dos aufere d'uni tratamento ampelotherapico. « Assim como o soro do leite tem como propriedades dominantes comba- ter proficuamente a plethora abdominal e a tuberculose em geral, diz Carrière, assim também a uva possue uma acção verdadeiramente especial e surprehendente sobre uma úni- ca doença a diarrhea, qualquer que seja a forma que ella affecta, quer seja aguda ou chronica, de forma benigna ou grave » ; é principalmente nas diarrheas chronicas ligadas a certos temperamentos, e fdiadas n'uma espécie de atonia do tubo intestinal, e ainda n'umas diarrheas epidemicas do outono que, segundo Schulze, a uva attinge o seu máxi- mo poder, excedendo muito os resultados obtidos pelo uso d'outros fructos igualmente empregados com resultados in- contestavelmente inferiores. Bastava attender aos maravi- lhosos effeitos apontados por Tissot, Zimmermann, Keller, Schulze e outros muitos, para ficarmos convencidissimos da efficacia d'esté meio therapeutico em doenças d'esta ordem.
Nas enterites diarrheicas, dependentes da stase ou con- gestão passiva, que acompanha as lesões do figado ou dos órgãos circulatórios e respiratórios, os resultados estarão subordinados á importância da lesão causal e aos benefícios que esta doença poderá experimentar pelo emprego me- thodico das uvas.
Se pretendermos agora explicar o modo de acção d'esté meio therapeutico nos casos de diarrhea chronica, encon- tramos por um lado as propriedades tónicas e adstringen- tes devidas ao ferro, manganês, tannino e outros ácidos, e por outro lado a acção dos elementos purgativos que a uva encerra, podendo actuar como em geral actuam, os dyaly- ticos empregados igualmente n'estes casos. Posto que, como
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diz Herpin, este ponto não tenha ainda sido definitivamente resolvido, não nos repugna admittir que, embora se dê um predomínio de acção para um certo d'estes effeitos se- gundo os casos, na generalidade será aos resultados com- binados dos agentes tónicos e purgativos que devemos at- tribuir os maravilhosos benefícios n'essas diarrheas chroni- cas e incoerciveis, rebeldes aos mais poderosos agentes therapeuticos.
Quando o catarrho chronico intestinal se revela pela constipação habitual, concorrendo também efficazmente para a persistência da doença o accumulamento das fezes, os ef- feitos évacuantes da uva convenientemente escolhida satis- fazem o melhor possivel a uma das indicações principaes d'esta forma de enterite.
Ainda n'estes casos podemos invocar, além das modifi- cações de secreção inhérentes aos effeitos purgativos, uma acção fortificante sobre a innervação intestinal, porque não se pôde deixar de admittir que uma das principaes causas da retenção das fezes consiste n'uma espécie de atonia ou enfraquecimento geral sobre que as uvas exercem, como já sabemos, uma poderosa influencia.
Este mecanismo de acção torna-se bem sensível nos dois casos apontados por Curchod, em que o desappareci- mento da constipação habitual, e a regularisação das func- ções intestinaes coincidiram justamente com as importantes
e benéficas modificações que se deram no estado geral dos
indivíduos.
Dysenteria. — Os salutares effeitos da ampelotherapia
sobre as affecções inflammatorias do intestino, estendem-se igualmente a essas colites ulcero-membranosas que, grassan-
do epidemicamente, tantas vezes roubam innumeras victi- mas.
Por muito tempo os preconceitos populares attribuiram ao uso dos fructos o apparecimento e a permanência das dysenterias. Já em 1743 Pringle e Sydenham se levanta- ram contra estes prejuizos, citando em abono da sua opi- nião o desapparecimento da epidemia que então grassava no exercito inglez, pelo simples facto de se ter permittido aos. soldados fazer uso de quantidades consideráveis de uvas.
Tissot lj referindo-se a este mesmo assumpto, mostrou,
baseando-se nos factos, que o uso da fructa em caso algum podia ser a causa da dysenteria epidemica : « em certos annos os fructos incompletamente maduros e de má qualidade po- dem dar logar a cólicas, diarrhea, e mais frequentes vezes doenças nervosas e cutâneas, mas nunca verdadeiras dysen- terias. A fructa madura de qualquer qualidade que seja, e sobretudo a de verão, longe de ser a causa d'esta doença, deve pelo contrario ser considerada como o seu verdadeiro e único preservativo». Nota em seguida o auctor que pa- rece haver um certo antagonismo entre os annos abundan- tes em fructas e o apparecimento da dysenteria ; cita final- mente numerosos casos plenamente confirmativos d'estas opiniões, e termina acrescentando que, longe de se prohibir o uso das fructas nas épocas de epidemia, se deve pelo contrario generalisar o seu uso, competindo ás auctorida- des fazer abastecer abundantemente os mercados.
