estado do Ceará, para avaliar e emitir impactos decorrentes da introdução de um novo

açude em uma dada bacia hidrográfica de um reservatório estratégico, semelhante ao açude

Petrônio Portela.

Num Cod Açude Município Evp %Evp Sng %Sng Lib %Lib K m a fK fE M Qreg Ga

(hm3/ano) (%) (hm3/ano) (%) (hm3/ano) (%) (hm3) (hm3/ano) (hm3/ano) (m³/s) (%) 43 PPT Petrônio Portela S. Rdo Nonato 19,5339 4,9 304,4102 76,34 74,8169 18,76 181,248 398,761 5132 0,45 0,12 77,581 2,460 90

Num Cod Açude Município Evp %Evp Sng %Sng Lib %Lib K m a fK fE M Qreg Ga (hm3/ano) (%) (hm3/ano) (%) (hm3/ano) (%) (hm3) (hm3/ano) (hm3/ano) (m³/s) (%) 1 A23 Açude da Barra Caracol 0,0728 8,8 0,7384 89,28 0,0158 1,91 0,121 0,827 879,6 0,15 0,523 0,0163 0,001 90

2 A16

Aç. Tapuio

(Travessão) Caracol 0,1387 1,39 9,8154 98,02 0,0594 0,59 0,212 10,0134 3184,6 0,02 0,35 0,0602 0,002 90

3 A24

Aç. Barra (Tanque

Verde) Caracol 0,0642 1,82 3,4528 97,73 0,016 0,45 0,086 3,533 2020,4 0,02 0,426 0,0162 0,001 90 4 A18 Aç. Bom Retiro Caracol 0,1836 0,69 26,1749 98,89 0,1109 0,42 0,323 26,4694 3296,6 0,01 0,256 0,1156 0,004 90

5 A09

Aç. Poço (São

Jose´) Bonfim 0,0906 0,51 17,5089 99,16 0,0569 0,32 0,16 17,6564 1549,4 0,01 0,228 0,0587 0,002 90 6 A01 Aç. Aldeia S. Rdo Nonato 1,1315 0,66 170,2393 98,77 0,9801 0,57 2,356 172,3509 14676 0,01 0,226 1,0407 0,033 90 7 A22 Aç. Angical Caracol 0,054 24,55 0,128 58,12 0,0382 17,33 0,127 0,2202 1719,3 0,58 1,024 0 0,000 78,05

8 A14

Aç. Anísio de Abreu

Anísio de

Abreu 3,0802 3,84 76,0172 94,86 1,0412 1,3 5,599 80,1386 31503 0,07 0,376 1,102 0,035 90 9 A10 Aç. do Ascendino Bonfim 0,2084 80,74 0,0367 14,21 0,013 5,05 0,412 0,2581 45794 1,6 3,121 0 0,000 0 10 A26 Aç. Baixa Grande Jurema 0,0323 0,94 3,4052 98,88 0,0064 0,18 0,041 3,4438 1113,5 0,01 0,352 0,0064 0,000 90

11 D01 Aç. Baixão da Inveja (Fazenda Nova) Fartura 0,0653 73,35 0,0214 24,03 0,0023 2,63 0,108 0,089 16445 1,21 3,1 0 0,000 0 12 A03 Aç. Baixão do Mocó Bonfim 0,2213 18,55 0,9595 80,42 0,0123 1,03 0,285 1,1931 9482,5 0,24 1,024 0 0,000 80,55 13 B05

Aç. Baixão dos

Morros Fartura 0,0296 10,75 0,2426 88,21 0,0029 1,05 0,042 0,2751 558,3 0,15 0,649 0,003 0,000 90

14 E03

Aç. Barrinha (do

Nazaré) Fartura 0,0354 5,46 0,6086 93,97 0,0037 0,57 0,043 0,6477 1543,3 0,07 0,685 0,0038 0,000 90

15 G01

Aç. Bom Jardim (do Tanque)

Dirceu

Arcoverde 1,8021 23,21 5,7496 74,06 0,2113 2,72 3,213 7,763 18470 0,41 0,685 0,2166 0,007 90 16 A12 Aç. Bonfim Bonfim 2,5894 2,26 110,9368 96,9 0,9621 0,84 4,801 114,4883 24851 0,04 0,308 1,0012 0,032 90

