O início do estudo teórico moderno da informação é atribuído a Claude Shannon. Porém, “os trabalhos de Fisher e Hartley (1928) prenunciam o conceito de informação de Shannon, que nada mais é do que uma sequência específica de símbolos, independentemente de seu signifi- cado” (LOGAN,2012).
Para Shannon, informação é a medida da redução da incerteza para um receptor. Krippen- dorff (1980) reforça, dizendo que quanto maior for a redução de incerteza, mais forte será a correlação entre entrada e saída em um canal de comunicação. O problema fundamental da comunicação é transmitir a mensagem exatamente ou aproximadamente como se quer.
Em sua Teoria Matemática da Comunicação (TMC) Shannon argumenta que a quantidade de informação é inversamente proporcional à probabilidade de ocorrência daquela informação, que é codificada de alguma forma simbólica (como uma sequência de bits) (SHANNON,1948).
A essa medida Shannon chamou de entropia, que, etimologicamente, tem o significado de “transformação de energia”, do grego tropo, “transformação” + o prefixo “en”, de energia, “por causa da estreita associação que acreditava existir entre energia e entropia” (LOGAN, 2012) e, fisicamente, o significado de desordem ou desorganização de um sistema.
Em 1944,Schrödinger(1992) introduziu a noção de entropia negativa:
“Tudo o que está acontecendo na natureza significa um aumento de entropia da parte do mundo onde isso está acontecendo. Assim, um organismo vivo aumenta continua- mente a sua entropia – ou, como se pode dizer, produz entropia positiva – e, portanto, tende a aproximar-se do perigoso estado de máxima entropia, que é a morte. Ele só pode manter-se distante dele, ou seja, vivo, continuamente obtendo entropia negativa de seu ambiente. . . O essencial no metabolismo é que o organismo consiga libertar-se de toda a entropia que não pode evitar produzir enquanto estiver vivo”.
Daí, Wiener (1948) introduziu o conceito de informação como sendo “entropia negativa”, que exprime finalidade:
“Assim como a entropia é uma medida de desorganização, a informação transportada por um conjunto de mensagens é uma medida de organização. De fato, . . . o negativo de sua entropia, e o logaritmo negativo da sua probabilidade. Ou seja, quanto mais provável a mensagem, menor a informação que dá.”
As mensagens carregam significados inerentes, os quais são irrelevantes em termos de en- genharia. Daí, a ênfase no aspecto da “comunicação” (capacidade de transmissão) e não “in- formação” (conteúdo ou significado da mensagem). Para Shannon, a solução de engenharia é oferecer no canal de saída um conjunto de possíveis mensagens, permitindo que o destinatário tenha condições de escolher a que julga mais apropriada. Assim,Sveiby(1994) explica que na
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Figura 5: Esquema de um Sistema Geral de Comunicação - Fonte: (SHANNON,1948)
Figura 6: Informação, Desinformação e Má-informação Derivadas da TMC - Fonte: (FLORIDI,2007)
TMC “informação é a medida da liberdade de escolha para a seleção de uma mensagem”. A figura5apresenta o diagrama esquemático de um sistema geral de comunicação.
Para Floridi, que introduziu o termo “Filosofia da Informação”, a informação precisa ser bem-formada (aspecto sintático), ter significado (aspecto semântico) e ser verdadeira (aspecto alético). A figura 6 apresenta os conceitos de informação, desinformação e má-informação derivados da TMC, propostos por Floridi.
O grande mérito de Floridi parece ter sido inovar no uso de um formalismo lógico como metalinguagem, algo que nunca havia sido tentado antes para a definição conceitual de infor- mação. Cançado (2005) ressalta que “a adoção de uma metalinguagem diferente da própria língua elimina prováveis distúrbios na análise linguística”.
Assim, Floridi busca na lógica modal, mais especificamente na lógica das necessidades e das possibilidades, uma demonstração de sua tese de veridicalidade da informação, que pode
38 Capítulo 3. Revisão de Literatura e Fundamentos
ser resumida em cinco passos:
1. Eliminação de informação excedente; 2. Eliminação de tautologias;
3. Eliminação de contradições;
4. Eliminação de inconsistências produzidas por contradições; e 5. Seleção de proposições contingencialmente verdadeiras.
