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The Third Type of Agreement: Faust’s Wager

In document at the University of Bergen (sider 145-151)

Johann Spies’s Historia von Doktor Johann Fausten (1587)

3.2 The Pact

3.2.4 The Third Type of Agreement: Faust’s Wager

No início de 1922, Preto estava concentrado na organização do sector sindical do IL, acção que veio a ser perturbada com a sua autossuspensão da actividade política, em maio desse ano, como sequela da questão dinástica atrás assinalada. Esta suspensão dissolveu parcialmente o primeiro embrião de uma organização fascizante a partir do IL.

Após uma primeira cisão provocada por militantes que permane- ceram fiéis ao Rei D. Manuel, o IL procurou reforçar a sua organização, criando secções distritais e locais e dando liberdade a Rolão Preto para

74 Cf. Nuno Simão Ferreira, “Alberto de Monsaraz e a vaga dos nacionalismos e dos radi-

calismos politico-autoritários europeus do Pós-Primeira Guerra Mundial: um rumo até ao fascismo”, Lusíada, Série II, n. 4, 2007, p. 279.

fundar as suas secções “sindicais”.76 Em 1921, Preto criou o Conselho

Económico Central da organização, destinado a coordenar este sector, à medida que se começaram a criar sindicatos integralistas. No início do ano seguinte, surgiu o jornal Revolução, “jornal monárquico-sindicalista” destinado a servir de porta-voz deste sector sindical.77 A começar pelo

título e a acabar no programa, esta primeira experiência fascizante lançou as bases do futuro Nacional-Sindicalismo.

O jornal foi fundado por elementos mais jovens do IL e dirigia-se directamente à classe operária e à pequena burguesia. Rolão Preto desenvolveu aqui o seu conceito de “monarquia social”. Publicaram-se guias de criação dos sindicatos integralistas e pretendeu-se responder periodicamente a A Batalha, diário da CGT anarcossindicalista. O programa do IL foi popularizado na Cartilha do Operário. Uma nova linguagem com “camaradas”, “revolução” e “burguesia” esforçava-se por apontar a esta classe “perturbada pelo internacionalismo” a via para o seu reencontro com o “nacionalismo”, também ele antipoder.

Esta linguagem e esse propósito “subversivo” causavam dúvidas e apreensões no seio do tradicionalismo conservador, pelo que Rolão Preto consagrava parte do seu tempo a explicar o alto sentido patriótico desta recuperação do “proletariado”. Tentava assim justificar a sua acção de rompimento total com o legalismo republicano e de demarcação dos que se recolhiam “à falsa atitude do desprezo burguês por tudo que cheire a reivindicações e aspirações proletárias”.78

Em Março de 1922, preparava-se o “manifesto dos Sindicatos In- tegralistas”, mas a sua expressão era relativamente fraca. Em Lisboa,

76 Cf. Rolão Preto, “Abaixo os Partidos, Viva a Nação. O Sindicalismo Orgânico”, A Monarquia,

30/5/1921, p. 1 e “Movimento Social. A organização sindical Integralista”, A Monarquia, 20/12/1921, p. 1-2.

77 Nº 1, 5/2/1922. Sobre este semanário “monárquico-sindicalista”, vide Cecília Barreira,

“Sindicalismo e integralismo: o jornal ‘A Revolução’ (1922-23)”, Análise Social, Vol. XVII (67-68), 1981, p. 827-838.

um Sindicato Misto da Construção Civil, um dos Empregados do Co- mércio, um dos Empregados Bancários e um, ainda em organização,

dos Metalúrgicos.79 Alguns outros, espalhados pelo país, eram de

duvidosa existência, como o dos Empregados do Comércio da Covilhã. Exceptuando o da Construção Civil, dirigido aliás por um empreiteiro, dentro da filosofia de criar sindicatos mistos de operários e patrões, a organização integralista não conseguiu qualquer implantação fora da área dos serviços.

Este movimento foi abruptamente interrompido pela “traição” que para o IL representou a assinatura do Pacto de Paris entre representantes do Rei D. Manuel e dos herdeiros do candidato legitimista, reconhe- cendo os direitos do primeiro ao trono. A Junta Central integralista proclamou a autodissolução do movimento, e o IL, apesar de retomar a actividade doutrinária no final desse ano, nunca se recomporá em termos organizativos. Era duvidoso que os dirigentes mais importantes do IL, nomeadamente António Sardinha, alguma vez tivessem preten- dido ultrapassar a acção elitista que até então os caracterizara, mas, pelo menos para Rolão Preto, desapareceu a primeira oportunidade de “fascizar” o IL.

A suspensão da actividade do IL poderia permitir, e permitiu, a participação de integralistas em grupos, entretanto, formados, direc- tamente inspirados pelo fascismo, cuja base provinha dos republicanos sidonistas. Preto, no entanto, manteve-se fiel ao IL, quer por razões ideológicas, quer por dúvidas sobre as possibilidades de êxito de um movimento deste tipo, apesar de constituir uma referência para os jovens de IL e de ter sido convidado a assumir a direcção de vários projectos de constituição de movimentos fascistas.

