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Tiltak som vil forberede studentene mer til arbeidslivet

In document Fra informatikkstudent til utvikler (sider 88-91)

A análise da conversação surgiu no final da década de 1960, no âmbito da Etnometodologia, com os trabalhos de Harvey Sacks, Emmanuel Schegloff e Gail Jefferson (ALENCAR, 2007; HERITAGE, 1999). Segundo Heritage (1999), a Etnomedologia é um método de pesquisa qualitativa, desenvolvido, entre outros, por Harold Garfinkel13, a partir de 1967, e procura compreender as maneiras cognoscíveis, conscientes ou não, através das quais as pessoas reconhecem, produzem e reproduzem ações e estruturas sociais.

A conversação é uma das ações humanas cotidianas e possui conhecimentos, regras e métodos próprios, a partir dos quais os atores constroem sentido, ordem e racionalidade ao que fazem, constituindo o mundo exterior. O domínio da linguagem é uma das competências que permitem que uma pessoa se reconheça e seja reconhecida e aceita como membro de um grupo social. Assim, o estudo de como esta interação, entre dois ou mais participantes, é possível e de como a mesma participa da constituição de mundo e da organização da sociedade pelos homens, interessa à etnometodologia e motivou os primeiros estudos de análise da conversação (ALENCAR, 2007). Esses estudos investigavam a conversação comum, que ocorre em situações ordinárias da vida das pessoas, para descrever formalmente os detalhes da organização da conversação. Mais recentemente, porém, surgiram estudos com foco na conversação institucional, em que há papéis sociais bem definidos, como salas de aula, hospitais, salas de tribunais e entrevistas jornalísticas (HERITAGE, 1999). Hoje, o emprego da análise da conversação considera os conhecimentos lingüísticos, paralinguísticos e socioculturais que devem ser compartilhados para que a conversação seja possível, voltando-se mais para a interpretação do que para a organização das falas (MARCUSCHI, 2006).

Neste trabalho, as respostas dadas pelos participantes passaram pelo processo interpretativo e a análise da conversação auxiliou nesse processo. A maneira como as respostas foram emitidas também foi significativa para a compreensão do conteúdo das mensagens. A análise da conversação realizada neste trabalho baseou-se na descrição de Marcuschi (2006). Em sua obra, esse

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autor discute o que pode ser considerado conversação e que, portanto, pode ser submetido à análise através dessa técnica, fornece sinais para transcrição das interações verbais e discute três níveis de análise: global, nível de seqüência (dois a três turnos) e nível de turno (produção de um falante enquanto ele está com a palavra, incluindo a possibilidade do silêncio, que é significativo e notado), detalhando o que deve ser analisado em cada nível. Além disso, ao longo de seu texto, Marcuschi (2006) apresenta diversos marcadores conversacionais, cuja presença tem significado e auxilia na interpretação da interação. Alguns desses marcadores encontram-se no ANEXO B.

No âmbito de turno, podem ocorrer, por exemplo, pausas, hesitações, sobreposição de vozes, reparação e correção. As pausas podem representar um prefácio para uma despreferência (seqüência em que há discordância com o que foi dito na primeira parte); desconhecimento da resposta ou ter um efeito retórico. As hesitações podem indicar um convite à tomada de turno (passagem de um turno a outro); momentos de organização e planejamento da fala ou pedido de socorro para o ouvinte. A sobreposição de vozes ocorre quando o ouvinte fala durante o turno do falante, realizando pequenas produções que podem indicar concordância, discordância ou endosso ao falante, como “sim”, “tá bom”, “é”, “claro” etc. Pode tratar-se também de uma projeção falha de conclusão de turno. Já a reparação e a correção ocorrem quando o falante se autocorrige ou é corrigido pelo ouvinte, fazendo reparos sintáticos, lexicais, fonéticos, semânticos ou pragmáticos. A correção modifica a estrutura da frase, criando redundâncias, repetições, encaixamentos etc. (MARCUSCHI, 2006).

No âmbito de seqüência podem acontecer pares adjacentes, seqüências de pergunta e resposta, pré-seqüências, seqüências inseridas, preferência e despreferência. Os pares adjacentes são dois turnos que coocorrem obrigatoriamente, por exemplo, convite-aceitação/recusa;cumprimento-cumprimento; xingamento-defesa; acusação-defesa/justificativa; pedido de desculpa-perdão. As seqüências de pergunta e resposta podem ser realizadas de diferentes formas, como interrogativa direta ou indireta; interrogativa equivalendo a uma ordem ou a um convite ou a uma exortação; do tipo sim-não; sobre algo; formulação de pergunta com a negativa; adiantamento do núcleo do tópico, colocando-o no início e no final da pergunta. As pré-seqüências estabelecem a coesão discursiva ou preparam o

terreno para outra seqüência, como em uma pergunta que precede um pedido. As seqüências inseridas são colocadas entre uma pergunta e uma resposta para dar esclarecimentos ou manipular a pergunta. A preferência é uma seqüência em que há concordância com o que foi dito na primeira parte e a despreferência é uma seqüência em que há discordância com o que foi dito na primeira parte (MARCUSCHI, 2006).

No âmbito global, diversos recursos indicam a abertura, o desenvolvimento e o fechamento da conversação, como cumprimentos, combinações para entrada no tópico, mudanças e quebras de tópico, despedidas, final consentido e combinado (MARCUSCHI, 2006).

As características necessárias para que haja conversação, segundo Marcuschi (2006), são: presença de pelo menos dois falantes14; ocorrência de pelo menos uma troca de falantes; presença de uma seqüência de ações coordenadas; identidade temporal e “interação centrada”. Assim, as interações estabelecidas durante as entrevistas individuais ou com dois entrevistados e os grupos focais realizados neste estudo puderam ser submetidos à análise da conversação, conforme a descrição desse autor. Os símbolos adotados para a transcrição das interações se encontram no ANEXO A.

Nesta pesquisa, o emprego dessa técnica foi importante para compreender as falas dos alunos de maneira mais abrangente. A análise da conversação permitiu diferenciar falas espontâneas de falas induzidas e identificar a convicção ou a insegurança com que as afirmações foram feitas, auxiliando na compreensão de como as idéias expostas pelos alunos foram construídas. Assim, as falas induzidas foram excluídas da análise de conteúdo e as inferências realizadas sobre as falas foram feitas com maior segurança.

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