• No results found

Ti mål på utviklingen i bransjen

In document Sissel C. Trygstad, Mona Bråten, (sider 118-125)

As referências historiográficas para este período são rela vamente numerosas, conforme veremos adiante. Trata-se do período no qual a história das idéias renovou-se e consolidou-se em função das novas tendências então presentes na historiografia ocidental. Tal processo de renovação e consolidação fez-se acompanhar também de uma rela va diversificação disciplinar: nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha ela se traduziu no aparecimento da New Intellectual History com suas várias tendências metodológicas, enquanto que na França, mas também nos EUA, surgiu a História Social das Idéias ou

História Sociocultural. Ainda na França, as idéias ocupam lugar privilegiado na “História das Mentalidades” ou, como propõe Chartier, na “História Cultural”.

Todavia, não se deve exagerar o lado posi vo deste balanço. Tal como as outras áreas historiográficas, a das idéias também foi a ngida por propostas e ques onamentos “pós-modernos” — pós-estruturalistas e pós-marxistas —, oriundos de campos de conhecimento vizinhos: filosofia, lingüís ca, teoria literária. No caso da história das idéias o impacto desses novos desafios foi especialmente profundo em virtude da própria natureza de seu objeto.

Recons tuir a história da história das idéias no período em foco pressupõe, ao nosso ver, duas espécies de abordagem: uma analí ca e outra classificatória ou

pológica. Desta úl ma iremos tratar mais à frente, u lizando de forma resumida o esquema elaborado por Krieger. Quanto à primeira, nosso ponto de vista está centrado na iden ficação dos problemas teórico-metodológicos presentes tanto nas diferenciações disciplinares como nas tipologias classificatórias.

Entendemos que tais problemas cons tuam a substância dos debates que envolvem ainda hoje, predeterminando-as, as próprias condições de possibilidade de uma história das idéias. Temos aí, em primeiro lugar, as abordagens e/ou tendências historiográficas que trabalham com algum po de pressuposto a respeito das relações, entendidas neste caso como reais ou necessárias, entre o universo das idéias — dito intelectual — e o universo do mundo social — a sociedade. Temos, em segundo lugar, as abordagens e/ou tendências que rejeitam explicitamente, ou ignoram na prá ca, o pressuposto anterior e trabalham as idéias exclusivamente em função de seu suporte textual, como discurso ou mensagem, a par r de pressupostos lingüís cos, hermenêuticos ou literários.

No primeiro po, existe uma diferenciação mais ou menos profunda, conforme o caso, entre os historiadores que trabalham com algum conceito de ideologia e aqueles para os quais este conceito deve ser descartado ou, pelo menos, esvaziado de suas conotações (marxistas) tradicionais. A primeira perspec va, mais an ga, está presente com diversas variantes no estruturalismo gené co de Lucien Goldmann, no “filão” gramsciano, no estruturalismo marxista de Althusser e Poulantzas, na sociologia histórica de Skocpol (e de Mannheim, em parte), no “marxismo britânico” de Thompson, Hill, Hobsbawm e, mais recentemente, nos trabalhos de Jameson, nos Estados Unidos.

Ainda neste mesmo grupo, embora mais discretamente, as ideologias também estão presentes no horizonte de alguns historiadores annalistes como Mandrou, Duby, Vovelle, Ehrard, Starobinski etc., com diferenças, é certo, entre uns e outros e quase sempre sem aquelas marcas mais típicas do marxismo.

Já no caso dos historiadores que se abstêm de empregar o conceito de ideologia, ou o u lizam apenas episódica e marginalmente, não é tanto a noção de “mentalidade” que preferem, mas sim a de prá cas e representações sociais ou cole vas. O conceito- chave é então o de representação (Char er) e as idéias/ideologias ingressam na ordem dos processos simbólicos (Bourdieu) — a história das idéias cede lugar à história sociocultural, o mesmo ocorrendo com a das mentalidades.

