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Theme #1 - Ascribing meaning to ‘home’

Chapter 3 - Analysis

3.3 Theme #1 - Ascribing meaning to ‘home’

Como recorrentemente observado, os desenvolvimentos científico e tecnológico guardam importante relação com o nível de desenvolvimento econômico. Como visto no Capítulo 3, é comum observar que os países do grupo das economias com melhor desempenho econômico em geral também figuram dentre aqueles com maior número de patentes e artigos científicos no contexto internacional. De forma similar, o processo de ascensão aos estágios mais elevados na escala econômica internacional também passa pelo incremento nas capacitações científicas e tecnológicas internas. Com base nessa perspectiva, a Tabela 16 mostra as dez maiores economias mundiais em 2010, de modo a permitir observar

sua condição no ano de 1995 e sua evolução em termos econômicos e no que tange ao desenvolvimento de seus sistemas de inovação.

Dentre as mudanças no grupo das dez maiores economias do mundo entre 1995 e 2010, destaca-se a entrada da Índia e a saída da Espanha, que por isso não figura na Tabela, e a ascensão da China, que da sétima posição saltou para a terceira ao longo desse período. A posição dos Estados Unidos, em termos econômicos, científicos e tecnológicos, é indiscutível. Em termos absolutos, o patamar observado para este país se encontra muita acima dos demais o que justifica sua liderança no contexto econômico global17. A escala de ação americana nos três itens apresentados na Tabela 16 está muito além dos padrões verificados dentre os demais países, tanto em 1995 quanto em 2010, mesmo com a perda de fôlego em sua economia neste período18.

Tabela 16: Cenário econômico, tecnológico e científico internacional: dez economias com maiores GDPs – 1995 e 2010

GDP (US$ Bilhões de 2010) Patentes USPTO Artigos ISI

1995 2010 1995 2010 1995 2010 Estados Unidos 10.133 14.623 123.958 241.977 194.721 298.885 Japão 5.746 6.451 39.872 84.017 52.481 71.215 China 1.004 4.110 144 8.162 11.885 134.668 Alemanha 2.178 2.632 11.853 27.702 47.169 82.794 Reino Unido 1.579 2.226 5.202 11.038 42.734 63.712 França 1.469 1.875 5.001 10.357 37.142 58.002 Itália 1.272 1.451 2.128 4.156 22.846 46.255 Índia 449 1.233 91 3.789 12.373 42.035 Brasil 739 1.164 115 568 5.095 29.958 Canadá 750 1.105 4.745 11.685 27.218 50.135

Fonte: Elaboração própria a partir de World Bank, USPTO e ISI. *São utilizados dados referentes à Inglaterra como proxy para o Reino Unido.

Por outro lado, o Brasil, que nesse período manteve uma posição estável, figura numa escala econômica, tecnológica e científica ainda bastante abaixo da apresentada pelos líderes mundiais. O Brasil, em 1995, foi o penúltimo do grupo considerado em volume de patentes registradas no USPTO, caindo para último, em 2010. Em se tratando de produção científica, o volume de artigos publicados por pesquisadores residentes no Brasil, foi inferior ao verificado

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Assim como já apontado anteriormente, tem-se consciência aqui que é natural que os Estados Unidos apresentem um volume maior de patentes que os demais países, uma vez que a fonte destes dados, o USPTO, é o escritório local de registro de patentes e propriedade intelectual. Entretanto, a despeito desta possível distorção, os dados oriundos do USPTO são utilizados frequentemente como parâmetro para a produção tecnológica internacional.

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Mais uma vez, cabe ressaltar que a diferença entre os totais de patentes nacionais verificados nas Tabelas 5 e 14 reside no fato de a segunda considerar a soma das patentes regionais. Dado que em muitos casos não foi observável a informação quanto à região de residência do depositante, na primeira muita informação foi perdida.

em todos os outros dez países considerados, nos dois períodos. Faz-se, ainda, importante ressaltar que dentre os três países emergentes no grupo considerado, o Brasil foi o que apresentou menor evolução, principalmente, tecnológica e científica19. As expansões de China e Índia em termos do registro de patentes no USPTO foram elevadíssimas e guardam relação com sua ascensão econômica. A escala na produção científica nestes dois países também está bastante acima da verificada no Brasil, principalmente para a China, que dentre as maiores economias globais, foi a segunda em termos de publicações científicas em 2010.

Ao se ponderar os dados da Tabela 16 de acordo com a população nacional, observam- se mudanças nos quadros econômicos, tecnológico e científico internacional, para as dez maiores economias mundiais, como se vê por meio da Tabela 17. É verificável, por exemplo, que o Japão passa a superar os Estados Unidos em se tratando do GDP per capita. Países como o Canadá e o Reino Unido também o superam no número de artigos publicados para cada 1 milhão de habitantes. No entanto, a liderança americana no depósito de patentes permanece.

A dimensão populacional também influencia a comparação entre Brasil, China e Índia. Em primeiro lugar, observa-se que mesmo figurando como a terceira maior economia do mundo, em 2010, a China apresenta GDP per capita muito reduzido em comparação aos demais países avaliados. Situação similar ocorre para a Índia. Assim, percebe-se que o Brasil apresentou desempenho superior a estes países, em termos econômicos e científicos, ao se ponderar as informações pela população nacional. Contudo, considerando o depósito de patentes por milhão de habitantes no USPTO, China e Índia, que em 1995 apresentavam um patamar abaixo de todos os outros países considerados, passam a superar o Brasil em 2010, mesmo tendo populações muito maiores que a brasileira.

