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KAPITTEL 3: TEORETISK RAMMEVERK

3.7. Rituelle og symbolske aspekter

As Diretrizes Curriculares Nacionais ressaltam a importância do desenvolvimento do pensamento crítico dos alunos de graduação, seguindo as orientações do Relatório Delors (1999), o qual influencia mudanças curriculares em todo o mundo. Para atingi-lo, tem sido proposta, além das mudanças epistemológicas na formação do graduando, que implicam a necessidade de mudança do paradigma biologicista do ensino na área da saúde, para um paradigma biopsicossocial, a mudança das estratégias pedagógicas adotadas nos cursos, usualmente centradas na transmissão e no condicionamento.

Berbel (1998) comparou duas estratégias de ensino: a metodologia da problematização, em que os problemas são extraídos da realidade pela observação realizada pelos alunos e a aprendizagem baseada em problemas (problem-based- learning, PBL), na qual os problemas são elaborados por uma equipe de especialistas. As duas propostas trabalham intencionalmente com problemas para o desenvolvimento dos processos de ensinar e aprender.

Cyrino e Toralles-Pereira (2004) destacam as diferenças entre a aprendizagem baseada em problemas (PBL-problem-based-learning) e a metodologia problematizadora. Ressaltam que as duas estratégias possibilitam

rupturas no modelo tradicional de ensino na direção das mudanças que estão sendo exigidas na formação em saúde.

O processo de mudança da educação traz inúmeros desafios, entre os quais romper com estruturas cristalizadas e modelos de ensino tradicional e formar profissionais de saúde com competências que lhes permitam recuperar a dimensão essencial do cuidado: a relação entre humanos (CYRINO; TORALLES-PEREIRA, 2004, p.780).

Garcia (2001) discute o processo ensino-aprendizagem realizado em serviços de saúde, os modelos tecnoassistenciais e o “fazer” pedagógico relacionado ao trabalho em saúde. Para a autora, a aproximação ao cotidiano, pela vivência de situações, torna a educação significativa.

As mudanças curriculares ocorridas na Holanda foram incentivadas por mudanças ocorridas no ensino pré-universitário que agora preparam os alunos para serem independentes e para trabalharem com problemas, além de buscarem as informações. Além disso, o sistema europeu de bacharelado e mestrado foi introduzido em todas as instituições do país. A base escolhida para o novo currículo foi o incentivo ao aprendizado ativo e independente, além da ênfase ao trabalho em equipe e ao novo papel do professor que passa a ser um facilitador da aprendizagem. Outro guia para o estabelecimento do novo currículo foi a construção do projeto pedagógico em torno de competências, ou seja, a habilidade para aplicar o conhecimento em uma situação real. O processo de desenvolvimento desse currículo contou com a participação de diversos professores, não se restringindo a um grupo de especialistas em currículo. Isso permitiu que a maioria dos professores o apoiasse, embora muitos não concordem com o papel de suas disciplinas nesse novo currículo (KERSTEN et al., 2007).

O propósito do estudo de Hendricson et al. (2006) é oferecer aos administradores dos cursos de Odontologia formas de conhecer como seus

currículos incluem em seus processos de aprendizagem a capacidade de solucionar problemas, de pensar criticamente, de aprender sozinho e de adquirir outras competências necessárias para exercer sua profissão nos anos após a graduação. O pensamento crítico é o processo reflexivo no qual os indivíduos avaliam os dados ou a situação usando a capacidade mental caracterizada por adjetivos como comparar, analisar, distinguir, refletir e julgar: identificar os tópicos em um problema; identificar e explorar os fatores causais; procurar o conhecimento necessário para oferecer as respostas e guiar as ações; comparar as forças e as limitações das opções; implementar a opção que parecer mais adequada para resolver o problema; monitorar a estratégia implementada e os resultados e modificá-la se necessário. Esses resultados são consoantes aos descritos por Haden et al. (2006).

Para verificar se o pensamento crítico, um dos objetivos da educação odontológica, estava sendo incentivado por um curso norte-americano Boyd (2002) realizou um estudo em que foram realizadas entrevistas com alunos do primeiro ano do curso de Odontologia. Os dados foram obtidos por meio de entrevistas semi- estruturadas, análise de anotações (reflexões) feitas pelos alunos e observações da clínica e foram analisados por meio da análise temática. Esse estudo focou-se no uso da reflexão como estratégia para desenvolver o pensamento crítico. A reflexão permite que as pessoas façam julgamentos diante de situações complexas e ambíguas. Os propósitos do estudo foram: investigar como os estudantes conectam os conhecimentos adquiridos com as novas experiências; explorar as reflexões dos estudantes para elucidar o processo de desenvolvimento do pensamento crítico e não apenas os resultados; permitir aos estudantes relatarem suas experiências. A análise das entrevistas, das anotações dos alunos e das observações feitas na clínica permitiu concluir que a reflexão é subutilizada como estratégia de ensino

pelos professores, o que leva aos alunos a terem um desenvolvimento insuficiente do pensamento crítico. Isso sugere que as estratégias didáticas e os métodos de avaliação devem ser alterados para favorecer o desenvolvimento do pensamento crítico que preparará o aluno para resolver, no futuro, os problemas reais dos pacientes.

Boyd (2008) avaliou a capacidade de desenvolvimento do julgamento reflexivo, decorrente do pensamento crítico, em alunos do terceiro ano, no início de seus contatos com os pacientes na clínica. Para isso, realizou uma análise qualitativa utilizando uma escala proposta por King e Kitchener “Reflective Judgement Model of Intellectual Development”. De acordo com os resultados do estudo, houve acréscimo no desenvolvimento do julgamento reflexivo dos alunos.