3. MARC TEÒRIC
3.2. Tipus de ioga, asanas populars i vocabulari típic
Nos últimos dez anos (censo 2001-censo 2011) a população de Porto Formoso tem-se mantido estável, tendo passado de 1267 para 1265 habitantes. Porém, tendo em atenção as divisões por grupos etários, é perceptível uma tendência de envelhecimento da população, como de resto tem vindo a acontecer a nível nacional:
Se em 2001 os habitantes dos 0-24 anos de idade somavam 536, em 2011 passaram a 435. Quanto aos habitantes com mais de 24 anos, se em 2001 eram 696, em 2011 passaram a 830.
Em Porto Formoso nunca existiu uma forte cultura académica. Em muitos casos, os jovens não continuam os estudos porque os pais não têm dinheiro e precisam de fazer a colecta, no final do mês, do ordenado dos filhos que trabalham nas pescas, na terra, na construção civil, etc. Em outros casos, os jovens ficam em casa porque os pais, sem tradição de estudos, pensam que estudar não serve para nada. Há ainda os casos, também numerosos, em que o abandono escolar deve-se à pura “malandrice” e falta de ambição, em parte devido às escassas perspectivas com que alguns jovens pensam na sua vida, que decorre entre a tasca, o porto e o jardim do miradouro, sem sair praticamente da freguesia. Um dos factores que está a influenciar este tipo de abandono prende-se com o consumo de drogas, uma realidade de São Miguel e em particular de Porto Formoso. A movimentação de drogas leves na freguesia é visível, e parece estar relacionada com a própria movimentação da aldeia, que recebe turistas e pessoas de Ponta Delgada frequentemente. Mas também existe um consumo elevado de drogas mais duras, como a heroína. Se não existe um consenso quanto ao nível de influência do consumo de drogas leves no comportamento dos jovens, é um ponto assente que o consumo de drogas pesadas, nomeadamente heroína, provoca mudanças drásticas no carácter e comportamento da pessoa, que em muitos casos acaba por abandonar a família, os estudos e/ou o trabalho para se centrar no seu consumo e em angariar dinheiro para o garantir, dando lugar a um novo fenómeno de roubos e assaltos em Porto Formoso.
Porém, nos últimos anos a freguesia tem sofrido importantes mudanças na educação, nos transportes e nos sistemas de comunicação: há mais oferta educativa e é mais acessível, tanto economicamente quanto em termos de infraestruturas. Agora é sem dúvida mais fácil ir estudar: na vizinha aldeia da Maia, na cidade de Ribeira Grande, na capital Ponta Delgada e até no Continente e/ou estrangeiro. As estatísticas do censo 2011 mostram que, apesar de haver ainda um número elevado de habitantes sem nenhum tipo de escolaridade (323), os habitantes com o ciclo básico completo (148) aumentaram em comparação a 2001 (123). Também o número de habitantes com estudos superiores (técnico-profissionais e universitário) aumentou, passando de 40 em 2001 para 45 em 2011. Porém, muito dos habitantes com cursos universitários
optam por não regressar ao Porto Formoso. Perante este cenário, alguns habitantes expressam no blog “A casa da Mosca” a sua preocupação.
