características das linguagens de marcação que utilizam o uso de etiquetas (tags) para separação
dos elementos e pela definição de conteúdo e propriedades. Com essa linguagem, é possível
distinguir os dados contidos em um documento eletrônico como um simples bloco de texto e
apontar significado, seja de formatação ou conteúdo, para cada um de seus elementos
(SUZART, 2013). As principais linguagens de marcação estão descritas abaixo:
O SGML é um padrão internacional complexo para o intercâmbio de grandes documentos.
Já o HTML é o serviço mais utilizado na Interlíquido que exibe informações no formato de
hipertexto, através de páginas estáticas. Finalmente, o XML é um padrão menos complicado do
que o SGML, porém com as mesmas funcionalidades, desenvolvido pelo W3C (World Wide Web
Consortium – Consórcio da Rede de Alcance Mundial), para resolver os problemas do SGML e
do HTML (GUAIANA, 2013).
O eXtensible Business Reporting Language (XBRL) é uma linguagem de marcação
baseada em XML usada para comunicar as informações de negócios eletronicamente. Qualquer
entidade pode usar o XBRL para codificar suas informações financeiras e não financeiras como
demonstrações contábeis, notas explicativas, e assim por diante. Em termos simples, o XBRL é
uma ferramenta que beneficia todos os utilizadores por proporcionar maior funcionalidade do que
o Word, Pdf, Hyper Text Markup Language (HTML), e outros formatos de relatórios financeiros
com base em imagens (XBRL US, 2015). Abaixo na Figura 2 se apresenta as inter-relações entre
essas linguagens SGML, HTML, XML e XBRL.
Figura 2 – Inter-relação entre as linguagens SGML, HTML e XML
O XBRL é usado para codificar de modo que as informações contidas possam ser lidas
automaticamente pelos softwares habilitados e são mais facilmente classificadas e comparadas.
Os computadores não têm conhecimento inerente da informação financeira e não entendem a
informação que não está totalmente definida. Tornar as informações possíveis de serem lidas
requer dados a serem acompanhados por informações contextuais (XBRL US, 2015). As Figuras
3 e 4 mostram a diferença entre a divulgação dos ativos circulantes no balanço em HTML e
XBRL. Enquanto nas contas como de partes relacionadas os números são fixos no HTML; no
XBRL, os números apresentam a descrição, referência, entre outros:
Figura 3 – Divulgação dos Ativos Circulantes da Vale S.A. em HTML
Fonte: SEC (2015).
Figura 4 – Divulgação dos Ativos Circulantes da Vale S.A. em XBRL
No caso das demonstrações contábeis, por exemplo, apesar da flexibilidade em criar uma
tag para indicar o “ativo circulante”, esse conceito pode ter diversos significados para os diversos
fornecedores e consumidores da informação contábil-financeira, que podem variar conforme a
empresa, a atividade e o setor.
Considere o que o exemplo da Figura 5, quer dizer à um computador que as Vendas
Líquidas foram 131.383 é inútil sem definir o que o número representa como Receita
Operacional Líquida, a moeda em que é relatado (Reais), escala/arredondamento (milhares) e
período de tempo abrangido (2013), bem como a identidade da empresa (Companhia ABC).
Esse contexto permite que o computador dê sentido ao valor 131.383. Os códigos de
marcação utilizados em XBRL descrevem os dados financeiros em um formato que os
computadores podem classificar, ordenar e analisar (XBRL US, 2015).
Na Figura 6, encontra-se um exemplo da lista de itens para a Demonstração do Resultado
do Exercício correspondentes a figura acima na taxonomia brasileira aprovada pelo XBRL
International em abril. O preparador deve escolher o item respectivo com o que esta reportando,
como “Receita Operacional Líquida”, e o item da taxonomia que no caso é “Receita Líquida de
Vendas e/ou Serviços”. Esse contexto permite que o computador dê sentido ao valor 131.383.
Os códigos de marcação utilizados em XBRL descrevem os dados financeiros em um formato
que os computadores podem classificar, ordenar e analisar (XBRL US, 2015).
Figura 5 – Exemplo de Demonstração do Resultado do Exercício
Figura 6 – Demonstração do Resultado do Exercício
Fonte: XBRL International (2015).
A taxonomia XBRL contém um rótulo padrão (do inglês: standard label) para cada
elemento na taxonomia e os atributos como tipo da informação (molíquidoária, bloco de texto),
tipo de período (instante ou duração), balanço (débito ou crédito), entre outros (GERON;
BITTENCOURT; RICCIO, 2013).
Na elaboração de uma taxonomia, também deve-se inserir as descrições do item no
relacionamento do rótulo (do inglês: label linkbase), assim como as referências de lei e normas
no relacionamento de referência (do inglês: reference linkbase) e se tiver fórmulas pré-
estabelecidas no relacionamento de formula (GERON; BITTENCOURT; RICCIO, 2013).
Para confirmar o item escolhido, o preparador verifica se a descrição e os atributos estão
de acordo com a legislação, normas especificadas e assim escolhe, conforme demonstrado na
Figura 7.
