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Tilstedeværelse, «hot spots» og områdeløft

Para Mead3 a instituição escolar constitui um espaço de interação, de formação, de desenvolvimento. Consiste em um local de criação e de recriação de conceitos onde o desenvolvimento do pensamento reflexivo e o aprender a pensar se fazem presentes.

A instituição escolar possui para Mead, um papel privilegiado enquanto espaço e tempo de socialização, de interação e de formação ou desenvolvimento das estruturas do eu. Ele faz várias referências ao papel da escola e à sua importância especialmente enquanto espaço de interação a partir do qual é possível a criação e recriação de significados e conceitos, o desenvolvimento da consciência reflexiva e a aprendizagem de um método de pensar (CASAGRANDE, 2014, p. 82).

É comum, contudo, no meio educacional, um ensino pautado na transmissão, que consiste em fazer repetir, recitar, aprender, ensinar o que já está pronto nos livros, principalmente nos livros didáticos, pois estes são concebidos como os representantes principais do conhecimento e da sabedoria do passado e os professores são os responsáveis pela transmissão do conhecimento aos alunos. Portanto, aprender significa adquirir os conhecimentos das gerações anteriores expressos nos livros (DEWEY, 2010).

Não podemos dizer que o modelo de ensino pautado na transmissão, o qual Dewey (2010) caracteriza como um ensino tradicional não proporciona experiências aos alunos. O problema é que, na maioria das vezes, as experiências pelas quais os estudantes passam na escola tradicional acontecem de maneira equivocada. Consequentemente, a maioria dos estudantes se torna insensíveis e desmotivados com a sua aprendizagem. Então, no nosso ponto de vista, entendemos que seria interessante que os professores refletissem a respeito dos seguintes questionamentos:

Quantos alunos, por exemplo, tornaram-se insensíveis a certas ideias, e quantos perderam a motivação para aprender por causa da forma como experimentaram o processo de aprendizagem? Quantos adquiriram habilidades específicas por meio de exercícios automáticos que limitaram seu poder de julgamento e sua capacidade de inteligência diante de novas situações? [...] Quantos passaram a associar os livros com uma tarefa

3 George Herbet Mead, considerado o pai do Interacionismo Simbólico, que na Universidade de Chicago

conviveu e compartilhou as perspectivas teóricas e pragmáticas de John Dewey. (CASAGRANDE, 2014). “O Interacionismo Simbólico baseia-se, em três premissas: os seres humanos agem em relação ao mundo fundamentados nos significados que este lhes oferece; os significados de tais elementos são provenientes ou provocados pela interação social que se mantém com as demais pessoas; tais significados são manipulados por um processo interpretativo (e por este modificados) utilizado pela pessoa ao se relacionar com os elementos com que entra em contato” (SALGADO, 2012, p. 88. Grifo do autor).

maçante de maneira a ficarem “condicionados” a leituras rápidas e ocasionais? (DEWEY, 2010, p.28).

Tais perguntas não foram feitas com intuito de condenar nenhum professor, mas sim para ressaltar que na escola os alunos passam por experiências, porém há falhas e imperfeitas quando se levam em consideração suas experiências futuras. Dessa forma, não podemos acreditar que toda experiência é educativa.

A crença de que toda educação verdadeira é fruto da experiência não significa que todas as experiências são verdadeiramente ou igualmente educativas. Experiência e educação não são diretamente equivalentes uma a outra. Algumas experiências são deseducativas. Qualquer experiência que tenha o efeito de impedir ou distorcer o amadurecimento para futuras experiências é deseducativa (DEWEY, 2010, p. 26-27).

Uma experiência pode até ser prazerosa e mesmo assim produzir atitude de negligência e de preguiça. Existem, também, aquelas experiências que, embora agradáveis e excitantes, são desconectadas umas das outras. Essa falta de conexão acaba por gerar hábitos dispersivos e desintegrados, essas experiências mais deseducam do que educam, pois impedem experiências futuras (DEWEY, 2010).

Por isso, com base em Dewey, compreendemos que, antes de se preocupar com uma atividade imediatamente prazerosa, o professor deve se preocupar em proporcionar ao aluno uma experiência que o leve a experiências posteriores.