O segundo po antes enunciado reveste-se de caracterís cas bastante dis ntas. No caso específico da história das idéias, seu ponto de par da tem um nome: Michel

Foucault. Se é fácil demonstrar o caráter simplista desta visão de que tudo começou com Foucault — e para tanto seria suficiente citar as reflexões de Roland Barthes —,34 parece

estar fora de discussão o fato essencial: foi com Foucault que veram início muitas das “novidades” que ainda encantam ou irritam os historiadores das idéias.

Foucault merece portanto toda a nossa atenção. Seus primeiros livros, no decurso da década de 1960, se despertaram algumas curiosidades e crí cas, não representaram de imediato aquela espécie de vendaval que anos mais tarde a visão retrospec va viria a atribuir-lhes. Para nós, é a “Introdução” à Arqueologia do saber o texto talvez mais significa vo. Nele a primeira coisa que se observa é o cuidado com que seu autor dis ngue entre as mudanças ocorridas em dois campos dis ntos da história. No primeiro deles, os historiadores teriam abandonado as velhas questões da análise tradicional e partido em busca de “longos períodos”, das continuidades seculares, das imobilidades, e, para isto, inventaram novos métodos e instrumentos. Em suma, Foucault pensa aqui na nouvelle histoire econômica e social — e quan ta va. Já ao se referir ao outro campo — o das disciplinas que chamamos “história das idéias”, a das ciências, da filosofia, do pensamento, da literatura — disciplinas que “escapam em grande parte ao trabalho do historiador e de seus métodos” — Foucault observa que a atenção parece deslocar-se das vastas unidades — épocas, séculos — para os fenômenos de ruptura.

Assim, ao lado da “história dos historiadores”, Foucault dis ngue um outro campo de inves gação no qual a tônica consiste em detectar as interrupções — citando então J. Bachelard, G. Ganguilhem, Gueroult — como evidências de uma outra história, descon nua, múl pla em suas “redistribuições recorrentes”, e com transformações que valem como novas fundações. Para Foucault, as diferenças entre esses rumos aparentemente contrários seguidos pelas disciplinas históricas são os efeitos inversos dos mesmos problemas por elas enfrentados, problemas que ele resume como sendo o da problema zação do documento e sua transformação em monumento, ou seja, a “história hoje tende à arqueologia — à descrição intrínseca do monumento”.

Deste modo, se na “história propriamente dita” o efeito foi o da busca das séries referentes a longos períodos, na história das idéias, do pensamento e das ciências “a mesma mutação provocou um efeito inverso” — dissociando a série longa chamada “progresso da consciência”, “teleologia da razão” ou “evolução do pensamento humano”. Afastada a possibilidade de totalização é agora a noção de descontinuidade que se destaca — como instrumento e como objeto de inves gação. Resulta daí a impossibilidade de uma história global, pois agora apenas é possível uma história geral — ou seja, o “espaço de uma dispersão”.

Foucault nha então em vista um alvo muito evidente: uma certa concepção de história e da escrita da história. Interessado na história das idéias, ele realiza sua própria leitura das mutações metodológicas em curso na história nova (na verdade, a nouvelle histoire dos Annales) e, ao mesmo tempo que ques ona a historiografia tradicional, desenvolve sua própria explicação para o fato de ser justamente no campo das idéias que as recentes mutações metodológicas encontram as maiores resistências. Para ele a explicação desse fato reside na posição-chave da história das idéias no conjunto da historiografia ocidental, pois foi sempre esta história a verdadeira fortaleza do humanismo, da filosofia do sujeito e, enfim, de uma certa concepção de história

(entendida aqui no seu duplo sentido) como História do Homem.