17 A25

Aç. Cacimba do

Jatobá Jurema 0,0416 1,84 2,206 97,53 0,0142 0,63 0,06 2,2618 1111,3 0,03 0,405 0,0145 0,000 90 18 B03 Aç. Cacimbão Fartura 0,1239 3,18 3,7471 96,23 0,0228 0,59 0,194 3,8938 2567,3 0,05 0,446 0 0,000 84,65 19 E01 Aç. Calango Fartura 1,3068 14,67 7,301 81,93 0,3029 3,4 2,457 8,9108 11073 0,28 0,551 0,3111 0,010 90 20 A02 Aç. Caldeirão S. Rdo Nonato 0,0922 9,75 0,8337 88,13 0,02 2,12 0,149 0,9459 1242,8 0,16 0,562 0,0207 0,001 90 21 J01 Aç. Canário São Lourenço 0,2039 1,83 10,8924 97,94 0,0249 0,22 0,245 11,1213 8284 0,02 0,465 0,0252 0,001 90 22 A21 Aç. Caracol Caracol 0,2736 8,76 2,7359 87,65 0,1121 3,59 0,538 3,1216 2198,1 0,17 0,456 0,1158 0,004 90 23 A17 Aç. da Barra 2 Caracol 0,1689 1,1 15,0312 98,04 0,132 0,86 0,328 15,3321 2381 0,02 0,276 0,1368 0,004 90 24 A04 Aç. do Guerra S. Rdo Nonato 0,1175 11,13 0,9258 87,69 0,0125 1,18 0,171 1,0558 2044,4 0,16 0,639 0,0128 0,000 90 25 B02 Aç. do Tanque Fartura 0,0095 3,28 0,275 94,96 0,0051 1,76 0,016 0,2896 189,5 0,06 0,445 0,0052 0,000 90 CV dos deflúvios: 1.120000

SIMULAÇÃO DO IMPACTO CUMULATIVO DA PEQUENA AÇUDAGEM NOS RESERVATÓRIOS DA BACIA DO ALTO PIAUÍ À MONTANTE DO AÇ. PETRÔNIO PORTELA Reservatório: PETRÔNIO PORTELA

Código: PPT1

Muncipio:SÃO RAIMUNDO NONATO - ESTADO DO PIAUÍ Área da bacia hidrográfica (km2) : 6547.370000

Lâmina escoada anual (mm) : 61.000000 Evaporação na estação seca: 1.709000

Resumo dos resultados da simulação sem considerar a in fluência dos pequenos açudes

Resumo dos resultados da simulação do sistema considerando a interferência dos açudes de montante

26 F01 Aç. Duas Barras

Dirceu

Arcoverde 0,1105 4,86 2,1402 94,21 0,021 0,93 0,145 2,2717 4016,8 0,06 0,62 0,0219 0,001 90

27 F02 Aç. do Elias Fartura 0,2073 66,41 0,1022 32,74 0,0026 0,85 0,366 0,3122 14834 1,17 1,896 0 0,000 33,25

28 B01 Aç. Fartura Fartura 1,5947 22,25 4,9555 69,15 0,6165 8,6 4,452 7,1666 6342,7 0,62 0,492 0,6474 0,021 90

29 A30 Aç. Fechadão S. Rdo Nonato 0,0454 3,28 1,3305 96,09 0,0087 0,63 0,05 1,3846 17590 0,04 1,198 0 0,000 0

30 A31

Aç. Imbu da

Malhada S. Rdo Nonato 0,0713 2,74 2,4951 95,82 0,0376 1,45 0,121 2,604 1450,1 0,05 0,422 0,0397 0,001 90

31 A13

Aç. Jatobá dos

Ferros Jurema 0,5354 0,81 65,7711 98,89 0,2018 0,3 0,783 66,5083 13250 0,01 0,299 0,2034 0,006 90

32 E02

Aç. Jatobazinho

(Barrinha) Fartura 0,0276 3,37 0,7789 95,27 0,0111 1,36 0,041 0,8176 2356,2 0,05 0,73 0 0,000 0

33 A20 Aç. Jurema Jurema 0,5271 0,94 55,2033 98,6 0,254 0,45 0,854 55,9845 11307 0,02 0,301 0,2639 0,008 90

34 A29 Aç. Lagoa Grande Bonfim 0,469 3,69 12,0503 94,87 0,1832 1,44 0,715 12,7025 11720 0,06 0,499 0,1904 0,006 90

35 A28

Aç. Lagoa da Pedra

(Lagoa dos Bois) S. Rdo Nonato 0,1033 5,28 1,8163 92,96 0,0344 1,76 0,156 1,954 2445 0,08 0,553 0,036 0,001 90

