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DEL III: CASE STUDIER

6.1 MU på fylkesnivå

Na avaliação dos alunos não tem como prevenir as brigas, pois elas sempre irão existir, o que precisa existir é mais respeito e diálogo:

A gente tinha que dialogar, pois dialogando a gente se entende. Dentro de uma de sala de aula a gente tem que se entender, tem que se unir. Sala de aula é para isso, para se unir, formar grupos, para compartilhar e se entender um com o outro e não para um ter raiva da cara do outro (Karolin – Grupo Focal 2).

O diálogo é uma importante alternativa, sugerida por eles, para a construção de espaços democráticos que permitam a discussão dos conflitos vivenciados, e as assembleias de classe (AQUINO, 2003) poderiam constituir-se em momentos destinados para que o grupo-classe pudesse fazer uma autorreflexão, tomada de consciência sobre si mesmo e discutir as questões consideradas importantes ou necessárias com o objetivo de alcançar e garantir a boa convivência, o respeito mútuo, e, portanto, a regulamentação deste convívio

democrático, propiciando uma oportunidade para os alunos vivenciarem a participação cidadã e a divisão de poderes na escola.

Na definição de Puig (2002, p 28),

As assembleias são o momento institucional do diálogo: um espaço que a escola destina de maneira exclusiva a promover a participação por meio da palavra. Durante as assembleias a turma reúne-se para refletir sobre si mesma, para tomar consciência de si mesma e para transformar-se em tudo aquilo que seus membros consideram oportuno. Uma assembleia é um momento escolar organizado para que a sala de aula e seus educadores possam falar de tudo aquilo que lhes pareça pertinente a fim de otimizar o trabalho, a convivência e a animação.

As assembleias também propiciam o desenvolvimento de hábitos orientados para o fortalecimento do modo de vida democrático, o protagonismo e a participação social, a formação de capacidades morais e a aquisição de atitudes e valores positivos. Estimular a participação política e o exercício da cidadania é o principal objetivo das assembleias de classe, cuja essência é a representação dos alunos.

É diante de situações concretas e vividas no cotidiano da escola que os alunos experimentam o exercício do diálogo, ferramenta primeira das relações democráticas. Segundo Puig (2002, p. 28), as palavras que se empregam em uma assembleia não servem unicamente para dizer coisas que acabarão se desvanecendo no esquecimento de uma fala descritiva, mas são palavras que criam opinião, incrementam a compreensão mútua, permitem alcançar acordos, servem para pedir desculpas e comprometem a conduta dos que falam. Ou seja, são ações verbais que envolvem, mobilizam e transformam os sujeitos que as realizam. “Numa assembleia, fazem-se coisas falando: geram-se processos e criam-se situações que podem mudar as pessoas e os grupos”.

Vinha e Tognetta (2006) ressaltam que as assembleias são consideradas legislativas e não judiciárias. O papel de “juiz”, quando há uma infração, caberá ao professor ou ao coordenador pedagógico – enquanto autoridades instituídas – refletir sobre qual intervenção é a mais adequada.

Sobre o tipo de intervenção que é feita pelos pedagogos da escola nos casos de violência, os jovens relataram que, às vezes, alguns alunos brigam, “se matam”, se estapeiam e o pedagogo apenas chama os envolvidos para a sala da coordenação pedagógica para conversar e sugere aos alunos colocar um ponto final nisso tudo, redige uma ata da ocorrência, o aluno assina e fica por isso mesmo. Somente para “resolver” alguns casos a

Patrulha Escolar66 é acionada e não existe um critério fixo para definir quando isso deve ocorrer, nessas situações os policiais atuam como mediadores dos conflitos.

Nas escolas amostradas, foi possível verificar que o pedagogo assume um papel central no que tange aos problemas de relacionamento que ocorrem tanto no que se refere à relação aluno-aluno quanto na relação aluno-professor e grande parte do tempo em que permanece na escola é utilizado para realizar esse tipo de trabalho. O diretor da escola está afastado do pedagógico e se atém apenas às questões administrativas, principalmente com os aspectos financeiros. Assim, o pedagogo acaba assumindo, por vezes, a função de um diretor auxiliar prejudicando dessa maneira sua atuação didático-pedagógico junto aos professores.

