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Tilstedeværelse der en forbrytelse antas å være begått

In document Innbringelse etter politiloven § 8 (sider 37-42)

A participação de Emilia Pardo Bazán no jornalismo é marcada pela intensidade, como acontece na produção ficcional. Na condição de colaboradora escreve artigos de opinião, critica literária, impressões de viagem, além de textos ficcionais divulgados com regularidade nos jornais e revistas. Os trabalhos publicados em periódicos superam o número de dois mil, segundo os cálculos de Ruiz-Ocaña (2007, p. 101), e superariam uma centena os periódicos que, em algum momento, publicaram um texto de Pardo Bazán, segundo afirma Cristina Patiño (2007, p. 163), em uma revisão de trabalhos efetuados por vários especialistas da obra da condessa. Alguns títulos podem ser vistos a seguir: Revista Compostelana, Almanaque de Galicia, El Heraldo Gallego, Diario de Lugo, La Gaceta de Galicia, La Voz de Galicia, La Ciencia Cristiana, Revista De España, ABC, El Imparcial, El Liberal, La Esfera, La Época, Boletín da la Institución Libre de Enseñanza, La Ilustración, La Ilustración Ibérica, La Ilustración Artística, La Semana, Nuevo Teatro Crítico, La España Moderna, Blanco y Negro, La Ilustración Moderna, La Ilustración Española y Americana, El Correo Militar, Raza Española, La Nación, de Buenos Aires, Pictorial Review, de Nova York, Diario de la Marina, de La Habana, Follas Novas, Diario Ilustrado de Lisboa, entre outros.

A freqüente participação de dona Emilia como colaboradora de periódicos não significa que seus sentimentos com relação à imprensa sejam tranqüilos. As pendências existem e Pardo Bazán, em citação de Ruiz-Ocaña (2007, p. 115) as manifesta, como se pode ver nessas opiniões sobre a confiabilidade que merecia a imprensa, quando diz em um artigo de La Ilustración Artística de 4/8/1913: “me pregunto qué van a saber de nosotros nuestros nietos, si nos estudian en la prensa”, para afirmar o contrário no artigo seguinte, no mesmo jornal, em 18/8/1913: “Siempre repetiré que mi única fuente de información es la prensa, pero la prensa, sabiendo leerla, informa con gran seguridad”. As afirmações estão descontextualizadas e, portanto, não oferecem as condições ideais para a recepção, mas é possivel pensar que, apesar do inegável paradoxo dos dois juízos emitidos em tão curto espaço de tempo, há algumas nuances que ajudam a esclarecer as opiniões: na primeira declaração dona Emilia usa um tom meio jocoso, que sempre possibilita interpretação variada e na segunda, a afirmativa contém uma condição “sabiendo leerla”, que altera o tom categórico do encômio. É necessário “saber ler”, isto é, a construção do sentido do texto depende da contribuição do leitor, idéia que se aproxima da Estética da recepção, com a defesa dos preenchimentos dos vazios pelo leitor.

A perseverança de Pardo Bazán em divulgar a literatura por meio dos periódicos ajuda a fazer chegar a mais gente uma produção que poucos valorizavam. Ela deixa sempre clara sua intenção de alcançar o público em geral, lutando contra os preconceitos existentes, mas muitas vezes tinha de enfrentar dificuldades que exorbitavam de sua área de atuação, como o fato de não poder contar com um público leitor à altura de suas aspirações. Já se comentou neste trabalho o problema crucial de uma Espanha que apresentava um índice de

analfabetismo muito alto. No artigo “Literatura y prensa periódica en Espana en tiempos de Pardo Bazán, Alonso (2007, p. 25) anota que “a potencialidade leitora dos reduzidos 25% da população alfabetizada era afetada negativamente pela difusão desigual da imprensa: 44% dos meios estavam em Madri; só 16% em Barcelona; o restante estava atomizado em proporções mínimas.” O desejo de atingir aos leitores de todos os lugares e classes choca com a realidade da população que segue sem os instrumentos de acesso à leitura de qualidade. Se apenas ¼ das pessoas estavam aptas à leitura e desse total 60% estavam nas duas grandes cidades, eram poucos os leitores que se espalham pelas demais regiões espanholas. Há de se pensar também nos cidadãos que, embora considerados alfabetizados para fins estatísticos, podem não estar preparados para textos mais sofisticados ou simplesmente não se interessam por esse tipo de leitura. Mas pelo número estimado de textos publicados, percebe-se que a condessa não desiste nunca de seu objetivo de ser uma mulher de letras, de divulgar a cultura e a beleza e de ganhar a vida com a escrita.