Se procurarmos agora na acção physiologica da uva as
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precisas propriedades antidysentericas, certamente as en- contraremos nos seus effeitos tempérantes e évacuantes. Sabemos que nas formas mais benignas da dysenteria, as bebidas refrigerantes e as derivações levemente purgativas, associadas ao repouso e a uma dieta convenientemente es- colhida, satisfazem plenamente a todas as indicações.
Nas formas graves é ainda a medicação évacuante que representa um dos mais importantes papeis; mas n'estes casos os effeitos espoliadores da doença precisam de ser contrabalançados pelos medicamentos tónicos e reconsti- tuintes : formulas que se encontram igualmente indicadas no sueco nutritivo da uva.
Na forma chronica, além dos tónicos e évacuantes, é muito necessário recorrer aos adstringentes, razão porque n'estes casos convém escolher as uvas em que a analyse revele uma maior quantidade d'estes princípios.
Hemorrhoidas. — Emprega-se com vantagem o trata- mento pelas uvas nos estados hemorrhoidarios, embora, como faz notar Herpin, não possa conseguir-se por este meio o desapparecimento completo da doença em todas as formas e graus de que é susceptível.
Pelos effeitos laxantes suaves, e que podem prolongar-se por muito tempo, as uvas fazem ausentar essa congestão venosa, que os auetores allemães denominam plethora ab- dominal, ligada a perturbações circulatórias nomeadamente da veia porta. Pelos effeitos reconstituintes sobre o sangue e indirectamente sobre toda a economia, reanimando a con- tractilidade muscular e facilitando assim o curso do sangue, concorre o tratamento pela uva igualmente para dissipar os symptomas dominantes e principalmente esse estado ainda
mal definido, resumidamente descripto por Curchod, e que precede a doença confirmada.
0 emprego d'esté meio, diz Schweich, é uma verdadei- ra panacea contra esse estado parcial que até hoje tem re- sistido ás outras medicações, sem exclusão do emprego das aguas mineraes. É principalmente nos indivíduos de vida sedentária, entregues aos aturados trabalhos intellectuaes, que a doença se desenvolve. Ora, n'estes casos, além dos effeitos directos do medicamento, convém aproveitar a acção indirecta, devida ás condições que acompanham a sua administração. « Haverá nada mais próprio para o exer- cício e mudança d'impressoes, diz Carrière, do que as lo- calidades onde se fazem as curas pelo soro do leito e pe- las uvas? Temos a certeza de encontrar ahi sítios pittores- cos, terrenos accidentados que nos convidam ao exercício, e onde a pureza do ar attinge em geral um grau elevadís- simo ».
Doenças do fígado e vias biliares. — É principalmente nas congestões iniciaes das doenças d'esté órgão, ou quando existe um estado inflammatorio subagudo, seguido d'uma leve hypertrophia com coloração ictérica dos tegu- mentos e difficuldade de digestão, que o emprego das uvas dá excellentes resultados. Nos casos mais graves, quando existe já um certo grau de endurecimento, do parenchyma, é em geral a uma therapeutica mais efficaz que se deve recorrer; mas ainda n'estes casos a ampelotherapia está indicada, na opinião de Curchod, pelo regimen que impõe, e pela espécie de repouso dado aos doentes, consecutiva- mente ao emprego de meios mais enérgicos. Desengorgi- tando os vasos abdominaes, facilitando as digestões e ace-
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lerando os processos nutritivos, o tratamento pela uva faz desapparecer promptamente as ictericias dependentes d'es- tes estados puramente congestivos e ligados a um estado de circulação imperfeita. Por um mecanismo similhante, e ainda pela acção diurética, combate efficazmente os derra- mamentos serosos do peritoneu, quando não estejam liga- dos a lesões extensas e irremediáveis do fígado.
