• No results found

KAPITTEL 3: TEORETISK RAMMEVERK

3.2. Symbolsk interaksjonisme

De acordo com o Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, coordenado por Jacques Delors, a educação deve organizar-se em torno de quatro aprendizagens fundamentais. São elas: aprender a conhecer, isto é adquirir os instrumentos da compreensão; aprender a fazer, para poder agir sobre o meio envolvente; aprender a viver juntos, a fim de participar e cooperar com os outros em todas as atividades humanas; finalmente aprender a ser, via essencial que integra as três precedentes (DELORS, 1999). A educação não deve apenas ser considerada uma via obrigatória para obter produtos capazes de proporcionar resultados como a aquisição de capacidades com finalidade de ordem econômica, mas deve ser considerada em sua plenitude, ou seja, que possa proporcionar a realização da pessoa, ou seja, que a pessoa possa aprender a ser (DELORS, 1999).

A atividade econômica no interior de cada país e, sobretudo, em nível internacional tem a tendência de dar prioridade ao espírito de competição e ao sucesso individual, dificultando a necessidade de aprender a viver juntos, a colaborar com o outro. A educação deve estimular a descoberta progressiva do outro e, ao longo de toda vida, estimular a participação em projetos comuns, que parece ser um método eficaz para evitar ou resolver conflitos latentes (DELORS, 1999).

A educação deve ajudar as pessoas a descobrir a si mesmas. Só então poderão, verdadeiramente, pôr-se no lugar dos outros e compreender as suas reações, desenvolvendo a empatia (DELORS, 1999).

A necessidade de mudança nas universidades na área da saúde decorre da organização do mundo do trabalho, das exigências em relação ao perfil dos profissionais, dos desafios da transdisciplinaridade na produção de conhecimento ou pela necessidade de a universidade reconstruir seu papel social considerando a multiplicidade de lugares produtores de conhecimento no mundo atual (CECCIM; FEUERWERKER, 2004).

Assim, a Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, por meio da Resolução CNE/CES 3, de 19 de fevereiro de 2002 (BRASIL, 2002), instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em Odontologia, em muito pautada no Relatório Delors.

As competências gerais definidas pelas diretrizes curriculares para os cursos da área da saúde incluem o desenvolvimento de competências para a tomada de decisões, capacidade de comunicação, capacidade de gerenciamento, capacidade para aprender a aprender, estar apto a desenvolver ações de promoção, prevenção, proteção e reabilitação em nível individual e coletivo (FEUERWERKER, 2003).

Segundo as DCN, em seu artigo 3º:

O Curso de Graduação em Odontologia tem como perfil do formando egresso/profissional o Cirurgião Dentista, com formação generalista,

humanista, crítica e reflexiva, para atuar em todos os níveis de atenção

à saúde, com base no rigor técnico e científico. Capacitado ao exercício de atividades referentes à saúde bucal da população, pautado em princípios

éticos, legais e na compreensão da realidade social, cultural e econômica do seu meio, dirigindo sua atuação para a transformação da realidade em benefício da sociedade. (grifos da autora).

Além disso, segundo o artigo 4º,

I- Cada profissional deve assegurar que sua prática seja realizada de forma integrada e contínua com as demais instâncias do sistema de saúde, sendo capaz de pensar criticamente, de analisar os problemas da sociedade e de procurar soluções para os mesmos. Os profissionais devem realizar seus serviços dentro dos mais altos padrões de qualidade e dos princípios da ética/bioética, tendo em conta que a responsabilidade da atenção à saúde não se encerra com o ato técnico, mas sim,

com a resolução do problema de saúde, tanto em nível individual como coletivo; (grifos da autora).

E segundo o artigo 5º:

I- Respeitar os princípios éticos inerentes ao exercício profissional;

II- atuar em todos os níveis de atenção à saúde, integrando-se em programas de promoção, manutenção, prevenção, proteção e recuperação da saúde, sensibilizados e comprometidos com o ser humano, respeitando-o e valorizando-o; (grifos da autora). Esses aspectos descritos nas DCN e que estão destacados serão discutidos ao longo deste estudo.

Paula e Bezerra (2003) realizaram análise da estrutura curricular de 89 cursos de Odontologia do país no ano de 2002, com foco na carga horária das áreas básicas, profissionalizantes, ética e cidadania, saúde coletiva e formação científica. Destacaram o tratamento proeminente dado à formação técnica e a separação entre as áreas de formação básica e profissionalizante nos currículos formalmente estruturados. O tratamento dispensado às áreas de formação em Saúde Coletiva e em Ética e Cidadania é bastante díspar. Concluíram que, àquela época, os cursos precisavam se reorientar para se adequar às exigências das DCN.

Embora os alunos tenham pouca oportunidade de participar da elaboração dos currículos dos cursos, sua percepção sobre o currículo é importante para que mudanças sejam implantadas. Em estudo de Henzi et al. (2007), 605 estudantes de 20 faculdades de Odontologia dos Estados Unidos e Canadá responderam a um questionário com questões abertas acerca de sua percepção sobre o currículo de seus cursos. Identificaram como pontos positivos de seus currículos: a experiência do aprendizado na clínica, a oportunidade de trabalhar com um corpo docente bem informado. Como deficiências do currículo apontaram: a desorganização e a ineficiência do meio ambiente da clínica, as avaliações focadas na memorização de

conteúdos, a qualidade limitada na instrução caracterizada pela desorganização dos currículos, a inconsistência entre os professores durante as avaliações dos alunos. Como oportunidades identificaram: o desenvolvimento de estratégias para prover aos alunos maior exposição às atividades clínicas, sobretudo no início do curso, a oportunidade de aprender novas tecnologias e técnicas. Como desafios: o custo da educação odontológica, a deficiência no número de docentes considerados capazes de oferecer educação de qualidade, o tratamento questionável aos pacientes em virtude da tarefa mínima a ser cumprida.