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Tierra y libertad

Reforma, libertad, justicia y ley La tierra es para quien la trabaje con sus manos

(Emiliano Zapata)

No final do século XIX e início do século XX, a sociedade mexicana vivia imersa em uma série de conflitos políticos e sociais que afetou profundamente a história do país. Os mexicanos, que haviam lutado nos diferentes conflitos históricos mexicanos, dentre eles, a guerra de Independência e a guerra com os EUA, sentiam que seu esforço para transformar o México em uma nação soberana não refletia a sociedade do momento, tampouco justificava tantos anos de luta por justiça e igualdade, visto que o povo vivia em um país governado por um ditador. A nação pela qual haviam lutado continuava mantendo uma estrutura social tão injusta como a imposta pelos colonizadores espanhóis, já que a riqueza do país se concentrava nas mãos de uma minoria partidária do então presidente Porfirio Díaz, que governava o México a mais de 30 anos.

Diante dessa situação, os diversos setores da sociedade mexicana estavam cansados da política elitista do governo que favorecia os grandes latifundiários e empresários, enquanto a classe média e, especialmente, os campesinos3 estavam abandonados à própria sorte, o que provocou uma revolução jamais vista na história da América Latina, que marcou profundamente a sociedade mexicana. A luta por um novo México começou com uma grande disputa pelo poder entre as elites mexicanas, descontentes com o governo de Porfirio Díaz. No entanto, essa luta realmente passou a ganhar forças quando os campesinos, sujeitos

3 Indivíduo que vive e trabalha no campo. No contexto da Revolução Mexicana a palavra “campesino” está

relacionada aos indígenas, que foram expulsos de suas aldeias pelos latifundiários mexicanos durante a ditadura de Porfirio Díaz.

oprimidos pelo sistema político corrupto do país e massacrados desde o período colonial, passaram a ocupar um lugar de destaque na Revolução.

Nesse ambiente de conflito, o grande debate entre os políticos mexicanos girava em torno de quem seria o sucessor de Porfirio Díaz, o que, segundo o historiador John Womack (1968, p. 17), foi um dos fatores fundamentais que levou o México à revolução. Tal debate veio a público, pondo em crise o orgulho de Porfirio Díaz que, ao ser entrevistado pelo americano James Creelman, correspondente da revista americana “Pearson Magazine”, afirmou que abandonaria o cargo de presidente ao finalizar seu mandato em 1910, assegurando não voltar a exercê-lo nem que seus amigos suplicassem. Afirmou ainda, que aceitaria um partido de oposição. Segundo ele, se esse partido chegasse ao poder não para explorar, mas para governar o país, estaria disposto a apoiá-lo: “eu estarei ao seu lado para apoiar e aconselhar, e não pensarei em mim ao instituir-se um verdadeiro governo democrático neste país (idem, ibidem, p. 18).

As promessas de Díaz não passaram de mais um de seus jogos políticos, pois ele seguiu governando o México com mão de ferro e provocando uma grande crise entre os políticos do país que brigavam pelo poder. Nesse contexto, o conflito entre tais políticos continuou e o poder de Díaz tomou uma dimensão tal, que todo o sistema político do país se viu totalmente abalado. Além disso, as relações políticas dos estados e a lealdade entre os políticos ficaram abaladas devido à complexidade dos acordos políticos, que envolviam interesses locais profundamente enraizados.

Portanto, se um desses políticos não conseguisse atingir seu objetivo e se houvesse a necessidade de decidir quem governaria determinado estado, haveria brigas violentas entre os políticos locais e as entidades de arbitragem do governo federal. Nessa situação, os candidatos eram escolhidos oficialmente por meio de eleições fraudulentas, realizadas com base em acordos políticos, já que as eleições não passavam de uma farsa para enganar a população.

Nesse contexto, as eleições em Morelos, em 1909, foram as primeiras a acontecer depois de Díaz ter sido entrevistado por James Creelman, e as primeiras onde, verdadeiramente, surgiu uma oposição organizada. A morte do governador Alarcón foi a ponta de lança para que fossem realizadas novas negociações políticas no estado de Morelos a fim de eleger um novo governador. Para ocupar o lugar de Alarcón, fazia-se necessário encontrar alguém com o perfil dele; como isso não possível, Díaz opôs-se a aceitar outro candidato.