Diante desse quadro o que se pode dizer do tipo de literatura que se publica nos jornais espanhóis na segunda metade de século XIX? O cânon jornalístico não está definido e não se tem muita clareza da linha divisória entre a literatura e o jornalismo, e para Paelnque, em citação de Ruiz-Ocaña (2007, p. 91), não se distingue facilmente entre “ser jornalista e literato, construir ficção e difundir informação, entre a tribuna política ou a cátedra e a imprensa”. A praxe de se usar, no século XIX, o mesmo meio para a veiculação dos textos ficcionais e dos jornalísticos provoca a dificuldade de determinar com precisão o cânon jornalístico. Na evolução do jornalismo em direção à definição de suas características, a primeira fase é marcada pelo molde literário, e a segunda por um caráter fortemente

ideológico, em que os comentários de opinião predominam e as informações são escassas. Segundo Paz Gago (2007, p. 193), a ênfase na informação define o jornalismo empresa, com a chegada ao ponto considerado a Idade de Ouro do gênero, no último quarto do século XIX, quando se registra o grande desenvolvimento dessa forma de escrita, que atinge a maturidade, com a liberdade garantida pela política liberal da Restauração.

Como separar-se a Pardo Bazán escritora, que utiliza o jornal para divulgar seus textos criativos, da jornalista propriamente dita, que tinha de estar atenta aos assuntos, e consciente de era preciso estar nos lugares em que os fatos aconteciam, para realizar competentemente o trabalho de repórter, de fornecedora de notícias? Esse amálgama da literatura com o jornalismo tem como conseqüência a dificuldade de se classificarem claramente como contos, artigos, episódio, ou quadros de costumes muitos textos de Pardo Bazán e de outros autores seus contemporâneos. Como anota González Herrán (2007) “nem Alas, nem Pardo, nem seus leitores, nem os diretores daqueles periódicos se questionavam (ao menos não em termos de “denominação” que tanto nos importa hoje) se suas colaborações em El Solfeo [...] eram “contos”, “artigos” ou outra coisa.” A indefinição genérica se verifica na existência de textos que aparecem como artigo em jornal e depois são recopilados em livro de contos, adquirindo o caráter de relato. A filiação do texto a um ou a outro gênero vai depender, em última análise, do contrato entre o autor ou o editor e o público, pois tomam-se, por exemplo, como conto alguns textos de Pardo Bazán, que a rigor, não respondem às indicações do que seria um conto, como a presença de um argumento, da descrição e do diálogo, que se encontram, em contrapartida, em textos catalogados como artigos jornalísticos.

Pardo Bazán publica em jornais seus romances, entregues por capítulos, seus contos, alguma poesia e ensaios literários; é diretora das revistas Revista de Galicia e Nuevo teatro critico, e é também jornalista, desempenhando o papel de articulista e enviado especial. No último caso, pode-se citar o trabalho que desempenha para El Imparcial, no final de 1887, na cobertura do Jubileu de Leão XIII. Em 1888 faz a cobertura da Exposição de Paris para El Correo Español de Buenos Aires; em 1900 escreve sobre a Exposição Universal de Paris para El Imparcial.

Em 1890 dona Emilia trabalha no projeto de criação da revista Nuevo Teatro Crítico, que tem 30 números, saídos entre 1 de janeiro de 1891 e 30 de dezembro de 1893. O título é uma homenagem ao seu admirado padre Benito Jerónimo Feijoo, autor da obra Teatro Crítico Universal, cujos nove volumes são publicados entre 1726 e 1740. A criação da revista é mais uma das atitudes empreendedoras da autora, que se responsabiliza integralmente pelo projeto. É a diretora da publicação, escreve todas as seções e se responsabiliza pela parte financeira; enfim, aquela é a sua revista e nela deposita suas forças e o dinheiro que herda do pai. Esse fato merece registro, se levamos em conta que Pardo Bazán não considera a escritura como um deleite ou uma fantasia, mas como uma profissão da qual quer colher resultados financeiros que lhe permitam sustentar-se a si e aos filhos. É conhecida a franqueza da condessa ao tratar da remuneração de seu trabalho, como se pode ver na carta que escreve a Rafael Altamira (1908) sobre novo trabalho na Revista Internaciona, em citação que tomo de Ruiz-Ocaña (2004, 24):

Quisiera saber si la colaboración es accidental o fija y mensual, y a quién y donde se envían los originales, y quién y cómo efectúa el pago de ellos. Mi precio general es a dos duros o poco más la cuartilla mía, y para que V. se forme idea le diré que siete u ocho cuartillas son los cuentos que publican El Liberal y El Imparcial.

