A seguir apresentamos concepções de estudiosos sobre o que é um Laboratório de Ensino de Matemática objetivando a construção de uma concepção que adequasse se às ideias de Dewey enquanto experiência.
Quando nos referimos ao laboratório de ensino de Matemática – LEM, talvez surge a seguinte pergunta: o que é um LEM? Algumas pessoas o consideram como um lugar para se guardar materiais para serem utilizados nas aulas de Matemática.
Existem diferentes concepções de LEM. Inicialmente ele poderia ser um local para guardar materiais essenciais, tornando-os acessíveis para as aulas; neste caso é um depósito/arquivo de instrumentos, tais como: livros, materiais manipuláveis, transparências, filmes, entre outros, inclusive matérias-primas e instrumentos para confeccionar materiais didáticos (LORENZATO, 2010, p.166).
Reduzir o LEM a um depositório de materiais didáticos é uma ideia restrita, pois, de acordo com Oliveira (1983), o LEM é um local onde se criam situações e condições para levantar problemas, elaborar hipóteses, analisar resultados e propor novas soluções para
questões levantadas. Nessa perspectiva, o aluno é compreendido como um sujeito que participa na construção e consolidação do seu próprio conhecimento.
Turrioni (2003) considera o LEM um recurso para o ensino que se utiliza de um espaço para realizar atividades que favoreçam experiências utilizando aparatos educacionais, como jogos, recursos tecnológicos (calculadoras, computadores etc.) e materiais manipulativos.
[...] Além de se constituir num espaço físico destinado a se guardar materiais didáticos, deve ser um ambiente agradável, onde os presentes se sintam à vontade e dispostos a pensar, criar, construir e descobrir estratégias de Educação Matemática que visem a melhoria do ensino-aprendizagem de Matemática. Nesse ambiente, é importante que o aluno produza o seu material, com a orientação do professor, e não apenas manipule materiais didáticos ou jogos, adquiridos já prontos11 (TURRIONI, 2003, p. 3).
De acordo com Lorenzato (2010), o LEM de uma escola é um importante espaço de experimentação para o aluno e, em especial, para o professor, que tem a oportunidade de avaliar na prática, sem as pressões do espaço formal e tradicional da sala de aula, novos materiais e novas metodologias de ensino.
Para Araújo (2007), o LEM é um ambiente de pesquisa para alunos e professores, em que os recursos instrucionais variados, a criação e a montagem de experiências de ensino e a utilização de materiais manipulativos facilitem a compreensão de conceitos matemáticos. Pressupõe também vivência de abordagens metodológicas diferenciadas com a participação ativa dos alunos, em grupos ou individualmente.
Abreu reconhece o laboratório de Matemática como um espaço propício para:
Oferecer aos alunos um local adequado, onde os mais variados materiais, de preferência confeccionados por eles, estejam disponíveis e possam ser utilizados para o desenvolvimento dos conceitos matemáticos;
realizar atividades de recuperação ao(s) aluno(s) que apresenta(m) dificuldades de raciocínio na construção dos conceitos matemáticos em sala de aula;
fazer o aluno pensar produtivamente;
desenvolver o raciocínio lógico e fazer uso inteligente e eficaz dos recursos disponíveis;
envolver o aluno com as aplicações da Matemática no seu dia a dia (ABREU, 1997, p. 10).
O LEM é um local onde o aluno deixa de ser um espectador no processo de ensino e aprendizagem, ou seja, aquele aluno que, por a maior parte, se restringe em seguir o desenvolvimento das resoluções dos exercícios conforme mostrado pelo professor.
11 Durante a pesquisa de campo os materiais didáticos manipuláveis usados não foram produzidos pelas alunas,
O laboratório é um local de ensino que foi concebido com o propósito de presentear ao aluno uma situação concreta, que o coloque em contato com o conhecimento, que produza ação por parte do aluno e este por sua vez provoque a sua própria aprendizagem. Suas aplicações permitem que os alunos realizem operações e não simplesmente copiem, que participem ao máximo em vez de ser simples espectadores (ROMERO 12 apud GONÇALVEZ; SILVA, s. d., s. p.).
Para Passos (2006), o LEM deve ser um ambiente que possibilite aos seus usuários, realizarem explorações e investigações matemáticas que os levem a descoberta de princípios matemáticos, padrões e regularidades. Dessa forma, a autora define um LEM como um lugar onde ocorre um processo que permite aos alunos desenvolver uma atitude de investigação Matemática.