Depois de um longo debate acerca de quem substituiria Alarcón, quatro candidatos apresentaram-se a Porfirio Díaz, dentre eles, Luis Flores, substituto habitual de Alarcón,

várias vezes vice-governador de Morelos ao longo de trinta anos. Os outros dois candidatos eram conselheiros pessoais de Díaz e líderes do Partido Porfirista Nacional, dentre os quais, Demetrio Salazar, advogado da Cidade do México; Agustín Aragón, um dos intelectuais mais conhecidos do México; e António Tovar, político e general do exército. Qualquer um dos quatro poderia ser candidato, no entanto, durante as convenções, surgiu, repentinamente, a figura de Pablo Escandón, chefe do estado-maior de Díaz.

Em contrapartida, surgiu também nesse cenário político, a figura do general Leyva, filho de uma família de destaque em Morelos, considerado, por alguns políticos da capital, como oposicionista a Escandón. No entanto, em conversa com Porfirio Díaz, Leyva garantiu que aceitaria de bom grado qualquer homem livremente eleito pelos cidadãos de Morelos. As afirmações “bem intencionadas” de Díaz acerca da vontade popular e da lei eleitoral não eram encorajadoras, mas, sim, mais um de seus jogos políticos. Nessa perspectiva, a oposição lançou Patrício Leyva como candidato, que, contudo, foi derrotado por Escandón, eleito com o apoio de Porfirio Díaz.

Segundo historiador Womack (1968, p. 39), no dia 15 de março de 1909, Pablo Escandón assumiu o governo do estado de Morelos, sendo que seu mandato expiraria em 30 de novembro de 1912. No entanto, comentava-se que ele seria reeleito, embora isso não fosse de agrado da maioria do povo de Morelos, que o via como um testa de ferro de Porfirio Díaz. Sua ascensão ao governo foi um insulto que ficou registrado nos anais da história do Estado de Morelos e na memória de seu povo.

Escandón acreditava que governaria bem Morelos, mas, nos anos em que ocupou o cargo de governador, acabou com o pouco prestígio político que ainda lhe restava. Em 1910, com o resultado de suas políticas injustas e absurdas, Morelos vivia uma crise pela qual só havia passado durante a Guerra de Intervenção. Escandón destruiu a política do estado, chegando a provocar uma insurreição organizada pelos campesinos no distrito. Seus abusos eram tão absurdos, que conseguira ser ainda pior que Alarcón, visto que se voltou contra os

campesinos de Morelos por meio de decretos, de nova legislação e de reformas da

constituição do Estado. A atitude de Escandón era mais um episódio da opressão já antiga naquele distrito mexicano:

Desde o século XVI que a política do Estado fora dominada pelas plantações de cana de açúcar; em 1910 a ocupação de aldeias e propriedades agrícolas independentes, a extorsão de terras, madeira e água aos seus legítimos proprietários conseguida pelos advogados das “haciendas”, os maus tratos e vigarices a que os trabalhadores rurais estavam sujeitos por parte dos capatazes, eram história antiga. A desculpa que continuava a ser invocada era o racismo altivo dos tempos dos vice-

reis, segundo o qual os índios... têm muitos defeitos como trabalhadores, pois são preguiçosos, estúpidos e ladrões (idem, ibidem, p. 45).

Percebe-se, pois, que o governo de Escandón privilegiou os grandes latifundiários de Morelos, que passaram a consolidar suas riquezas com as novas tecnologias implantadas na região. Com o aumento da produção de açúcar, Morelos passou a ser reconhecido em nível nacional. No entanto, os problemas agrários do estado passaram a acentuar-se cada vez mais.

