De acordo com McCarthy (2006), a classificação em ciências sociais pode ser teórica ou empírica. Na teórica, parte-se de uma teoria de classificação para uma tipologia. Na empírica, se recolhem dados das empresas para construir a classificação. Neste estudo foi utilizada a classificação empírica, buscando nas informações das empresas de software da região metropolitana de São Paulo os dados que posteriormente foram submetidos aos métodos estatísticos.
O que se buscou neste estudo foi o seguinte caminho para atingir o objetivo de caracterizar os grupos de empresas diferentes dentro de um mesmo grupo de atividade econômica: Classificar empresas é identificar diferenças e agrupar as homogêneas Identificando os atributos que possam
ser comparáveis Mas como identificamos as diferenças? São características objetivas (tangíveis) ou subjetivas (intangíveis) -> dimensões O que são os atributos das empresas? Identificamos apenas os atributos da forma objetivos (internos e externos) Usamos questionário que visa perguntar aspectos objetivos das
empresas de software
Para cada pergunta (variável) do questionário atribuímos uma dimensão da forma
Encontramos os fatores que são homogêneos entre empresas Que caracterizam a FORMA ORGANIZACIONAL de uma empresa
?
?
Agrupamos e classificamos as empresas divididas pelas dimensões encontradasFigura 2: Caminho utilizado para classificar empresas de software-região metropolitana de São Paulo
Fonte: Elaborado pelo autor com base nos atributos encontrados nas diversas definições de forma organizacional do referencial teórico e nos dados da pesquisa das 100 empresas de software da região metropolitana de São Paulo (MEIRELLES; BASSO; PACE, 2008).
A forma organizacional foi identificada para este estudo de acordo com dimensões (ou atributos) objetivos, ligados à perspectiva interna ou externa à organização. Foram utilizados fatores ligados à estrutura organizacional formal, processos, definição formal de controle (percepção objetiva), como estabelecem os autores Hannan e Freeman (1986).
Foram utilizadas apenas dimensões (ou atributos) da forma organizacional objetivos (como tipo de sociedade, nichos de recursos, competências, etc.). Não se usaram atributos subjetivos, como cultura organizacional, por exemplo, porque seria necessário outro tipo de pesquisa/questionário.
Inicialmente a análise foi realizada com as 72 variáveis que continham informações para todas as empresas do estudo ou, pelo menos, para a grande maioria delas. As variáveis utilizadas estão apresentadas na tabela a seguir:
Tabela 10 - Variáveis utilizadas no questionário original da pesquisa com empresas de software da região metropolitana de São Paulo (MEIRELLES; BASSO; PACE, 2008)
1 Idade
2 Tempo que trabalha na empresa 3 Tamanho (Número de funcionários) 4 Tipo de Sociedade
5 MKT Share
6 Participação de empresas estrangeiras no setor 7 Posicionamento CUSTO/PREÇO
8 Posicionamento PRAZO
9 Posicionamento QUALIDADE 10 Posicionamento INOVAÇÃO
11 Posicionamento IMAGEM DA MARCA 12 Posicionamento PRAZO DE ENTREGA 13 Posicionamento PÓS-VENDA
14 Posicionamento PROXIMIDADE GEOGRÁFICA 15 Posicionamento ESCOLHA DO NICHO
16 Posicionamento ADEQUAÇÃO DO PRODUTO AO CLIENTE 17 Posicionamento em relação ao concorrente CUSTO/PREÇO 18 Posicionamento em relação ao concorrente PRAZO 19 Posicionamento em relação ao concorrente QUALIDADE 20 Posicionamento em relação ao concorrente INOVAÇÃO
21 Posicionamento em relação ao concorrente IMAGEM DA MARCA 22 Posicionamento em relação ao concorrente PRAZO DE ENTREGA 23 Posicionamento em relação ao concorrente PÓS-VENDA