Outro ponto que a Tabela 17 permite verificar é o acirramento da distância entre as economias desenvolvidas e as em desenvolvimento, considerando a sua dimensão populacional. Mais uma vez, observa-se também que a geração interna de riquezas, mensurada pelo GDP per capita, guarda importante relação com o desenvolvimento do sistema de inovação, assim, como visto anteriormente no Capítulo 3, em se tratando das atividades científica e tecnológica regionais médias. Deste modo, fica explicito que Brasil, China e Índia precisam ampliar em muito sua escala econômica, científica e tecnológica para

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Embora a produção científica brasileira tenha crescido mais que a indiana, no período, o seu volume ainda era bastante inferior em 2010.

alcançarem os países já desenvolvidos, o que se faz um grande desafio, uma vez que estes continuam em evolução (RIBEIRO et al., 2006). Diferente do que ocorreu em países que passaram por processos recentes de catch up, como Japão, Coréia do Sul e Taiwan, estes três países apresentam escala populacional e territorial muito mais elevadas, o que demanda grandes saltos na sua escala de ação, como vem ocorrendo especialmente na China, como mostrou a Tabela 16.

Tabela 17: Cenários econômico, tecnológico e científico ponderados pela população estadual – 1995 – 2010

GDP Per Capita Patentes por milhão de hab. Artigos por milhão de hab.

1995 2010 1995 2010 1995 2010 Estados Unidos 38.053 47.270 465,52 782,21 731,27 910,43 Japão 45.811 50.616 317,86 659,21 418,38 558,77 China 833 3.072 0,12 6,10 9,86 99,87 Alemanha 26.670 32.189 145,12 338,75 577,50 973,73 Reino Unido 27.224 35.765 89,66 177,37 736,55 1023,79 França 24.665 28.818 83,97 159,15 623,65 891,30 Itália 22.377 23.989 37,44 68,71 401,90 764,76 Índia 465 1.006 0,09 3,09 12,83 33,15 Brasil 4.566 5.973 0,71 2,91 32,70 156,00 Canadá 25.540 32.386 161,65 342,41 927,23 1363,41

Elaboração própria a partir de World Bank, USPTO e ISI. *São utilizados dados referentes à Inglaterra como proxy para o Reino Unido.

Comparando especialmente as posições de Brasil e Estados Unidos, fica clara a distância entre estes dois países e o atraso estrutural brasileiro. Embora apresente população superior ao Brasil, os Estados Unidos mostra GDP per capita, patentes e artigos por milhão de habitantes muito superiores ao verificado no Brasil. Esse quadro mostra que mesmo tendo apresentado expansão em tais indicadores entre 1995 e 2010, as atividades econômica, tecnológica e científica precisam de um salto ainda maior em sua escala, para que o Brasil possa, de fato, alcançar as economias líderes, em especial os Estados Unidos.

Se dará adiante uma comparação entre os SNIs brasileiro e norte-americano centrada nas desigualdades regionais existentes nestes dois países, em termos econômicos e no que tange aos seus SNIs. Tal comparação focará na evolução destas economias entre 1995 e 2010. Trata-se de dois casos bastante distintos, como já verificado por meio das Tabelas 16 e 17. Os EUA é reconhecidamente o país mais avançado em termos de desenvolvimento econômico e tecnológico, contudo tem passado por um processo de crescimento da desigualdade de renda nas últimas décadas (COZZENS et al., 2005). O Brasil, por outro lado, é apontado como um país com forte potencial para crescimento nos próximos anos, o qual experimentou, ao longo

da última década, um processo de redução na desigualdade social (NERI, 2011). Contudo, o país ainda apresenta alguns dos principais problemas relativos à condição de subdesenvolvimento.

A Tabela 18 mostra um comparativo em termos de taxas de crescimento para os dois países, de modo a ilustrar esse cenário recente. Observa-se que entre as décadas de 1990 e 2000 houve uma inversão nas tendências de crescimento do produto interno e do produto per capita nos dois países. Nesse sentido, enquanto o Brasil mostrou uma tendência, mesmo que pequena, de crescimento do PIB e do PIB per capita no período, os EUA mostram uma trajetória de redução do crescimento para os dois indicadores, especialmente entre 2005 e 2010.

Tabela 18: Crescimento do PIB/GDP, PIB per capita/ GDP per capita e População – Brasil e EUA – 1995-2010

Brasil EUA

PIB PIB per capita População GDP GDP per capita População

1995-2000 2,41 0,66 1,73 3,68 2,49 1,17

2000-2005 4,20 2,52 1,64 2,27 1,33 0,93

2005-2010 2,94 2,22 0,70 0,59 -0,29 0,88

Fonte: Elaboração própria a partir de Bureau of Economic Analysis - US, US Census Bureau e Ipeadata.

Adiante são apresentados dados estaduais relativos às patentes, artigos científicos publicados, alunos de pós-graduação em ciências e engenharia (C&E) e investimentos em P&D universitário. Acredita-se aqui que a consolidação do sistema nacional de inovação no Brasil passa pela sua expansão em direção às regiões menos desenvolvidas no país, o que será avaliado a seguir.

4.2 Distribuição regional do Sistema de Inovação e desenvolvimento no Brasil e Estados