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O resultado da aplicação da Equação 1 para cada pixel dos diversos planos de informações utilizados deveria ser um número entre 0 (quando ao menos um indicador assume seu menor valor, nesse caso, o valor zero) e 78.125 (quando todos os indicadores assumem a pontuação máxima, cinco). Após essa ponderação, observou-se que o intervalo obtido foi de 0 a 12.500, o que mostra que nenhuma área apresentou todos os índices com a característica mais favorável ao mesmo tempo para implantação do aterro, semelhante ao que Santos (2014) encontrou em sua pesquisa.

O mapa de aptidão da RMR (Figura 2), obtido ao final da aplicação da metodologia descrita, demonstra que dentre os locais com nenhuma ou com pouquíssimas áreas aptas a receber um aterro estão os municípios mais populosos da RMR – como Recife, Olinda e Paulista – e os municípios com menor extensão territorial, neste caso de Itapissuma e da Ilha de Itamaracá. Isso acontece principalmente por conta da restrição que impede à implantação de um aterro em áreas com aglomerados urbanos ou em torno dele.

Figura 2. Mapa de aptidão da RMR.

Fonte: Própria (2017).

Todas as áreas restritas por pelo menos um critério legal, ou seja, áreas compostas por pixels com valor zero após a álgebra de mapas foram consideradas não recomendadas à implantação de um aterro. As áreas formadas por pixels com valores maiores que zero, compõem as áreas aptas à instalação do empreendimento, ou seja, nenhuma restrição legal foi encontrada para essas áreas (OLIVEIRA NETO, 2011).

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O mapa de aptidão final apresenta as seguintes classes: Áreas não recomendadas, Áreas recomendadas com restrição e Áreas recomendadas. Em seguida, o intervalo obtido na ponderação dos indicadores – entre a área com menor índice positivo diferente de zero (500) e o maior (12.500) – foi dividido em dois intervalos idênticos. Essas áreas foram consideradas Recomendadas ou Recomendadas com Restrições (Quadro 5).

Quadro 5. Classificação do mapa de aptidão.

Intervalo Áreas

0 Não recomendada

500 ○—●6 500 Recomendada com restrição

6 500 ○—● 12 500 Recomendada

Esse procedimento foi adotado para facilitar a visualização das áreas indicadas, já que não há homogeneidade de pontuação entre as zonas, de forma que as áreas não restritas se encontram fragmentadas, dificultando a indicação de uma só área. O resultado foi o mapa final de aptidão à implantação de aterro de RCD da RMR com áreas mais homogêneas e de fácil visualização (Figura 3).

Figura 3. Mapa de aptidão da RMR.

Fonte: Própria (2017).

Os municípios com menor densidade demográfica foram os que apresentaram mais áreas recomendadas ou recomendadas com restrições à implantação do aterro, como Ipojuca, Cabo de Santo Agostinho, Moreno, Jaboatão dos Guararapes, São Lourenço da Mata, Camaragibe, Araçoiaba e Igarassu. Dentre esses, Ipojuca, Cabo de Santo Agostinho, Igarassu, São Lourenço da Mata e Jaboatão são os 5 maiores municípios em área da RMR. Na RMR a área restrita (índice zero) para a alocação de um aterro ocupa uma superfície de 19.631,56 ha, o que representa aproximadamente 71% da região. Para Lourenço (2015) este resultado é esperado devido ao grande número de restrições referentes à alocação deste tipo de empreendimento e a alguns municípios da região possuírem uma malha urbana bem desenvolvida, dificultando a alocação de um aterro, como Recife, Olinda e Paulista.

No estudo os indicadores receberam pesos iguais, porém Biju (2015) atribuiu pesos diferentes, com base em um questionário aplicado aos especialistas, e realizou a ponderação através do método da soma. A distância de centros urbanos foi um dos critérios de menor importância, na frente apenas da

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declividade, apontada como o critério menor importante. Os critérios de maior importância foram os ambientais: distância de recursos hídricos, unidades de conservação e solos (BIJU, 2015).

A forma de ponderação e a atribuição de pesos diferentes para as camadas podem diminuir a força de restrição de um indicador, de modo que no mapa final de aptidão podem surgir novas áreas aptas, aumentando a disponibilidade de locais para implantação de um aterro. É importante considerar a opinião de especialistas e pesquisas anteriores para escolher o método a ser aplicado. Lourenço (2015) atribuiu pesos diferentes na ponderação dos critérios e teve como resultado 56,5% de área restrita na região estudada. Já Gregório (2013) adotou pesos iguais para os indicadores, resultando numa área restrita de 99,8% do território total. Isto destaca a influência do método de ponderação e dos pesos adotados no resultado final das áreas aptas a implantação deste empreendimento.

Apesar das áreas classificadas como ―Recomendadas‖ representarem uma porcentagem pequena em relação à extensão total da RMR, cerca de 29%. Esse quantitativo representa áreas suficientes para instalação de aterros, porém esses locais podem apresentar-se fragmentados ou possuir restrição específica que possa desclassificá-los (LOURENÇO, 2015), como custo do terreno, caso seja privado, distância e acesso da fonte geradora e proximidade com áreas rurais ou florestais. A metodologia adotada nesse estudo é um processo de pré-seleção de áreas seguindo critérios legais, contudo, depois de realizada essa identificação é recomendado que sejam feitos refinamentos segundo outros critérios citados anteriormente, considerando o tamanho da área como base nas projeções populacionais e estimativa de geração de resíduos para melhor definição das áreas para aterros de inertes.

5. CONCLUSÕES

A escolha da área para localização do aterro é de suma importância para gestão de RCD, além dos critérios técnicos previstos nas normas. Cabe ressaltar que os resultados obtidos devem ser ajustados com visita a campo para melhor identificação da área, pois a base de dados utilizada poderá influenciar nos resultados. Esta pesquisa não utilizou a classificação de uso e ocupação do solo, como um critério de influência para a escolha da área, visto que o valor de aquisição do terreno e os múltiplos usos da área (uso agrícola, mata nativa ou vegetação) são fatores determinantes no processo. A metodologia aplicada tem como objetivo identificar áreas com maior propensão à implantação do aterro de RCD e não indicar uma área específica, assim à utilização do SIG com apoio da análise multicritério mostrou-se uma abordagem capaz de cumprir o proposito, diminuindo o tempo de análise e restringindo a área que pode ser considerada em avaliações posteriores. As ferramentas de SIG utilizadas na pesquisa apresentaram grande aptidão para análises complexas, com precisão, qualidade e agilidade. Por fim, pode-se concluir que os métodos adotados permitem a aplicação para qualquer região, desde que haja disponibilidade de dados. A pesquisa apresentada pode servir de base na elaboração de estudos para tomada de decisão por parte da gestão pública.

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2.4 PLANO DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS

E MITIGAÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS DA

DISPOSIÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS NO ATERRO DE