No entanto, as audácias de Foucault não terminam aí. Ao colocar em prá ca as novas possibilidades metodológicas por ele entrevistas na “Nova História”, já agora no campo intelectual, ins tucional, polí co etc., Foucault iria sublinhar cada vez mais o papel dos discursos, das prá cas discursivas, em estreita conexão com os saberes e os poderes e suas relações recíprocas. Assim, as inúmeras crí cas e propostas de Foucault vieram a ser apropriadas em graus e sen dos os mais variados por historiadores fascinados por este ou aquele aspecto de seus textos, ora mais em termos metodológicos, ora mais do ponto de vista dos “novos objetos”. Seja como for, Paul Veyne percebeu claramente muitas dessas implicações historiográficas ao escrever “Foucault revoluciona a história”.35

No início dos anos 70 entrecruzam-se variadas tendências de importância para a história das idéias. Ao lado da influência crescente de Foucault, agora na sua segunda fase, havia o pres gio do “marxismo estrutural” de L. Althusser e seus epígonos franceses e anglo-saxônios, mas havia também a opção da nouvelle histoire por uma “história estrutural”. Enquanto isso, no campo da lingüís ca e da teoria da comunicação buscava-se explicar ou definir as relações entre a história e a lingüís ca, em geral a par r de fundamentos marxistas, como nos casos de R. Robin,36 M. Pêcheux,37 o já citado E.

Verón, e vários outros. A redescoberta dos trabalhos de Bakh n38 reforçou essas

tendências em franca oposição às correntes estruturalistas dominantes na lingüís ca e na teoria literária de raízes saussureanas ou chomskyanas.

Aos poucos, no entanto, expandiu-se o pres gio das concepções tendentes a encarar o texto e/ou o discurso como uma realidade própria e autônoma em relação às suas condições não-textuais de produção. A interpretação do texto e a análise das prá cas discursivas nele presentes passaram ao primeiro plano em detrimento das indagações tradicionalmente endereçadas ao autor, meio social e época histórica. Afirmou-se também a nova fase de pres gio da hermenêu ca, segundo várias modalidades, destacando-se os trabalhos de Gadamer39 e Ricoeur.40 A retórica, agora

in tulada de “Nova Retórica”, afirmou sua própria importância, sobretudo com Paselman,41 quase ao mesmo tempo em que a semiologia ou semió ca, com Kristeva,

Barthes e Umberto Eco.42 Se acrescentarmos aí os impactos desconstrucionistas de

Derrida, Braudillard, Deleuze etc., talvez seja possível compreender a natureza e extensão de tal “desafio”, externo ao campo historiográfico, para a disciplina histórica. Em seu bojo, por exemplo, está a questão da narra va, tão apreciada pelo New Literary Criticism norte-americano, e cuja importância e difusão se poderia avaliar, em termos de história, através da citação das obras de Hayden White43 e La Capra.44

Em face do que acabamos de expor — um esboço muito sumário da recente trajetória da história das idéias —, talvez seja recomendável encarar com espírito crí co a tendência anglo-saxônia a iden ficar, nos anos 60/70, o aparecimento e progressiva consolidação de uma New Intellectual History como campo específico do estudo que tem nas idéias e a tudes seu objeto próprio e visa a compreender a “vida mental” em seus múl plos níveis e formas, no interior de um mesmo “universo discursivo”. Krieger,45

disciplinas (filosóficas, literárias, ar s cas)” e a “internalização da noção de descontinuidade”.

Krieger, no entanto, tal como todos que abordam o mesmo tema, reconhece a enorme variedade de concepções e tendências que se abrigam sob o rótulo de Nova História Intelectual. Em comum ficariam apenas a certeza de que as idéias desempenham um “papel diferente”, possuem uma “relevância social” específica e a descon nuidade constitui um pressuposto básico.

Contudo, ao elaborar sua pologia, o mesmo Krieger oferece-nos um quadro cujos parâmetros são os mesmos por nós adotados anteriormente: a diferenciação progressiva entre abordagens que baseiam ou reduzem as idéias às suas condições sociais (históricas) de produção e vigência, e as que trabalham segundo o pressuposto da autonomia ou até da independência das idéias. A pologia de Krieger compreende três grandes grupos: (1) o grupo dos historiadores “sociointelectuais”; (2) o grupo dos historiadores que acoplam ou justapõem idéias a algum po de contextualização; (3) os historiadores “internalistas” que recusam ou ignoram a necessidade ou importância de referências “extratextuais” para o estudo das idéias.

