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Tidligere forskning knyttet til voksnes motiver, motivasjon, rekruttering og utbytte

3 VOKSNES LÆRING - BEGREPER, TEORIUTVIKLING OG TIDLIGERE FORSKNING

3.3 Tidligere forskning knyttet til voksnes motiver, motivasjon, rekruttering og utbytte

Distantes cerca de dois séculos do “nascimento do historicismo” e a consequente institucionalização da ciência histórica, os desafios por ela e a ela apresentados não poderiam

ser os mesmos. Uma vez institucionalizada, a urgência deixara de ser a sua consagração entre as ciências.

Mas curiosamente, se em Droysen e Dilthey identificamos a necessidade de definir os contornos do saber histórico e do método compreensivo como realidades autônomas, é possível reconhecer em Koselleck e Rüsen, na segunda metade do século XX, a continuação de ambos os projetos. Se no primeiro caso a urgência se devia à necessidade de garantir ao conhecimento histórico um espaço de autonomia, no segundo tratava-se de restituir à história seu domínio, fortemente ameaçado pelos desdobramentos da virada linguística (linguistic turn).

Mais apropriada à Historik de Rüsen que à de Koselleck, a afirmação acima não perde, por isso, seu alcance. Afinal, é nas décadas de 1970 e 1980 que se vê reacender entre os historiadores e teóricos da história a preocupação com a escrita da história. Indício desta preocupação, algumas publicações trazem no título esta referência – como são os casos de Paul Veyne em Como se escreve a história (1971) e Michel de Certeau em A escrita da história (1975) – sugerindo, por isso, o alcance do “problema”.

Em especial relação à obra de Hayden White, o destaque dado ao elemento formal/ficcional da narrativa historiográfica desencadeou um debate extenso e também tenso a respeito dos limites da elaboração do enredo e do “princípio da realidade”. Assim por exemplo, é conhecido o embate entre o autor de Metahistory e Carlo Ginzburg, além da polêmica tese de Robert Faurrisson e o cenário conflituoso dela decorrente.100

Em grande medida, é em resposta aos desdobramentos do linguistic turn que Rüsen retoma o projeto de uma apresentação sistemática do processo de produção do conhecimento histórico e seu vínculo com a vida prática dos sujeitos, exposta em sua já difundida “matriz disciplinar”.101 Sem privilegiar este ou aquele aspecto do conhecimento histórico (pragmático, metódico, estético ou ético), Rüsen os toma em conjunto e os reconhece como o objeto próprio a uma teoria da história. Esta sistematização é apresentada em uma trilogia, sendo o primeiro volume dedicado aos fundamentos da ciência histórica, o segundo aos princípios da

100 Desenvolvi esta discussão em pesquisa anterior. Sobre isso ver: PEREIRA, Ana Carolina B. “Que objetividade para a ciência da história? O Índio Brasileiro e a Revolução Francesa de Rüsen a Hayden White”. Dissertação de Mestrado. Universidade de Brasília (UnB), 2007.

101 Ver especialmente o capítulo 4 de Razão histórica. Publicado como apêndice à edição brasileira, neste capítulo Rüsen inicia uma apresentação do paradigma narrativista a partir do caráter literário da história e consequente descrédito em relação à pretensão de racionalidade do conhecimento histórico.

pesquisa histórica e o terceiro às formas e funções do conhecimento histórico.102

Em linhas gerais, a matriz de Rüsen pressupõe, em primeiro lugar, que a experiência do agir e sofrer humano no tempo corresponde sempre à dinâmica de construção de sentido pela articulação entre experiência e intenção, num permanente jogo de perde e ganha cujo objetivo é o assenhoramento do tempo, ou, melhor dizendo, o “domínio intelectual da contingência”. Esta operação, absolutamente reflexiva, é realizada pela consciência histórica e tem efeitos na vida prática, uma vez que é capaz de oferecer critérios de orientação para ação. Comum a todos os sujeitos, a “matriz genérica e elementar de interpretação humana do tempo” é convertida em “matriz disciplinar” da ciência da história pelo acréscimo do elemento “método”, indicando a vinculação entre o conhecimento histórico produzido cientificamente e a vida prática de onde partiu e para onde retorna.

