A delimitação física da área é uma importante medida a ser adotada, tendo em vista que objetiva controlar o acesso à área de disposição de resíduos e conter parcialmente resíduos que possam eventualmente ser carreados pela ação dos ventos ou quaisquer outras formas de locomoção.
Para tanto, deverá ser implementada uma cerca em toda a extensão do perímetro do terreno e a instalação de portão na entrada de acesso.
_____________________________________
148
Fonte: PRAD/AMAJU, 2017.
4.2.2 Elaboração do Sistema de Drenagem de Lixiviados e Percolados com Armazenamento
O plano propõe um sistema de coleta, contenção e recirculação para o percolado (chorume resultante das atividades de decomposição da massa de resíduos), bem como o lixiviado (composto pelo chorume e precipitações) com a finalidade de minimizar a contaminação do lençol freático, além de permitir a aceleração da decomposição biológica.
Seguindo essa proposta o presente estudo orienta a implantação de um sistema de drenagem subterrânea de percolado, formando um sistema assemelhado a uma espinha de peixe, com um dreno principal e drenos secundários interligados (Figura 4), conforme demonstrado abaixo.
Figura 7. Sistema de Drenagem de Percolados, Drenagem Pluvial do lixão Municipal de Juazeiro do Norte.
Fonte: PRAD/AMAJU, 2017.
Este sistema de drenagem deve coletar e conduzir o líquido lixiviado, reduzindo as pressões destes sobre a massa de resíduo, minimizando o potencial de migração para o subsolo, e consequentemente diminuir o potencial de contaminação.
_____________________________________
149
Os gases são gerados e encontram-se misturados à massa de resíduos. Para evitar bolsões dentro das trincheiras e incêndios locais torna-se necessário projetar um sistema de drenagem de gases. Soares (2013) indica que os tubos verticais perfurados de concreto para o sistema de drenagem de gases devem estar separados de 30 a 70 m associados aos drenos horizontais.
Dessa forma adotou-se que os drenos para o sistema de drenagem dos gases devem estar distanciados entre si em 70m, totalizando 6 drenos de gás, sendo 05 associados ao dreno central horizontal de lixiviados (Figura 5), localizados exatamente nos pontos onde há o encontro dos drenos secundários e o dreno central, atravessando verticalmente o lixão até sua superfície, configurando chaminés de exaustão, além de um dreno de gás em cima do tanque de contenção de lixiviados. Para as chaminés do sistema adotou-se que serão conformadas com manilhas drenantes de concreto armado perfuradas, com diâmetro de 0,30m.
Figura 8. Imagem do perfil de um dreno de gás, identificando seus componentes essenciais e o princípio de funcionamento da instalação.
Fonte: PRAD/AMAJU, 2017.
Os drenos de biogás devem ser construídos escavando-se na camada de resíduo compactado uma cavidade com 1 m de diâmetro na forma cilíndrica. O princípio de funcionamento de um dreno de gás encerra diversas partes, identificando componentes essenciais e o princípio da instalação. Ao centro da cavidade devem-se implantar os tubos de concreto perfurados com 0,30m de diâmetro sobrepostos na posição vertical até 1m acima da superfície, onde será colocado o queimador de gás. O espaço entre a tubulação de concreto e a massa de resíduo deve ser preenchido por brita nº 4, formando uma ―camisa de brita‖ Uma tela de malha retangular com 2m de altura deve ser implantada de forma que fique 1m abaixo da superfície e 1 m acima da superfície do solo, formando uma contenção para as britas nº 4 envolta do tubo de concreto.
4.2.4 Conformação Topográfica
Esta etapa consiste na regularização mecânica do material disposto, na compactação da massa de resíduos, adequação das inclinações dos taludes e o recobrimento da massa de resíduos. Conforme constatado durante a fase de caracterização, e como ilustrado na figura 6, a massa de resíduos localizada próximo ao limite sudoeste da área de disposição dos resíduos apresenta taludes com inclinações acentuadas.
_____________________________________
150
Figura 9. Ilustração da conformação topográfica local.
Fonte: PRAD/AMAJU, 2017.