[...] para o educador é sua tarefa proporcionar situações para que as experiências, embora não provoquem resistência por parte do aluno, mobilizem seus esforços e que além disso, se apresentem em forma de atividades mais do que imediatamente agradáveis, na medida em que estimulem e o preparem para experiências futuras (DEWEY, 2010, p. 28). Nesse sentido, cabe ao professor que pretende alicerçar o processo de ensino e aprendizagem na experiência, selecionar experiências do presente que possam influenciar de forma produtiva e criativa as experiências subsequentes.

Quando o professor utiliza-se de métodos de ensino que possibilitam ao aluno uma aprendizagem cujo pensamento faz com que vejam relações e continuidade que antes não se viam, ele está, dessa forma, criando experiência educativa visto que: “experiência educativa é, pois, essa experiência inteligente, em que participa o pensamento, por meio do qual se vêm a perceber relações e continuidades antes não percebidas” (DEWEY, 1967. p.16).

Uma experiência é educativa quando o ensinar e o aprender são vistos como um contínuo reconstruir das experiências, quando o professor se projeta no futuro e percebe que as experiências atuais influenciam as experiências vindouras.

[...] As experiências para serem educativas, devem levar a um mundo em expansão da matéria de estudo, aqui entendida como sistema de fatos ou informações e ideias. Essa condição é satisfeita somente quando o educador considera ensinar e aprender como um processo contínuo de reconstrução da experiência, ou seja, quando o educador lança seus olhos para o futuro e vê cada experiência presente como uma força em movimento que influencia o que virão a ser as experiências futuras (DEWEY, 2010, p. 91).

Quando uma experiência é educativa, a pessoa aprende a aprender, isto é, aprende a reconstruir ou reorganizar reflexivamente a experiência. Outro aspecto de uma experiência educativa é que ela amplia a capacidade de dirigir bem como de regular as experiências subsequentes (DEWEY, 1959b).

De acordo com Dewey, dizer que alguém sabe como dirigir suas experiências é o mesmo que dizer que ela pode prever melhor o que está porvir, assim o indivíduo prepara-se com antecedência para garantir consequências benéficas e evitar as indesejáveis. Quando sabemos como conduzir nossas experiências não ficamos à mercê do método de tentativas e erros, ao contrário, sabemos:

minudenciosamente do que depende o resultado, podendo verificar se existem as circunstâncias requeridas. Este método amplia nosso entendimento sobre as coisas; pois, se faltar alguma das condições, poderemos, desde que saibamos quais são os necessários antecedentes de um efeito tratar de suprir-lhes a falta; semelhantemente se as condições forem tais que produzam indesejáveis efeitos, poderemos eliminar algumas das causas supérfluas e com isso poupar esforços (DEWEY, 1959b, p. 159). O processo educacional, pautado em experiências educativas, é semelhante ao crescimento, sobretudo quando compreendemos como uma ação contínua. A palavra crescimento não significa, apenas, o desenvolvimento físico, mas intelectual e moral.

A ideia de que o processo educativo pode ser identificado como crescimento, quando compreendido nos termos de sua forma de gerúndio crescendo. Crescimento, ou crescendo no sentido de desenvolvendo, não só fisicamente, mas também intelectual e moralmente, é um exemplo do princípio da continuidade (DEWEY, 2010, p.36).

O princípio de continuidade é um dos critérios para se distinguir as experiências deseducativas das educativas, já que toda experiência atua no sentido de preparar as condições objetivas para a ocorrência de novas experiências, assim como para indicar a sua direção no sentido efetivo de um crescimento geral, social e moral (DEWEY, 2010).

Em se tratando de um ambiente escolar, uma experiência é educativa quando promove mudança no aluno, porém para uma situação melhor mas, para que isso aconteça, a experiência deve estimular a curiosidade e permitir a investigação e levar a conclusões.