Mas antes disso, ainda na década de 1950, Reinhart Koselleck apresentava, como fruto de sua tese de doutorado, defendida em 1954 e posteriormente publicada com o título de Crítica e Crise: contribuição à patogênese do mundo burguês (1959), o primeiro desenvolvimento de uma “semântica dos conceitos”. Em geral, é pelas contribuições de sua “história dos conceitos” e de sua investigação a respeito da gênese da modernidade (Sattelzeit) que Koselleck costuma ser lembrado. Mas, para além disso, o pensamento de Koselleck revela grandes esforços na elaboração de uma Historik própria.

Mas se comparada à obra de Rüsen, uma mesma sistematização não se encontra em Koselleck, uma vez que sua Historik, como afirma o próprio autor, subjaz ao seu projeto de uma história dos conceitos – o que não significa, no entanto, que ela tenha menos importância que a metodologia por ele utilizada. Sua teoria da história é concebida como “uma doutrina das condições de possibilidade de histórias”, uma vez que determina onde buscar as possíveis continuidades e rupturas para uma análise histórica dos conceitos. Nas palavras de Elías José Palti, a Historik de Koselleck “não surge da própria história conceitual, mas constitui sua premissa, seu a priori, e sua eficácia repousa exclusivamente na persuasão e consistência de seus próprios postulados”.103

Nesse sentido, ainda que os pontos de partida de Koselleck e Rüsen se distanciem no

102 As reflexões empreendidas por Rüsen posteriormente, sob o selo da interculturalidade, são abordadas em outro capítulo. Aqui me restringi aos fundamentos de sua Historik, donde se extrai as premissas de uma concepção de história que lhe é própria, reservando a discussão sobre os estudos comparativos desenvolvidos sob sua supervisão para momento posterior.

103 PALTI, Elias José. “Introdução” In: KOSELLECK, Reinhart. Los estratos del tiempo: estudios sobre la historia. Barcelona: Paidós, 2001, p. 10.

tempo e nas intenções, cada um desenvolveu, à sua maneira, uma teoria da história (Historik). Além disso, cada um tratou de dar continuidade, como já foi dito, às obras de Dilthey e Droysen. Será este o principal critério que utilizarei aqui para desenvolver uma análise da teoria da história destes dois autores. Certamente este não é o único caminho de reflexão, por esse motivo não esgota as possibilidades de interpretação do pensamento dos dois teóricos. De todo modo, ele deverá nos indicar alguns pressupostos e diretrizes interpretativas, comuns aos dois casos, sem os quais uma análise das ressonâncias do continuum temporal na teoria da história contemporânea não seria possível.

No que se segue buscarei analisar os fundamentos da teoria da história de ambos os autores, com o objetivo de elucidar a hipótese mencionada no início deste capítulo a respeito de uma nova configuração teleológica da interpretação histórica. Para isso, partirei do isolamento formal dos conceitos de “tempo histórico” e “consciência histórica”, com intuito de identificar a relação entre eles e os pressupostos presentes no contexto abrangente da Historik de um e de outro.

A começar pelo “tempo histórico”, é preciso dizer que se trata de um conceito com mais de um significado. Em certo sentido, pode-se mesmo afirmar que o conceito de “tempo histórico” em Koselleck é quase tão polissêmico quanto o de “vivência”, em Dilthey. Mas num caso como no outro, são conceitos permanentemente evocados pelos autores. Por essa razão, me parece fundamental investigar as possibilidades de sentido atribuídas a “tempo histórico”, até mesmo como forma de sistematizar o que, em Koselleck, é apresentado de modo disperso.

E esta dificuldade em defini-lo é lembrada pelo autor nas primeiras palavras com as quais inicia o prefácio à edição de Futuro Passado:

Que é o tempo histórico? Essa é uma das perguntas mais difíceis de se responder no campo da historiografia. A questão nos leva necessariamente a adentrar o terreno da teoria da história, sob uma perspectiva ainda mais profunda do que a habitual. Pois as fontes do passado são capazes de nos dar notícia imediata sobre fatos e idéias, mas não sobre o tempo histórico em si.104

104 KOSELLECK, Reinhart. “Prefácio” In: Futuro Passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Contraponto, 2006, p. 13.

