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THEORIES – MEDIA, THE ENVIRONMENT AND THE RELEVANCE OF GEOGRAPHY . 15

Foi realizada uma etapa inicial de entrevistas para a elaboração de uma proposta para avaliação de redes sociais e fatores de risco e de proteção para o envolvimento com drogas na adolescência, a ser realizada pelo educador, com os alunos, em contexto de sala de aula.

Então, realizamos a fundamentação teórico-prática do conteúdo do instrumento de avaliação; a adequação do vocabulário do mesmo, dos procedimentos para avaliação, do formato de apresentação, bem como a abordagem dos resultados pelo educador, em uma proposta viável para o contexto de sala de aula.

2.4.1. Os participantes e as atividades

Os participantes desta etapa inicial foram quatro educadores e duas turmas de 7a série do ensino fundamental, com alunos entre 12 e 17 anos de idade, totalizando 42 alunos. Tanto a direção da escola como os educadores e alunos das turmas que participaram das atividades assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido (ANEXO 7), autorizando a utilização dos dados para pesquisa.

O contato e a seleção dos educadores que participaram da etapa inicial ocorreu na própria escola e teve como critério o interesse do educador e a inserção no curso de capacitação de educadores oferecido pelo PRODEQUI. Os educadores envolvidos nessa etapa foram: dois educadores, um com formação em pedagogia e outro em psicologia, além de outros dois professores. Os professores que participaram cederam algumas de suas aulas para que a atividade se realizasse. No entanto, sua participação se deu somente nesse momento específico. Os dois educadores, no entanto, foram envolvidos em todo o processo de conhecimento sobre o instrumento antes de sua aplicação, bem como na participação da aplicação do instrumento, nas análises dos resultados obtidos, no planejamento e nos

momentos de abordagem das turmas em sala de aula. O local de realização dessas atividades com os alunos foi o contexto de sala de aula.

Os alunos e as turmas que participaram foram selecionados pelos próprios educadores, de acordo com seus interesses para conhecimento sobre a turma e compatibilidade com os horários. A quantidade de alunos variou, uma vez que as atividades com cada turma se desdobraram em diversos momentos e a freqüência dos alunos não foi constante em todos eles. No entanto, a quantidade mínima de alunos participantes, em todos os momentos com as duas turmas, foi de 14 alunos, e a quantidade máxima, nessa etapa, foi de 42 alunos.

A partir desse processo conjunto com diferentes atores da escola, foi desenvolvido e adequado o instrumento de avaliação, chegando-se a uma proposta de abordagem individual e grupal da turma pelo educador, para conhecer a realidade do jovem quanto ao envolvimento com drogas na adolescência, bem como fazer a abordagem, sob a perspectiva das redes sociais e dentro de um modelo sistêmico de educação para a saúde.

2.4.2. O desenvolvimento do instrumento

Para transpor a abordagem individual da entrevista de redes sociais (Sudbrack, 2006; Sudbrack & Pereira, 2003), foi inicialmente aplicado, na íntegra, o mapa e o roteiro com as questões da entrevista na 1a turma pela pesquisadora, juntamente com dois educadores, solicitando que os alunos preenchessem o mapa de redes sociais e respondessem às questões, por escrito. Esse formato de aplicação se mostrou inadequado por diversos motivos: (i) a atividade se tornou muito longa e trabalhosa; (ii) os adolescentes ficaram desmotivados e cansados com a atividade; (iii) os resultados qualitativos gerados não favoreceram a abordagem da turma pelo educador. Após a aplicação do instrumento em cada turma, foi realizado, pelo grupo de pesquisa, um debate em sala de aula sobre o tema das drogas, com a presença do educador.

Foram realizadas as primeiras construções teórico-práticas para a elaboração do instrumento (ANEXO 4), relacionando: (i) as questões da entrevista de redes sociais, (ii) os fatores de risco e proteção apresentados na literatura, e (iii) o conteúdo das falas de adolescentes em conflito com a lei e usuários de drogas (Pereira, 2003). Para o instrumento já modificado (ANEXO 5), manteve-se o preenchimento do mapa de redes sociais e as questões relativas às funções desempenhadas pela rede, mas transformando as perguntas abertas do roteiro de entrevista em um questionário fechado sobre fatores de risco e proteção para o envolvimento com drogas na adolescência, chegando a uma primeira proposta de avaliação e abordagem em contexto grupal.

Foi realizada uma aplicação da nova proposta na 2a turma, com a participação de dois educadores, resultando na ampliação e seleção dos fatores de risco e proteção iniciais, bem como a modificação dos itens do questionário e no formato de avaliação e proposta de abordagem da turma pelo educador, no que se refere a:

• adaptação do vocabulário e de uma linguagem acessível ao adolescente;

• adequação do conteúdo dos itens do questionário e criação de novos fatores de risco e proteção, com base nos conteúdos dos debates promovidos em sala de aula e no questionamento dos próprios adolescentes;

• formato do instrumento e instruções para favorecer o processo de auto-avaliação e avaliação grupal.

• procedimento mais adequado de aplicação pelo educador em sala de aula;

Além da reformulação do instrumento, foi proposta uma estratégia para avaliação dos resultados individuais e grupais por meio da quantificação, com objetivo de ajudar tanto o adolescente como o educador a visualizarem as situações de risco e proteção nos contextos da rede social, bem como os fatores de risco e proteção mais freqüentes para a turma. Dessa forma, chegou-se à versão utilizada na aplicação piloto conforme será descrito no próximo capítulo.

2.4.3. Métodos para registro e análise de dados

Ao longo dessa etapa da pesquisa, os dados sobre os fatos e eventos observados na situação de pesquisa foram registrados em um diário de campo, assim como os conteúdos das supervisões dos professores e as impressões acerca do processo de apropriação da proposta pelo educador. As entrevistas individuais realizadas pelos educadores, na fase inicial, foram gravadas em áudio, acessadas pela pesquisadora, que ouviu e trabalhou o seu conteúdo nas supervisões dos educadores, sem transcrição e análise de conteúdo desse material.

Na etapa inicial, os dados referentes a aplicação do instrumento foram registrados em diários de campo pela pesquisadora e grupo de pesquisa, envolvendo os temas, as falas e as sugestões realizadas pelos alunos e educadores nos momentos e contextos de aplicação do instrumento e de debate com a turma. As dúvidas, propostas, sugestões e críticas dos adolescentes e educadores foram cuidadosamente registrados no diário de campo, nos registros de observação realizado pelo grupo de pesquisa e em um instrumento utilizado pela pesquisadora para anotar as modificações necessárias. Após as aplicações, era solicitado aos alunos que fizessem críticas, observações e sugerissem modificações verbalmente e por escrito em seus instrumentos preenchidos, os quais foram recolhidos pela pesquisadora e utilizados como material para reformulação do instrumento e da proposta de avaliação.

Os dados coletados foram utilizados para realizar as alterações, ajustes e adequações necessárias no instrumento e na abordagem ao adolescente e à turma ao longo de todo esse processo de construção conjunta da proposta. O resultado referente a essa etapa do estudo foi a construção do instrumento em uma versão final, utilizada na experiência piloto.

Os dados a ser analisados neste relatório se referem somente aos dados registrados na experiência piloto.