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4. Studentenes erfaringer

4.6 Tilbake på jobb med den nye kompetansen

Como demonstrado anteriormente, o batismo marcava o reconhecimento da criança no mundo cristão. Além disso, foi responsável pela criação de um importante laço afetivo na sociedade, envolvendo os pais e os padrinhos das crianças batizadas. Cabia aos padrinhos, que eram escolhidos pelos pais, a função de guiarem as crianças nos caminhos cristãos e viverem segundo a doutrina da Igreja Católica, assumindo a função de verdadeiros “pais cristãos”.

Entretanto, o compromisso assumido pelos padrinhos para com seu afilhado não se resumia somente às questões espirituais, abrangia aspectos econômicos também. Um padrinho bem escolhido pelos pais, situado socialmente num patamar elevado e que dispusesse de bons recursos econômicos e políticos, representaria, para o afilhado, acesso a uma ampla rede de sociabilidade, principalmente, no universo colonial em que as redes clientelares se faziam presentes.

Há vários pesquisadores que analisam as relações sociais entre diferentes grupos, resultantes do apadrinhamento. Para esses estudiosos, o compadrio poderia criar ou reforçar relações sociais, resultando em importantes alianças e elevando os laços familiares para além da consangüinidade.

Os estudos referentes ao compadrio que abrangem os escravos mostram-nos que raros foram os donos de cativos que os apadrinhavam. Esse fato ocorria porque os frutos provenientes da relação de apadrinhamento se estendiam para muito além dos interesses escravocratas, indo contra a mentalidade senhoril da época.

A pesquisadora Silvia Brugger, ao analisar o compadrio de pessoas cativas e livres em São João Del Rei, nos séculos XVIII e XIX, percebeu que os padrinhos nomeados para as crianças possuíam, em sua maioria, condições semelhantes ou

superior a de suas mães, sendo raros os filhos de mães livres que tiveram padrinhos forros ou escravos. Mães forras tiveram majoritariamente homens livres como compadrios; mães escravas tiveram menos filhos apadrinhados por pessoas livres, embora a maioria delas preferissem essa opção.

Desse modo, notamos que a relação do apadrinhamento acontecia além da cristandade. Nesse contexto, onde se encontrava as crianças enjeitadas nas redes de apadrinhamento, quem eram esses padrinhos e quem os indicavam?

As Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia orienta, conforme o Santo Concílio Tridentino, a Igreja, os pais ou a pessoa responsável pela criança nas escolhas dos padrinhos para o ato batismal:

Conformando-nos com a disposição do Santo Concilio Tridentino, mandamos que no Batismo não haja mais que um só padrinho, e uma só madrinha, e que se não admitam juntamente dois padrinhos e duas madrinhas; os quais padrinhos serão nomeados pelo pai ou mãe, ou pessoa a cujo cargo estiver a criança; e sendo adulto, o que ele escolher. E mandamos aos Párocos não tome outros escolherem, sendo pessoa já batizadas, e o padrinho não será menor de quatorze anos, e a madrinha de doze, salvo de especial licença nossa. E não poderão ser padrinhos o pai ou mãe dos excomungados, os interditos, os surdos, ou mudos, e os que ignoram os princípios de nossa Santa Fé; nem Frade, Freira, Cônego Regrante, ou outro qualquer Religioso professo de Religião aprovada, (exceto o das Ordens Militares) per si, nem por procurador284.

A análise feita sobre as atas dos batismos dos expostos, de Vila Rica da Matriz do Pilar, totalizou 566 batismos. Desse total, 67% dos expostos tiveram padrinho e madrinha, 30% tiveram somente padrinho, 0,7% tiveram apenas madrinha e 3% não tiveram nenhum dos dois.

Algumas crianças receberam os nomes dos padrinhos. Dessas, 14,8%, por serem meninos, receberam os nomes dos padrinhos e 6,7% receberam os nomes das madrinhas. Padrinho Francisco que, junto com a madrinha Anna Izabel Cândida de

Freitas, batizaram a exposta Francisca285. Padrinho Alberto Vieira Rijo que, juntamente com a madrinha Josefa Teodora de Freitas, batizaram o exposto Alberto286. Madrinha Jacinta Peregrina que, ao lado do padrinho José de Vasconcelos Perada e Sousa, batizaram a exposta Jacinta287. Madrinha Mariana Aires da Crus que, junto com o padrinho Emerencianno Maximino de Azevedo Coitinho, batizaram o exposto Marianno288.

