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Theory of change

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2. Methodology

2.3 Theory of change

Discutiremos, a seguir, noções importantes como texto e discurso, com o objetivo de situar a crônica como um gênero discursivo. Frequentemente se tem uma confusão entre texto e discurso.

Koch (2008: 25-26) nos apresenta duas formas de se abordar o termo texto. A primeira refere-se das origens da Linguística de Texto até o presente momento: “unidade linguística do sistema superior à frase; sucessão de combinação de frases; cadeia de pronominalizações ininterruptas; cadeia de isotopias; complexo de proposições semânticas”. A segunda refere-se à Pragmática: “pelas teorias acionais, como uma sequência de atos de fala; pelas vertentes cognitivistas, como fenômeno propriamente psíquico, resultado, portanto, de processos mentais; e pelas orientações que adotam por pressuposto a teoria da atividade verbal, como parte de atividades mais globais de comunicação, que vão muito além do texto em si, já que constitui apenas uma fase desse processo global”.

Assim, o texto deixa o caráter de produto e se tem uma ênfase no processo da sua construção e verbalização. Essa construção dá-se pela participação dos coenunciadores, que mediante seleção de estratégias, possibilita a interação.

Dentro da construção de texto encontramos no discurso dois Sujeitos: o Enunciador, que é aquele que produz o discurso e o Enunciatário que, por sua vez, recebe o discurso, interage e constrói o sentido a partir das pistas que o enunciador deixa no texto.

Suarez (2010) utiliza a imagem do iceberg para conceituar texto. O que vemos é o texto, ao passo o que está submerso é o discurso, isto é, a intenção de quem constrói o texto e os efeitos de sentidos que o leitor atribui, a intenção.

Além da imagem apresentada por Suarez (2010) temos o conceito de discurso que é o processamento mental, que é construído pela interação do leitor com o seu leitor. Temos a intenção e os efeitos de sentido.

Segundo Orlandi (1987), o texto refere-se a um conceito analítico, enquanto discurso a um conceito teórico e metodológico. Há no discurso a importância do funcionamento da linguagem e as condições de produção.

No discurso, o trabalho com a língua situa-se “no mundo, com maneiras de significar, com homens falando, considerando a produção de sentidos enquanto parte de suas vidas, seja enquanto sujeitos, seja enquanto membros de uma determinada sociedade. (Orlandi, 2002: p. 16). Temos um espaço de confronto, de construção sócio-histórica, materializada e veiculada pela língua, apresentando aspectos ideológicos. Surge a relação: língua- discurso-ideologia que é articulada no/dentro do discurso, surgindo os efeitos de sentido. Segundo Orlandi (2002: p. 21) “Compreender o que é efeito de sentidos, em suma, é compreender a necessidade da ideologia na constituição dos sentidos”.

Dentro do discurso, temos diversas vozes, que estão interagindo, constituindo aspectos da polifonia. (Cf. Ducrot 1987).

Associado ao dizer e o dito, temos também o silêncio, que é o não-dizer, que também tem aspecto discursivo. Segundo Orlandi (2002: p. 17) “O funcionamento do silêncio atesta o movimento do discurso que se faz na contradição entre o “um” e o “múltiplo”, o mesmo e o diferente, entre paráfrase e polissemia”.

Para a Análise Crítica do Discurso (A.C.D.) podemos evidenciar uma discussão acerca do poder, do abuso e das desigualdades sociais. Observamos que o poder é instaurado juntamente com o controle social. Para tanto, os donos do poder utilizam-se das mídias:

jornais, audiovisual, revistas, livros didáticos, a Igreja; para manter o controle da população. Não se tem interesse em por a população a par dos acontecimentos, dar-lhes voz. Há uma escolha do que se apresenta para a população e até aquilo que pode ser reproduzido, difundido. Segundo Van Dijk (2012: p. 18) “Se o discurso controla mentes, e mentes controlam ações, é crucial para aqueles que estão no poder controlar o discurso em primeiro lugar”. Para tanto, segundo o mesmo autor, tem-se a necessidade de quem está no poder controlar o contexto.

O controle dá-se por aspectos como persuasão, sedução, manipulação e doutrinação. Há a necessidade de quem tem o poder, deixar à parte as reais intenções discursivas. Segundo o mesmo autor, (op. cit.: p. 21) “A ilusão de liberdade e diversidade pode ser uma das melhores maneiras de produzir a hegemonia ideológica que servirá aos interesses dos poderes dominantes na sociedade, incluindo as empresas que fabricam essas próprias tecnologias e seus conteúdos midiáticos e que, por sua vez, produzem tal ilusão”.

3.6 Gêneros do discurso/ gêneros textuais:

O relevo atribuído aos vários estudos sobre gêneros do discurso estão orientados por Bakhtin (2010: p. 263), segundo ele, os gêneros devem ser considerados por uma dupla perspectiva: como gêneros discursivos primário (simples) e secundário (complexos). Assim, explicita a distinção a ser consideradas entre ambos:

“Os gêneros discursivos secundários (complexos – romances, dramas, pesquisas científicas de toda espécie, os grandes gêneros publicísticos, etc.) surgem nas condições de um convívio cultural mais complexo e relativamente muito desenvolvido e organizado (predominantemente o escrito) – artístico, científico, sociopolítico, etc. No processo de sua formação eles incorporam e reelaboram diversos gêneros primários (simples), que se formaram nas condições da comunicação discursiva imediata. Esses gêneros primários, que integram os complexos, aí se transformam e adquirem um caráter especial: perdem o vínculo imediato com a realidade concreta e os enunciados reais alheios (...)”.

Assim procedendo, nesse tempo inicial de investigação – quando se busca explicitar a piada como um gênero que se inscreve na complexidade dos processos de composição narrativa. Outra informação a ser ressaltada sobre a “crônica” é o fato dela se qualificar

por um modelo de composição textual-discursiva que se explica a princípio pela condensação: são textos condensados, portanto, aqueles de pequena extensão, organizados pela narratividade.

O texto que será analisado no Capítulo III é uma crônica que é constituída gêneros textuais: narrativo, descritivo e dissertativo. Estes gêneros encontram-se unidos para a construção da argumentação do autor, bem como estabelecer um diálogo com o leitor. Por intermédio da narratividade, que se constrói no/ pelo discurso, busca “fisgar” o leitor para que ele participe dessa discussão e também se posicione em relação ao fato que está sendo narrado.

3.7 Gêneros do discurso: narrativo, descritivo e dissertativo

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