36 F03

Aç. Lagoinha (da

Tapagem) Fartura 0,0087 18,3 0,0385 81,15 0,0003 0,55 0,009 0,0475 2741,8 0,19 1,998 0 0,000 0

37 A06 Aç. dos Macacos Bonfim 0,1185 0,99 11,8005 98,76 0,0292 0,24 0,157 11,9482 3718,4 0,01 0,347 0,0294 0,001 90

38 A27

Aç. Monte Alto

(Umbuzeiro) Várzea Branca 0,3707 2,32 15,4679 96,82 0,138 0,86 0,55 15,9766 9421,7 0,03 0,43 0,1414 0,004 90

39 A15

Aç. Mundo Novo (Faz. Espírito

Santo) Caracol 0,1141 5,11 2,0664 92,63 0,0502 2,25 0,19 2,2308 2017,6 0,09 0,496 0,0526 0,002 90

40 H01 Aç. Nova Fartura 0,4178 12,27 2,9823 87,57 0,0056 0,17 0,51 3,4057 14991 0,15 0,841 0 0,000 87,7

41 B04 Aç. Pau Ferrado Fartura 0,3976 10,37 3,419 89,17 0,0176 0,46 0,52 3,8341 9707,7 0,14 0,699 0,0181 0,001 90

42 A11

Aç. Pau Ferro dos

Borges Várzea Branca 0,0778 10,24 0,6408 84,28 0,0417 5,49 0,132 0,7604 4072,8 0,17 0,899 0 0,000 85

43 IT

Aç. Petrônio

Portela S. Rdo Nonato 19,301 5,15 287,7433 76,75 67,8859 18,11 181,248 374,9302 5132 0,48 0,123 71,1147 2,255 90

44 A08 Aç. Poço 2 Bonfim 0,0776 1,46 5,2104 98,31 0,0117 0,22 0,098 5,2998 3038,9 0,02 0,426 0,0121 0,000 90

45 A19 Aç. Poldrinho Jurema 0,1602 0,36 43,9986 99,59 0,0193 0,04 0,191 44,1782 6485 0 0,27 0,0195 0,001 90

46 A05

Aç. Lagoa Santo

Antônio S. Rdo Nonato 0,0895 2,64 3,2825 96,78 0,0197 0,58 0,118 3,3917 3000,4 0,03 0,492 0,0201 0,001 90

47 C01 Aç. Seção Fartura 0,2406 10,88 1,965 88,88 0,0051 0,23 0,302 2,2107 6997,1 0,14 0,753 0 0,000 89,75

48 A07 Aç. Tanque Novo Bonfim 0,0882 2,24 3,7843 96,23 0,0599 1,52 0,161 3,9324 1422,5 0,04 0,365 0,0617 0,002 90

49 I01

Aç. Velha (Faz.

Baixa Nova) Fartura 0,1431 7,99 1,633 91,13 0,0157 0,88 0,191 1,7919 3666 0,11 0,651 0,0163 0,001 90

Vol. Reg. Anual Q90% (m³/s) 77,5810 2,46 71,1147 2,26 77,1715 2,45 Açude Petrônio Portela sem influência da pequena açudagem

Açude Petrônio Portela com influência da pequena açudagem Bacia do Alto Piauí com influência da pequena açudagem

Resumo Geral das Vazões Regularizadas:

Os resultados apresentados acima podem conduzir às seguintes observações:

1. A vazão regularizada pelo Açude Petrônio Portela sozinho, isto é, sem qualquer

influência da pequena açudagem de montante, seria de 2,46 m³/s;

2. A vazão regularizada pelo Açude Petrônio Portela considerando o conjunto de

reservatórios de montante é reduzida para 2,25 m³/s, equivalendo a uma redução de

8,53% na sua vazão regularizada;

3. A vazão regularizada pela bacia como um todo é de 2,45 m³/s, sendo praticamente

igual à do Petrônio Portela sem a influência da pequena açudagem;

4. Dos 48 açudes restantes da bacia, 19 não apresentaram qualquer tipo de regularização

(Q

REG

= 0 m³/s) representando cerca de 38,77 % dos pequenos açudes de montante.