A opressão sofrida pelos campesinos de Morelos não era, no momento, diferente da imposta por Alarcón; quando os grandes fazendeiros percebiam que os campesinos estavam desprotegidos e indefesos, apossavam-se de suas terras. Muitos deles chegaram a ser expulsos de suas terras e forçados a emigrar ou trabalhar para tais fazendeiros. Na medida em que se endividavam, os campesinos trabalhavam como criados para esses fazendeiros. Trabalhavam em suas aldeias, mas as terras já não lhes pertenciam mais, pois os fazendeiros eram seus novos donos. Uma vez que o dinheiro que recebiam por seu trabalho não era suficiente para sua sobrevivência, muitos campesinos se viam obrigados a abandonar, definitivamente, as aldeias, permitindo que esses fazendeiros ficassem de forma permanente em suas terras.

É importante ressaltar que, em 1876, quando Porfirio Díaz assumiu a presidência do México, havia 118 pueblos registrados em Morelos. Em 1887, apesar de a população ter aumentado, esse número foi reduzido para 115. Em 1908, o número de aldeias registrado era cerca de 100. Womack (1968, p. 48) afirma que a história desses pueblos estava condenada à destruição, bem conhecida pelo povo de Morelos, cujos antepassados haviam lutado para salvá-los.

Voltando à situação dos campesinos, estes, aos poucos, foram perdendo suas terras, sem, no entanto, deixar de lutar, ano após ano, para conservar o que lhes restava. Quando não conseguiam mais sobreviver da agricultura, passavam a dedicar-se a outras ocupações que garantissem sua sobrevivência. A família de Zapata, assim como outras, passou a criar gado depois dos donos das haciendas Hospital e Cuahuitla terem tomado posse de suas terras.

Em 1910, o México viu-se abalado com uma campanha de oposição ao regime de Porfirio Díaz, já que as eleições presidenciais se revelaram extremamente ativas. Tal campanha partia de diversos políticos independentes que, recentemente, haviam criado o “Partido Ante-reelecionista”, passando, assim, a desafiar o governo vigente. O novo partido defendia o voto verdadeiro, e não o governo dos patrões. O líder do partido, Francisco I Madero, divulgava sua corajosa campanha por todo o país. Apesar da perseguição cada vez mais violenta de que era alvo, o movimento foi consolidando-se e crescendo cada vez mais.

Segundo Womack (ibidem, p. 75), a campanha de Madero não teve um grande impacto em Morelos, já que Madero se concentrou, naturalmente, nos grandes centros e nos estados mais importantes. Vale lembra que Madero nunca foi propriamente um revolucionário, mas seus inimigos do regime de Díaz viam-no como uma ameaça, já que ele propunha, em sua campanha, um governo democrático, uma política limpa. Nessa perspectiva, a campanha de Madero consistia não apenas em angariar votos, mas em conquistar corações. A campanha maderista não durou muito tempo, visto que Madero foi preso no dia 30 de junho de 1910, véspera das eleições. Esse episódio teve uma repercussão muito negativa em Morelos, o que, no entanto, não pôs fim ao movimento, visto que o povo estava preparado para lutar em defesa de suas terras.

Conforme Ramóm Talavera Franco4, com Madero fora do cenário político, Porfirio Díaz foi reeleito por meio de uma fraude eleitoral, continuando, assim, seu governo autoritário, e Madero foi solto com a condição de abandonar a capital. Nesse contexto, Madero seguiu rumo por San Antonio, no Texas, cruzando para Laredo, onde lançou um manifesto conhecido como “Pan de San Luis Potosí”, por meio do qual denunciava a fraude eleitoral que desconhecia os poderes constituídos, afirmando, no artigo sétimo do plano: “[...] el día 20 de noviembre desde las seis de la tarde en adelante, todos los ciudadanos de la república tomarán las armas para arrojar del poder a las autoridades que actualmente gobiernan. Los pueblos que estén retirados de las vias de comunicación lo harán la víspera” (BRADING, 2005, p. 55). A campanha de Madero tinha como lema “sufragio efectivo, no reelección”, lema este que serviu de ponta de lança para a revolução.

Os governadores de Tlaxcala, Yucatán, Sonora e Sinaloa passaram a enfrentar rebeliões locais. Em Morelos, os gritos “mueran los guachupes” da Independência ainda soavam no ar. Com isso, Escandón decidiu tomar medidas necessárias. Para ele o grande perigo estava nas aldeias, sendo, portanto, contra elas que dirigiu seus ataques e repressões.