Uma experiência, para ser educativa, tem que provocar uma mudança no aluno. Esta pode se dar em termos cognitivos, atitudinais ou até de valores. Para isso, a experiência precisa despertar a curiosidade do aluno, abrindo a possibilidade de uma investigação e de conclusões (AGUIAR, 1999, p.30). Uma experiência educativa, além de estimular a curiosidade, deve fazer com que os alunos tenham vontade de ir à busca de lugares que estejam além de seus limites. Tudo, porém, deve acontecer de forma sensata e equilibrada, pois o valor de uma experiência está intimamente relacionado à para que e para onde ela possa levar os envolvidos no processo. É nesse ponto que o professor, enquanto aquele que tem mais experiência e maturidade atua para direcionar as experiências dos estudantes (DEWEY, 2010).

Vale ressaltar que o fato de o professor ter uma experiência mais ampla não deve ser utilizada para que se imponham formas externas de controle ao aluno. Nesse sentido, o professor deve ser capaz de julgar quais atitudes são favoráveis ao crescimento contínuo e quais são prejudiciais, deve ser capaz de compreender as pessoas como pessoas, deve possuir habilidades que lhe permita ter ideia do que passa pela mente dos que estão aprendendo (DEWEY, 2010). Essas qualidades são essenciais a um professor quando se tem um sistema de ensino pautado na experiência, além dessas qualidades, o professor deve, também, ter em mente que:

uma responsabilidade fundamental do educador não é apenas estar atento ao princípio geral de que as condições ambientais modelam a experiência, mas também reconhecer concretamente que circunstâncias ambientais conduzem a experiências que levam ao crescimento. Acima de tudo, o educador deve saber como utilizar as circunstâncias físicas, sociais existentes, delas extraindo tudo o que possa contribuir para construção de experiências válidas (DEWEY, 2010, p. 41).

Diante disso, o professor precisa, além do conhecimento dos conteúdos a serem ensinados, criar condições ou desenvolver ambientes nos quais os alunos se envolvam em experiências educativas. Segundo Aguiar (1999, p. 32- 33), para que uma experiência seja educativa, é necessário que haja “interação entre o indivíduo que a realiza e o meio. Tal interação ocorre quando o meio se adapta às necessidades e às capacidades do indivíduo e o mesmo se interessa pelo meio”.

O princípio de continuidade e o princípio de interação são os que conferem um sentido educativo à experiência, sendo o professor um dos responsáveis na condução das experiências educativas do aluno, ele deve ser uma pessoa que se preocupe em como as interações acontecem.

A união ativa entre continuidade e interação proporciona a medida da importância e do valor educativo de uma experiência. A preocupação direta

e imediata de um educador é, então, com as situações em que a interação se processa (DEWEY, 2010, p.46)

De acordo com Dewey (2010), o professor deve propiciar aos alunos recursos e ambientes que favoreçam a interação no processo de ensino e aprendizagem. Isto é, cabe ao professor selecionar de forma adequada equipamentos, livros, aparelhos, brinquedos, jogos, materiais com os quais os envolvidos no processo educativo vão interagir e, ao mesmo tempo, o professor deve estar voltado para promover interações que ocorram em um ambiente de ampla organização social. (DEWEY, 2010).

Para que essas interações aconteçam, é importante, também, que os alunos estejam dispostos a aprender e interessados naquilo que é ensinado. Dessa forma, segundo Dewey (2010), o princípio da interação torna claro que tanto a falta de adaptação dos conteúdos às necessidades e capacidade dos indivíduos, quanto a falta do indivíduo em se adaptar aos conteúdos podem tornar a experiência não educativa. Essa falta de adaptação mútua é o que torna o processo de ensino e aprendizagem acidental, pois aqueles que se enquadram dentro das condições oferecidas conseguem aprender, no entanto, os que por algum motivo não se adaptam ao que é estabelecido devem encontrar, por si mesmos, caminhos para que sua aprendizagem aconteça.

Assim, diante de tudo que aqui foi exposto, ficam as perguntas: como tornar menos acidental o processo de ensino e aprendizagem? Como criar ambientes de aprendizagem que propiciam experiências educativas?

Entendemos que uma educação cujo ensino se baseie em experiência pode ser uma das respostas. Então seria interessante compreendermos em que se baseia uma educação cujos fundamentos estão alicerçados na experiência. É o que faremos na seção seguinte.