O primeiro grupo, segundo Krieger, compreende as novas orientações em “história sociointelectual”. Dando prioridade ao “popular”, seus historiadores “iden ficam as idéias e a tudes como produtos de uma função social dis nta”, reconhecendo uma certa autonomia ao papel histórico das idéias e a necessidade de métodos históricos específicos para sua compreensão, sem que isto signifique porém abordar as idéias somente como idéias. Os principais historiadores deste grupo são os franceses da “terceira geração” dos Annales, como Char er, Revel e Furet. O norte-americano Darnton e o inglês Burke também se incluiriam neste grupo. Talvez se possa aqui incluir, se bem que com algumas ressalvas, a “micro-história” de Ginzburg, Levi e outros historiadores italianos e espanhóis.

Teoricamente, as principais referências deste grupo são textos de Foucault, Norbert Elias (e Weber), G. Geertz, M. Sahlins, P. Bourdieu e Michel de Certeau. No dizer de Chartier, trata-se de uma sociologia histórica da vida intelectual e da cultura em geral, centrada no estudo das prá cas e representações sociais. Na Grã-Bretanha, poder-se-ia mencionar a “biografia cole va” de Namier — no qual idéias e princípios cons tuem variáveis independentes — e os textos de Thompson que sublinham as a tudes e crenças como cons tu vas da “lógica das relações sociais que definem uma classe” historicamente.

O segundo grupo dis ngue “idéias” e “circunstâncias comportamentais” como sendo dois níveis autônomos da realidade histórica, cujas relações cons tuem, na prá ca, o problema que o historiador deve resolver. Entre nós o exemplo mais conhecido é o de Peter Gay e suas tenta vas de associar psicanálise e história. Tanto Febvre como Mandrou realizaram trabalhos pioneiros no campo dessa “psico-história” que se baseia na hipótese da existência de estruturas e configurações psíquicas cuja historicidade ou eternidade são na verdade o nó das discussões entre historiadores e filósofos.

Outra direção de estudos na esfera deste mesmo grupo é o que relaciona idéias e comportamento social em função da análise das chamadas “classes intelectuais” —

grupo cuja função é a de produzir e/ou difundir idéias. U lizam-se então de duas abordagens opostas: (1) da elite intelectual se passa a todos os produtores intelectuais iden ficáveis pessoalmente ou não, de preferência quando ligados a alguma ins tuição; (2) a seleção de grupos intelectuais conhecidos e cole vamente a vos, corpora vos em certos casos, nos quais o historiador busca a relação entre idéias e status social, princípios e ação social etc. No entender de Krieger, esta tendência deriva das concepções de Mannheim a respeito da classe intelectual ou intelligentsia e tem sido mais eficaz no estudo das histórias alemã e russa.

O terceiro grupo compreende as tendências que se situam ao mesmo tempo entre as mais an gas e tradicionais e as mais recentes e inovadoras no campo da história das idéias. Apesar de suas incontáveis diferenças, essas tendências expressam um mesmo e an go ideal: o de uma história das idéias em si mesmas que só admita como contexto uma vaga noção de “universo intelectual”. Tornou-se habitual denominar “internalista” a esse grupo de teorias de essência imanen sta. Sua novidade consiste na incorporação da noção de “descon nuidade” e do conceito de “texto/discurso” além de um mal con do desprezo tipicamente “pós-moderno” em relação à história.

A “internalização” cons tui um pressuposto dos mais complicados para o historiador das idéias, pois é das mais problemá cas a tarefa de se pretender escrever história e ao mesmo tempo omi r o contexto social e as cadeias ou seqüências transepocais das próprias idéias. Na verdade, a questão-chave é uma só: as concepções interna-listas no campo da história das idéias derivam de teorizações geradas fora do território da história, ou seja, divorciadas do “o cio”, por filósofos, lingüistas, teóricos da literatura etc., cujas visões acerca da história raramente coincidem com a dos historiadores, principalmente quando se trata de analisar/cri car a “prá ca da história”.46