Nesse ambiente de conflito, Díaz, junto com seus partidários políticos, preparou a festa de celebração do centenário de Independência do México, o que parecia aos campesinos, a Zapata e a seus companheiros trabalhadores do campo uma farsa pela qual o povo pagava com seu suor, já que, enquanto os campesinos sofriam abusos dos fazendeiros, Díaz e seus partidários gastavam o dinheiro do povo, ao fazer uma festa que não refletia a realidade do país.

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FRANCO, Ramón Talavera. La Revolución Maxicana. Disponível em:

Emiliano Zapata recorreu a todos os meios legais de Anenecuilco a fim de que se resolvessem os problemas da terra de sua família e dos demais campesinos, mas tais problemas continuaram sem resolução. Como os meios legais não foram capazes de resolver o problema, Zapata resolveu agir por conta própria: reuniu-se com os campesinos da aldeia e foi para os campos onde os villanos trabalhavam, afirmando-lhes que não era seu objetivo entrar em atrito com eles, pois aquelas terras pertenciam a Anenecuilco e seriam cultivadas por seus habitantes. Diante da situação, os villanos saíram das terras da hacienda Hospital e Zapata as distribuiu para os campesinos da aldeia.

A hacienda Hospital deixou os campesinos em paz por algum tempo, mas terminou exigindo deles o pagamento de uma renda pela utilização das terras. Quando os campesinos se recusaram a pagar, os donos da hacienda pediram a intervenção do prefeito do distrito. Diante disso, Zapata enviou uma delegação de trabalhadores ao presidente Díaz para pedir-lhe que as terras fossem devolvidas aos verdadeiros donos da aldeia. Díaz deu um parecer favorável aos

campesinos, mas o administrador da hacienda não ficou satisfeito com a decisão, apesar de

acatá-la. Vale ressaltar que isso não significa que os problemas das terras em questão tivessem sido resolvidos, já que os fazendeiros seguiram oprimindo os campesinos da região.

Entre 1910 e 1911, Zapata tornou-se uma verdadeira autoridade no estado de Morelos, mas sua coragem representava um “perigo” para os rurais de outras regiões que também enfrentavam grandes dificuldades econômicas, visto que tinham medo de que as trapas do governo federal esmagassem a insurreição dos rebeldes:

No inverno de 1910-1911, Zapata tornara-se já a verdadeira autoridade naquela região do Estado. Por outro lado, a coragem que Zapata e seus partidários haviam demonstrado constituía um exemplo perigoso para os rurais de outras regiões, que se debatiam também com grandes dificuldades econômicas, mas o governo federal podia enviar tropas para esmagar a insurreição e deter ou fuzilar seus líderes e Zapata teria muita sorte em escapar com vida se a revolução maderista não fosse bem sucedida (WOMACK, 1968, p. 65).

Zapata ganhou fama no sul, conquistando o respeito dos campesinos de Morelos, enquanto que, no norte do país, Pancho Villa – antigo bandido que se tornou o general mais poderoso de todo o país, passando a ser conhecido como “Centauro do Norte” – também conquistava multidões. Villa ganhou fama devido à sua posição estratégica, aproveitando a proximidade com a fronteira norte-americana. Nesse sentido, ele pôde usar os recursos das propriedades confiscadas para comprar armas e apetrechos nos EUA, ao contrário de Zapata, que enfrentou muitas dificuldades para armar seu exército revolucionário.

Madero, por sua vez, conseguiu escapar da prisão estadual e fugiu para os EUA, proclamando, de San Antonio, o “Plan de San Luis de Potosí” e convidando o povo para a luta armada contra Porfirio Díaz no dia 20 de novembro de 1910. O conflito armado começou no norte, espalhando-se, em seguida, pelo país. Depois de algum tempo fora do cenário político, Madero encontrou o movimento revolucionário em uma situação difícil, após o massacre de Puebla e da retirada vergonhosa dos rebeldes da região do Rio Grande.

