2.1) Programa de Envolvimento com a Comunidade - PEC
Orientar e apoiar os empregados que “queriam” atuar em ações comunitárias. A partir de iniciativas dos funcionários, que apresentam projetos sociais à Xerox, a empresa entra como parceira do governo e de entidades sem fins lucrativos nestes projetos, em que seus funcionários já trabalham como voluntários.
Atualmente, em fase de declínio, sendo substituído pelas Células de Solidariedade.
Brasil 1994 Em fase de declín io. n.d.
2.2) Células de
Solidariedade Coordenar e promover atividades de apoio comunitário, despertando nos empregados da Xerox o sentimento de humanidade e a consciência do direito de todos à
cidadania, incentivando a participação das pessoas para a contribuição social.
Brasil
1996 n.d.
Fonte: http://www.gkls.xerox.com/instituto (acessado em 03/10/2002) Book Programa Social da Mangueira, Xerox (2002)
Elaboração própria.
(1) Objetivo extraído do projeto apresentado ao Prêmio da Câmara Árabe de Comércio, 2001. A Xerox ganhou o prêmio.
(2) As empresas conveniadas ao CAMP Mangueira (em torno de 200 atualmente), ao contratarem os serviços dos jovens aprendizes, pagam uma taxa percentual (de 25% sobre o salário deles) para a manutenção das atividades do CAMP.
(3) Monteiro é atualmente presidente da APERJ. (4) http://www.cdi.org.br
(5) http://www.jarj.org.br. O CIEP-Nação Mangueirense e o CAMP Mangueira estão entre respectivamente uma das escolas públicas e projetos especiais atendidos pelo Junior Achievement.
n.d. – não disponível
No que se refere à primeira dimensão do Programa, o papel da Xerox está relacionado sobretudo ao apoio financeiro, que é concedido às organizações sociais do terceiro setor, que concebem e gerenciam os projetos. A formalização da parceria entre a Xerox e as instituições responsáveis por cada projeto (que estão mencionadas na coluna 2) viabiliza o repasse dos recursos.
Exceção ao esquema das parcerias nessa primeira linha de ação, são os dois projetos de meio ambiente (“Recicla” e “Envolvimento com a Comunidade”) e o projeto “Biblioteca Reprográfica / Digital”, da área de cultura. Neles, além do apoio financeiro, foi a própria Xerox que os idealizou e segue gerenciando. Também no caso do projeto CAMP-Mangueira, a Xerox exerce, desde o início, importante papel de coordenação, sendo chamada de “empresa-madrinha”.
Além destes (14) projetos sociais apoiados institucionalmente pela Xerox hoje em dia (quadro 16), existem também os projetos que já perderam o apoio da Xerox. Um deles é o Projeto Olímpico USP (Universidade de São Paulo) / Xerox iniciado em 1992, tendo sido a parceria com a Xerox descontinuada em 1998. A principal razão para essa interrupção foi o desvirtuamento de clientela atendida: inicialmente concebido para atender aos jovens da rede
de escolas públicas próximas ao campus da USP, acabou voltado para os próprios alunos da USP e os filhos dos seus funcionários. Ou seja, o foco social do projeto fora perdido, em favor dos jovens de classe média .
Como bem colocou Heitor Chagas56 (entrevista em 12/11/2002), que antecedeu Monteiro na Diretoria de Assuntos Corporativos da Xerox, o caso do Projeto Olímpico USP / Xerox ilustra o fato da Xerox ter conseguido não se tornar refém do projeto social que patrocinava. Ele foi além nesta sua argumentação ao alertar que, para que qualquer empresa possa sempre se precaver deste risco, o contrato torna-se instrumento fundamental. Este tem que ser muito bem feito; todos os objetivos da empresa ao financiar aquele projeto têm que estar lá previstos. E depois, há sempre que se vincular a metodologia de avaliação àquelas cláusulas do contrato.
Outro projeto social, que teve descontinuada sua parceria com a Xerox, foi a Fábrica de Esperança de Acarí (RJ), voltado para a oferta de cursos profissionalizantes aos jovens daquela comunidade, uma das mais carentes do subúrbio carioca. Aí, a principal razão alegada para a interrupção da parceria foram as ameaças dos traficantes, que praticamente inviabilizaram o projeto.
