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Tidligere forskning på ulike sider ved sidemålsundervisningen

A partir dos resultados da fase de observação, a coleta dos dados primários, isto é, “aqueles que não foram antes coletados, estando ainda em posse dos pesquisados, e que são coletados com o propósito de atender às necessidades específicas da pesquisa em andamento” (MATTAR, 1998, p. 48), foi iniciada com cidadãos maiores de idade dos municípios de São Luis e, posteriormente, Campina Grande, sem que houvesse intenção de comparação entre os respondentes.

Tendo servido a observação para o conhecimento mais aprofundado do contexto, das práticas e da dinâmica das manifestações da cultura em geral e especialmente onde e como se desenrolam as festas juninas, realizei primeiramente seis entrevistas em São Luis no período de 12 a 14 de agosto de 2011. Em Campina Grande, o período dedicado à coleta dos dados primários foi de 05 a 09 de setembro de 2011, quando coletei seis entrevistas, sendo uma descartada em virtude da interrupção por compromisso do respondente surgido durante seu curso, inviabilizando o aprofundamento necessário no depoimento.

Após essas onze entrevistas, identifiquei uma repetição nas informações e contribuições fornecidas pelos respondentes, cuja saturação levou à decisão por restringir a recolha dos dados nessas duas cidades, haja vista a satisfação dos interesses da pesquisa e as características singulares, já elencadas acima, das respectivas festas oficiais do período junino. Dessa forma, acredito que a quantidade de entrevistas realizadas foi limitada de forma adequada, fornecendo elementos suficientes para os propósitos da pesquisa e para o método de tratamento escolhido, sem que houvesse a repetição dos dados em demasia.

As entrevistas duraram, em média, cinquenta minutos, incluída a conversa inicial para a contextualização do sujeito, momento em que foram expostos a finalidade, o interesse central da pesquisa e o motivo pelo qual o respondente foi escolhido para participar, além do atendimento aos demais e imprescindíveis aspectos éticos, havendo a preocupação em iniciar a gravação a partir da aquiescência prévia para tal (Apêndice B).

Iniciar o registro da entrevista após o entrevistado concordar com a gravação e com o uso não identificado de fragmentos de sua fala, assim como a plena compreensão dos propósitos científicos exclusivos pertinentes a um trabalho de conclusão de curso de doutoramento, me pareceu ser o procedimento mais adequado. Dessa forma, já assegurados o anonimato e o sigilo, foi garantida maior tranquilidade e liberdade para o depoimento, uma vez que o registro do nome, apelido ou pseudônimo do entrevistado, bem como profissão,

local da entrevista e eventuais dados que pudessem levar à sua identificação foram anotados em separado, em caderno de campo, transcritos em seus elementos essenciais no Apêndice C.

Partindo da dispensabilidade do delineamento da amostragem em certas pesquisas sociais, sobretudo as de caráter qualitativo como a presente, uma vez que o “‘universo’ em questão não são os sujeitos em si, mas as suas representações, conhecimentos, práticas, comportamentos e atitudes”, a escolha dos entrevistados ocorreu por procedimentos não probabilísticos, cuja acessibilidade e representatividade marcaram o processo na busca da adequada seleção dos sujeitos, procurando “abranger a totalidade do problema investigado em suas múltiplas dimensões” (DESLANDES, 2010, p. 48).

Certamente a acessibilidade já havia pautado a banca quando da qualificação do projeto, ao sugerir que o estudo deveria se restringir a região Nordeste do País, onde resido. Na prática, isso facilitou sobremaneira a escolha dos sujeitos pela mediação de pessoas de confiança dos entrevistados, para Minayo (2010) um princípio básico para a entrada do entrevistador no campo. Ademais, a escolha recaiu sobre aqueles que representavam o grupo social com poder de fornecer respostas de maior aprofundamento, facilitando uma visão mais ampla do problema de investigação, ficando, dessa forma, determinada “por representatividade e não só por acessibilidade” (VERGARA, 2009, p. 24).

