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Tomteakkvisisjon i Hedmark fylke (Unneberg 2008)

Para estruturar uma pesquisa sobre indicadores, analisando todo o complexo de problemas cuidadosamente, deve-ser recorrer a um modelo (mental ou formal) do sistema total e de seus componentes, por meio de três providências, a saber (BOSSEL, 1999):

a) identificar os sistemas mais relevantes no contexto do desenvolvimento sustentável; b) desenvolver um método de identificação dos indicadores de viabilidade e de

sustentabilidade desses sistemas;

c) descobrir como utilizar essa informação para avaliar a viabilidade e a sustentabilidade do desenvolvimento humano em diferentes níveis de organização social.

De acordo com Hardi e Zdan (1997), os Princípios de Bellagio (Itália) servem como guia para a avaliação de um processo, desde a escolha e o projeto dos indicadores, a sua interpretação até a comunicação de resultados. Os princípios, segundo os autores, estão inter- relacionados e devem ser aplicados também conjuntamente, sendo que sua aplicação é importante como orientação para melhoria dos processos de avaliação.

Os dez princípios selecionados servem como orientação para avaliar e melhorar a escolha, utilização, interpretação e comunicação de indicadores. Foram formulados com a intenção de serem usados na implementação de projetos de avaliação de iniciativas de desenvolvimento do nível comunitário até as experiências internacionais, passando pelos níveis intermediários. Esses princípios estão listados a seguir (HARDI; ZDAN, 1997):

1o. Guia de visão e metas

ser guiada por uma visão clara do que seja desenvolvimento sustentável e das metas que definam esta visão.

2o. Perspectiva holística

A avaliação do progresso rumo à sustentabilidade deve: incluir uma revisão do sistema todo e de suas partes;

considerar o bem-estar dos subsistemas ecológico, social e econômico, seu estado atual, bem como sua direção e sua taxa de mudança, de seus componentes e a interação entre as suas partes;

considerar as conseqüências positivas e negativas da atividade humana, de modo a refletir os custos e benefícios para os sistemas ecológico e humano, em termos monetários e não monetários.

3o. Elementos essenciais

A avaliação do progresso rumo à sustentabilidade deve:

considerar a eqüidade e a disparidade dentro da população atual e entre as gerações presentes e futuras, lidando com a utilização de recursos, superconsumo e pobreza, direitos humanos e acesso a serviços;

considerar as condições ecológicas das quais a vida depende;

considerar o desenvolvimento econômico e outros aspectos que não são oferecidos pelo mercado e contribuem para o bem-estar social e humano.

4o. Escopo adequado

A avaliação do progresso rumo à sustentabilidade deve:

adotar um horizonte de tempo suficientemente longo para abranger as escalas de tempo humana e dos ecossistemas, atendendo às necessidades das futuras gerações, bem como da geração presente em termos de processos de tomada de decisão em curto prazo;

definir o espaço de estudo para abranger não apenas impactos locais, mas também impactos de longa distância sobre pessoas e ecossistemas;

construir um histórico das condições presentes e passadas para antecipar futuras condições.

5o. Foco prático

A avaliação do progresso rumo à sustentabilidade deve ser baseado em:

um sistema organizado que relacione as visões e metas dos indicadores e os critérios de avaliação;

um número limitado de questões-chave para análise;

um número limitado de indicadores ou combinação de indicadores para fornecer um sinal claro de progresso;

na padronização das medidas, quando possível, para permitir comparações;

na comparação dos valores dos indicadores com as metas, valores de referência, padrão mínimo e tendências.

6o. Abertura/Transparência

A avaliação do progresso rumo à sustentabilidade deve:

construir os dados e indicadores de modo que sejam acessíveis ao público;

tornar explícitos todos os julgamentos, suposições e incertezas nos dados e nas interpretações.

7o. Comunicação efetiva

A avaliação do progresso rumo à sustentabilidade deve:

ser projetada para atender às necessidades do público e do grupo de usuários; ser feita de forma que os indicadores e as ferramentas estimulem e engajem os

procurar a simplicidade na estrutura do sistema e utilizar linguagem clara e simples.

8o. Ampla participação

A avaliação do progresso rumo à sustentabilidade deve:

obter ampla participação do público: profissional, técnico e comunitário, incluindo participação de jovens, mulheres e indígenas para garantir o reconhecimento dos valores, que são diversos e dinâmicos;

garantir a participação dos tomadores de decisão para assegurar uma forte ligação na adoção de políticas e nos resultados da ação.

9o. Avaliação constante

A avaliação do progresso rumo à sustentabilidade deve:

desenvolver a capacidade de repetidas medidas para determinar tendências;

ser interativa, adaptativa e responsiva às mudanças, porque os sistemas são complexos e se alteram freqüentemente;

ajustar as metas, sistemas e indicadores aos insights decorrentes do processo; promover o desenvolvimento do aprendizado coletivo e o feedback necessário

para a tomada de decisão. 10o. Capacidade institucional

A continuidade na avaliação rumo ao desenvolvimento sustentável deve ser assegurada por:

declaração clara de responsabilidade e provimento de suporte constante no processo de tomada de decisão;

provimento de capacidade institucional para a coleta de dados, sua manutenção e documentação;

Para Bellen (2006), os Princípios de Bellagio (Itália) e as contribuições de outros autores revelam alguns aspectos importantes que devem ser considerados quando se observa ou se utiliza uma metodologia de avaliação de sustentabilidade. Em primeiro lugar, é importante verificar a dimensão (ou dimensões) que serão contempladas pela ferramenta de avaliação e de que forma isso acontecerá, já que o conceito de desenvolvimento sustentável é normalmente abordado de forma multidimensional. Um segundo elemento de análise refere-se ao campo de aplicação da ferramenta. Existem diferentes esferas de utilização de um sistema de indicadores, desde regiões até sistemas ecológicos, e deve-se conhecer para qual esfera o sistema será projetado, ou seja, onde ele poderá e deverá ser aplicado. Outro aspecto de qualquer sistema de avaliação diz respeito aos dados que uma ferramenta deverá utilizar. Isso está relacionado não somente ao tipo de dados, mas também à forma com que eles serão tratados na avaliação.

Em seguida, Bellen (2006) enfoca um quarto importante elemento de análise de um sistema de indicadores que se relaciona à forma e à intensidade de participação de diferentes atores sociais na elaboração do sistema. Por fim, devem-se observar as características do sistema como um todo, sua interface, procurando verificar alguns elementos essenciais dentro de um sistema de avaliação. Nessa perspectiva, os elementos são o grau de complexidade da ferramenta de avaliação, o grau de transparência, a estrutura de apresentação e seu potencial educativo ou pedagógico.