Uns dos expostos tiveram como madrinha algumas Santas da Igreja Católica. A mãe ou a pessoa responsável que abandonou a exposta Francisca pediu, por meio de um bilhetinho, que os padrinhos fossem o Reverendo Doutor José Alves de Souza e a Nossa Senhora da Piedade. Francisca "Exposta à porta de Jerônimo de Souza Lobo Lisboa (...) com uma cédula, que dizia fossem padrinhos o Reverendo Doutor José Alves de Souza, e Nossa Senhora da Piedade"289. A exposta Quitéria teve como madrinha Santa Quitéria e padrinho Domingos José Ferreira290. Esses fatos nos levam a pensar que era a mãe quem pedia para que a Santa fosse madrinha de seu filho para garantir-lhe um destino mais zeloso.

Às vezes, os bilhetes também indicavam os padrinhos. Antônio, exposto à casa de Antônio Ribeiro de Andrade, em 05 de janeiro de 1846, veio acompanhado "com uma cédula em que não havia outro esclarecimento, salvo o de pedir que ele, Antônio Ribeiro de Andrade e sua irmã Rita Maria de Andrade, fossem padrinhos"291.

A maioria dos padrinhos que se apresentavam desacompanhado das madrinhas não trazia nenhuma denominação antes do nome. Mas há alguns casos em que os padrinhos indicavam, por meio do próprio nome, seu status socioeconômico. Maria,

285Banco de dados..., Batizada em 24 de novembro de 1788, Id. 6880 286Banco de dados..., Batizada em 02 de maio de 1794, Id. 7828 287Banco de dados..., Batizada em 18 de agosto de 1776, Id. 5296 288Banco de dados..., Batizada em 15 de novembro de 1801, Id. 8339 289Banco de dados..., Batizada em 03 de abril de 1773, Id. 5098 290Banco de dados..., Batizada em 05 de abril de 1802, Id. 12110 291Banco de dados..., Batizada em 19 de fevereiro de 1846, Id. 7080

exposta, batizada na Matriz do Pilar, teve como padrinho o Capitão Domingos Gonçalves da Cruz em seu batizado292. Luis, exposto, também batizado na Matriz do Pilar, teve como padrinho o Capitão José Veloso do Carmo293. Felipe, exposto, batizado na mesma matriz, teve como padrinho o Procurador da Comarca e Capitão Francisco de Freitas Braga294.

Alguns assentos de batismo nos mostraram que, na ausência da madrinha, havia em seu lugar um segundo padrinho; Esse fato representou 0,7% das ocorrências. Nesse caso, o segundo padrinho não se retratava como procurador de nenhuma criadora, como era mais usual. Aconteceu com a madrinha da exposta Mariana, quando pediu ao seu procurador, Luis Antônio, que a representasse no batismo. “Mariana, exposta à porta de Antônio Ramos dos Reis, batizada sub conditione. Nesse caso, a madrinha era mulher do padrinho e nomeou como seu procurador Luis Antônio de Távora, por não poder comparecer à cerimônia do batismo”. Assim, ao que tudo indica, a escolha de um segundo padrinho descumpria as Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia que deixa bem claro que não admitia juntamente dois padrinhos. O exposto Cipriano, batizado em 26 de setembro de 1774, na Igreja da Matriz do Pilar, teve como padrinhos José Fagundes Serafim e Antônio Soares de Oliveira295. O exposto Joaquim, batizado em 18 de janeiro de 1786, na Igreja da Matriz do Pilar, teve como padrinhos Antônio José da Costa e Antônio da Rocha296.

A maioria dos expostos batizados que se apresentavam sem madrinha e padrinhos foram batizados em perigo de vida. Esse fato deve ter ocorrido porque muitos deles foram encontrados em situação de penúria, precisando ser batizados às pressas. Cecília, exposta em casa de Anna Pereira Pinta, batizada em casa, em perigo de vida,

292Banco de dados..., Batizada em 16 de julho de 1778, Id. 5474 293Banco de dados..., Batizada em 29 de novembro de 1779, Id. 5694 294Banco de dados..., Batizada em 03 de agosto de 1785, Id. 6354 295Banco de dados..., Batizada em 26 de setembro de 1774, Id. 5220 296Banco de dados..., Batizada em 18 de janeiro de 1786, Id. 6492

pelo Reverendo Nicolau Pimenta da Costa, não constando nenhum padrinho e nem madrinha.