Havendo a necessidade de subsidiar a investigação com dados de maior qualidade, fornecendo uma compreensão mais aprofundada dos fenômenos humanos (CICOGNANI, 2002), já que os dados não deveriam levar à generalização, mas ao aprofundamento do fenômeno, percebendo sua extensão e intensidade sob a “reflexão do próprio sujeito sobre a realidade que vivencia” (MINAYO, 2010, p. 65), o processo de escolha dos participantes começou a ser considerado ainda na fase exploratória do trabalho de campo.

Em consequência, a decisão por ouvir atores ligados à cultura, para satisfazer o quarto objetivo intermediário, conhecendo sua visão sobre a realização da festa pelo governo, haja vista sua qualidade de informadores privilegiados, resultou na determinação de não realizar entrevistas com os gestores públicos por entender que estes não levariam à satisfação das necessidades da pesquisa, comprometendo a busca pela resposta ao problema formulado em vista de seu posicionamento técnico e político na administração pública.

Isto porque, ao gestor público seriam necessárias questões específicas sobre o cargo ocupado e as estratégias de governo o que levaria a respostas insinceras ou a embaraços éticos. Aliás, por não serem excludentes, ainda que insinceras, as respostas também poderiam levar o entrevistado, concomitantemente, a problemas éticos, situação incompatível com os propósitos de um trabalho científico. Afinal, a despeito das carências básicas da população, o

que justificaria os vultosos gastos públicos na realização de uma festa que dura apenas alguns dias? Até que ponto acredita o governo que a sociedade espera ou concorda com esses gastos? Por trás de tudo, há intenção de obter vantagem política com a ação? Não seria possível chegar à essência dessas questões através da fala de entrevistados na qualidade de membros do governo.

Com o objetivo específico de conhecer a visão de atores culturais sobre a realização da festa oficial, ou seja, compreender os pontos de vista, os valores e os significados desse fenômeno social para os respondentes, optei pela utilização de um roteiro semiaberto (Apêndice C), no intuito de revelar sua compreensão acerca do objeto definido, ficando descartadas a estrutura fechada e a aplicação de questionários em vista da necessidade de captar os reflexos nas condutas individuais, pois “quaisquer que sejam as múltiplas mediações das representações sociais, no final das contas são sempre os indivíduos que as vinculam e exprimem” (LEME, 1993, p. 53).

Esse tipo de roteiro possibilitou formular durante a entrevista esclarecimentos e novas perguntas que se fizeram necessárias, pois nesse tipo de estrutura há permissão de “inclusões, exclusões, mudanças em geral nas perguntas, explicações ao entrevistado quanto a alguma pergunta ou alguma palavra, o que lhe dá um caráter de abertura” (VERGARA, 2009, p. 9). Uma dinâmica de diálogo mais próxima e, portanto, amigável, auxilia na revelação tanto da opinião sobre o assunto quanto o nível de informação do respondente, numa participação mais ativa do entrevistador, pelo menos no sentido de testar as respostas, cavar mais a fundo, revolver as entranhas, sentir a subjetividade, fazer aparecer a emoção (DEMO, 2000).

Em geral, segundo Souza Filho (1993, p. 119), o instrumento de coleta de dados deve possuir “perguntas que suscitem aspectos do objeto de representação de níveis mais concretos, familiares e definidos até os aspectos mais abstratos, estranhos e ambíguos”, a fim de explicitar o nível de informação em cada grupo investigado, determinando o conteúdo e a estrutura da representação social. Foi o que persegui com as entrevistas, e o respectivo roteiro utilizado se encontra apensado ao final deste relatório.

Sendo a grade semiaberta, iniciou-se a coleta de dados com a presença das dimensões previamente eleitas - Apropriação, Dependência e Campanha - afirmadas na fase da observação das festas, o que permitiu maior aprofundamento no objeto pesquisado. Isto quer dizer que, muito embora já focasse o uso político da cultura pela festa oficial, a pesquisa qualitativa permitiu que o foco do estudo fosse progressivamente ajustado ao longo da investigação, no contexto da descoberta (ALVES, 1991), a partir da interação e da influência dos valores presentes na relação do pesquisador com o objeto pesquisado.