Em 1923, Preto recusou a direcção do Nacionalismo Lusitano, mo- vimento dirigido por João de Castro Osório e directamente inspirado

pelo fascismo italiano.80 Temendo que o IL permanecesse dogmático na

questão da restauração da monarquia, “alarmando os que estão prontos a aceitar uma ditadura nacionalista”, sendo republicanos, Castro Osório tentou várias vezes convencer Preto a defender o seu projecto junto da direcção integralista.81 Pouco tempo depois, convidava-o a assumir

a direcção do seu movimento: “Sendo a organização nacionalista a verdadeira organização do Estado feita de fora para dentro, convém que desde o início a sua organização corporativa seja orientada em tudo por quem seja capaz de a organizar segundo as condições e os princípios necessários”.82

Tentando recuperar a organização sindical integralista, João de Castro pretendia criar uma “Confederação Nacional do Trabalho”, “que temos de opor à C.G.T.”, a central sindical anarcossindicalista.83 A

direcção integralista, no entanto, não forneceu aos “Nacionalistas Lu- sitanos” o apoio material e político que estes pediam, e o próprio Preto, descrente nesta aventura subsidiada por alguns sectores do patronato que rapidamente desapareceu, manteve apenas um apoio distante.

Com a progressiva participação dos militares na vida política, Preto, como aliás a direcção integralista, virou-se para a constituição de núcleos nas Forças Armadas, participando em várias conspirações conservadoras do pós-guerra. Seria impossível fazer aqui um balanço de todas elas, desde as que não ultrapassaram a mera manobra de bastidores até às que saíram para a rua. O abandono das tentações de construir uma organização política própria diminuiu o sectarismo e a prioridade restauracionista da monarquia, vindo a permitir ao IL o reforço da sua influência ideológica e política. Os integralistas começa-

80 Vide supra.

81 Cf. carta de João de Castro Osório a Rolão Preto de 11/10/1923, Arquivo Rolão Preto

(doravante ARP).

82 Cf. carta de João de Castro Osório a Rolão Preto, s.d., ARP. 83 Idem.

ram a unir-se com outros sectores da direita radical, particularmente os sidonistas, no Exército, participaram na reorganização das várias associações patronais, nomeadamente na agricultura, e tomaram o lugar em organizações políticas como a Cruzada Nuno Álvares, que após algumas hesitações iniciais se transformou, em meados dos anos 20, em um fórum ideológico e político de defesa do fascismo, muito embora com uma intervenção elitista.

Em finais de 1923, o “Vamos a isto!” da acção política de Preto refe- ria-se mais aos militares do que a organizações civis. Algumas destas, aliás, consideravam-se organizações de apoio civil a golpes militares.84

Mais rapidamente do que outros dirigentes, ele ultrapassou a “questão do regime” e iniciou a procura de caudilhos militares susceptíveis de dirigir a coligação conservadora. Em 1925, esteve com Filomeno da Câmara no golpe de 18 de Abril de 1925, e a 28 de Maio de 1926, acom-

panhou Gomes da Costa até Lisboa.85 Só em 1926, imediatamente a

seguir ao golpe que derrubou o parlamentarismo republicano, Rolão Preto se associou à constituição de um movimento fascista, já com os “tenentes do 28 de Maio”.

O falhanço da constituição do IL como organização política, o abandono da restauração da monarquia como objectivo imediato e a dispersão dos filiados, aliados à morte prematura do seu chefe e principal ideólogo, António Sardinha, permitiram a Preto e à reduzida componente fascista a coexistência pacífica no interior da “família” integralista. Uma família que perdia alguns dos dogmas ideológicos mais queridos da geração fundadora à medida que engrossava em simpatizantes, estudantes e jovens militares, mais marcados pelo exemplo do fascismo.

84 Cf. Rolão Preto, “Vamos a isto! Os triunfos do Fascismo e de Primo de Rivera aproximam

a hora resgatadora do Luzismo”, A Monarquia, 26/10/1923, p. 1.

85 Cf. José Plácido Machado Barbosa, Para além da Revolução… a Revolução. Entrevistas com

Foi a vitória do golpe militar de 1926 que guindou Rolão Preto à ri- balta política. Seria aliás no agitado mês de junho, durante o brevíssimo consulado do general Gomes da Costa, chefe militar do movimento que derrubou a República parlamentar, o período da sua carreira política em que Preto esteve mais perto do poder. Em conjunto com jovens militares que rodeavam o velho general, este ensaiou imediatamente a constituição de uma organização política com pretensões miliciais, que pudesse servir de máquina de apoio a um golpe palaciano, destinado a colocar no governo da Ditadura elementos próximos do IL.

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