É necessário elevar ainda mais o nível cultural do Porto Formoso, de modo a cimentar a sua identidade e proteger a sua especificidade. Com um nível cultural alto, a n/ freguesia poderá evoluir ainda mais, aumentando progressivamente um conjunto de valores nucleares da sua cultura. Essa cultura tem que ser baseada em valores estáveis, menos materialistas, mas ligados à expressão individual. Fica, pois, lançado o um grande desafio aos jovens do Porto Formoso: ESTUDEM. Só uma sociedade culta é capaz de sobreviver, independentemente das condições socioeconómicas. JASRAPOSO | 1/12/05 14:2954
Em Porto Formoso continuam a existir nichos de trabalho, nomeadamente na pesca profissional55, na lavoura, na cultura mais recente do inhame e em alguns serviços (cafetarias, restaurantes, no museu da fábrica do chá, etc) mas não são empregos suficientes para cobrir a população activa da aldeia. Além disso, a tendência das ocupações em terra e no mar, historicamente ligadas ao Porto Formoso, é de empregar cada vez menos pessoas. Apesar das modernizações realizadas na frota pesqueira de Porto Formoso, estas continuam limitadas à pesca local. A escassez de recursos marinhos e a crescente pressão fiscalizadora são também factores que dificultam cada vez mais a profissão da pesca56: em 2005 havia apenas 6 barcos de boca aberta dedicados e activos na pesca profissional, somando entre eles aproximadamente 20 pescadores. Por outro lado, a ocupação na lavoura também vindo a diminuir, tendo o Presidente da Junta inclusivamente ter declarado (em Agosto de 2005) que esta actividade se encontra numa “fase terminal” pois “há aqui muitos lavradores que têm poucas cabeças de gado e estão a ser exigidos a eles coisas que eles não conseguem suportar e futuramente vai acabar por poucos ou nenhuns lavradores”
Por estes motivos desde o início do século XXI o Porto Formoso tem vindo a transformar-se no “dormitório” de uma população que maioritariamente trabalha na Ribeira Grande e Ponta Delgada. Ao longo das sucessivas viagens que realizei a esta aldeia entre 2005 e 2012, pude acompanhar esta transformação: de ruas vivas e barulhentas de segunda a domingo, passou-se progressivamente a ruas cada vez mais
54 Nascido em 1956 em Porto Formoso, reside em Ponta Delgada onde trabalha como administrador de
uma empresa açoriana. Mantém ainda moradia em Porto Formoso, onde passa fins-de-semana e tempos livres. É pai do Regedor, criador do blog A Casa da Mosca.
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Porto Formoso é o terceiro porto de pescas mais importante da costa norte, depois de Rabo de Peixe e das Capelas (neste caso, devido à história da caça da baleia).
silenciosas e desertas, sendo que o único movimento perceptível provem do porto de pescas, que agora mais do que nunca, funciona como coração da aldeia, devido à sua localização central (em contraste com as pastagens, afastadas e de difícil acesso) e ao carácter alegre e barulhento desta comunidade piscatória, que conta ainda com bastantes trabalhadores jovens, ao contrário da lavoura. A progressiva transformação em cidade-dormitório foi especialmente sentida na minha última viagem à aldeia, realizada em Fevereiro de 2012. É claro que o Porto Formoso, como aldeia costeira, vive ao ritmo do mar, como em geral acontece nas povoações do litoral. O ritmo destas comunidades é marcado pelo clima e o estado do mar: se o verão é sinónimo de agitação, já o inverno é de hibernação. O carácter sazonal do turismo (de estrangeiros e emigrantes) e da pesca marca um tempo particular. A testemunha do blogger o Regedor é representativa das mudanças que se sentem na aldeia durante o ano:
A estação do calor traz-nos a praia, os cafés na esplanada da Praia dos Moinhos, os passeios a pé, os churrascos, os estrangeiros e emigrantes, as pescarias...e as pessoas nas ruas. Do inverno gosto de ouvir o vento Norte com chuva amiúde, do cheiro a maresia que invade a freguesia, de tomar chá com frio, dos dias de sol de inverno... faltam as pessoas. Uma freguesia sem pessoas não existe. O Porto Formoso parece um fantasma sem alma de Inverno. O Regedor | 17/12/08 16:57
Mas a mudança sentida em Fevereiro de 2012 prende-se essencialmente com a construção da SCUT entre Ponta Delgada e Porto Formoso, finalizada em Agosto de 2011. Esta nova infraestrutura significou uma mudança qualitativa considerável nas deslocações entre Porto Formoso e as cidades de Ribeira Grande e Ponta Delgada: se antes os trajectos, sinuosos, demoravam por volta de 40 minutos entre a aldeia e a capital, após as obras passaram a demorar 20. Graças a estes novos acessos a aldeia passou a ter mais visitas não só dos turistas, mas também dos outros habitantes da ilha. Mas é também devido a esta estrada que muitos porto formosenses optam, cada vez mais, por trabalhar noutras localidades da ilha, pois agora podem fazê-lo mantendo ao mesmo tempo a sua residência na aldeia, para onde voltam apenas para dormir. Porém, esta é apenas uma opção para as pessoas que possuem um meio de transporte próprio e/ou carta de condução, uma vez que não existe uma rede de transportes suficientemente eficaz para suprir as necessidades das deslocações. Não se pode esquecer, ainda, que o aumento gradual nos preços de combustíveis é uma despesa que cada vez tem mais peso para as pessoas que todos os dias tem de percorrer os 32 km que separam a aldeia da capital. Se é certo que a emigração é
actualmente muito pouco significativa, a verdade é que são muitos os que fazem grande parte da sua vida fora da aldeia, sem sacrificar, mesmo assim, a sua residência na aldeia. Este fenómeno aponta mais uma vez para o apego que os porto formosenses sentem pela sua terra, pois sempre que possível, optam por manter a sua residência na aldeia.