A atual topografia da área encontra-se bastante irregular, com grandes diferenças de altitude formando grandes ondulações. Esta irregularidade caracteriza problemas para a drenagem pluvial e para compactação dos resíduos. Dessa forma, recomenda-se que depois de instalados os sistemas de drenagem de lixiviados e de gás devem ser realizados o nivelamento final da massa de resíduo existente no local. Deve-se procurar realizar a conformação topográfica da área imitando um pequeno monte, de forma levemente curva, onde a cota mais alta deve ficar centralizada no terreno, para evitar o acúmulo de águas de chuva sobre a área. A definição da cota máxima do terreno deve ser definida depois de realizado o movimento da massa de resíduos sólidos, sendo que não recomenda-se uma cota inferior a 410m de altitude, a definição desse parâmetro baseia-se nas cotas existentes ao entorno do terreno.
4.2.5 Recobrimento do Rejeito Depositado no Local com Camada de Solo Impermeável
A cobertura final com um solo impermeável tem a função de isolar a massa de resíduos, evitando a infiltração de água e, consequentemente, a quantidade de percolado gerado, o carreamento de resíduos e o deslizamento de taludes.
Terrenos argilosos caracterizam-se por terem grande impermeabilidade. Assim, recomenda-se realizar a cobertura da área com uma camada de 50 a 60 cm de solo argiloso, inclusive nos taludes laterais.
4.2.6 Execução do Sistema de Drenagem Superficial
Tem por finalidade desviar o afluxo d’água das chuvas que caiam sobre o maciço de res duos e direcioná-la para o corpo hídrico mais próximo, evitando que aumente o volume de lixiviados, diminuindo o escoamento de águas superficiais que venham a causar erosão e a destruição da camada de cobertura e taludes.
O sistema consiste no escoamento superficial das águas pluviais sobre os taludes da conformação topográfica da área em direção as valetas laterais, dimensionadas para desviar o fluxo adjacente de recursos hídricos. Para o dimensionamento do sistema de drenagem de águas pluviais deve-se considerar a drenagem das águas que incidem sobre a área do lixão e das águas que incidem nas áreas adjacentes.
_____________________________________
151
Outro fator de extrema importância para o dimensionamento do sistema de drenagem pluvial é a vazão a ser drenada, assim, para obtenção desta seguiu-se os métodos usuais de drenagem urbana, usando a fórmula racional, usada para pequenas bacias com pequena área de contribuição: inferior a 500 hectares = 5.000.000 m² = 5 km² (SOARES, 2013).
4.2.7 Análise do Solo
Antes da implantação da vegetação, sugere-se realizar análise de alguns parâmetros relacionados ao solo, como: fertilidade (P, K+, Ca2+, Mg2+,Na+, matéria orgânica), umidade, pH, estrutura, porosidade, densidade, e textura. O monitoramento desses elementos faz-se importante visto que o solo deve estar em condições ideais para o desenvolvimento eficiente das plantas e microrganismos envolvidos no processo de reflorestamento.
Caso alguns desses parâmetros não estejam adequados para um bom desenvolvimento vegetal deve-se aplicar medidas corretivas como: aragem, gradagem, descompactação, inserção de matéria orgânica, calagem, entre outras ações que venham a deixar o solo apto para a produção vegetal. Se necessário aplicar alguma medida corretiva, é recomendável respeitar um curto período de tempo, cerca de 30 dias, antes da inserção das mudas para o solo estabilizar-se.
Esclarece-se que a execução da análise do solo deve ocorrer próximo ao período de plantio, posterior às etapas de: conformação topográfica, compactação e recobrimento de todo o rejeito depositado no local com uma camada de solo impermeável.
4.2.8 Metodologia de Recomposição Vegetal
A proposta para o reflorestamento da área degradada pela atividade do lixão municipal de Juazeiro do Norte é imitar o processo de sucessão ecológica mediante ação antrópica. Para tanto, escolheu-se a técnica de nucleação através do plantio de mudas.
Essa técnica consiste na formação de núcleos ou ilhas de vegetação com alta diversidade através do plantio de mudas de espécies arbustivo-arbóreas na área degradada. Com o passar do tempo, estima-se que ocorrerá a propagação de sementes pela ação do vento e por animais que utilizarão essas árvores como fonte de alimento e poleiro, espalhando sementes através de seus excrementos. Outro fator positivo que deve ser considerado é que esses animais trarão sementes de outros locais, ajudando a sucessão ecológica secundária da área degradada. (MARTINS, 2009).
É importante mencionar que nos locais onde tiver a ocorrência de algum tipo de vegetação não recomenda-se a supressão dessa, pois a existência de vegetação é indicativo que a área encontra-se em processo de regeneração natural e a supressão poderia desestabilizar o atual equilíbrio ecológico da área. Existem diversas formas de disposição das mudas em campo, escolheu-se para execução do PRAD o plantio em linha (Figura 7).