Dante (2005) defende a criação de um espaço definido como Laboratório de Ensino de Matemática integrado ao projeto pedagógico da escola. O LEM na escola deve ser um espaço de construção coletiva do conhecimento, onde os recursos didáticos criam vida. Nesse espaço, professor e aluno podem dar mais vazão à sua criatividade, os trabalhos nele desenvolvidos são dinâmicos e enriquecem o processo de ensino e aprendizagem. O aluno aprende fazendo. (DANTE, 2005).
No livro Didática da Matemática, Tahan (1962) define o laboratório como sendo uma sala ambiente de Matemática à disposição do professor, onde o ensino dessa disciplina “é apresentado ao vivo, com o auxílio de material adequado à maior eficiência da aprendizagem” (TAHAN, 1962, p. 61).
Araújo (2007) considera que o Laboratório de Ensino de Matemática não é só um lugar onde as pessoas manipulam materiais, desenvolvem experiências e envolvem-se em atividades de aprendizagem; mas é também um processo, um procedimento de ensinar e aprender Matemática. Considera ainda que as atividades realizadas no laboratório devem levar o aluno ao desenvolvimento de atitudes diferenciadas, pois elas devem induzi-los ao pensamento autônomo, tornando-os corresponsáveis pela sua aprendizagem.
A Matemática é uma disciplina de abstração, então se faz necessário aliar teoria e prática para o favorecimento dessa abstração. O laboratório permite que a teoria e a prática caminhem juntas (AGUIAR, 1999).
Rêgo e Rêgo (2010) defendem a importância do trabalho com LEM, seja em escolas de Educação Básica ou em instituições de ensino superior, pois acreditam que esse recurso,
como conector da teoria com a prática, pode propiciar o desenvolvimento da criatividade, da agilidade e da capacidade de organização do pensamento e da comunicação dos alunos.
De acordo com Tahan (1962), o LEM não pode ser visto como um ambiente voltado apenas a atividades lúdicas. É tarefa do professor mostrar aos alunos que a finalidade das atividades realizadas nesse espaço devem levá-los a raciocinar no campo abstrato, melhorando a sua capacidade de compreensão dos conteúdos matemáticos.
Assim, “o professor de Matemática que dispõe de um bom laboratório poderá, com a maior facilidade, motivar seus alunos por meio de experiências e orientá-los, mais tarde, com a maior segurança, pelo caminho das pesquisas abstratas” (TAHAN, 1962, p.62).
O LEM, assim como qualquer outro recurso, não irá solucionar todos os problemas no ensino e na aprendizagem da Matemática, mas ele pode contribuir para essa atividade.
O importante no uso do laboratório não é criar grandes obras, nem apelar para as salas-ambientes como um recurso para resolver todos os problemas, mas é, de acordo com as possibilidades de cada escola, favorecer as condições de trabalho para o professor, para que o mesmo possa ter uma estrutura que facilite a construção do conhecimento (AGUIAR, 1999, p. 146).
Para Aguiar (1999), o Laboratório de Matemática, por ser um local em que se encontram diversos materiais, pode ser um recurso que auxilia o ensino teórico da Matemática, porém não basta apenas que os materiais nele disponível sejam manipulados, olhados, observados visto que essas ações são o início de toda atividade que envolve o uso de materiais. O laboratório deve ser um local que proporciona a reflexão, o questionamento, a investigação e a conclusão, pois essas ações favorecem a construção do conhecimento.
Para Turrioni, (2010) o LEM é um local estruturado para desenvolver experimentos matemáticos e outras atividades práticas. Para o autor, a própria sala de aula pode ser um LEM quando nela o processo de ensino acontece de forma diferenciada, quando há movimentação, discussão e utilização de materiais didáticos e métodos investigativos em Matemática, que resultam em uma melhora no aprendizado.
O laboratório deve ser um local destinado ao trabalho e produção do aluno, onde ele possa discutir, refletir, investigar e expor suas ideias por meio das suas produções, ou seja, por meio de atividades que os alunos executem com sua capacidade e habilidade. Dessa forma, a sala de aula pode ser considerada como um laboratório, portanto o professor deve transformá-la em ambiente que propicie a compreensão de conceitos matemáticos. O primordial é garantir que o aluno seja participativo, atuante, que seja visto em sua individualidade. No laboratório, o professor deve proporcionar a integração entre os alunos e
as discussões das experiências vividas nesse espaço sejam elas de ordem intelectual, social ou econômica (AGUIAR, 1999).
Ao propormos nessa dissertação a utilização de uma sala organizada especificamente para o ensino da Matemática temos a intenção de que ela seja um ambiente no quais professores e alunos possam realizar as suas experiências. No que diz respeito aos estudantes, esperamos que as experiências ocorridas nessa sala de Matemática os possibilitem a atribuírem significados a conceitos matemáticos.
2.4 Um Laboratório de Ensino de Matemática ressignificado como uma sala de