Por outro lado, acrescenta-se a progressiva incorporação das novas gerações de mulheres no mundo laboral, nomeadamente em trabalhos relacionados com as tarefas domésticas e com os serviços. Se não há mais mulheres a trabalhar, é sobretudo devido à falta de infraestruturas, públicas ou privadas, que garantam o acompanhamento das crianças enquanto as mães estão no trabalho. Não existe em Porto Formoso nem nas aldeias vizinhas creches nem ATLs que permitam às mães deixar os filhos, limitando a possibilidade de trabalhar àquelas mulheres que contam com o apoio de familiares.
A não existência de outras infraestruturas básicas no Porto Formoso, cria dependência, para muitas coisas, das povoações vizinhas: é o caso da deficiente cobertura do serviço de telemóvel, o que faz com que, em muitos casos, seja necessário deslocar-se a pontos mais altos ou mesmo sair da aldeia para poder fazer uma chamada, e dificulta frequentemente a conexão à internet. Também não há na aldeia um lar de idosos nem uma farmácia. Para encontrar a bomba de gasolina mais próxima tem de se percorrer 15km até à Ribeira Grande, e a primeira caixa multibanco foi instalada apenas em Julho de 2006. A este respeito, O Regedor comenta:
Nesta sociedade actual que não consegue manter ou criar uma associação desportiva, uma casa do povo funcional, um centro multiusos, um pequeno posto de cuidados de saúde, um centro de dia para idosos, uma pequena cresce, uma associação cultural, que já nem consegue organizar um jogo de futebol de casados contra solteiros, a esperança de uma verdadeira vivência colectiva esfuma-se e ninguém parece importar-se com isso. O Regedor | 23/10/200723:07
Todos estes factores contribuem para haver, sobretudo durante a semana, cada vez menos gente na rua, o que significa cada vez menos convivência e como diz o regedor menos “vivências colectivas” através das quais se cimenta a identidade. Mas o problema deve-se também aos próprios hábitos diários dos locais. Ao post intitulado “O nosso problema”, o blogger Deus2 reage da seguinte maneira:
População do Porto Formoso:
50% só sai de casa ao Domingo para ir à missa fingir que ouvem o senhor padre. 30% nas lojas a beber cerveja e vinho
10% só saem de casa para casamentos batizados e enterros 9% só sabem fazer enredos e enganar o próximo
1% ajudam a freguesia
Adeus deus2 | 17/5/06 21:35 (S/I)
Curiosamente, e apesar de cada vez haver menos gente na aldeia de Porto Formoso, o número de cafés, tascas e restaurantes não para de aumentar. É verdade que as “lojas” foram sempre os principais centros de convívio para os habitantes da aldeia, embora limitado aos indivíduos do sexo masculino, uma vez que a entrada nestes locais era, segundo regras tácitas, reservada apenas a homens57. A referência as tascas é recorrente nas discussões do blog “A Casa da Mosca” como se pode apreciar a seguir:
Fig. 2-12. Loja do “Sebastião” (1968?) (Cedida pela família de Sebastião do Monte).
Mais uma foto tirada do baú das recordações colectivas das nossas gentes. A taberna ou loja fazia parte, para o bem e para o mal, do viver dos homens da terra. Local de encontro, troca de experiências, emoções ao rubro pelos jogos (dominó, damas, bisca dos 6, copas, sueca, truco), negócios, copos cheios e vazios, vitórias e derrotas da nossa equipa escutadas pela rádio e visualizadas pela imaginação…De tudo, o mais importante é, sem dúvida, o convívio que a loja proporcionava. A loja funcionava como um verdadeiro centro de convívio aberto a todos onde se ria, chorava, bebia, havia folia, pancadaria, enfim, vivia-se! O Regedor | 23/01/2007 16:19
O conceito de “loja” nessa altura era muito mais abrangente, pois proporcionavam à população muitas outras coisas além do habitual numa tasca: nestas “lojas” vendiam-se produtos de mercearia e drogaria e às vezes funcionavam
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Durante o meu trabalho de campo, quase sempre era a única mulher que frequentava as tascas e “lojas” da aldeia. Excepto no Cantinho do Cais, conhecido pela sua gastronomia, era muito raro ver outras turistas ou mulheres locais a entrar nestes lugares se não fosse apenas para dar um recado, perguntar algo ou entregar alguma coisa.
