crever, confrontando e analysando as différentes faces do problema.
Em todo o caso convém começar o tratamento o mais cedo possivel, porque evidentemente se consegue por este meio não só prolongar por mais tempo os benefícios da ampelotherapia, como também aproveitar um poderoso ad- juvante da medicação : os exercícios e passeios ao ar livre.
3) Doses e modo de distribuição das uvas durante o dia. — A quantidade de uvas que convém administrar a um doente nas vinte e quatro horas, não é arbitraria e não deve por conseguinte deixar-se entregue aos caprichos ou appetites individuaes; pelo contrario deve subordinar-se á natureza da doença, ás disposições individuaes, ás necessi- dades dos doentes, e á qualidade dos fructos.
Se quizermos aproveitar os effeitos purgativos e diu- réticos é mister, além da escolha das uvas que devem ser brancas e aquosas pouco assucaradas e incompletamente amadurecidas, augmentar um pouco mais a quantidade ad- ministrando-as de preferencia de manhã. Se ao contrario, modificando favoravelmente a crase sanguínea, estimulan- do a assimilação, e desenvolvendo as metamorphoses or- gânicas, olharmos aos effeitos tónicos e reconstituintes, de- vemos recommendar doses menores, castas tintas e assu- caradas e prolongar o tratamento pelo maior espaço de tempo possivel.
Feitas estas restricções admittiremos com Carrière, Cur- chod, Herpin e outros, que a dose ordinária deve oscillar entre très e très kilos e meio, segundo as condições espe- ciaes do individuo. Esta quantidade diária deve ser repar- tida em três porções não só para evitar os inconvenientes
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d'uma grande accumulação, como também e principalmente para poder aproveitar os adjuvantes hygienicos, como os passeios ao ar livre, que tão poderosamente concorrem para o bom êxito da cura, facilitando a digestão e a absor- pção dos elementos constituintes da uva, e dissipando por isso mesmo a repugnância que certos doentes começam a sentir passados os primeiros dias das applicações ampelo- therapicas.
A primeira dose deve administrar-se de manhã uma hora e meia a duas horas antes do almoço ; a segunda en- tre o almoço e o jantar, pelo menos meia hora antes d'esta ultima refeição. Esta dose deve ser a maior de todas, (me- tade approximadamente da dose total) em consequência cia facilidade do exercicio e dos passeios a esta hora do dia que, mais do que qualquer outra, se presta á convivência e á distracção. A terceira dose finalmente, que deve ser ainda menor que a do almoço, pôde reservar-se para a tarde três a quatro horas depois do jantar, a fim de não perturbar o trabalho digestivo. Alguns práticos chegam a proscrever ab- solutamente n'estas condições o uso das uvas ; Curchod po- rém, menos rigorista, exige apenas que a quantidade seja moderadíssima, devendo unicamente considerar-se como uma simples sobremesa, e de modo algum como continua- ção do tratamento ampelotherapico. As mesmas considera- ções devemos fazer com relação á quarta dose, admittida por alguns auctores, e administrada depois da ceia antes de recolher, attendendo á insomnia e perturbações gástri- cas a que pôde dar logar.
Cumpre igualmente notar que as uvas ingeridas de ma- nhã, ainda cobertas de orvalho, são mais diuréticas, laxan- tes e refrigerantes do que as colhidas e conservadas ha
tempo, ou administradas durante o calor excessivo de cer- tos dias. É justamente por isso que Carrière aconselha aos doentes o passeio matutino nas vinhas, quando o sol ainda não evaporou a humidade que banha a superficie do fru- cto, e este conserva por conseguinte toda a sua frescura.
Ha casos, porém, em que estes benéficos effeitos não podem ser aproveitados pelos maiores inconvenientes que poderiam trazer comsigo : a influencia nociva do ar fresco e dos nevoeiros da manhã sobre os tísicos, não lhes permitte abandonar o ambiente temperado da habitação, antes que o sol tenha dissipado a névoa e suavisado um pouco a ex- cessiva frescura da atmosphera. Um outro inconveniente pôde ainda apontar-se applicavel a todos os indivíduos: a humidade do solo da vinha, impregnando o calçado, e arre- fecendo os pés, traz como consequência frequente enterites mais ou menos graves, que prejudicam os effeitos da medi- cação. N'estes casos aconselha Curchod o exercício nos pas- seios frequentados, nas avenidas, e nos logares convenien- temente calcetados, onde ao mesmo tempo se possa calcu- lar melhor do que na vinha, a quantidade d'uvas ingerida em cada refeição.