Todo o empenho da autora em prol do sucesso do Nuevo Teatro Crítico foi inútil. Ela não obteve o resultado esperado e teve de abrir mão do sonho de ter sua própria revista, encerrando-se a publicação do periódico, que ela conseguiu manter por três anos. O esforço empregado para a tarefa era gigantesco, se imaginamos que, ao mesmo tempo que leva adiante seu projeto, publica os romances Una cristiana (1890), La prueba (1890), La piedra angular (1891) os livros de contos Cuentos escogidos (1891), Cuentos de Marineda (1892), livros de ensaios, como La educación del hombre y de la mujer (1892). Em 1893 publica Recuerdos del centenário rojo. Luis XVII e Juicio crítico del drama. Publicado entre 1º de janeiro de 1891 e 30 de dezembro de 1893 o Nuevo Teatro Crítico, cujas seções eram integralmente escritas por dona Emilia, chega ao número 30. Na capa (face de trás) do número 3 aparece uma “Advertencia al Lector”, onde se lê que a revista terá cem páginas e sairá doze vezes ao ano. Informa-se ainda que nas seções fixas haverá um conto ou romance; um estudo critico literário sobre livros, drama ou comedias recentes, biografias, necrologia de autores ilustres, nacionais e estrangeiros. Haverá ainda um estudo sobre uma questão social ou política da atualidade. As seções variáveis versariam sobre viagens, história, movimento religioso, crônicas diversas. Pode-se saber ainda o tamanho da publicação, o preço e a forma de subscrição, bem como o endereço para correspondência e envio de livros (PARDO BAZÁN, 2007c). Essas previsões são seguidas bastante fielmente: as seções se mantém em todos os números, mas não há 12 números a cada ano. O último número contém trezentas em lugar das cem páginas anunciadas na advertência ao leitor, e nele aparecem vários contos, provavelmente porque a editora queria aproveitar o veículo de que já não disporia em seguida para dar vazão aos seus escritos.

A revista número 3 (março de 1981) traz o artigo La Cuestión Acadêmica, no qual se dirige a Rafael Altamira, secretario del Museo Pedagógico, para agradecer que ele tenha comentado sua (dela) candidatura à Academia. Isso lhe dá a chance de dizer que há um ano e meio, portanto desde 1889, tinha publicado um artigo que saiu na França e que dá conta da sua posição diante da impossibilidade de fazer parte da Academia: “Si a título de ambición de ambición personal no debo insistir ni postular para la Academia, en nombre de mi sexo creo que hasta tengo el deber de sostener, en el terreno platónico, y sin intrigas ni complots, la aptitud legal de las mujeres que lo merezcan para sentarse en aquel sillón, mientras haya Academia en el mundo” (PARDO BAZÁN, 2007c, p. 65). Pardo Bazán aventa a hipótese de ser negado o direito de ser acadêmica a ela particularmente e de não ser portanto, como parece, uma negativa do direito feminino. Diante dessa possibilidade, renuncia a reivindicar um assento na Academia, mas solicita a Altamira e a outros intelectuais sensibilizados pela situação “que no abandonen la cuestión académica femenina; que me ayuden en ella; que me presten ánimo, cooperación, auxilio. Porque franca ya del enojoso aspecto personal que para mí revestía, dispuesta estoy a remover siempre esa cuestión, a no dejarla dormir ni un instante”. Propõe, então, como candidata à Academia a Concepción Arenal, “señora ilustre, cuyos trabajos jurídicos, penitenciarios y sociológicos han conseguido fijar la atención de los jurisconsultos italianos y los pensadores alemanes, obteniendo los honores de la traducción, del comentario y de la atención más respetuosa” (PARDO BAZÁN, 2007c, p. 69). Prevendo que Dona Concepción não se entusiasme com a idéia da Academia, por “su desprendimiento de toda vanidad y de toda aspiración a honores y títulos”, Pardo Bazán pensa convencê-la com o argumento de que “al sostener su derecho sostiene el de la “mujer del porvenir” y prepara las reformas

futuras, las que sancionará el siglo XX, probablemente el siglo de la mujer rescatada” (PARDO BAZÁN, 2007c, p.71). Pardo Bazán não se exime a si mesma, nem a outras intelectuais em cuja competência ela acredita, do compromisso com o desenvolvimento das mulheres em geral, e mostra suas expectativas de melhoria desse estado em que se encontra a parte feminina da história num futuro próximo.