A extensão da área degradada a ser reflorestada possui aproximadamente 20 ha, que contempla toda a área delimitada pela cerca do terreno onde está localizado o lixão municipal. Nessa área serão implantados 320 núcleos de vegetação, onde cada núcleo terá 04 linhas e 04 colunas como ilustra Figura 07. Cada núcleo terá uma área de 225m² e um total de 16 indivíduos vegetais, sendo 08 espécies pioneiras e 08 não pioneiras. O espaçamento entre os núcleos vegetacionais seguirá uma distância de 10m em linhas e 10m em colunas.
_____________________________________
152
Figura 10. Forma de disposição das mudas na implantação da técnica de nucleação.
Fonte: Adaptado de MARTINS, 2009.
Para tanto serão necessárias 5.120 unidades de mudas, sendo 2.560 unidades de espécies pioneiras e 2.560 unidades não pioneiras para o reflorestamento. Dessa forma, implantado o reflorestamento, a área terá 72.000m² de área reflorestada com os núcleos e 128.000m² de área entre os núcleos.
4.2.9 Limpeza do Entorno
A disposição de resíduos em lixões sem o adequado recobrimento diário propicia o arraste eólico de resíduos por uma extensa área do entorno da área utilizada para disposição de resíduos. Recomenda-se realizar uma limpeza das áreas do entorno, retirando o máximo de resíduos dispersos possível. Essa caracteriza-se uma forma de diminuir a poluição e melhorar as condições visuais, amenizando os impactos negativos.
5. CONCLUSÕES
Portanto, observa-se que o presente Plano de Recuperação de Áreas degradadas faz-se necessário no local em análise, devido as suas características atuais demonstrarem a existência de desequilíbrio ecológico, apresentando topografia modificada e alterações no relevo natural.
Para a implantação do referido plano serão necessário as seguintes medidas:
Delimitação física da área, tendo em vista o controle no acesso à área de disposição de resíduos e contenção dos resíduos que possam eventualmente ser carreados pela ação dos ventos ou quaisquer outras formas de locomoção;
Sistema de coleta, contenção e recirculação para o percolado (chorume resultante das atividades de decomposição da massa de resíduos);
Sistema de drenagem dos gases devendo estar distanciados entre si em 70m, totalizando 6 drenos de gás, sendo 05 associados ao dreno central horizontal de lixiviados;
Compactação da massa de resíduos, adequação das inclinações dos taludes e o recobrimento da massa de resíduos;
_____________________________________
153
Sistema de escoamento superficial das águas pluviais sobre os taludes da conformação topográfica da área em direção as valetas laterais, dimensionadas para desviar o fluxo adjacente de recursos hídricos;
Aplicações corretivas como: aragem, gradagem, descompactação, inserção de matéria orgânica, calagem, entre outras ações que venham a deixar o solo apto para a produção vegetal;
Formação de núcleos ou ilhas de vegetação com alta diversidade através do plantio de mudas de espécies arbustivo-arbóreas na área degradada.REFERÊNCIAS
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10004. Resíduos Sólidos – Classificação. Rio de Janeiro, 2004. 77p
AMORIM, F. D. A. S.; SANTANA, J. do E. S.; SOUZA, F. Silveira C. de; OLIVEIRA, E. M. de. Elaboração e Execução do Plano de Recuperação da Área Degradada (PRAD) do Complexo Salgadeira Em Chapada dos Guimarães – MT.V Congresso Brasileiro de Gestão Ambiental. Belo Horizonte/MG. 2014.
ANDRADE, L.A.P.; GOMES, C.C.; CASTRO, M.A.H. Diagnóstico do abastecimento público por poços tubulares de juazeiro do norte - CE. Águas Subterrâneas. São Paulo, p.1-19, 2005. Anual.
BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução n.001, de 23 de janeiro de 1986. Dispõe sobre critérios básicas e diretrizes gerais para o Relatório de Impacto Ambiental – RIMA. Diário Oficial. República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 17 fev. 1986.
BRASIL. Fundação Nacional de Saúde. Manual de saneamento. 3. ed. rev. - Brasília: Fundação Nacional de Saúde, 2006. 408 p.