Mas apesar da dificuldade, há ao menos duas questões a serem destacadas. Em primeiro lugar, parece evidente que o “tempo histórico” ou, mais precisamente, aquilo que ele é, se configura como tema mais propriamente teórico do que historiográfico, uma vez que integra um conjunto de indagações que não necessariamente participa da investigação empírica dos eventos. E, além disso, ao afirmar a exigência de percorrer o terreno da teoria da história “sob uma perspectiva ainda mais profunda do que a habitual”, Koselleck sugere a existência de uma instância anterior à própria formulação teórica. Voltaremos nisso mais adiante, mas antes vejamos como o autor procura responder à desafiadora pergunta.

Arriscando uma descrição do cotidiano que o envolve, Koselleck não apenas nos convida a perscrutá-lo como também nos ensina o caminho:

Quem busca encontrar o cotidiano do tempo histórico deve contemplar as rugas no rosto de um homem, ou então as cicatrizes nas quais se delineiam as marcas de um destino já vivido. Ou ainda, deve evocar na memória a presença, lado a lado, de prédios em ruínas e construções recentes [...]; que observe também o diferente ritmo dos processos de modernização sofrido por diferentes meios de transporte [...] Por fim, que contemple a sucessão das gerações dentro da própria família, assim como no mundo do trabalho, lugares nos quais se dá a justaposição de diferentes espaços da experiência e o entrelaçamento de distintas perspectivas de futuro, ao lado de conflitos ainda em germe.105

É possível reconhecer nesta descrição um primeiro indício do significado atribuído pelo autor, pois neste caso a mudança parece constituir-se como primícia deste tempo que se configura como histórico. Ou mais propriamente, é a descontinuidade e a alteração, mas também a permanência e o consequente “entrelaçamento de perspectivas” o que dele dão testemunho. Em poucas palavras, são os diferentes ritmos da mudança – e não a “mudança em si” – o que parece determinar sua especificidade.

Outro indício importante são as categorias que lhe servem de sustentação. As mais destacáveis são, certamente, as de “experiência” e “expectativa”. Como se sabe, foi com auxílio delas que Koselleck construiu a metodologia capaz de endossar sua “história dos conceitos”. Embora, por outro lado, tenha pretendido erigir por meio delas mais que um 105 Idem, p.13-14.

método e mais que uma metodologia, atribuindo à “teoria dos tempos históricos” o dever de auxiliar toda interpretação histórica.106

Não por acaso os estudos desenvolvidos pela Begriffsgeschichte revelam a preocupação em compreender as origens e o sentido próprios à modernidade (Sattelzeit). É justamente esse período que, segundo o autor, dá testemunho das profundas alterações na consciência histórica europeia, dentre elas a mais destacável modificação do sentido atribuído à história. Como já foi dito, a despedida da Historie (historia mgistra vitae) assinala a emergência de um novo conceito de história e, junto com ele, novas perspectivas a respeito da relação entre passado e futuro.

Nesse sentido, de par e passo à emergência da Geschichte, a modernidade propiciou o encontro com um novo tempo (Neuzeit), o que certamente constitui o núcleo da Sattelzeit. Este novo tempo, percebido e sentido como aceleração, tornou-se responsável pela abreviação dos espaços da experiência na medida em que o passado deixou de lançar luz sobre o futuro de modo determinante. Dessa forma, também o conceito de “tempo histórico” é fruto do processo de crise e reordenamento da consciência histórica europeia, tornando-se fundamental para compreender sua concepção de modernidade.

Aqui parecemos dispor de mais um elemento de aproximação. Ora, se o século XVIII é pensado por Koselleck como cenário de sua emergência, “tempo histórico” é também posto em perspectiva. Dito de outra forma, o próprio conceito de “tempo histórico” é historicizado, e à luz da metodologia da Begriffsgeschichte. A questão parece mais clara quando Koselleck a apresenta como uma hipótese: a de que é a distinção qualitativa entre passado e futuro o que dá origem ao tempo histórico como experiência moderna.