As informações obtidas com os dados primários colhidos através das entrevistas foram alvo de uma análise de conteúdo, “considerada uma técnica para o tratamento de dados que visa identificar o que está sendo dito a respeito de determinado tema” (VERGARA, 2008, p. 15), momento em que se revelam percepções, valores e novos elementos a serem analisados a partir da categorização das falas dos entrevistados.

Entendi ser este o método mais adequado para compreender o fenômeno social escolhido, partindo da comparação contextual entre a teoria e o conteúdo das mensagens, pois a análise de conteúdo deve levar em conta

suas bases teóricas e metodológicas, a complexidade de sua manifestação que envolve a interação entre interlocutor e locutor, o contexto social de sua produção, a influência manipuladora, ideológica e idealizada presentes em muitas mensagens, os impactos que provocam, os efeitos que orientam diferentes comportamentos e ações e as condições históricas sociais e mutáveis que influenciam crenças, conceitos e representações sociais elaboradas e transmitidas via mensagens, discursos e enunciados (FRANCO, 2007, p. 17).

De fato, é nesse contexto que o pesquisador pode atingir seu objetivo, afirmando a análise de conteúdo como método aplicável ao objetivo pretendido, ao possuir tanto uma função heurística, enriquecendo a tentativa exploratória, ou “para ver o que dá”, quanto uma função de administração da prova, a partir das afirmações provisórias formuladas que, “servindo de directrizes, apelarão para o método de análise sistemática para serem verificadas no sentido de uma confirmação ou de uma infirmação” (BARDIN, 2006, p. 31). Assim, elementos até então não identificados puderam sobressair nesse momento, ajudando a revelar a essência do fenômeno a partir daquelas afirmações.

Desse modo, a codificação dos dados e a identificação das principais categorias informacionais apontaram para uma interpretação mais contextualizada do tema, justificada sua escolha “pois são os valores sociais e as maneiras de dar sentido ao mundo que podem influenciar quais os processos, atividades, acontecimentos e perspectivas que os investigadores consideram suficientemente importantes para codificar” os dados coletados e organizá-los em categorias (BOGDAN e BIKLEN, 1994, p. 228), buscando a compreensão do fenômeno estudado para confirmar ou não a tese defendida.

Foram verificadas as seguintes etapas, com base em Bardin (2006) e Dellagnelo e Silva (2005): a pré-análise, isto é, a organização e leitura geral do material; a exploração e análise do material, quando ocorre a escolha das unidades de registro (frase), a partir de sua

ocorrência e recorrência nas falas; a categorização e, por fim, a interpretação dos dados, etapa que corresponde à busca pelos sentidos dos dados.

Na primeira etapa, dediquei-me a transcrever as entrevistas para conhecimento geral do material. Após, reuni as informações, primeiramente respeitando as dimensões abordadas para, depois, compilá-las conforme a semelhança nos posicionamentos. Em seguida, essas informações foram devidamente agrupadas em unidades de registro, neste caso as frases, e estas em categorias iniciais, segundo os procedimentos da técnica de análise de conteúdo categorial. Após, as categorias iniciais foram agrupadas em categorias intermediárias para, enfim, serem reagrupadas em categorias finais, estas interpretadas com o intuito de confirmação da tese.

O contexto ajuda a compreender melhor a significação das unidades de registro. Haja vista os comportamentos dos governantes e os discursos proferidos nas cerimônias de lançamento, nas aberturas oficiais ou em entrevistas, terem ocorrido em virtude das respectivas festas oficiais, com a intenção de justificar a apropriação, reforçar a dependência e criar ambiente para a campanha, o contexto foi considerado o mesmo, não havendo necessidade de separar os dados, tendo colhido os depoimentos após a ocorrência das festas, mas de igual modo em razão delas.

A análise e interpretação dos dados a partir da visão de atores culturais sobre a realização da festa, dessa forma, não separa as informações de Campina Grande e São Luis, até porque não houve a intenção de comparação. Os dados primários ganham o reforço das informações encontradas nos documentos e na observação direta das festas de Mossoró, Patos, e Caruaru, em auxílio à compreensão do fenômeno de forma mais ampla, sem que haja generalização ou se percam consideráveis elementos para a elucidação do problema formulado.