24 Posicionamento em relação ao concorrente PROXIMIDADE GEOGRÁFICA 25 Posicionamento em relação ao concorrente ESCOLHA DO NICHO
26 Posicionamento em relação ao concorrente ADEQUAÇÃO DO PRODUTO AO CLIENTE 27 Diferenciação da base tecnológica
28 Diferenciação do produto 29 Importância da própria marca
30 Influência no custo e barreira de entrada a concorrentes CAPACIDADE INSTALADA 31 Influência no custo e barreira de entrada a concorrentes USO DE TECNOLOGIA ESPECÍFICA 32 Influência no custo e barreira de entrada a concorrentes ACESSO PRIVILEGIADO A FORNECEDOR 33 Influência no custo e barreira de entrada a concorrentes PRODUTIVIDADE DA MÃO DE OBRA 34 Influência no custo e barreira de entrada a concorrentes PRODUTIVIDADE EQUIPAMENTOS
35 Influência no custo e barreira de entrada a concorrentes ESPECIFICIDADE DAS RELAÇÕES COM CLIENTES 36 Influência no custo e barreira de entrada a concorrentes MÃO DE OBRA ESPECIALIZADA
37 Influência no custo e barreira de entrada a concorrentes VOLUME DE PRODUÇÃO 38 Barreira de entrada capital estrangeiro REGULAMENTAÇÃO
39 Barreira de entrada capital estrangeiro CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO 40 Barreira de entrada capital estrangeiro PARTICULARIDADE DA DEMANDA 41 Barreira de entrada capital estrangeiro PROXIMIDADE GEOGRÁFICA 42 Barreira de entrada capital estrangeiro ACESSO A FINANCIAMENTO 43 Pioneirismo tecnológico
44 Ano de adoção tecnologia (Idade da tecnologia) 45 Grau de importância P&D
46 Grau de importância MARKETING 47 Grau de importância FINANCEIRO 48 Grau de importância COMPRAS 49 Importância do fornecedor 50 Complexidade das tarefas
51 Participação SÓCIO/PROPRIETÁRIO 52 Participação EMPREGADO COM CARTEIRA 53 Participação AUTÔNOMOS
54 Número de clientes 55 Poder do principal cliente 56 Poder dos 3 principais clientes 57 % vendas com novos clientes
58 Nível de informação dos clientes SUAS PROPRIAS NECESSIDADES
59 Nível de informação dos clientes AS CARACTERISTICAS TECNICAS DE SEUS PRODUTOS 60 Nível de informação dos clientes SEUS PROCESSOS DE PRODUCAO
61 Existe contrato formal 62 Custos de substituição de cliente 63 Investimentos 64 Faturamento em 2003 65 Receita Bruta 2000 66 Receita Bruta 2001 67 Receita Bruta 2002 68 Receita Bruta 2003
69 Receita Líquida de Vendas / Total de ativos em 2002 70 Receita Líquida de Vendas / Total de ativos em 2003
71 % Lucro Operacional sobre a Receita Bruta de Vendas (ROS) em 2002 72 % Lucro Operacional sobre a Receita Bruta de Vendas (ROS) em 2003 Fonte: MEIRELLES; BASSO; PACE, 2008
A identificação das dimensões das formas organizacionais foi realizada a partir do uso da técnica estatística de análise fatorial, com o intuito de verificar variáveis relacionadas, criando fatores a partir destas relações. Este tipo de análise tem o objetivo de reduzir a dimensionalidade dos dados (variáveis), agrupando os itens mais correlacionados em fatores (domínios). O método utilizado foi o de componentes principais.
Encontrados os fatores principais das empresas pesquisadas, se partiu para o agrupamento de acordo com as dimensões estudadas, usando a análise de cluster, com o objetivo de criar grupos cujas empresas dentro de cada grupo sejam o mais homogêneas possível e mais heterogêneas possível entre os grupos. A técnica estatística utilizada para realizar o agrupamento foi a de cluster em dois passos e foi utilizada como medida de distância a técnica de máxima verossimilhança.
4 ANÁLISE DOS RESULTADOS