Esse salto qualitativo, fruto da percepção de futuro e passado como dimensões interdependentes, conduziu o pensamento histórico europeu à substituição do lugar até então reservado ao “passado exemplar”, tendendo a uma nova relação com o horizonte de expectativa. E, nesse sentido, “tempo histórico” não significa outra coisa além da coincidência entre tempo (natural) e história (Geschichte), irrealizável em épocas anteriores à modernidade.

Mas antes disso, é preciso dizer, o conceito de “tempo histórico” alude à unidade entre passado e futuro como primeiro dado da experiência do tempo. Isto significa, dentre outras coisas, que as categorias “espaço de experiência” e “horizonte de expectativa” não se 106 A exemplo, Koselleck afirma que um história dos conceitos é condição sine qua non para as questões relacionadas à história social, uma vez que os conceitos que mantém estáveis os seus significados não são, necessariamente, “um indício suficiente da manutenção do mesmo estado de coisas do ponto de vista da história dos fatos”. op.Cit., 2006, p.114.

confundem com outras categorias históricas que atuam como par de conceitos que se excluem (como por exemplo, guerra e paz, trabalho e ócio).

Para Koselleck, “o par de conceitos experiência e expectativa é de outra natureza”, pois como “categorias históricas” elas equivalem às de espaço e tempo e, consequentemente, uma não pode existir sem a outra.107 Por essa razão, as conclusões às quais chegou encontram fundamento num certo pressuposto, a saber, o de que as categorias “experiência” e “expectativa” apontam para uma constante antropológica, sem a qual as histórias não seriam possíveis. E aqui encontramos um dos principais pontos de aproximação entre Koselleck e Dilthey.

Esse a priori do tempo histórico é lembrado por Koselleck em diferentes passagens, embora nem sempre de modo explícito. E é no ensaio intitulado “Espaço de experiência” e “horizonte de expectativa” o lugar onde figura com mais nitidez. Conforme afirma:

[...] todas as categorias que falam de condições de possibilidade histórica podem ser utilizadas individualmente, mas nenhuma delas é concebível sem que esteja constituída também por experiência e expectativa. Assim, nossas duas categorias indicam a condição humana universal; ou, se assim o quisermos, remetem a um dado antropológico prévio, sem o qual a história não seria possível, ou não poderia sequer ser imaginada.108

A passagem é exemplar porque apresenta de forma inequívoca o pressuposto fundamental de sua Historik, o de que a articulação entre passado e futuro constitui-se como um dado antropológico prévio e, consequentemente, como uma “condição humana universal”. Em poucas palavras, não há história possível ou imaginável que não seja constituída, simultaneamente, de experiência e expectativa, ainda que não se verifique a distinção entre as 107 Para a utilização de “espaço” para se referir a experiência e “horizonte” para se referir a expectativa, Koselleck apresenta uma justificativa: “Tem sentido se dizer que a experiência proveniente do passado é espacial, porque ela se aglomera para formar um todo em que muitos estratos de tempos anteriores estão simultaneamente presentes [...] Utilizando uma imagem de Christian Meier, pode ser comparada ao olho mágico de uma máquina de lavar, atrás do qual de vez em quando aparece esta ou aquela peça colorida de toda a roupa que está contida na cuba. E vice-versa, é mais exato nos servirmos da metáfora do horizonte de expectativa, em vez de espaço de expectativa. Horizonte quer dizer aquela linha por trás da qual se abre no futuro um novo espaço de experiência, mas um espaço que ainda não pode ser contemplado” Idem, p. 311. 108 Idem, p. 308.

dimensões temporais de passado e futuro.

Se tratando de um dado antropológico prévio, deve-se reconhecer que a tensão entre as duas categorias não se restringe à realidade moderna e consequente conceito coletivo singular de história. Pois, afinal, a articulação entre experiência e expectativa também integra as formas de conhecimento histórico que antecedem as condições que propiciaram a consciência do tempo histórico. Reformulando, tanto em relação às histórias no plural (Historie) quanto à “história em si mesma” (Geschichte selbst), ambas as categorias participam como condições a priori do conhecimento histórico.