Querendo aproveitar os effeitos tónicos da uva, devem escolher-se os cachos maduros e mesmo muito maduros; a uva porém colhida na véspera deve ser melhor, porque perdeu um pouco do excesso da sua agua de vegetação, que é substituída por assucar. É principalmente durante o maior calor do dia que se torna conveniente mandar cor- tar os cachos destinados a serem ingeridos no dia seguin- te. As razões que me levam a fazer este reparo são ob- vias, para que me demore n'elias por mais tempo.
Resta agora saber se será conveniente rejeitar as pelli-
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calas e as grainhas, ou se devemos aproveitar estes prin- cípios juntamente com o sueco. É um facto incontestável que as pelliculas e as grainhas, sendo absolutamente refra- ctárias á digestão, actuam como corpos estranhos, tanto mais nocivos quanto é certo que nos très kilos de uvas que diariamente se empregam no tratamento ampelothera- pico, entram aquelles princípios na porção notável de meio kilo approximadamente ; podem por conseguinte estas par- tes componentes da uva arrastar graves consequências, já pela irritação que podem produzir, já pelos effeitos mecâ- nicos da obstrucção. Mas se por um lado estes obstáculos se apresentam, sabemos por outro que os princípios aro- máticos e adstringentes contidos nas pelliculas, principal- mente em certas castas, podem ter uma benéfica influencia em certos estados mórbidos. Convém n'estas condições aproveitar tanto quanto seja possível as vantagens, sem in- correr nos inconvenientes; aconselha-se pois ingerir ape- nas uma pequena porção de pelliculas, aproveitando das restantes, por uma mastigação e pressão prolongadas, os princípios medicamentosos n'ellas contidos.
4) Regimen alimentar e hygienico. — Temos de attender
no regimen alimentar a duas indicações principaes. Primei- ramente, evitar todas as substancias alimentares que podem, como a carne do porco, o queijo, as gorduras em excesso, e as substancias farináceas, perturbar as funeções digesti- vas, e por conseguinte contrariar os salutares effeitos da uva.
Em segundo logar procuraremos apropriar conveniente- mente a quantidade e a qualidade dos alimentos ao fim que temos em mira e ao qual se dirige o tratamento am- pelotherapico. Assim é que nos casos em que desejamo
obter effeitos altérantes, como nas doenças do sangue e nas dermatoses em geral, devemos excluir a alimentação azotada e as gorduras, permittindo apenas o pão e alguns legumes e administrando a quantidade de carne estricta- mente indispensável para as necessidades do organismo.
Na phletora abdominal, affecções do fígado e hemorrhoi- darias, já o regimen tónico adquire um certo valor como adjuvante da medicação resolutiva; e è por isso que se permitte n'estes casos o uso d'uma quantidade mais consi- derável de carne, mas evitando sempre com todo o cui- dado as espécies, o café, as gorduras e o vinho a não ser em quantidade moderadíssima.
Finalmente, na escrofulose e estados convalescentes a dieta deverá ser accentuadamente tónica e reconstituinte, tornando-se altamente recommendavel como poderosos ad- juvantes as carnes mal assadas, os vinhos generosos e pu- ros, etc. « Em conclusão diremos com Herpin que durante o tratamento pelas uvas o regimen alimentar deve ser su- bordinado e accommodado á natureza da doença, á consti- tuição do enfermo, ás indicações e ao fim que pretendemos attingir». Casos ha em que a alimentação do doente deve constar exclusivamente de uvas; n'estas circumstancias con- siderate a medicação como consistindo n'uma espécie de abstinência, que tem, como sabemos, uma poderosa influen- cia nas metamorphoses orgânicas, favorecendo o trabalho de eliminação e por conseguinte o desapparecimento de productos mórbidos os quaes, lançados na torrente circula- tória pela absorpção intersticial exagerada, vão destruir-se servindo de elementos indispensáveis ás funcções da res- piração e calorificação.