Nos catarrhos biliares, em que o emprego de algumas aguas mineraes satisfaz á indicação causal, as uvas podem igualmente aproveitar. Nas cólicas hepáticas dependentes de cálculos biliares e resultantes em geral d'uma alteração de bilis, as observações de Lœchner e Durkhcim provam a efficacia d'esté meio therapeutico, embora não possa dar-se desde já uma explicação satisfactoria, como não pôde dar- se da acção exercida pelas aguas mineraes de Carlsbad, Vichy, Vidago e outras igualmente aproveitáveis n'estes casos.
Doenças do baço. —Nos engurgilamentos chronicos d'esta glândula, consecutivos ordinariamente ás febres intermitten- tes, o emprego das uvas será seguido de benéficos resulta- dos, se não houver endurecimento sensivel; no caso con- trario, as aguas mineraes acima apontadas e as uvas podem applicar-se apenas como complemento util na consolidação da cura iniciada por outros meios therapeuticos mais efi- cazes.
Taes são, muito em resumo, as principaes applicações da uva nas doenças do apparelho digestivo e seus annexos.
II
Appai-cllio respiratório
Inflammações catarrhaes chronicas. — Os valiosos effei- tos obtidos pelas uvas no tratamento d'estas flegmasias, observam-se não só n'aquelles casos em que se trata d'uma affecção puramente local, mas também quando se está debaixo da influencia d'um estado dyscrasico ou constitu- cional.
A razão do que avançamos comprehende-se perfeita- mente, attendendo a que os variadíssimos elementos cons- tituintes da uva preenchem numerosas indicações : os prin- cípios muco-assucarados existentes em abundância no sue- co têem como propriedade aproveitável n'estes casos mo- dificar as secreções bronchicas, tornando-as menos consis- tentes e fazendo desapparecer, ou pelo menos attenuando consideravelmente, a tumefacção da mucosa; dotado por outro lado de elementos sudoríficos, e exagerando as secre- ções intestinaes, produz aquelle principio, por este meio, uma derivação salutar, actuando assim indirectamente so- bre o apparelho broncho-pulmonar ; finalmente, pelos prin- cípios aromáticos e pela sua acção reconstituinte, concorre poderosamente a uva, quando prolongado o seu uso por um certo tempo, para melhorar consideravelmente as afec- ções chronicas da mucosa respiratória.
Começando pelas inflammações chronicas da laryngé, vemos preconisadas entre muitos outros meios therapeuti- cos as aguas acidulas alcalinas e chloruradas, chegando
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Nyemeyer a dar a preferencia ás de Ems, cuja administra- ção aconselha conjunctamente com o soro do leite U
Embora esta pratica seja até certo ponto empírica, por- que são perfeitamente hypotheticas as opiniões que susten- tam a influencia do chlorureto de sódio, a formação do mu- co, ou o modo de acção dos carbonatos alcalinos sobre as celhas vibrateis do epithelio, é incontestável o beneficio ob- tido por esta medicação. O próprio Mandl 2, apesar de
não ser partidário d'esté meio therapeutico, não pôde dei- xar de confessar que « muitas pessoas affectadas de laryn- gites idiopathicas se dão perfeitamente, pela permanência durante uma estação, n'um estabelecimento d'aguas mine- raes ».
Sendo isto verdade, e sabendo-se por outro lado que o sueco da uva é, debaixo de muitos pontos de vista, análo- go ás aguas mineraes alcalinas ou purgativas, attendendo principalmente á opinião de Herpin, que sustenta a identi- dade de effeitos entre as aguas mineraes de Ems e o li- quido do frueto citado nas irritações incipientes do pulmão e do apparelho respiratório, não podemos deixar de consi- derar este meio, nas affecções catarrhaes chronicas da la- ryngé, como um recurso de grande valor, cuja efficacia é confirmada por numerosos casos.
No catarrho chronico dos bronchios emprega-se a uva igualmente com proveito : além das indicações causaes a que pode mais ou menos satisfazer em muitos casos, como acontece na escrófula, rachitismo e nas doenças cardíacas,
1 Nyemeyer. Op. cit. — Jacconrl Op. cit. s S t a l l . Maladies du larynx et du pharynx.
satisfaz ainda ás principaes indicações da medicação sym- ptomatica, já facilitando a expectoração, já abatendo o es- tado de contracção espasmódica ou de relaxamento semi- paralytico dos músculos bronchicos, já finalmente diminuin- do a secreção excessiva pelas modificações que pôde im- primir á mucosa ou membrana segregante.