O Projeto Olímpico Mangueira/Xerox sempre foi até hoje, sem dúvida alguma, o projeto-âncora dentre os projetos sociais apoiados institucionalmente pela Xerox. Quando se fala em ação social da Xerox, a primeira idéia que surge para as pessoas (interessadas no tema da ASE) é a da Vila Olímpica da Mangueira. Muitas, inclusive, não imaginam sequer que a Xerox tenha outro projeto social além da Vila Olímpica da Mangueira. E, de fato, como comprovam os quadros 15 e 16, este é um dos projetos sociais mais antigos da empresa, e o que absorve a maior fatia orçamentária do Instituto Xerox. Mas, nem de longe, é o único!
Já no que se refere à segunda dimensão do Programa Social da Xerox, o papel da Xerox está voltado para estimular e coordenar as iniciativas do trabalho voluntário entre seus funcionários. Em 1994, teve início o Programa de Envolvimento com a Comunidade – PEC, dotado de uma orientação fortemente institucional. E, em 1996, surgiram as primeiras Células de Solidariedade, como iniciativas voluntárias e espontâneas que foram brotando entre grupos de funcionários da empresa, espalhados por todo o país.
56 Heitor Chagas foi Diretor de Assuntos com o Governo na Xerox (Brasília), entre nov.1994 e dez.1997. De dez.1997 à nov. 1999, ele assumiu a Diretoria de Assuntos Corporativos (RJ), que incorporou aquela Diretoria de Assuntos com o Governo e passou a ser constituída, então, das seguintes áreas: de relações externas com a comunidade, de relações externas com o governo e de relações externas com a midia. Em nov. 1999, saiu da Xerox para assumir a Diretoria da PETROQUISA.
Atualmente, ambas as iniciativas de trabalho voluntário convivem na empresa, com a diferença que a primeira (PEC) encontra-se em fase de declínio, e a segunda, em fase de expansão. Quanto à distinção entre PEC e Células de Solidariedade, Quintanilha (entrevista em 08/10/2002), que foi gerente de recursos humanos na Xerox até 1999, dá a seguinte explicação:
O PEC é, digamos, institucional: o funcionário “traz” o projeto social para a empresa, que avalia a possibilidade de investir nele ou não. Ou seja, o funcionário é como se fosse um agenciador do projeto. A Xerox decide se patrocina ou não o projeto apresentado, tendo por base, em grande medida, o critério da sustentabilidade.
Já nas Células de Solidariedade, o que conta é o envolvimento direto do funcionário da Xerox com os projetos sociais. A concepção das Células é a de que, se existem problemas identificados, os funcionários da Xerox devem, em grupo, buscar soluções para eles. A primeira “Célula" na Xerox surgiu em 1994 na área de finanças, quando foram lá criadas diversas Células como: a Célula de Treinamento e Desenvolvimento; a Célula de Comunicação; a Célula de Satisfação do Empregado; a Célula de Melhoria do Lay-Out, etc... Foi extrapolando esta idéia que começaram também a ser criadas, a partir de 1996, as Células de Solidariedade no âmbito da empresa.
Atualmente, existem ao todo 16 Células de Solidariedade, espalhadas na matriz e nas
filiais da Xerox57 no Brasil (Revista da Cidadania,
http://www.gkls.xerox.com/instituto/acao.htm, acessada em 25/03/2003).
Voltando à primeira dimensão do Programa Social da Xerox, a do apoio institucional a projetos sociais, e examinando a dotação orçamentária de 2002 do Instituto Xerox para os projetos (quadro 17), alguns resultados interessantes merecem ser destacados. O primeiro é que a área de “comunidade” é a mais relevante. Sozinha, ela chegou a absorver 83,8% do montante dos recursos próprios do Instituto. Mesmo considerando o valor dos recursos totais disponíveis (próprios + incentivados), a participação deste segmento ainda é elevada, de 63,3%.
57 A lista dos funcionários-membros das Células de Solidariedade, com seus e-mails e telefones, encontra-se disponível no site do Instituto Xerox – http://www.gkls.xerox.com/instituto/celulas_lista.htm, acessado em 03/10/2002.