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da Schulze aos doentes procurar logares mais ou menos distantes das suas habitações onde, subtrahindo-se momen- taneamente ás impressões familiares, encontrem na diversi- dade de costumes e de circumstancias locaes um motivo de distracção constante, e ao mesmo tempo as condições climáticas adequadas ás exigências mórbidas do seu or- ganismo. Assim nas lesões cardíacas procurar-se-hão de preferencia as altitudes elevadas com uma pureza conside- rável da atmosphera ; na escrofulose um ar puro, fresco, constantemente agitado pelos ventos, é em extremo favorá- vel, ao passo que nas lesões nervosas, pelo contrario, ca- rece-se d'uma certa serenidade e estabilidade nas condi- ções atmosphericas. A todas estas particularidades e mui- tas mais que poderia apontar, mas que não são do principal dominio d'esté trabalho, é indispensável attender para me- lhor garantia de bom êxito no tratamento ampelotherapico.
5) Escolha da localidade.—Sendo a uva um producto essencialmente variável nas suas propriedades com a diver- sidade de terreno e do clima, comprehende-se tanto mais a importância que deve ter a escolha do logar quan- to é indispensável apropriar o clima ás condições espe- ciaes do doente que se nos apresenta. As numerosas es- tações ampelotherapicas que se encontram dissiminadas na vasta extensão de terreno que vae desde a Suissa e Rheno até ao Tyrol e Hungria, permitte até certo ponto encontrar sempre uma localidade mais ou menos consentânea com o fim que desejamos obter.
A extensão do nosso trabalho e a falta de tempo não nos permitte entrar em mais amplas considerações; em todo o caso sempre apresentaremos os nomes das estações
mais recommendaveis pela riqueza dos seus productos e amenidade do clima. Citaremos em primeiro logar as esta- ções das margens do Rheno pela prosperidade das vinhas pouco expostas aos ventos do norte, e onde por conseguin- te o outono é suave e a maturação precoce. Temos em se- guida as vinhas da Suissa, com especialidade as das mar- gens do lago de Genebra, notáveis pelas excellentes con- dições do clima; as estações principaes são Veytaux, Mon- treux, Vevey, e Aigle. Na Baviera rhenana apontaremos Gleisweiler e Durckeim, Grunberg na Silesia prussiana, Threms no Valle do Danúbio proximo a Vienna d'Austria, e mais além Kumpoldskirker, Váslam, e Presseburg na Hungria. Na região meridional do Tyrol encontramos Me- ran e estações circumvisinhas em que a riqueza das uvas attinge um grau elevadíssimo, proporcionando conjuncta- mente com a suavidade da temperatura as melhores ga- rantias de bem estar aos indivíduos afectados de doenças chronicas, graves e rebeldes.
É realmente para lamentar que na lista importantíssima que acabamos de apresentar não figure uma única estação nacional, quando a riqueza da nossa região vinhateira e a amenidade do clima podiam incontestavelmente fazer com que rivalisassemos vantajosamente n'esta parte com muitos paizes estrangeiros. Se dispozessemos de espaço eu provaria por meio de um estudo comparativo que bastantes localidades do paiz, como por exemplo Fel- gueiras na Beira, Monchique no Algarve, e Moledo no Douro, deviam, estabelecendo as benéficas estações am- pelotherapicas, senão exceder pelo menos igualar os estabelecimentos análogos que mais reputação gosam lá fora. Preencherei esta lacuna quando se me offere-
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cer occasião para desenvolver o assumpto em questão, que, como no principio do trabalho o refiro, não passa por agora d'um simples ensaio.
6) Circumstancias que nos podem levar a modificar ou
a suspender temporariamente o regimen. — Seguindo n'es- ta parte as idéas de Gurchod, não deixaremos de apontar um certo numero de casos, aos quaes devemos attender convenientemente para evitar perturbações de qualquer or- dem.