A maior parte dos padrinhos era livre, atingindo um percentual de 93,9% de padrinhos livres e 64,1% de madrinhas livres. Alguns deles, como vimos acima, batizavam as crianças sem acompanhantes; 5,1% dos padrinhos e 33,7% das madrinhas. Padrinhos forros somavam 2%, sendo 0,3% de padrinhos e 1,7% de madrinhas. Encontramos 0,1% de um padrinho escravo coartado; 0,3% de padrinho escravo e 0,3% de madrinha escrava.

Padrinho livre, Miguel de Araujo Silva e madrinha forra, Teodora Maria do Espírito Santo, "parda", batizaram a exposta Maria297. Padrinho, forro, João Barbosa, "pardo", e madrinha livre, Maria do Nascimento, batizaram o exposto Manoel298. Padrinho livre, Bernardino José de Sina, e madrinha escrava, Anna, batizaram o exposto Bernardino299. Padrinho, Antônio da Costa Coartado, e madrinha, Eugênia Maria de Jesus livre, batizaram a exposta Gertrudes300.

Alguns padrinhos e madrinhas batizaram mais de um exposto. Esse fato pode estar associado a vários fatores como, por exemplo, a caridade ou porque as crianças foram abandonadas na casa desses padrinhos e alguns deles, não podendo criá-las, tornaram-se seus padrinhos. Poderiam também ser seus próprios filhos, filhos de parentes ou de amigos próximos. Os padres e os reverendos foram os que mais apadrinharam. Tal fato era regulamentado pelas Constituições Primeiras do

Arcebispado da Bahia que proibia cônegos, frades, freiras ou qualquer outro religioso

professo de religião aprovada de serem padrinhos. O padre Manoel Moreira Duarte foi padrinho de 15 expostos, sendo que desse total, seis ele apadrinhou sozinho, sem

297Banco de dados..., Batizada em 24 de maio de 1785, Id. 6250 298Banco de dados..., Batizada em 19 de maio de 1804, Id. 1472 299Banco de dados..., Batizada em 22 de setembro de 1779, Id. 5641 300Banco de dados..., Batizada em 25 de março de 1789, Id. 6919

madrinha. O padre Joaquim Roberto da Silva apadrinhou oito crianças; dessas, três ele apadrinhou sozinho, sem madrinha, e uma delas era criada pelo procurador da Câmara. O Sargento-mor foi padrinho de cinco expostos, sendo que dois deles foram abandonados em sua casa. Um desses dois ele apadrinhou sozinho, sem madrinha, e o outro ele apadrinhou juntamente com Catarina Dias Ramos. Os outros quatros foram abandonados na casa de Catarina Dias Ramos, sendo que três deles, ele apadrinhou juntamente com Catarina Dias Ramos e somente um ele apadrinhou juntamente com Maria Pereira de Vilas Novas. Há indícios de que o Sargento-mor e Catarina Dias Ramos trocavam de função um com o outro. Ora ele recebia o exposto e o batizava juntamente com ela, ora ela recebia o exposto e o batizava juntamente com ele.

Ana Maria de Queiros Coimbra, casada, foi madrinha de sete crianças, sendo que duas delas foram enjeitadas à porta de sua casa. Ela nomeou seu marido como seu procurador para que pudesse batizar uma dessas crianças. “Anna, exposta em casa de Jerônimo de Souza Lobo Lisboa, procurador da madrinha e, também, seu marido”301. Ana Maria de Faria, solteira, parda, forra, foi madrinha de seis crianças, sendo que três foram abandonadas em sua casa.

Quadro – 8 padrinhos e madrinhas de mais de um exposto

Padrinho Ocupação Condição

Social crianças Nº de apadrinhada

Madrinha Ocupação Condição

Social crianças Nº de apadrinhada João Dias

Rosa Livre 4 Ana Maria

Caetana Pereira Ajudante Livre 4 Domingos Francisco de Carvalho Livre 4 Anna Maria da Silva Livre 4 Paulo Pereira de Magalhães Livre 4 Maria

Angélica Casada Livre 5

Narciso

Antônio Livre 4 Anna Maria de

Queiros Coimbra Casada Livre 7 Domingos de Amorim Lima Livre 4 Manoel Antônio de Carvalho Livre 4 Manoel Pinto Lopes Sargento- mor Livre 5 Luis Caetano de Oliveira Lobo Reverendo Livre 6 Antônio Correa Mayrinck Doutor Reverendo Livre 6 José de Freitas Souza Padre Livre 6 Joaquim Roberto da Silva Padre Livre 8 José Carneiro de Moraes Padre Livre 12

Fonte: Banco de dados referente às atas paroquiais da Freguesia de Nossa Senhora do Pilar do Ouro Preto