Trata-se, por um lado, de um tempo que “não” se confunde com o tempo natural e que, ainda assim, articula passado e futuro porque é, antes de tudo, reflexo de sua própria unidade originária. Mas, por outro, trata-se também de um tempo que, como a história (Geschichte), foi dotado de um sentido em si mesmo, a partir do momento em que se reconheceu que passado e futuro são dimensões interdependentes.

Ou se preferir, o século XVIII tanto originou um novo tempo quanto criou as condições para que dele se tomasse consciência. E se este tempo assinalou a abertura ao porvir, a consciência dele levou a responder “como” e “de que modo” o devir humano é temporalmente articulável à experiência. Não por acaso, como lembra Zammito109, a história tornou-se moderna no momento em que rompeu com a tradição, separando qualitativamente passado e futuro.

Nesse sentido, “tempo histórico” é um conceito que serve tanto ao entendimento das condições de possibilidade do conhecimento histórico, quanto à compreensão do processo de tomada de consciência da sua existência como qualidade temporal inédita. Por essa razão, sob a “história dos conceitos” encontram-se os pressupostos que servem de sustentação à sua “teoria dos tempos históricos”, donde se extrai os princípios norteadores de sua Historik. Dito de outra forma, a Begriffsgeschichte é apenas parte de uma investigação teórica cujas premissas podem ser investigadas isoladamente.

Por esse motivo, é preciso perguntar pelo caráter transcendental intencionalmente postulado por Koselleck a respeito da possibilidade do “tempo histórico”. Afinal, apesar da relativamente recente descoberta ou reconhecimento de suas prerrogativas, está invariavelmente presente em todo relato histórico. Em poucas palavras, considerando que o

109 ZAMMITO, John. “Koselleck's Philosophy of Historical Time(s) and the Practice of History”. In: History and Theory, vol. 43; Issue 1; pages 124-135, February 2004.

“tempo histórico” é um conceito que serve para se referir tanto à relação intrínseca entre “experiência” e “expectativa” quanto à sua diferenciação e reapropriação, perguntar pelos seus fundamentos é uma tarefa indispensável. E será este o caminho que tentarei percorrer a parti de agora.

Em primeiro lugar, como indicador das condições a priori das histórias, um “tempo histórico” não poderia abrir mão do “tempo natural” como pressuposto. Esclarecendo o itinerário de sua investigação, afirma Koselleck:

Na tentativa de tematizar o tempo histórico, não se pode deixar de empregar medidas e unidades de tempo derivadas da compreensão físico- matemática da natureza; as datas, bem como a duração da vida de indivíduos e instituições, os momentos críticos de uma sequência de acontecimentos políticos ou militares, a velocidade dos meios de transporte e sua evolução, a aceleração ou desacelereação da produção industrial, a velocidade dos equipamentos bélicos, tudo isso, para citar apenas alguns exemplos, só pode ter seu peso histórico avaliado se for medido e datado com o recurso à divisão do tempo natural.110

Parece claro nesta e em outras passagens que a cronologia, a “datação correta”, constitui-se apenas como pressuposto do que pode se chamar de “tempo histórico”, não reservando ao tempo natural outro caráter além de esteio à interpretação histórica. Até aqui, nada parece haver de inteiramente novo. Sobretudo se considerarmos a recorrência às noções utilizadas por Braudel a respeito dos diferentes ritmos temporais. Mas o raciocínio de Koselleck não se limita a tal recorrência e as premissas teóricas que estabelece têm alcance ainda maior. Vejamos.

Foi com o intuito de fixar a unidade da história como ciência e, consequentemente, de reconhecer as questões especificamente históricas como campo legítimo de pesquisa, que Koselleck desenvolveu a sua já mencionada “teoria dos tempos históricos”. Considerando que a ciência da história não dispõe de um objeto inteiramente seu, sendo o método e as normas o que a diferencia das demais ciências humanas e sociais, Koselleck buscou explicitar certos critérios, ou pontos de vista reguladores da pesquisa histórica.

Para tanto, era fundamental que com eles fosse abarcado todo o campo da pesquisa 110 KOSELLECK, Reinhart. op.Cit., 2006, p.14-15.

histórica, sem se limitar à “experiência semântica da história absoluta”. Por isso, pode-se