« A tosse, diz Curchod, é consideravelmente mitigada por este meio; a expectoração abranda ou diminue defini- tivamente ; a rouquidão e a aphonia mesmo (salvo a de ori- gem syphilitica ou tuberculosa) desapparece ou modifica-se consideravelmente. Vi notáveis exemplos d'estes factos em ecclesiasticos e outras pessoas cuja profissão os obrigava ao abuso demasiado da voz; no fim da vindima, e debaixo da influencia combinada do repouso e do regimen pelas uvas, regressaram a suas terras com um timbre de voz perfeitamente sonoro».
Coqueluche. - No tratamento d'esta doença pôde ainda aconselhar-se com proveito a dieta pelas uvas. N'esta affec- ção assustadora das primeiras idades pouco devemos espe- rar do emprego dos medicamentos geralmente aconselha- dos, que, longe de beneficiarem, pelo contrario aggravam muitas vezes os padecimentos. Nyemeyer limita-se a cuida- dos hygienicos — igualdade de temperatura, evitar por to- das as formas as causas d'irritaçâo, e dar como bebida a agua de Seltz morna ou misturada com leite quente—. Tal é a base do tratamento instituído por este auctor, além dos meios que algumas vezes emprega para combater um symptoma dominante, tal como a frequência excessiva dos accessos (opiados), e a demasiada accumulação das muco- gidades (vomitivos). No período de declinação é pela medi-
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cação tónica e reconstituinte (vinho e ferruginosos) que de- bella eficazmente o enfraquecimento geral consecutivo.
Pelo que acabamos de dizer é de fácil reconhecimento que a dieta pelas uvas deve satisfazer a quasi todas as in- dicações do tratamento da coqueluche.
« Apesar d'estas previsões da theoria, nota Curchod, ne- nhum auctor allemão menciona o emprego d'esté meio; e no entanto preconisam a administração do soro do leite, como consta dos escriptos de Lõwenthal, de Hein e de Perle, havendo a mais completa analogia entre um e outro liquido debaixo de todos os pontos de vista com incontestá- vel superioridade nas uvas no tocante aos effeitos tónicos e reconstituintes ».
A pratica felizmente confirma os benéficos effeitos da ampelotherapia no tratamento da coqueluche. Os mesmos factos apontados pelos medicos de Lausane e pelo próprio Curchod, cujos filhos foram tratados por esta forma, não podem deixar duvidas sobre a efficacia d'esté poderoso agente.
Tuberculose pulmonar. —No seu importante trabalho sobre a therapeutica da tisica, o dr. Fonssagrives, referin- do-se nas indicações primarias ás curas pelo soro do leite e pelas uvas, diz : 4 « Estas duas medicações, inauguradas
ha muito na Suissa e na Allenianha, no tratamento de cer- tas formas da tisica pulmonar, não foram ainda vulgarisa- das no nosso paiz, apesar dos intelligentes esforços de Car- rière, e no entanto julgamos como elle que estes meios
mais poderosos do que parecem á primeira vista, podem prestar importantíssimos serviços no tratamento d'esta afecção ».
É no periodo de simples predisposição que estes meios therapeuticos attingem a sua maxima importância — na tí- sica confirmada são geralmente impotentes como todos os outros empregados com o mesmo fim; ainda, porém, nos períodos avançados têem uma incontestável utilidade, com- batendo os principaes symptomas, retardando a marcha da doença, e tornando possível, pela maior duração que dão ao doente, o apparecimento d'essas curas espontâneas que, embora raras, não são todavia sem exemplo.
A analyse da composição comparativa entre o soro do leite e a uva deveria fazer prever, principalmente no caso particular a que nos estamos referindo, a sua analogia the- rapeutica ; e no entanto ha nos effeitos da segunda substan- cia alguma cousa mais do que os simples resultados obtidos pela medicação sero-lactea- a estimulação geral e a vitali- sação mais rápida do sangue exigem extremas precauções n'aquelles indivíduos cuja excessiva irritabilidade nervosa conserva o apparelho circulatório n'um erethismo constante.
Tem por outro lado esta propriedade indicações espe- ciaes a preencher nas formas de tuberculose ligadas a um temperamento escrofuloso, em que o desenvolvimento de tubérculos resulta como consequência necessária da in- sufficiencia de reacção vital. É talvez por se não atten- der a esta diversidade de acção que divergem as opiniões sobre a importância dos dois meios, considerados por uns como igualmente efBcazes, dando outros o predomínio á medicação sero-lactea. D'esté ultimo parecer é Carrière, quando diz que é sobretudo como meio dietético e adjuvan-
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te da medicação sero-lactea que deve considerar-se a dieta pelas uvas.