Quadro 17 – Programa Social da Xerox: Dotação orçamentária para os projetos sociais apoiados institucionalmente, 2002
Orçamento 2002 (R$) Orçamento 2002 (%)
Projetos funcionando: Próprios Rec. incen- Total Rec. próp. Rec. incen- Total
tivados tivados
Projetos funcionando:
Área: Comunidade 1.596.000 0 1.596.000 83,8 0,0 63,3
Percentual (%) 100,0 0,0 100,0
Projeto Olímpico da Mangueira/Xerox 1.200.000 0 1.200.000 63,0 0,0 47,6 Espaço de Cultura Digital (1) 60.000 0 60.000 3,1 0,0 2,4 Proj.Olímpico Crianças do Parque 36.000 0 36.000 1,9 0,0 1,4
Proj. Olímpico Manaus 300.000 0 300.000 15,7 0,0 11,9
Área: Cultura 224.088 614.935 839.023 11,8 100,0 33,3
Percentual (%) 26,7 73,3 100,0
Casa das Artes da Mangueira (2) 48.038 192.151 240.189 2,5 31,2 9,5
Centro Cultural Cartola (3) 0 12.000 12.000 0,0 2,0 0,5
Oficinas Culturais da Casa do Zezinho
(2) 176.050 410.784 586.834 9,2 66,8 23,3
Biblioteca Reprográfica / Digital
Xerox 0 0 0 0,0 0,0 0,0 Área: Educação 84.000 0 84.000 4,4 0,0 3,3 Percentual (%) 100,0 0,0 100,0 CAMP - Mangueira (4) 24.000 0 24.000 1,3 0,0 1,0 CDI 24.000 0 24.000 1,3 0,0 1,0 Junior Achievement 12.000 0 12.000 0,6 0,0 0,5 Vestibular Social (2) 24.000 0 24.000 1,3 0,0 1,0
Área: Meio ambiente 1.000 0 1.000 0,1 0,0 0,0
Percentual (%) 100,0 0,0 100,0
Projeto Recicla 0 0 0 0,0 0,0 0,0
Projeto Envolvimento com a
Comunidade 1.000 0 1.000 0,1 0,0 0,0
Sub-total 1.905.088 614.935 2.520.023 100,0 100,0 100,0
Percentual (%) 75,6 24,4 100,0
Projetos novos (não funcionando)
Laboratório Volante de Poesia
Popular (3) n.d. n.d. 112.500
Oficinas Culturais Crianças do Parque
(3) n.d. n.d. 240.189
Sub-total 352.689
Total 2.872.712
Fonte: http://www.gkls.xerox.com/instituto/programas.htm (acessado em 03/10/2002) Book Programa Social da Mangueira, GRESEP-Mangueira / Xerox (2002) Tabela orçamentária 2002, fornecida pelo Instituto Xerox.
Elaboração própria.
(1) Valor especificado no site do Instituto Xerox.
(3) Tabela orçamentária 2002, fornecida pelo Instituto Xerox. A confirmar rec. próprios / incentivados (?) (4) Não foi aqui considerado o valor investido pela Xerox nos estagiários do CAMP que trabalham
na empresa (R$ 150.000), pois consideramos que este valor seja melhor classificado como pagamento de mão-de-obra.O valor
aqui apresentado corresponde à diferença entre o valor orçamentário, obtido na tabela do Instituto Xerox, para a rubrica CAMP Mangueira / Espaço Digital e o valor apresentado no site do Instituto Xerox (acessado em 03/10/2002) para o projeto Espaço de Cultura Digital (de R$ 60.000)
Dentre os projetos comunitários, e conforme comentado anteriormente, o destaque é para o Projeto Olímpico da Mangueira, que conseguiu ser responsável por 63,3% dos investimentos sociais totais feitos pelo Instituto Xerox, em 2002, com recursos próprios (no valor de R$ 1,2 milhões no ano). O segundo lugar coube ao Projeto Olímpico de Manaus, cuja participação percentual no valor total dos recursos próprios foi de 15,7% (ou seja, R$ 300 mil no ano).
A segunda constatação interessante diz respeito à utilização de recursos incentivados. Como sabemos, os incentivos fiscais para os investimentos sociais privados ainda estão muito concentrados no segmento de “cultura”. Com efeito, vemos que, por enquanto, é apenas na área da cultura que a Xerox se utiliza das prerrogativas fiscais para financiar seus projetos. E já o faz de forma bastante ampla, tendo em vista que os recursos incentivados neste segmento já superam, em muito, os recursos próprios aí aplicados.
Assim, o quadro 17 mostra que do total dos seus investimentos sociais na área de cultura (R$ 839 mil), 73,3% foram feitos com base em recursos incentivados e somente 26,7% com recursos próprios. No projeto Casa das Artes da Mangueira, do total dos recursos investidos pela Xerox, 80% foram provenientes de incentivo fiscal; no projeto Oficinas Culturais da Casa do Zezinho, este percentual foi de 70%.
Importante destacarmos que, até o momento, a Xerox só se utilizou dos incentivos fiscais em âmbito municipal, abatendo os valores investidos nos projetos culturais do montante a pagar de Imposto Sobre Serviços – ISS ou de Imposto Predial e Territorial Urbano – IPTU58, até o limite de 20% do valor total devido.