Todavia, apesar dessas diferenças, foram muitos os historiadores que se deixaram encantar e levar pelas novidades “extraterritoriais”. Alguns, em conseqüência, escreveriam histórias das idéias que de “história” só conservam o nome. Outros, no entanto, embora “internalistas”, man veram e mantêm vivos seus compromissos com a historicidade e se preocupam em “construir novas con nuidades” e levantar novas “pontes para a experiência social humana”, atentos às relações temporais sincrônicas e/ou diacrônicas. Assim, rejeitando as cadeias evolu vas das idéias, as “visões de mundo” e outras noções picas da história das idéias tradicional, os historiadores atuais tendem a ver em cada idéia ou em cada pensador um “microcosmo” no qual se ar culam passado e presente numa estrutura específica. Preservar o eixo temporal das relações históricas e recons tuir as conexões é o obje vo comum aos historiadores deste grupo e é neste nível que se tornam mais evidentes suas diferenças em face da produção dos não-historiadores.

A noção de “internalismo” no âmbito da história intelectual e/ou das idéias abrange extenso leque de tendências definidas em função dos métodos que u lizam ou dos tipos de objeto abordados.

A acreditar-se em Char er (1994) trata-se aqui do “desafio” do “linguis c turn” ou “semiotic challenge”. Segundo a teoria dos desafiantes, a linguagem cons tui um sistema fechado de signos; a construção do sen do remete ao funcionamento da língua — automá co e impessoal — imune à intenção e controle subje vos. Advém daí uma conseqüência decisiva para o historiador: “A realidade não mais deve ser pensada como uma referência obje va exterior ao discurso, pois que ela é cons tuída pela e dentro da linguagem.”

Temos aí, portanto, no limite das injunções lingüís cas, a perda do “referente”, isto é, hoje, ao contrário da afirmação de Vilar (1975), a história já não fala mais da história. Entretanto, esta perda não cons tui uma conseqüência necessária para todo e qualquer trabalho histórico comprome do com questões lingüís cas. Exemplos do que ora afirmamos existem às centenas, como em coletâneas recentes do po das organizadas por Burke e Porter (1993) — Linguagem, indivíduo e sociedade —, Corfield (1991) — Language, history and class. No Brasil, livros como os de Con er (1979), Debert (1979) e Orlandi (1983 e 1993), entre outros, demonstram a mesma coisa.

Na verdade, a u lização dos métodos lingüís cos (quan ta vos, analí cos, estruturais) ou sociolingüís cos poderá funcionar ou não, para o historiador que deles lança mão, como obstáculo epistemológico. É o que se percebe claramente em trabalhos tão diferentes como Language and materialism, de Coward e Ellis (1977), Language as social semio c, de Halliday (1978), Poli cs, language and me, de Pocock (1971) e, na França, os livros mais recentes de Todorov (1982, 1991) e Rancière (1992).

História e literatura

Afora o conjunto clássico de questões respeitantes às relações entre o historiador e as obras literárias, interessam-nos aqui os problemas derivados da caracterização do discurso histórico como “narra va”. Se de fato, toda história é uma história narra va, como tentam demonstrar Certeau (1975), Ricoeur (1983, 84, 85), Lozano (1987), entre outros, tal conclusão não pode ser interpretada como uma espécie de “retorno” da velha história narra va de viés posi vista, razão do conhecido debate entre Stone (1979) e Hobsbawm (1980) na Past and Present, e de ar gos de H. White (1984), Ginzburg (1988), La Capra (1985), além, é claro, de Barthes (1988).

Mas a questão da história entendida como narra va envolve problemas bem mais importantes que o de um suposto “retorno”: o das relações entre história e ficção e entre o discurso histórico e o literário. Aqui, sim, existe um outro po de “desafio” diante do qual cabe ao historiador afirmar, através de sua prá ca, a irredu bilidade da experiência ao discurso (Char er, 1994). Para todas estas questões talvez nada mais elucida vo que alguns textos de Costa Lima (1989) — “O discurso do historiador, como o da própria ciência exata, é sujeito ao protocolo da verdade...” Nem por isso é menos conhecimento que se justifica enquanto comprovável.

Contextualização histórica

especialmente em idéias e teorias polí cas, esta tendência já foi suficientemente

In document Sissel C. Trygstad, Mona Bråten, (sider 118-125)