DEL III: CASE STUDIER
5.1 Tilrettelegging for MU på fylkesnivå
Gráfico 5 – O que mais gostam de fazer na escola
Fonte: Pesquisa de campo.
A escola é vista como um espaço importante para a vivência do encontro com os pares e a promoção da sociabilidade. O que eles mais gostam de fazer nesse ambiente é encontrar/conversar com os amigos (40%), assistir às aulas (39%), conversar com os professores (8%,) encontrar com o namorado(a) (5%), fazer bagunça (4%), comer (3%), outras atividades, como jogar bola e estudar (1%).
40% 39% 8% 5% 4% 3% 1% Encontrar/conversar amigos Assistir às aulas Conversar com os professores Encontrar com o namorado(a) Fazer bagunça Comer Outro (jogar bola, estudar)
Eles veem a escola como um espaço social, um local de encontro e convivência com os professores e com os amigos. Por não terem acesso a outros locais de socialização, a escola cumpre esse importante papel e torna-se um lugar privilegiado para se fazer amigos, namorar e “jogar conversa fora”. É um lugar onde a identidade e a individualidade são construídas. Na opinião de Brenner, Dayrell e Carrano (2008, p. 208) é necessário que a escola reconheça essa importância “atentando para a dimensão educativa da sociabilidade que se faz em espaços de encontro entre pares não regulados pelos adultos”.
Questionados a respeito do que não gostam na escola, obtivemos as seguintes respostas: dos professores chatos, incapacitados para dar aula, mal-humorados e descompromissados (28%); falta de estrutura/deficiências da escola: quadra, laboratório, pintura, biblioteca, salas de aula (21%); alunos desrespeitosos, indisciplinados, desinteressados e briguentos, que vêm para a escola só para fazer bagunça (17%); falta de respeito e apoio da direção e equipe pedagógica (12%); aulas de matemática (7%); sala de aula/assistir aulas/aulas chatas (8%) e da sujeira nos banheiros (7%).
Outros aspectos citados isoladamente a respeito do que eles não gostam na instituição escolar foram: ensino por blocos62, uso do uniforme, câmeras, falta de educação e estupidez de professores, diretor e funcionários, pedagoga que não tem respeito pelos alunos, falta de empolgação de alguns professores, professores que só estão na escola “para bonito” (no sentido de que eles estarem presentes ou não, não faz muita diferença), professores rígidos demais, professores que pensam que são os pais do aluno, professor que falta, professor que dá aula com pouco conteúdo, ensino fraco. Não gostam das aulas de grande parte das disciplinas como, por exemplo, Matemática, Física, Química, História, Biologia, Filosofia, Inglês, Português.
As respostas dadas a essa questão parecem fornecer uma avaliação mais contundente a respeito da qualidade do ensino que é oferecido pela escola, o que nos leva a questionar as altas notas atribuídas à instituição escolar em que estudam, apresentada no gráfico 4, pois, nesse momento, eles conseguem expressar com um pouco mais de clareza que não gostam: do
62 O ensino por blocos foi implantado pela SEED – Secretaria Estadual de Educação do Paraná em 2009, com
o objetivo de diminuir a evasão escolar no Ensino Médio. Na época de sua implantação, a taxa de evasão, só no primeiro ano do Ensino Médio, era de 13,7% dos alunos, segundo estudos da SEED. Nesse modelo, as disciplinas são oferecidas em dois blocos anuais: em um dos semestres, os alunos aprendem Biologia, Educação Física, Filosofia, História, Língua Estrangeira e Português. No outro, Artes, Física, Geografia, Matemática, Sociologia e Química. Com as disciplinas mais concentradas, o aluno que reprova por faltas, por exemplo, não perde um ano inteiro de estudos e pode repor as matérias em que reprovou no contraturno do semestre seguinte, paralelamente às disciplinas do outro bloco. Porém, o modelo não é unanimidade entre as escolas e muitas delas já estão retornando ao modelo tradicional. Uma das principais queixas é a de que o modelo prejudica os alunos que pretendem prestar o vestibular e o ENEM.