simultaneamente como barbearias ou como esplanadas com cinema. Existem os casos em que os proprietários das lojas eram também donos de equipas desportivas (de
vólei, de futebol de sala), funcionando como agentes dinamizadores da comunidade.
Fig 2-13. Café Beira-Mar, espaço de “moda” em meados dos anos 80. (cedida pelo Regedor)
As tabernas ou lojas foram no Porto Formoso o local de maior convívio e era lá que a modernidade chegava mais depressa!! Foram as tabernas que tiveram rádio e TV primeiro e onde todos se juntavam! Essas lojas se se actualizarem mas sempre com o estilo tradicional açoriano serão sempre respeitadas e terão clientela para toda a vida. No futuro não vai haver tabernas dessas e as pessoas vão querer voltar lá.deus2 | 23/11/05 19:23 (S/I)
Pela importância destes espaços na vida da aldeia considera-se pertinente fazer um análise actual dos mesmos. Hoje em dia, podem-se destacar três “tascas” pelo seu carácter emblemático. Em primeiro lugar, destaca-se “O cantinho do Cais”, tasca situada junto ao porto de pescas, gerida pelo Sr. Jorge, porto formosense muito ambicioso que com trabalho árduo e boa cozinha conseguiu colocar o seu estabelecimento no roteiro gastronómico da São Miguel como um dos mais conceituados lugares para experimentar o peixe à maneira local. A configuração do pequeno espaço original fazia com que turistas, doutores, advogados e professores da ilha se misturassem com os pescadores da aldeia, animando o ambiente e fazendo da experiência não apenas um momento gastronómico, mas também sociológico. O restaurante transferiu-se para a vizinha aldeia de São Brás em 2010, devido à falta de espaço em Porto Formoso que permitisse a ampliação que o seu sucesso requeria, o que foi visto pela população como uma grande perda. O tema foi muito discutido no blog “ A casa da Mosca”, onde alguns habitantes se lamentaram:
Consta que o Cantinho do Cais irá transferir o seu serviço de refeições para a freguesia de S. Brás, ficando no Porto Formoso apenas o bar. A ser verdade, é mais uma valia que o Porto Formoso perde, AGUIA | 20/2/06 10:16 (S/I)
E ainda,
Sou daqueles que acha que o Porto Formoso ficou a perder muito com a ida do Cantinho do Cais para São Brás. Quando ouço alguém falar no magnífico Caldo de Peixe do Jorge e logo a seguir alguém perguntar onde fica, ouço a resposta "São Brás" e não consigo ficar parado. Nunca São Brás foi tão conhecido como agora. Anteriormente, quase ninguém de "fora" ou mesmo turistas iam a São Brás e agora começam a ir. Porquê? Porque há dois restaurantes de qualidade lá. O
Regedor | 17/4/11 22:03
Nesta mudança, a tasca, que passou à categoria de restaurante, perdeu parte do seu público, em grande parte devido à falta de encanto da nova localização e espaço, e sobretudo, à falta de contacto com os pescadores e outros habitantes de Porto Formoso, mais abertos aos estranhos dos que os de São Brás. A tasca do “Amaral” é outro local bem conhecido dentro e fora da aldeia pela sua qualidade gastronómica. Aqui serve-se tanto peixe como carne e os clientes habituais são lavradores, podendo quase dizer-se que a dicotomia Cantinho do Cais/Amaral é de cariz profissional. Por último existem dois importantes locais junto à praia dos moinhos. O snack bar da praia, bar virado essencialmente para o turista, é o típico bar de praia que serve bebidas e comidas rápidas (hambúrgueres, sandes, etc). Este local esteve envolto em muita polémica devido às obras de ampliação e influência do seu proprietário nas mudanças dos acessos à praia, motivo pelo qual os habitantes da aldeia raramente o frequentam e muito o criticam. Por outro lado existia, até há bem pouco tempo, uma das poucas lojas de Porto Formoso que se mantinha fiel a sua história, uma pequeníssima tasca, a do Sr. Viana, que recebia os habitantes desta parte da aldeia e os pescadores que habitavam no lado do porto. Além de servir bebidas, esta loja servia comidas no 1ºandar da casa, apenas a amigos e por encomenda.