BRASIL. Lei nº 9.985, de 18 de Julho de 2000. Regulamenta o artigo 225, § 1º, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal, institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e dá outras providências.
BRASIL. Lei Federal n.º 12.305/2010: Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei n.º 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências.
BRASIL. Lei Federal n.º 9.985/2000: Regulamenta o art. 225, § 1o, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal, institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e dá outras providências.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de Meio Ambiente (Org.). Caatinga. 2016. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/biomas/caatinga>. Acesso em: 19 nov. 2016.
CEARÁ. Ipece. Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará. Demografia. 2016 Disponível em: <http://www2.ipece.ce.gov.br/atlas/capitulo2/21.htm>. Acesso em: 21 nov. 2016.
FUNCEME. Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos. Zoneamento Ambiental do Estado do Ceará: Parte II – Mesorregião do Sul Cearense. Departamento de Recursos Ambientais. Fortaleza, 2006.
GOOGLE. Google Earth. Versão 7. 2015. Imagens da Área do Lixão Municipal de Juazeiro do Norte - 09 de Outubro de 2015. Acesso em: 30 de novembro de 2016.
_____________________________________
154
IBF, Instituto Brasileiro de Florestas -. Lista de espécies: Classificação. Apucarana: 2016. 4 p. Disponível em: <http://www.ibflorestas.org.br/news/arquivos/lista-especies-ibf.pdf>. Acesso em: 28 de novembro de 2016. IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Informações completas: Juazeiro do Norte. 2016. Disponível em: <http://cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?codmun=230730>. Acesso em: 22 nov. 2016. MARTINS, S.V. Recuperação de Áreas Degradadas: ações em áreas de preservação permanente, voçorocas, taludes, rodoviários e de mineração. Viçosa, MG: Aprenda Fácil, 2009. 260-270p. ISBN: 978-85-6203-202-8. MMA – Ministério do Meio Ambiente. Recuperação de Áreas Degradadas. Disponível em: < http://www.mma.gov.br/informma/item/8705-recupera%C3%A7%C3%A3o-de-%C3%A1reas-degradadas>. Acesso em: 26 de Julho de 2017.
MONT’ALVERNE, A A F (Coord) Projeto avaliaç o hidrogeológica da Bacia Sedimentar do Araripe Recife: MME/DNPM, 1996.
PAREJO, Luis Carlos. Caatinga: O ecossistema do sertão nordestino. 2007. Disponível em: <http://educacao.uol.com.br/disciplinas/geografia/caatinga-o-ecossistema-do-sertao-nordestino.htm>. Acesso em: 22 nov. 2016.
RADAMBRASIL. Mapa geomorfológico. Folha SB 24/25 Jaguaribe/Natal. Rio de Janeiro. Ministério de Minas e Energia, 1981. Escala 1: 1.000.000.
ROCHA, D. R. S.; ROCHA, J. S. Plano de Recuperação de Áreas Degradadas: Análise da Responsabilidade Ambiental da Mineração Lagoa Seca, Chapada Diamantina-Bahia (Brasil). VII Seminário Internacional Dinâmica Territorial e Desenvolvimento Socioambiental: ―Terra em Transe‖ 2015
SANTOS, R. F. Planejamento ambiental: teoria e prática: Oficina de textos. 2004. 184p.
SILVA, K. L. Recuperação de Áreas Degradadas Pela Mineração: O Caso do Parque Temático Beripoconé (Poconé/Mt). 2010. 32p. Trabalho de Conclusão de Curso (Tecnólogo em Gestão Ambiental) - Instituto Federal de Mato Grosso, Campus Bela Vista. Cuiabá, 2010.
SILVA, S.A.F.; ARAGÃO, M.H.S.; SILVA, G.A.B.; SILVA, T.S.; ALMEIDA, M.M.; SOUZA, N.C. Caracterização de impactos ambientais causados por um vazadouro na Cidade de Mogeiro-PB. Anais do 1o Encontro Nacional de Educação, Ciência e Tecnologia, Campina Grande, 2012.
SOARES, H. Gerenciamento de Resíduos Sólidos. Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental, Faculdade de Engenharia, Universidade Federal de Juiz de Fora - MG, 2013.
VERÍSSIMO, L.S.; AGUIAR, R.B. Comportamento das bacias sedimentares da Região Semi-Árida do Nordeste Brasileiro: Hidrogeologia da Porção Oriental da Bacia Sedimentar do Araripe. Brasília, 2005. 105 p.