CHAPTER 5: Research Methodology
5.5 Data Analysis
Rodriguez e Silva (2009, p. 178) apontam através de Sauve (2003) quatro concepções filosóficas e políticas diferenciadas quanto a compreensão da EA, baseadas no princípio da função social da Educação: tecnicista, comportamental, ética e ético-social. (Quadro 3).
Quadro 3 - Síntese das Concepções de EA segundo Sauve (2003)
Concepções de EA VISÃO
Tecnicista Tecnocrática, pragmática e utilitária da EA: a tecnologia é a solução dos problemas ambientais, prioriza as demandas profissionalizantes, transmissão de conhecimentos sistematizados, reproduz o valores do sistema capitalista vigente (mercado livre, substituição de valores (capital substituindo o natural) em prol do desenvolvimento, em que a natureza é restrita como recursos naturais.
Comportamental Pragmática quanto ao comportamento humano, visto como instrumento suficiente para a mudança de hábitos e atitudes das pessoas com relação aos problemas ambientais, desde que estas sejam informadas cientifica e tecnologicamente sobre as consequências negativas de seus atos sobre o meio ambiente (visto como meio de vida cotidiana) e dominem os conceitos de inter-relações entre sociedade e natureza. Preocupa-se com indicadores de curto prazo, investimentos em tecnologias limpas e a regulação dos usos e direitos sobre os recursos, e pensa-se na implementação de um ‘capitalismo verde’. Ex: Corrente do ambientalismo pragmático.
Ética Faz um direcionamento para mudanças na sensibilização dos seres humanos a partir da valorização do pensamento ético-filosófico e científico. Enfatiza a justiça social no desenvolvimento sobre o crescimento econômico, propondo uma humanidade educada para equidade social, livre, comunitária, em harmonia com o mercado e a natureza, centralizando os “valores verdes”.
Ex: Movimentos radicais, como ecologia profunda, social e outras.
Ético-social Direciona tanto para grupos de educação formal e não-formal, proporcionando indivíduos críticos da realidade social, tornando-os agentes de transformação da mesma. Percebe a origem da crise ambiental na estrutura social, logo de posição ético-filosófico crítica a sociedade capitalista e visualiza um socialismo com harmonia com o meio ambiente, igualdade e democracia participativa e sustentável. Ex: Movimentos ecossocialistas.
Segundo (LOPEZ, SARIEGO, 1994), esse modelo, baseado na cultura ambiental, deve observar os princípios da pedagogia ambiental: (transdisciplinaridade da EA, ação-investigação-educação, articulação entre a educação formal e informal, processo educacional contínuo e não fechado nem pré-estabelecido, uma EA efetivada no cotidiano, contribuir para uma formação holística, sistêmica, integradora, probabilística, guiada ao futuro, crítico, criativo e prospectivo; desenvolvimento sustentabilidade; acesso da EA conforme o grupo a ser capacitado e considerar.
Fonte: Rodriguez e Silva (2009, p. 178-183).
Essa pluralidade de concepções da EA reflete em diferentes definições e metodologias de atuação da mesma, nos mais variados projetos ambientais, contribuindo mais
ainda para as divergências do pensar ambiental científico, político, econômico e social e, por conseguinte, diversificando seus objetivos, aumentando sua complexidade de compreensão e dificultando a integração de saberes ou compartilhamento de ações ou intervenções de gestão ambiental que possam culminar para o alcance do eixo central da EA, ou seja, a sustentabilidade socioambiental planetária.
Qual seria então, o grande desafio de um processo de EA, coerente e ético/social com a sustentabilidade socioambiental, de maneira a possibilitar uma significação para garantia da vida planetária, tanto para as gerações de hoje e de amanhã, capaz de frear ou minimizar os impactos da crise ecológica, que se transformam aceleradamente em prejuízos naturais e sociais e colocam em risco a própria sobrevivência humana?
Na carta de Belgrado, conforme Reigota (2004, p. 31), foram definidos seis objetivos que pontuam a EA e são interpretados da seguinte forma:
1º) Conscientização: promover ao indivíduo e a grupos sociais uma visão ampliada das questões relacionadas aos problemas ambientais globais, gerando uma sensibilização e um chamamento para a responsabilidade social planetária. 2º) Conhecimento: proporcionar ao indivíduo e a grupos sociais o acesso
democrático e de compreensão popular dos conhecimentos científicos sobre o meio ambiente.