No número 4 da revista, no artigo “Signo de los tiempos”, a autora cria ficcionalmente um “Lector de Coria” que lhe escreve, analisando as críticas que ela teria feito, em missiva anterior, aos trajes usados por Pantorrillas no banquete a ele oferecido por Antonio Cánovas del Castillo. Victorino Fabra, conhecido como Pantorrillas por usar sempre calças curtas, é cacique da Diputación de Castellón entre 1874 e 1892, e Cánovas é um dos mentores da Restauración e dirigente máximo do Partido Conservador espanhol. Na resposta à carta o leitor/escritor vai desfiando acontecimentos que têm lugar no governo: “ […] la exterioridad del traje es el Inri afrentoso que pregona a toda España el estado de nuestras costumbres políticas.” Estranha que a colunista se escandalize com os acontecimentos porque “(n)o hay encándalo donde nadie se escandaliza […] y no hay ofensa a la consciencia pública donde a nadie le importan dos cuartos de ajonjolí tales sucesos” (PARDO BAZÁN, 2007c, p. 80-81). Pardo Bazán usa uma afronta (INRI) exterior, a roupa meio ridícula daquele dirigente para levantar questões graves e urgentes, valendo-se para isso do gênero missiva, que lhe permite fazer a defesa dos pontos que, imagina antecipadamente, serão objeto de ataque dos adversários, estratégia usada com freqüência pela romancista, acostumada talvez à depreciação de muitos. Enfim, como em outros jornais e revistas, dona Emilia escreve no Nuevo teatro Crítico sobre diversos assuntos, usando os diferentes gêneros: o romance, o conto, a crônica, o artigo jornalístico e a carta, como no texto visto aqui.

El Heraldo Gallego, da província de Orense recebeu os primeiros artigos jornalísticos de Pardo Bazán. Vinculada à província por seu casamento com don José Quiroga, a autora, então com 23 anos, começou nesse periódico a longa carreira de mulher de letras. Entre 28 de outubro de 1875 e 23 de outubro de 1880, tempo em que colaborou com aquele jornal, a autora publicou um total de 44 entregas (SOTELO VÁZQUEZ, 2007, p. 209). Composições poéticas foram as primeiras colaborações da condessa, que participou também com estudos literários, artigos e quadros de costumes. Sotelo dá notícia também do que chama de artigo metaperiodístico, no qual Pardo Bazán trata de questões relacionadas ao exercício do jornalismo, além da presença de estudos históricos e de crônicas.

Outra importante participação da Pardo Bazán é a que se efetiva no seminário barcelonês La Ilustración Artística, para o qual Pardo Bazán dá sua contribuição, durante mais de 30 anos, desde 1885 até 1916, quando os trabalhos da revista são encerrados. Ruiz-Ocaña (2004) faz um levantamento dos escritos de Pardo Bazán na revista, enfocando o período 1895-1916, quando ela apresentava sob o título de La vida contemporânea crônicas que chegaram ao numero de 564 textos (RUIZ-OCAÑA, 2004, p. 13). A estada da condessa na Ilustración coincide com o período de grande efervescência que o fim do século XIX e início do XX significam, com acontecimentos como o desastre de 98, no qual a Espanha perde na Guerra com os Estados Unidos suas últimas colônias ultramarinas, Cuba, Porto Rico e Filipinas. A ascensão de Alfonso XIII, os inventos da modernidade e a Primeira Guerra Mundial são ocorrências que sensibilizam os espanhóis de uma maneira geral e os escritores de forma especial. Na coluna que assina no semanário, Pardo Bazán atua com total liberdade, publicando temas variados, sob diferentes formas textuais, entre os quais crítica literária, artigos sobre as questões sociais, como o

feminismo, a diversão e os textos de viagens, assunto sempre tão caro à escritora. Os relatos também têm seu espaço nessas colaborações: contos como Piña, El

molino, El aljófar, Tia Celesta, El Belén e a novela (romance breve) El áncora. As

conseqüências da guerra travada pela Espanha na luta pela manutenção das colônias ultramarinas também são registradas pela autora no seu trabalho junto a La Ilustración Artística, com “artigos de tom patriótico e noventayochista” (RUIZ- OCAÑA, (2004, p. 135). Reafirmando a quantidade e a diversidade da sua obra, Pardo Bazán mostra também na revista barcelonesa a sua capacidade de atuação, deixando com seu trabalho um documento importante da sociedade espanhola do período compreendido entre o final do século XIX e início do século XX.