Após escolher o item correspondente a sua demonstração ou nota explicativa na
taxonomia, o preparador coloca em hierarquia no relacionamento de apresentação (do
inglês:presentation linkbase). Os preparadores da taxonomia podem fornecer novos rótulos, se
desejarem, para coincidir com as palavras usadas nas demonstrações financeiras no
relacionamento do rótulo (do inglês: label linkbase). Depois o preparador deve parametrizar o
cálculo da demonstração ou tabelas da nota explicativa no relacionamento de cálculo (do inglês:
calculation linkbase) para poder efetuar validações pelo sistema que encontrarão possíveis
inconsistências de somatórias. Para tabelas com várias colunas como a Demonstração das
Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), a companhia deve elaborar o relacionamento de
definição (do inglês: definition linkbase) que possuem os itens de dimensão como eixo, tabela,
membros, linha (do inglês: dimensions) (GERON; BITTENCOURT; RICCIO, 2013).
Além dos itens definidos em uma taxonomia, as companhias que a utilizam podem criar
extensões, isto é, novas etiquetas (itens) que também terão todos os atributos anteriormente
descritos definidos. Essa possibilidade adiciona flexibilidade ao uso da linguagem.
Posteriormente, essas extensões poderão ser incorporadas como itens dentro da própria
taxonomia padrão se o órgão regulador que a desenvolve julgar necessário. Após realizada essas
etapas, são inseridos os valores, as unidades, períodos, moedas, entre outros no documento de
instância (do inglês: instance document) (GERON; BITTENCOURT; RICCIO, 2013).
Conforme encontra-se na Figura 8 com a demonstração desses componentes.
Esse processo de “etiquetação” que o XBRL permite, torna possível o armazenamento, a
manipulação, reposição e comunicação dos dados dos relatórios financeiros e empresariais. Com
o XBRL é factível associar determinadas características que não seriam possíveis no modo
impresso e tradicional devido a inserção de uma etiqueta digital em determinado dado, indicando
suas características, tornando seu significado independente de sua origem, como uma planilha,
banco de dado ou qualquer outro tipo de aplicativo, gerando assim uma integração intermodal da
informação (IFRS FOUNDATION, 2015).
Figura 7 – Item Receita de Vendas na Demonstração do Resultado do Exercício
Figura 8 - Modelo do XBRL
Fonte: Modificado e adaptado de Hoffman e Watson (2009).
Várias vezes a comparação entre a tecnologia XBRL e a tecnologia Universal Product
Code (UPC), mais conhecido como "código de barras" é realizada. Em termos leigos, o XBRL é
uma linguagem de TI, e não como o código de barras que é desenvolvido especificamente para o
gerenciamento de informações financeiras. Como o código de barras, o XBRL é uma forma de
padronização que traz a eficiência significativa no processo. Assim como as descrições do
produto padronizado pelo código de barras possibilitam maior agilidade na gestão de estoques,
processamento aprimorado e redução dos custos globais de gestão de inventário. O XBRL
permite maior agilidade no gerenciamento das informações empresariais, a velocidade de acesso
e análise das informações (VALENTILÍQUIDOTI; REA, 2013). Segue uma ilustração na Figura
9 abaixo:
Figura 9 - Trecho da divulgação do balanço patrimonial e etiqueta do XBRL
Para demonstrar melhor como as etiquetas de XBRL funcionam, segue abaixo na Figura
10 um exemplo das contas divulgadas no Balanço Patrimonial, etiquetadas no XBRL. Do lado
esquerdo um trecho da divulgação do balanço patrimonial de uma empresa típica que utiliza o
padrão contábil brasileiro e do lado direito sua respectiva etiqueta da conta “Caixa” em XBRL.
Figura 10 - Trecho da divulgação do balanço patrimonial e etiqueta do XBRLFonte: Adaptado e traduzido de IFRS Foundation, 2015.
Os ativos circulantes da empresa estão listados como seis itens de linha como aparecem
na divulgação, começando por ativos, ativo circulante, caixa, entre outros, e terminando com
total do ativo circulante no lado esquerdo. Já do lado direito, está ilustrado a mesma informação
só que a formatação foi removida para mostrar a etiqueta com o código escondido por trás do
relatório legível por softwares em XBRL. Um exemplo do item de linha da divulgação Caixa e
a etiqueta XBRL correspondente foi destacada (IFRS FOUNDATION, 2015).
A informação etiquetada pelo XBRL possui atributos que podem ser entendidos pelo
computador. Esse processo, em XML, é obtido pelos sinais < > e </>, em que o primeiro indica
a abertura do processo de etiquetagem e o último seu fechamento. Por exemplo, <Caixa> 28.700
</Caixa> significa que o computador entenderá que, em um determinado momento, a conta
patrimonial de ativo, com natureza devedora, cuja terminologia é Caixa, possui um saldo de
28.700 em uma determinada unidade molíquidoária especificada. Ou seja, o valor 28.700 foi
etiquetado pelo elemento “Caixa”, da mesma forma, deve-se fazer esse processo para as notas
explicativas (IFRS FOUNDATION, 2015).
In document
Mapping of QoS-Enriched Models to a Generic Resource Model
(sider 10-16)