Como quer que seja, o que é fora de duvida é que es- tes dois meios therapeuticos representam um papel im- portante no tratamento da tuberculose inicial.
Vamos encontrar por um lado a prova d'esta asserção na enorme affluencia d'individuos que annualmente se diri- gem para os logares onde se fazem estas curas e por ou- tro nos numerosos factos apontados por Lersch, Mojsisoviez e Beneke, homens dignos de toda a confiança pela longa pratica e vasta erudição.
Diversas theorias, diz Fonssagrives, se tèem apresenta- do, baseadas em différentes princípios, para explicar a in- fluencia do soro do leite sobre a doença a que nos esta- mos referindo. Deixaremos, porém, estas theorias, sobre as quaes a extensão do nosso trabalho não nos permitte fallar; notaremos apenas que, sendo o soro do leite com- posto principalmente d'agua e saes, dos quaes uma gran- de parte tem sido recommendada por variados auctores no tratamento da tisica, deve a presença d'estes princí- pios influir poderosamente sobre os resultados obtidos. Completamente destituído de princípios azotados, porque no leite apenas a caseína os contém, o liquido em questão fica apenas reduzido aos elementos mineraes; e é por isso que os allemães consideram o soro do leite como uma ver- dadeira agua mineral, tendo sobre esta a incomparável vantagem de ser preparada pelo organismo, motivo por- que deve dar as melhores garantias para uma fácil e prom- pta assimilação.
A mesma diversidade de opiniões se nota na interpre- tação dos effeitos da uva, onde, abstrahindo dos principios
azotados e da estimulação mais intensamente produzida, se encontram certamente as mesmas propriedades.
A opinião admittida por Fonssagrives, relativamente a esta importante questão, parece-nos ao mesmo tempo a mais simples e a mais racional.
«Duas indicações principaes, diz o auctor da therapeu- tica da tisica pulmonar, preenchem as uvas na doença em questão: l.a submetter os tuberculosos a uma medicação
acidula e tempérante, que atténua ou faz desapparecer o trabalho inflammatorio agudo ou chronico, desenvolvido no parenchyma pulmonar; 2.a engordar os doentes».
O importante papel dos estados congestivos do pulmão sobre o apparecimento e a evolução dos tubérculos pulmo- nares, dispensa-nos quaesquer considerações sobre a ma- neira de interpretar a primeira indicação, á qual as uvas satisfazem, não só pela acção tempérante local a que se refere Fonssagrives, mas ainda, como diz Curchod, pela derivação que produz a superactividade do fígado e dos rins. A segunda é igualmente d'uma importância capital «todo o individuo, diz Paget, predisposto para a tisica que atra- vessa uma phase accidental de emaciação, approxima-se do período de tuberculose confirmada » J. Comprehende-se, em
vista d'isto, a necessidade d'uma intervenção enérgica n'es- tes casos, já desviando as causas do emmagrecimento, já combatendo-o directamente por uma alimentação em que a receita nutritiva exceda a despeza funccional.
Ê n'estes casos que os analepticos gordos e o assucar representam um papel importante; os primeiros combatem directamente o emmagrecimento, não só e principalmente
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porque moderam o movimento de desassimilação orgânica, retardando por conseguinte os progressos do marasmo, mas ainda talvez pela influencia anti-dyscrasica que alguns lhe querem attribuir, considerando as substancias gordas como medicamentos iodo-phosphorados.
Com relação ao assucar ingerido em natureza ou resul- tante da elaboração digestiva dos feculentos, concorre po- derosamente para sustar a decadência dos processos nutri- tivos, desde o momento em que não provoque pela dose excessiva ou pelas susceptibilidades exageradas do indivi- duo espoliações abundantes, nem diminua o appetite, com- promettendo assim a alimentação. Logo que se não dêem
estas condições desfavoráveis, podemos dizer com Fonssagri- ves que uma grande parte das curas obtidas pela dieta vege- tal, ainda mesmo da dieta pelas uvas, devem realmente attribuir-se ás quantidades consideráveis de assucar conti- das n'esses fructos. E de facto, esta substancia, não só pelas suas propriedades adipogenicas, transformando-se em gordura se deposita directamente nos tecidos, mas tam-