Temos em primeiro logar a menstruação. Aconselha-se geralmente que durante o periodo catamenial se suspenda, ou pelo menos se diminua a quantidade de uvas ingeridas, a fim cie evitar um desvio qualquer n'esta importantíssima funcção. Durante a prenhez e a lactação rejeita-se também este emprego systematico como meio therapeutico; em do- ses moderadas, porém, as uvas podem ter uma influencia fa- vorável sobre a saúde da mãe e da filha, como succedeu no exemplo notável apresentado pelo auctor precitado. O fluxo hemorrhoidario e as hemoptysis, que muitas vezes são effei- tos do próprio regimen, exigem uma sensível diminuição da dose, sem todavia reclamarem na generalidade dos casos uma suspensão completa.
Além d'estas perturbações leves ha certos accidentes ligados a idyosincrasias particulares que contraindicam for- malmente a continuação do-tratamento pelas uvas. Entre esses desvios pathologicos, uns puramente nervosos como nevralgias, vertigens, etc., outros dos órgãos digestivos avultam principalmente a icterícia, e a estomatite nas duas formas em que vulgarmente se manifesta.
de simular uma doença grave do fígado, é de preferencia nas crianças que a vemos desenvolver-se, seguida em al- guns casos de symptomas cerebraes accentuados em tudo similhantes aos que se manifestam no curso da pathologia das meningeas do cérebro.
A estomatite depende em geral da maturação imperfei- ta e da má qualidade das uvas; algumas vezes, porém, não podemos deixar de a filiar n'uma idyosincrasia especial, ou n'uma espécie de saturação orgânica, que se manifesta quando a dieta pelas uvas se prolonga além de certos li- mites. Das duas formas que pôde affectar esta doença, a primeira é leve e constitue apenas uma simples indisposi- ção caracterisada por uma vermelhidão e tumefacção das gengivas e da lingua com sensação de ardência e secreção abundante da saliva; a segunda, exclusiva das crianças e muito mais intensa, é acompanhada de perturbações gastro-intestinaes, que se revelam por dores na região epigastrica, tympanismo, vómitos, pallidez de face e em alguns casos mesmo de leve movimento febril. Todas estas perturbações se dissipam promptamente pela absten- ção dos fructos e pelo emprego d'alguns meios therapeuti- cos ligeiros como o leite e a magnesia calcinada.
Duas palavras agora sobre a conservação das uvas. Um dos melhores processos, adoptado por Charmieux, consiste no seguinte J: •
A fructeira propria para uvas deve ser ampla e estar situada tanto quanto ser possa no centro do edifício, para evitar a influencia nociva da humidade.
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As suas paredes devem ser guarnecidas de taboas col* locadas em linhas sobrepostas, distantes três decime- tros umas das outras, e atravessadas por um grande numero de orificios, em cada um dos quaes possa entrar o gargalo d'uma garrafa que se enche até aos três quartos de agua, misturada com um pouco de carvão de madeira em pó para evitar a putrefacção do liquido. Colhidos os cachos que devem ser dos melhores, e cor- tados com tesouras os bagos podres ou pouco resistentes, introduz-se o peciolo desnudado de folhas na garrafa assim preparada, a fim de se suspenderem nos tabuleiros horison- taes da fructeira. Em seguida convém evitar as correntes de ar, o movimento, a luz, e conservar o thermomètre a uma temperatura sempre superior a dous graus centígra- dos. Os frascos achar-se-hão descobertos, não havendo ne- cessidade de mudar o liquido contido, pois que desde o mez de novembro até ao fim de maio, em que se ultima o consumo, a columna liquida apenas se deprime cinco a seis centímetros quando muito.