despreparo e descompromisso do professor para dar aula (que na sua maioria são chatas, os professores são desmotivados e incapacitados para ministrar aulas), das deficiências
estruturais da escola (cuja principal reclamação está relacionada à ausência de quadra esportiva, na sua condição precária de uso, ou então a aspectos relativos a conforto e falta de higiene nos banheiros, falta de laboratórios, equipamentos e biblioteca), da indisciplina de
alguns alunos (e também no fato de terem que cumprir a regra da escola), das provocações e
da bagunça em sala de aula que incomodam e prejudicam o desempenho de quem quer
aprender e, finalmente, da inércia da equipe de gestão escolar (a direção da escola é vista por eles como um cargo muito importante, mas nem sempre exercido com eficiência).
Gráfico 6 — Espaços da escola em que mais gostam de ficar
Fonte: Pesquisa de campo.
Quanto aos espaços da escola em que mais gostam de ficar, 34% dos alunos afirmaram que preferem ficar no pátio, 24% na sala de aula, 19% na quadra, 11%, corredores, 5% laboratório, 3% entrada da escola, 3%, na sala de informática, 1% outro (biblioteca, cantina, banheiro). Tais percentuais demonstram que, na sua maioria, os alunos não frequentam a escola com o único interesse de estudar e que o espaço escolar constitui-se realmente em um espaço e tempo de sociabilidade juvenil.
De modo geral, foi possível constatar através das observações que as escolas são separadas do seu entorno por muros, cercas ou grades e que todas elas têm alguma forma de controle do portão de entrada que dá acesso ao seu interior. A entrada e saída dos alunos são controladas por carteirinhas de identificação, o que inibe a presença de estranhos no recinto.
34% 11% 19% 24% 3% 3% 5% 1% Pátio Corredores Quadra Sala de aula Entrada da escola Sala de informática Laboratório Outro
Das nove escolas que fizeram parte da amostra da pesquisa, quatro delas possuem câmeras de segurança e apenas duas delas contam com a presença de funcionários para supervisionar os alunos nos corredores e no pátio.
Foi possível constatar também que a maioria dos alunos participantes desta pesquisa moram nas proximidades da escola onde estudam, ou em seu entorno e, portanto, são segregados por local de residência (DUBET, 2004), a única exceção é a escola central que recebe jovens estudantes oriundos de várias regiões da cidade. Nos bairros mais periféricos é comum o aluno iniciar o Ensino Fundamental e concluir o Ensino Médio na mesma escola.
De acordo com Van Zanten (2010), as escolhas familiares dos estabelecimentos escolares mantêm uma relação estreita com a segregação escolar e a opção feita pelos pais é pela escola que receba grupos sociais “próximos de si”, isto é, com a concentração de alunos dotados de características escolares, sociais e étnicas semelhantes às suas.
Para a grande maioria das famílias, a qualidade da educação na escola está estreitamente relacionada às características dos alunos, denominada por Van Zanten de “efeito público” (um bom aluno será bom em qualquer lugar) e atribuem pouco crédito ao que a autora nomina como “efeito estabelecimento”, isto é, à influência dos recursos pedagógicos, dos professores ou do diretor. A apreciação da qualidade da escola é prejudicada pela “opacidade” que envolve o funcionamento pedagógico e social dos estabelecimentos de ensino. “Uma das maiores consequências dessa opacidade é que ela conduz os ‘profanos’, que são os pais, a focalizar-se sobre os aspectos mais visíveis do exterior, como as características sociais e étnicas do público, como uma espécie de ‘atalho’ para avaliar os estabelecimentos” (VAN ZANTEN, 2010, p. 413).
Sennett (2004, p. 215) considera “particularmente complicado para os pobres ou pouco instruídos ‘procurar’ por escolas porque eles não podem usar sua própria experiência como modelo do que querem para seus filhos”. Dificuldade semelhante, na opinião do autor, encontram os pacientes na procura de médicos ou hospitais.