Com alvará de 1984, esta é a mais nova das últimas lojas antigas do Porto Formoso. Abriu portas por volta de 1982, tendo sido gerida pelo Sr. José Viana "velho", Sr. Eusébio Viana "novo" e, nos últimos anos, pelo Sr. Laudalino Viana. Foi durante muitos anos o ponto de referência dos habitantes da zona dos Moinhos, que, devido ao seu isolamento, encontravam ali um porto de abrigo. Servia de mercearia de bens essenciais, de taberna e foi durante longos anos o único estabelecimento comercial de porta aberta a servir a zona da Ribeira Seca, Vale Formoso e Moinhos. Se faltavam cargas para o rádio ou sal para temperar a comida, os habitantes destas zona ali se dirigiam em vez de subirem o arrebentão para ir à freguesia. É o único sítio onde se pode jogar um dominó ao balcão à moda antiga. De Inverno parece uma toca abrigada do frio, de Verão as escadas exteriores e a rua transformam-se em esplanada. Devido ao facto de estar perto da praia e do campo e, ao mesmo tempo, longe da freguesia, esta loja sempre teve características diferentes de todas as outras. Esta casa fecha as portas nos próximos tempos. Com esta loja a fechar e com o fecho anunciado da loja do Sr. José "Plora", acabam-se todas as lojas antigas do Porto Formoso. Infelizmente, dentro de pouco tempo, só restarão fotografias e memórias de outros tempos. A visitar... enquanto é tempo!O Regedor | 16/4/11 13:031
A loja acabou por ser vendida no verão de 2011 ao Sr. Carlos, jovem de Porto Formoso que fez obras de recuperação e ampliação transformando o lugar num imenso restaurante, onde embora a comida continue a ser muito apreciada, a descaracterização do espaço é evidente, assemelhando-se agora a muitos outros existentes na ilha. Muitos habitantes acreditam que este restaurante poderá vir a suplantar o Cantinho do Cais como ponto de atracção para os visitantes doutras aldeias e cidades da ilha e para os turistas.
Além destas tascas/lojas emblemáticas existem muitas outras, e desde 2005, o número de tascas/cafés aumentou de 6 para 12, o que dá uma média de 1 tasca/café por 100 habitantes, o que faz com que seja difícil a sobrevivência de todas elas. Estes novos locais, dirigidos mais à população do que ao turista, são muito parecidos uns com os outros, acrescentando pouca diversidade ao panorama de lazer da aldeia58. A este respeito, veja-se o testemunho do blogger JASRAPOSO:
Enquanto na nossa freguesia há uma "vocação" para a abertura de lojas, em S. Braz59 abriu um ginásio. Uma questão de mentalidade ou uma visão
economicista??JASRAPOSO | 1/12/05 14:32 (perfil em pág.49- nota 54)60
58 Com exceção do bar “Silêncio das palavras”, que além de ter um nome diferente, disponibiliza noites
de música ao vivo e de karaokê.
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Nos casos em que o perfil de um determinado usuário do blog ou informante já tenha sido descrito com anterioridade, far-se-á uma referência indicando a página e a nota de pé onde se encontra a descrição: (v.pag.X-nX), sendo que neste caso seria (v. pág 49- n53)
É de salientar a constante comparação com São Brás que surge nas conversas com os habitantes de Porto Formoso. Existe com esta povoação vizinha uma forte rivalidade cuja base é histórica. A freguesia de São Brás foi criada a 18 de Setembro de 1980 em território da freguesia de Porto Formoso. Há testemunhas que indicam a existência de distúrbios, pois havia gente que não queria que São Brás fosse independente. Ainda em Setembro de 2007 houve uma grande polemica devido a instalação de uma placa que assinalava a chegada à freguesia de São Brás em território de Porto Formoso, falando-se, inclusivamente de “invasão”; a contestação popular deu lugar à sua retirada imediata. Apesar da sua proximidade, são perceptíveis as diferenças entre ambas as comunidades: O Porto Formoso, aldeia de