Em Thomery os viticultores conservam as uvas por ou- tro processo. Escolhidos os cachos, que mais abrigados fi- cam das variantes atmosphericas, e depois de conveniente- mente eliminados os bagos podres, são em seguida trans- portados para a fructeira, onde se acham tabuleiros sobre- postos, distanciados oito centimetres uns dos outros, e co- brindo as paredes da sala desde o pavimento até ao tecto. A divisão da sala n'um certo numero de compartimen- tos longitudinaes separados por corredores d'um metro de largura, permitte accumular uma quantidade relativamente considerável de cachos n'uma área pouco extensa; motivo porque se aconselha esta disposição nas estações frequen-
tadas por numerosos indivíduos. Os tabuleiros destinados a conter as uvas são caixas de madeira, cujo fundo é subs- tituído por uma rede fina de arame tapetada de folhas sèc- cas de feto, inclinadas approximadamente dez centímetros de traz para diante; é sobre estes supportes que se collo- cam os cachos enfileirados de maneira que se não estabe- leça o contacto d'uns com os outros. Tomadas estas pre- cauções, é depois indispensável visitar frequentes vezes os cachos durante todo o tempo da conservação, não só para se eliminarem promptamente os bagos que apparecem al- terados por uma razão qualquer, mas também para se col- locar nas extremidades da sala uma porção grande de cal viva, desde o momento em que se note um certo grau de humidade extremamente nociva á conservação do fructo. Precauções análogas é indispensável ter no trans- porte das uvas para grandes distancias. Collocam-se os cachos em caixões de madeira cheios de farelo ou de serradura de choupo bem sêcco, dispostos horisontalmente uns ao lado dos outros sobre uma camada de farelo de cinco centímetros de espessura; lança-se em seguida uma nova camada da mesma substancia e sobre ella segunda ordem de cachos, que se cobrem por sua vez de farelos, e assim successivamente até encher completamente a caixa. É de absoluta necessidade, depois da adaptação da tampa, que o conteúdo fique submettido a uma certa compressão que impossibilite os deslocamentos altamente nocivos, evi- tados os quaes pôde a uva percorrer mil kilometros sem o menor inconveniente de deterioração l.
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Lembra naturalmente, attentas as dificuldades de con- servação, substituir em alguns casos as uvas frescas pelas passas, que constituem ainda um dos principaes ramos de commercio nos paizes meridionaes.
As uvas sêccas fizeram em todos os tempos uma par- te importante, principalmente nos povos pobres, da alimen- tação. Nas primeiras idades formavam um artigo de tro- ca, e os primeiros navios que sulcaram os mares transpor- tavam este fructo para os climas em que a vinha era desco- nhecida. Já o Egypto, a Syria, a Asia Menor, a Grécia, Si- cília, Italia, a Hespanha do littoral do mediterrâneo, explo- ravam este ramo agrícola em muito maior escala do que actualmente. Para nós porém, o desvario dos nossos gos- tos, ou antes as necessidades substanciaes que o clima nos impõe, não nos permitte considerar as passas como um ali- mento de primeira ordem — constituem simplesmente um accessorio, e até para muitos ura condimento.
Não é difflcil comprehender a enorme distancia que dis- tingue as uvas das passas : o excesso de assucar e a impos- sibilidade de separar as pelliculas da quantidade minima do sueco acido que encerram as segundas, não podem por forma alguma permittir a substituição na immensa maioria dos estados mórbidos susceptíveis d'uni tratamento ampe- lotherapico.
As mesmas objecções não seriam já applicaveis ao me- thodo seguido em certas localidades, como em Creuznach, e que consiste na compressão mecânica da uva, e conser- vação do sueco resultante em garrafas que em seguida po- dem ser expedidas para distancias consideráveis.
systema — a eliminação das pelliculas e grainhas — é em muitos casos um verdadeiro inconveniente. Por outro lado, comú o faz notar Herpin, ninguém nos pode garan-
tir que a totalidade dos princípios do sueco se ache inalterável depois de submettido ás operações do processo d'Appert, que tem por fim unicamente a sua conserva- ção. Falta além d'isso n'este meio de tratamento um ele- mento que também concorre poderosamente para os bené- ficos efeitos da ampelotherapia—o exercido e a distracção que proporcionam ao doente a belleza, e o viço das regiões vinhateiras.
Muito haveria ainda que dizer sobre o importante as- sumpto que escolhemos para ponto da nossa dissertação, e a que, por escassez de tempo, não podemos dar mais amplo desenvolvimento. Sirva ao menos o que deixamos escripto para mostrar quanto seria conveniente e de utilidade geral encetarmos um estudo, novo para nós, mas firmado já em alguns paizes estrangeiros pela auetorisada pena de muitos práticos distinctos e conscienciosos.
PROPOSIÇÕES
Anatomia. — As fibrillas primitivas do musculo estriado