3º) Comportamento: gerar no indivíduo e a grupos sociais um sentimento de afeto ao meio ambiente e, com isso, provando mudanças de postura quanto a sua proteção e qualidade.
4º) Competência: capacitar o indivíduo e grupos sociais a criar soluções adequadas aos problemas ambientais, buscando uma integração do conhecimento técnico e especializado com a realidade de cada situação.
5º) Capacidade de Avaliação: levar o indivíduo e a grupos sociais a aprendizagem avaliativa de medidas e programas direcionados ao meio ambiente, considerando as esferas de ordem ecológica, política, econômica, social, estética e educativa.
6º) Participação: contribuir para o indivíduo e a grupos sociais ter uma percepção de suas responsabilidades e criar mobilidades participativas em ações objetivas a solução imediatamente de problemas ambientais em prol da qualidade de vida socioambiental.
O comportamento histórico da humanidade nas suas relações com o meio ambiente confirma ações e atitudes de descaso com a vida planetária. Tendo em vistas os
pressupostos dos objetivos traçados pela Carta de Belgrado é evidente a necessidade de formar ou reformar a postura humana diante da problemática ambiental global, gerada em alguns casos pela própria regulação dos sistemas naturais e na maioria das vezes, derivada das interferências antrópicas no meio ambiente.
A EA tem uma dimensão transdisciplinar, pois envolve todos os ramos da ciência e saberes populares. Depende, portanto, para sua efetivação e qualidade da participação de todos os setores da comunidade global, ou seja, social, político, econômico, religioso, educacional e etc. A EA deve ser integrativa, integradora e é de responsabilidade de todos os cidadãos da Terra, não é tarefa de um único profissional, instituição ou órgão nacional, regional e internacional. As ideias científicas e culturais acerca do tema, desde que sejam positivas e direcionadas a equidade da sustentabilidade socioambiental, devem ser compartilhadas e não se tornarem motivo para disputas de saberes científicos e culturais ou em novas formas de dominações socioeconômicas por determinados grupos empresariais e povos do mundo.
A EA precisa ser uma motivação comum a todas as classes e grupos sociais, aculturar-se, interiorizada ou integrada no corpo-mente de cada indivíduo ou grupo social, de maneira que promova modificações comportamentais saudáveis, a partir do desenvolvimento de uma mentalidade diferente quanto ao sentir, pensar, saber e fazer a relação de cuidado com o meio ambiente, rumo a uma mudança de paradigma global, possibilitando a sustentabilidade da vida universal, na qual o homem é parte e participante de sua construção.
Educar é um processo contínuo de aprendizagem e a capacidade humana de aprender é ilimitada, resultado de observações e trocas de saberes culturais e científicos repassados entre as gerações, logo, transmissíveis ao longo da história, por tradições ou traduções de teorias e técnicas científicas. Assim, no processo de EA é também possível resgatar e transformar a aprendizagem do ontem para o hoje, que servirá para o amanhã. Nessa perspectiva, é interessante refletir que o avanço tecnológico favorece uma gama de novas aprendizagens e simultaneamente um estímulo a produção e consumo excessivo de materiais descartáveis e de atividades agressivas ao meio ambiente global, sendo,portanto é essencial uma nova aprendizagem humana ou educação socioambiental que contribuía para a construção de um novo pensar ou paradigma que questione a seletividade e controle dessa produção e consumo.
É importante ressaltar que o processo de educação do meio ambiente ou EA deve estar atrelado ao desenvolvimento das políticas públicas, integrado as ações educativas (municipais, estaduais, nacionais e internacionais) e, embora, seja processual, demandar
tempo e recursos técnicos, financeiros e metodológicos adequados a cada situação-problema socioambiental, quando realizada com coerência, com responsabilidade ética e social, constitui um investimento com garantias de retornos socioeconômicos qualitativos de bem estar comum, tanto para as gerações atuais como para as futuras, pois a EA é um caminho que tem coração, logo, é um bom caminho a ser trilhado.