Nadal (2008) constatou em sua pesquisa de doutorado sobre a cultura escolar, que o tipo de tratamento dado aos problemas e conflitos que envolvem os alunos na escola é burocrático, mesmo que se considere que nem todos eles passam por todas essas etapas, na medida em que elas são selecionadas conforme a natureza ou gravidade da questão:

[...] existe uma gestão primeira, adotada pelos docentes. Essa gestão varia de professor para professor, mas em geral implica exigência de presença, silêncio e atenção às explicações do docente, interlocução apenas com ele, pouca mobilidade física e realização dos exercícios propostos (NADAL, 2008, p. 236).

Quando o comportamento dos alunos não corresponde ao que se espera deles a primeira intervenção do professor:

envolve chamadas de atenção, conversas e diálogos, aconselhamentos, advertências orais, proposição de atividades como mecanismo de silenciamento (cópias ou ditados, por exemplo), separação física dos alunos (incluindo troca de lugares ou retirada da sala de aula), desconto de pontos na nota bimestral, alterações na entonação da voz, entre outros procedimentos (NADAL, 2008, p. 236).

No caso desse tipo de intervenção não se mostrar produtiva e os problemas tornarem- se reincidentes ou insolúveis, os professores “recorrem às equipes de gestão e pedagógica, redirecionando a demanda didático-pedagógica (do professor) para o âmbito do trabalho pedagógico (dos gestores)” (NADAL, 2008, p. 236).

Na opinião da autora, as escolas preocupam-se muito com a normatividade tanto do comportamento discente quanto do procedimento docente, no que tange ao modo de abordar a

66 O Batalhão de Patrulha Escolar Comunitária é uma Organização Policial Militar do Paraná, especializada na

aplicação do policiamento comunitário escolar para todo o Estado do Paraná que visa reduzir a violência e a criminalidade nas escolas e nas suas proximidades. Seu objetivo principal é a prevenção e, complementarmente, a repressão aos crimes e atos infracionais.

questão. O registo dos fatos que ocorrem são feitos em diferentes tipos de livros-ata e tal procedimento não é percebido como burocracia,

mas sim como ferramentas de legitimação ou comprovação que, numa necessidade, poderão ser utilizados pelas escolas contra os pais (quando a escola encaminha um aluno ao conselho tutelar pode, por exemplo, anexar cópias das atas nas quais se havia registrado conversas com os pais) ou para defender-se deles (quando um pai apresenta queixa da escola junto ao Núcleo Regional de Educação, a existência na escola de atas que comprovem que determinados encaminhamentos foram dados é uma garantia para os profissionais) (NADAL, 2008, p. 238).

A intervenção via registros burocráticos das ocorrências é uma prática instituída que nem sempre demonstra má vontade dos agentes em resolver a situação, mas está relacionada ao fato dos professores, diretores e outros profissionais que trabalham na escola não terem recebido em sua formação inicial, subsídios que os possibilitem lidar com o problema da (in)disciplina e das violências de uma forma mais assertiva, passível de propiciar uma intervenção adequada junto àqueles que se envolvem em situações de conflito.

Em síntese, nos grupos focais os jovens associaram juventude à liberdade, com aumento de responsabilidades, pois já não são mais crianças, ao mesmo tempo em que deixaram transparecer que essa fase da vida também comporta um pouco de irresponsabilidade, porque ainda não são adultos e por isso delegam aos mais velhos, enquanto figura de autoridade, a responsabilidade pela manutenção de um espaço de convívio seguro e justo na escola, que é percebida por eles como uma instituição importante para a realização de seus projetos de futuro, mas não encontram sentido em frequentá-la no presente. Na visão dos jovens-adolescentes, o que motiva as brigas na escola são acontecimentos banais, como por exemplo: provocações, “olhares tortos”, fofocas e percebem que muitas vezes as agressões verbais se transformam em agressões físicas. O diálogo é apontado como um instrumento viável para a resolução de conflitos, embora não existam tempos e espaços para que isso possa acontecer no ambiente escolar.

Descrevem que o enfrentamento das violências fica a cargo do pedagogo da escola e se dá de forma burocrática através de advertências orais e registros dos fatos em diversos livros-ata ou então acionando os policiais da patrulha escolar e que não existem programas preventivos.

4.3 DAS ENTREVISTAS: A VOZ DOS JOVENS QUE SOFREM E PRATICAM