Nesse ambiente de conflitos, Madero reuniu-se com um grupo de agricultores na casa de Pablo Torres, na Villa de Ayala. A maioria desses agricultores era politizada, assistindo, no entanto, a uma ou outra reunião e não aparecendo mais. Contudo, Torres, Zapata e Rafael Merino participaram várias vezes das reuniões organizadas por Madero, o que lhes permitiu conhecer seu projeto revolucionário de perto. Nesse momento, Zapata já conhecia o “Plan de San Luis de Potosí” e estava estudando uma cláusula do artigo terceiro do plano. Essa cláusula era apenas um ponto importante para o setor agrícola da plataforma revolucionária de Madero, um convite aos campesinos, vítimas da política agrária de Díaz para a luta armada, já que, por causa de tal política, muitos campesinos, em sua maioria índios, haviam sido expulsos de suas terras.

Enquanto, em Morelos, Emiliano Zapata liderava um grande número de campesinos dispostos a lutarem ao lado de Madero para ter suas terras de volta, Pascual Orozco e Francisco Villa, no norte, também se uniram à causa de Madero. Vale ressaltar que, apesar de não terem um bom preparo militar, Villa e Orozco conquistaram uma multidão descontente com a situação em que vivia submetida aos latifundiários da região. Nesse cenário, houve um combate sangrento no dia 18 de novembro, sendo que Aquiles Sedanm, um dos mais importantes revolucionários, foi assassinado em sua casa. Posteriormente, iniciou-se a luta armada em Chihuahua, na qual o exército de Díaz foi derrotado. Nesse ambiente conflituoso, em maio de 1911, foi assinado, em Ciudad Juarez, o Tratado de Paz entre o presidente Díaz e os seguidores de Francisco Madero. Ao perceber sua derrota, Porfirio Díaz renunciou à presidência em 1911, abandonando, definitivamente, o México e exilando-se na França.

Depois de seis meses de luta, a revolução maderista havia triunfado, tendo Madero colocado, no governo interino, vários de seus homens, formalizando, assim, as próximas eleições para presidente. Como Madero não deseja chegar ao poder de maneira ilegítima, decidiu que Francisco León de la Barra fosse nomeado presidente interino, mas sua atitude provocou discórdia entre os revolucionários. Em novembro de 1911, as eleições foram realizadas e Madero foi eleito presidente do México.

Em junho de 1911, Madero fez sua entrada triunfal na Cidade do México. Uma de suas primeiras resoluções foi pedir a Zapata que se reconciliasse com os Figueroas, família revolucionária com quem havia se desentendido. Zapata obedeceu a Madero, acabando com as hostilidades entre ele e os Figueroas. Depois desse episódio, Zapata pediu a Madero que as terras das aldeias fossem imediatamente devolvidas ao povo e que as promessas da revolução fossem cumpridas. Madero argumentou que o problema da terra era uma questão complexa e delicada, além do que as normas vigentes deveriam ser respeitadas, afirmando que o mais importante, naquele momento, era que Zapata se preparasse para desarmar suas tropas.

Nesse cenário, Madero passou a lidar com uma série de discórdias revolucionárias, já que os revolucionários queriam que os problemas sociais, pelos quais lutavam, fossem resolvidos. Para eles, Madero tinha que pôr em prática as promessas da revolução o mais rápido possível. Enquanto isso, Zapata tentava acalmar seus companheiros revolucionários, pois acreditava que, apesar da situação do país, Madero respeitaria os princípios da revolução. Apesar de todos os boatos em relação a Madero não cumprir as promessas da revolução, Zapata esperava sua hora, certo de que Madero, uma vez informado sobre os problemas agrários no país, faria justiça aos campesinos, devolvendo-lhes suas terras.

Zapata seguia confiando em Madero, mas tinha dúvidas em relação à lealdade do exército federal que havia se mantido no poder, baseando-se na situação de Morelos que, naquele momento, era governado por Careón, que se mostrava a favor dos fazendeiros, deixando de lado os problemas agrários. Diante dessa situação, Zapata afirmou, diante de Madero, que, se com os revolucionários armados esse tipo de coisa acontecia, pior seria se