Um fator limitante de sua abordagem é a adoção da definição tarskiana de verdade, que abandona a tentativa de encontrá-la em expressões da linguagem natural, senão somente em linguagens formais. Em seu artigo, Floridi defende-se de outros pesquisadores que o contradi- zem, comoDodig-Crnkovic (2005), para quem a informação não precisa ser verdadeira, pois encontra na relevância uma suficiência mínima e aceitável.
Cover e Thomas (1991) afirmam que a Teoria da Informação responde a duas questões fundamentais: qual é o limite máximo para (1) a compressão de dados? (resposta: depende da capacidade descritiva) e (2) a transmissão de dados? (resposta: depende da capacidade do canal). Também, enfatizam que os trabalhos mais recentes estão concentrados na teoria da informação em rede, onde acontecem simultâneas taxas de comunicação de vários emissores para vários receptores, na presença de sinais de ruído que interferem na comunicação.
Ainda, explicam o conceito de “informação mútua”, caracterizada pelo prévio conheci- mento de determinada variável aleatória quando utilizada para descobrir uma outra variável aleatória por ela condicionada, sendo uma outra maneira de promover a redução de incerteza na saída.
Vedral(2010) discorre sobre a importância da TMC, afirmando categoricamente que inde- pendentemente do evento, pode-se aplicar a teoria da informação de Shannon a ele, argumen- tando que a informação está por trás de cada processo que vemos na Natureza. Ele explica que o comportamento quântico escapa à visualização e ao senso comum, nos forçando a repensar como olhamos o Universo e aceitar uma nova e estranha visão de mundo. Ele entende que:
“Para um físico, tudo no mundo é informação. O Universo e seu funcionamento são o fluxo e refluxo de informação. Nós próprios somos padrões transitórios de informa- ção, passando a receita de nossas formas básicas para futuras gerações através de um código digital de quatro letras chamado DNA”.
Discorreremos mais sobre a aplicação desse conceito na Genética da Informação Intencio- nal, no capítulo6.
Observando as dimensões sintática e semântica da informação, realizou estudos relaciona- dos à problemática da origem da vida sob uma perspectiva da Teoria da Informação. A primeira dimensão, correspondendo aos problemas estatísticos da origem da vida e a segunda, à com- plexidade da informação genética. Este estudo é um exemplo que revela a “informação” como sendo o centro de investigações científicas de altíssima complexidade que permeiam as mais
3.3. Epistemologia da Informação 39
profundas inquietações do homem: “De onde viemos?” “Para onde vamos?” “O que fazemos aqui?”. Ele apresenta alguns exemplos do paradigma físico da informação:
1. O DNA carrega informação genética suficiente para organizar ou controlar o crescimento ordenado de um organismo vivo;
2. Uma mensagem carrega informação suficientemente desconhecida pelos receptores da mesma;
3. A resposta do professor a uma questão do aluno carrega informação somente quando reduz a incerteza do aluno;
4. Uma linha telefônica carrega informação somente quando os sinais enviados têm correla- ção com aqueles recebidos.
A Associação Foundations of Information Science é uma conferência eletrônica sobre os fundamentos da Ciência da Informação, inaugurada em 2002. Desde então, inúmeros artigos relevantes passaram a integrar suas bases. Ele também apresenta um quadro de objetos de estudo da Ciência da Informação (em sentido amplo) que se relacionam mais diretamente com o estudo, aplicações e uso da informação documental, em que a Teoria da Informação de Shannon se destaca como primeiro objeto da lista. Cabe destacarmos alguns trabalhos recentes: de Darvas (2005): “Simetria, ordem, entropia e informação”; Küppers (2005): “Informação e a origem da vida”;Baeyer(2005): “Informação como realidade física”;Vlasov(2005): “Mundo da informação”; eBurgin(2005): “É a informação algum tipo de dado?”.
Ainda, Cover e Thomas (1991) mostram a importância da Teoria da Informação para as outras ciências2.