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DEL II. KVANTITATIV DEL

4.6 Lokalt forsøks- og utviklingsarbeid

30% dos alunos que compuseram a amostra da pesquisa estão trabalhando, 15% deles já trabalharam, mas no momento estão desempregados, 23% nunca trabalharam, mas estão procurando emprego e apenas 32% nunca trabalharam e dedicam-se apenas aos estudos. Assim, para os jovens estudantes da escola pública que participaram desta pesquisa o trabalho, como atividade ou como aspiração (ABRAMO, 2008), é uma preocupação central e para um número significativo deles, se sobrepõe à escola.

Carrano (2010, p. 162) aponta que os postos de trabalho que mais têm crescido para os jovens são o que ele chama de “trabalho indecente”, caracterizado por “trabalhos precários, sem previdência social e não raramente com exploração da carga horária de trabalho para além do permitido por lei”. Para o autor, os jovens “premiados” com empregos formais são, sem dúvida, os mais escolarizados e a escolarização adquirida no “Ensino Médio tem se apresentado como uma proteção para os jovens em busca de postos de trabalho”, mas não uma garantia, considerando-se que o desemprego juvenil no Brasil, segundo o autor, é, em média, quase três vezes maior do que o conjunto da população.

Bourdieu (1983, p. 4) acredita que:

uma das razões pelas quais os adolescentes das classes populares querem abandonar a escola e começar a trabalhar muito cedo, é o desejo de acender o mais rapidamente possível ao estatuto de adulto e às capacidades econômicas que lhes são associadas: ter dinheiro é muito importante para se afirmar em relação aos colegas, em relação às meninas, para poder sair com os colegas e com as meninas, portanto para ser reconhecido como ‘homem’. Este é um dos fatores do mal-estar que a escolaridade prolongada suscita nos filhos das classes populares.

Os jovens que ingressam no mercado de trabalho precocemente passam de uma fase cuja uma das principais características positivas de ser jovem – citada por eles próprios – que é a de não ter muitas responsabilidades, compromissos e preocupações a uma condição de trabalhadores remunerados, o que confere a eles “autoridade para poderem emitir opiniões e tomarem decisões com certa autonomia em relação aos pais” (WATARAI; ROMANELLI, 2005, p. 05). Dessa maneira, o trabalho remunerado pode representar um rito de passagem, a transição da infância/adolescência para a vida adulta.

Entretanto, nessa fase da vida nem sempre se leva em conta que as escolhas realizadas têm forte influência no futuro, como fator de ampliação ou limitação da vida adulta. Pais (2003, p. 44) alerta que:

Poderia-se supor que a posse de um trabalho seria um meio de chegar ao ‘lado de lá’, o da vida ativa, o da vida adulta. No entanto, a precariedade de emprego e as próprias dificuldades que alguns jovens encontram de emprego ou trabalho remunerado fazem que eles muitas vezes vivam uma situação que pode ser definida como ‘desemprego intermitente’.

Os próprios pais incentivam os filhos a procurar emprego para que não fiquem na rua ociosos e sujeitos a influências indesejáveis. No caso dos alunos que cursam o Ensino Médio, a identidade social de trabalhador, conferida pelas ocupações que exercem, acaba por sobrepor-se às demais, e principalmente à de estudante.

A preocupação que os jovens, especialmente os das classes populares, têm em arrumar um trabalho, mesmo que precário, é muito grande. Talvez esta seja uma das mais importantes razões pela qual eles abandonem a escola, pois muitos fazem valer o seguinte raciocínio: “se eu trabalhar eu vou receber um salário no final do mês, mas se eu ficar na escola o que eu vou ganhar?”. O mundo do trabalho parece estar mais presente na vida desses sujeitos do que a escola.

Os jovens estudantes que trabalham estão inseridos em ocupações ligadas à área de serviço ou empregos temporários: auxiliar administrativo (12%), vendedor (6%), programa menor aprendiz (6%), construção civil/ajudante de pedreiro (6%), mecânico (5%), pintor de paredes (5%), babá (5%), atendente (5%), repositor (5%), balconista (4%), eletrônica (4%), atendente (4%), estagiário (4%), garçom (3%), eletricista (3%), secretária (3%), auxiliar de serviços gerais (2%) e outras ocupações59 (18%).

Muitos desenvolvem trabalhos exaustivos e por serem executados nessa fase da escolarização, acabam tolhendo a possibilidade do aluno dedicar-se aos estudos de forma mais crítica e reflexiva. A uma parcela muito pequena da população fica reservada a possibilidade de combinar trabalhos criativos e educação de qualidade. Sendo assim, a plena realização da moratória social (MARGULIS; URRESTI, 1996), com os jovens liberados das pressões do mundo do trabalho e com tempo integral dedicado ao estudo e ao lazer, como é comum nos países europeus, ainda é uma realidade distante e inatingível para a maioria da juventude brasileira. Para a grande maioria dos jovens das classes populares, a condição juvenil só é vivenciada porque eles trabalham e isso lhes garante recursos para o lazer e o consumo.

Quando questionados se no futuro arranjarão um bom emprego, 99% afirmaram que sim e justificaram essa expectativa porque me esforço/me dedico aos estudos/estou estudando

59 Músico, DJ, auxiliar de limpeza, auxiliar de produção, caixa, carteiro, frentista, modelo, operador de

máquinas, polidor, professor de capoeira, açougueiro, auxiliar de depósito, exército, locutor, metalúrgico, serralheiro, telefonista, soldador, telemarketing.

para isso (60%), estou fazendo cursos, me qualificando (17%), vou fazer faculdade (15%),

sou esforçado, inteligente, bonito, honesto, esperto, competente, tenho capacidade, força de vontade, tenho fé, sou comunicativo, educado (6%), gosto de trabalhar (1%), sonho alto e

não desisto, o país está melhor para viver e crescer. Apenas dois alunos (1%) responderam a questão negativamente dizendo que não, cada vez mais tem gente procurando emprego.

Os alunos relacionam um pretenso “futuro melhor” ao nível de esforço individual que cada um vai empreender para atingir esse objetivo, afinal na ótica deles “quem se esforça consegue” e a responsabilidade é do indivíduo e não do sistema. Essa visão reflete o modelo extremamente meritocrático que regula as relações sociais atuais, do qual a escola é o principal mecanismo de legitimação (ENGUITA, 1989; PÉREZ GÓMEZ, 1998a; SENNETT, 2004; DUBET, 2008).