Em trabalho sobre o papel que a imagem desempenha no periódico “La IIustración Española y Americana”, Silvia Cárcamo (2001, p. 1) observa que o discurso assumido por essa publicação responde à exigência criada pelos “avanços tecnológicos”, e pela “lógica do consumo própria das leis de mercado”. La Ilustración e outras revistas do gênero investiam na qualidade visual oferecida para atender à expectativa de leitores ansiosos por novidades que os avanços tecnológicos podiam proporcionar. Para Silvia Cárcamo por meio das imagens pode-se detectar a modernidade que a indústria gráfica espanhola alcançou na época. Nas páginas desses periódicos o leitor podia encontrar o reflexo das principais características da modernidade que, segundo Bruner (2002, p. 174), se identifica, entre outros fatores, pelo acúmulo de conhecimento, pelo desenvolvimento da ciência e da tecnologia e pela revolução da informação e da tecnologia.

Nesse clima de modernidade mesclam-se nas páginas das revistas ilustradas imagens, textos, crônicas, artigos e também textos ficcionais (CÁRCAMO, 2001, p. 1 ). Como a maior parte dos textos ficcionais dos escritores de então, também os de

Pardo Bazán costumavam ter sua primeira apresentação em jornais e revistas. À guisa de exemplo, cito alguns títulos publicados em La Ilustración Española y Americana: Si, senor (n. 1909); Cuento de Navidad (n.1565, 1911); Un poco de

ciencia (n. 31, 1909); Bajo la losa (n. 28, 1909); La casa del sueño (n. 12, 1911); El legajo n. 5, 1913); La señorita Aglae (n. 1, 1913); Antiguamente (n. 27, 1913); Reconciliados (n. 18, 1914); El escondrijo (n. 30, 1910). El molino (n. 940, 1900).

Em La Ilustración Artística anotamos os contos Pina (n. 447, 1980); Casuística (n. 551, 1892); El aljofar (n. 1044, 1902) e La cita (n. 48, 1909).

Falando de Modernidade, Bruner (2002, p. 174) assinala a dificuldade de se determinar a duração desse período da História. De acordo com o crítico, tanto o seu princípio quanto o seu término estão sujeitos à adoção de alguns parâmetros. De acordo com o movimento social com que se relacione — Reforma protestante, Revolução Francesa, revolução industrial ou o modernismo estético — pode-se localizar o início da modernidade no século XVI, XVII, XVIII ou entre XIX e XX. Igualmente flutuante, a data do fim da modernidade está pautada pelos fenômenos sociais que se considerem: o surgimento da sociedade pós-industrial, a revolução da informática, o fim do socialismo burocrático ou a globalização dos mercados, fatos que marcam a desconstrução dos grandes recits da modernidade (BRUNER, 2002, p. 174).

Segundo Toulmin (apud BRUNER, 2002, p. 174), para a narrativa estândar, a modernidade se estabelece com o surgimento no século XVII dos “novos e poderosos modos racionais de pensar a natureza e a sociedade”. Economia, Política, Comunicação e Cultura são parâmetros utilizados pelas diversas correntes na fixação do espaço temporal dentro do qual se encaixa a modernidade. A passagem de uma vida que girava em torno da pequena comunidade, na qual os

crenças eram sólidas e os padrões firmemente determinados, à outra, em que todas as certezas tinham de ser revistas, desde as novas regras de mercado, em que o trabalho passaria a ser vendido, por exemplo, até as novas regras de convivência pessoal, significava a insegurança. Agora “tudo que era sólido se desmanchava no ar”, com o capitalismo que apontava para o consumo (BRUNER, 2002, p. 176). As transformações profundas e rápidas envolviam as pessoas que tinham de adaptar- se com rapidez à vertigem dos novos tempos. Para Berman, citado por Bruner (2002, p. 176) a modernidade significa a oscilação constante entre o bem-estar e a

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